quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Um país que não é país e, pior: sem notícias
“Tim Blanks (Style.com) lança perfume no restaurante Brasil À Gosto, em SP”. Você deveria saber disso, claro, porque você VIVE a realidade brasileira e não é como eu, um eremita dentro dessa selva abjeta. Eu nunca ouvi falar desse tipo, mas acredito que deve viver às voltas com preferências dessas bestas que deambulam pelo topo do mundo consumindo porcarias pra encher suas vidas sem qualquer sentido. Pois saiu na primeirona do Estadão que ele vai lançar um perfume num restaurante. Perfume todos nós lançamos, com ou sem odor, com ou sem ruído. Ele também. A Gisele Bündchen também lança seus perfumes, até mesmo enquanto desfila. Ou você acha que modelos não fazem pum? Sim, fazem sim, e até nas passarelas. Podem ser até poderosos, podem ser fétidos, podem ser daqueles finiiiiiiiiiinhos que saem compridinhos por entre as douradas preguinhas dessas criaturas que só diferem de cavalos de raça porque têm um neurônio a mais, aquele que as impede de fazer totô na passarela. E falei em lançar perfumes porque o primeiro futum já apareceu no título da matéria no Estadão: aquele A não tem crase, estúpidos! Eis aí o peido que vocês soltam bem na cara do leitor decente e higiênico para com o idioma. E é dos fedidos... Essa titica de jornal não tem revisor, não?? E vocês contratam estúpidos para fazer títulos com erros em nível dos que ocorrem em puteiros? Enter.
Boçais! Além de isso valer como notícia só para mentecaptos de carteirinha, ainda metem matéria fecal no título! Mas é isso: tem uma atriz aí, e isso foi “notícia” de primeira página não sei em que titica de jornalão, que apareceu numa festa com vestido transparente. Deve ser daquelas que têm quase nada de pelos pubianos. O nome dela: Nanda Costa. Eu nem conhecia a criatura, embora conhecer esse tipo de gente seja tão edificante como tomar uma coca-cola: só resulta em arroto. E como ela nada tem a dizer, basta você ter um pouquinho de criatividade e humor para tirar o ene do prenome da figura e colocá-lo entre o "o" e o esse do sobrenome. Fica bom: “nada consta”. Se você perguntar sobre teores dentro daquela mente, poderei dizer: nada consta. E assim vai “nossa imprensa”, com gente dizendo asneiras o tempo todo, todos errando estupidamente em vírgula, crase, todos repetindo como papagaios o que os donos da mídia mandam, todos acreditando que o que têm na cabeça é algo diferente de merda. Comecei a fazer um glossário de erros de imprensa em primeira página e desisti. Onde iria terminar isso? Nuuuuuuuuuunca, e em lugar nenhum! A profusão de erros estúpidos é tal que não há obra que comporte... Enter.
Ah!, mas você deve estar dizendo que agora a coisa mudou, porque a “notícia” do momento é a condenação dos mensaleiros, ora viva. Não seja burro, meu! Em que lugar do mundo prender bandidos que roubam o erário é notícia? Notícia é eles não serem presos! Notícia é Maluf, Sarney, Romero Jucá, Renan Calheiros e outros canalhas juramentados estarem no poder, notícia é esses depravados profissionais não estarem presos! O papo da Papuda não está cheio, e parece que os condenados do Mensalão não vão enchê-lo. Estariam propensos a fazer uma visitinha às dependências da penitenciária, mas por que mantê-los lá se durante tantos anos eles se acostumaram a viver às nossas expensas como nababos e se nunca os admoestamos de forma clara e contundente? Você acha que esses caras vão ser tão duramente mal tratados por nós, logo eles, que até já saíram na revista Caras exibindo suas caras de bunda, até no show daquele pianista que não está nem aí pra ética do PT ou qualquer tipo de ética? Você acha que aqueles moços tão gentis serão humilhados com aturar um xilindró? Por falar nisso, você sabe o que significa xilindró? Bem, os dicionários se escondem sob “origem obscura”, mas eu revelo, porque eu sei: xilindró é uma graciosa e debochada maneira de falar nas grades, que são em formato de cilindros. A burrice e até mesmo a ignorância atingem até os dicionaristas... mas voltemos. Enquanto se derem diariamente nas capas da grande imprensa notícias que não são notícias, essa josta não anda. Viveremos o mundinho do faz de conta e de era uma vez. A Banânia vai ficar nisso ou até piorar se os mensaleiros forem “guardados” no xilindró. E é assim porque, enquanto eles determinam que ocorra o julgamento e façam com que o julgamento se arraste pelo tempo hábil, eles trabalham para minar profundamente outras coisas essenciais. E o que parecia um avanço acaba resultando em tremendo retrocesso. Enter.
Já estão na cadeia? Não. Quando vão ter em volta dos pulsos as pulseiras indesejáveis para quem quer que seja? Quando será expedida a ordem de prisão? Será que haverá fuga de algum deles? Pois bem: foram condenados; e agora? Quem leva em cana? Vão entrar no camburão? Vão ser protegidos de algum episódio de fúria popular? Terão regime fechado, semiaberto ou aberto, ou ficarão aí zanzando como o chefe deles, aquele depravado imundo que ainda ousa abrir em público aquela boca realmente merecedora de um projétil de fuzil? É, os juízes do STF cumpriram seu papel. Agora os caras não estão sob algum tipo de poder que os mantenha à disposição do instituto que aplique a pena? Onde estão neste momento? Em casa? No diretório nacional dos Ptelhos deliberando sobre o que vão fazer para que a Justiça passe a ser algo que atenda aos interesses e conceitos deles? Para que a Justiça atenda aos interesses deles? Bem, tire suas conclusões, porque parece que algo malparou nessa história – aliás sem algemas, pra começo de conversa. Enter final.
Você gostou destas linhas? Do que exatamente você gostou? Da abordagem filosófica sobre lançamento de perfumes? Do punzinho finiiiiiiiiiiiiiinho e longo que escapa por entre as douradas pregas das modelos? Acho que sua preferência foi essa. Porque escrever algo tem que virar notícia de alguma maneira, né? E pum sempre é notícia... Veja o anúncio do Luftal. E ficamos assim por agora. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!...
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Mensalão e Cachoeira: o retrato da Banânia
De cima de minhas tamancas de pinho vulgar posso dizer que os letrados vão morrendo aos poucos, enquanto a legião de seres atrasados cresce em progressão geométrica incontrolável. É a turma da porcariada, que hoje entope lojas e ruas dos centros de capitais e cidades em geral procurando consumir caganifâncias ilusórias, compensando frustrações da infância como pedir um brinquedo e os pais não poderem dar, ao passo que outras crianças exibiam suas prendas humilhando os descamisados. Enquanto cresce assustadoramente uma população que jamais alcançará educação e cultura e por isso seja condenada a viver à margem do que seria vida decente, diminuem os que falam o infinitivo do verbo VIR. A turma do “pode vim”, do “vai vim” e do “vô vim” vai consagrando sua escatologia mental e espiritual, e corromper o idioma é uma vingança natural. Os desgraçados do infinitivo “vim” entendem que a desgraça é o normal, e tratam de difundi-la. O Cazuza, segundo me contaram pessoas próximas dele, quando já sabendo estar com Aids, ia pra casas de surubas gay em São Paulo pra transmitir o vírus. Parece inacreditável, mas tem gente que garante que foi assim. E que fazer? Cantar um tango argentino? Enter.
Os patifes do mensalão, os engravatados que o farsante asqueroso classificou de picaretas durante os anos noventa, estão em apuros, isto porque Deus mandou um fiat justitia em cima dessa corja, e agora assistimos ao que sempre deveria ter rolado: pau nos vagabundos safados que não se vexam de viver às nossas custas para fazerem porra nenhuma. Então foi preciso aparecer um escureba irado para com o nhenhenhém dos togados do Supremo, com seus divinizados ministros sempre bostejando em juridiquês isso e aquilo, e nada acontecendo. O Barbosão praticamente chamou aqueles moluscos às falas, como quem diz: “Vamos parar de mariquices e pegar no pesado, seus molengas da pá virada!”. Pá virada significa inutilidade, gente que se encosta na vida e não batalha, não trabalha, não busca. Assim é Brasília, a terra da pá virada, dos pás viradas, e o Barbosão não assumiu aquela toga pra viver de posar sorrindo pra fotos gentis como o recém-aposentado César Peluso, que se derrete perante câmeras. E, ironia da vida, ele virou a estrela naquela boca até há pouco tempo duvidosa como instituição viva e operante. O STF mais parecia um espaço acima dos mortais – e não é pra duvidar de uma suprema corte que tenha um Nelson Jobim, pilantra entreguista e descarado, como presidente??? –, um ninho de seres ungidos por Deus e de costas viradas para as vicissitudes humanas. Pô nenhuma, irmão! O Barbosão “sacudiu as purga” no pedaço, e sacudiu o Brasil com um peidaço que há muito queríamos ver liberado daquelas entranhas. Enter.
Enquanto isso, o Cachoeira vai se desguiando, se escafedendo, com a CPI esvaziada, quase esquecida, se é que não vai ser mesmo engavetada nas suas e minhas fuças. O esquema do bandidão é conhecido de todos, mas o caldo tende a esfriar, uma vez que o ET Demóstenes Torres foi devidamente defenestrado, fazendo um papel que não queria para si jamais: boi de piranha. E assim vai a Banânia se desmilingüindo, aos poucos, considerando que sair do desconcerto histórico em que nos meteram não ocorrerá jamais. Você acha que o samba volta? Que o breganejo e o pagode esmerdeador e o axé vão ser extintos em nome de nossa grandeza? Você acha que o funk vai sair do Rio, que a beleza cultural e artística vai ser reativada? Bem, há quem creia em milagres, mas isso não vai rolar mais: o que ocorrerá é a degenerescência programada pelas mãos invisíveis avançando a conta gotas, dando uma pioradinha a cada segundo, a cada minuto, cada hora, de forma inexorável e sem possibilidade de reversão. Enter.
Até me buzinou a cuca sobre essa coisa do mensalão: esse julgamento está sendo oferecido ao povão para desagravá-lo e, de repente, mais uma vez tapeá-lo. Coisas muito mais graves vão avançando sem que nem saibamos dela, tudo ocultado que está de nossas vistas. Cadê, por exemplo, os responsáveis pela explosão de Alcântara? Cadê, outrossim (cacete, que palavra!), o pinguço, que deveria estar enquadrado nos crimes agora julgados no STF? Cadê os responsáveis pela morte do Toninho do PT e do Celso Daniel? Cadê nosso nióbio? Cadê nossa metalurgia, que não aparece nunca? E cadê nossa tecnologia, já que, só pra exemplificar, não temos celulares com tecnologia nacional? E por que a Embraer não fabrica os caças de que necessitamos, acabando com essa merda de comprar jatos estrangeiros, se somos a terceira potência mundial em tecnologia aeroespacial? Quer dizer: botar canalhas na cadeia é obrigação mais elementar da nossa Justiça. Então o julgamento dos mensaleiros acontece de repente, mas chega tarde e só faz punir um punhadinho... e as mazelas da Banânia continuam aí, e prosseguimos chupando dedo. Enter final.
O Christovam Buarque veio ao arraial em que me acoito há quase três décadas e proferiu uma palestra sobre seu projeto de Educação para o Brasil; antes de começar o lero, foi tocado o Hino Nacional no PA da sala de palestras, e todos se levantaram pra, no máximo, murmurar aquela inana. Pois não me levantei. Não prestigio ondas furadas. Se não há mais nação, por que iria eu reverenciar aqueles versos barrocos e fantasiosos? É como ver crucifixos em paredes de bancos: os vendilhões operando nosso rico dinheirinho sob a égide do Cristo??? Ora, essa não! Comigo não, violão! Ah!, e a palestra? Lá vai: uma fala coerente mas utópica. Os intervencionistas infiltrados em tudo na Banânia jamais permitirão nossa emancipação. É até melancólico achar que vamos um dia renascer dessa desgraça programada pelos algozes da Humanidade. Mas o senador tem que ganhar seu troco, se manter nas cabeças, prosseguir em sua estratosfera, que ninguém é de ferro. É um vidão, o que ele enfrenta: viajar por aí expondo suas idéias e com isso perenizar sua presença nas cabeças. E viva Santo Expedito! Oremos. Ciao, babes!
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
A gracinha que é nossa Banânia
Você está “filiz”? Eu, não. Embora esteja vivendo a grata constatação de que consegui realizar tudo que pretendi pelo bem de todos e felicidade geral da “nação” – e para desespero dos que lutaram loucamente para impedir tamanha vitória –, vivo a frustração dos legalistas: choro diante de meu país estraçalhado sob o binômio corrupção-miséria, dói ver minha gente se multiplicando sem noção do que seja o país em que nascem e crescem em condição de zumbis sem horizontes. Vivo a sensação da derrota nesta vida, no que tange a meu sentimento de irmandade com meus compatriotas. Vivo o horror de ver destruído o sonho de progresso humano e social neste lugar onde hoje deveria vicejar uma Pátria livre e soberana. A Pátria virou fumaça, foi pro saco, e em seu lugar subvive uma população que só conhece sofrimento, miséria, desgraças e incerteza total. O crime é hoje parte integrante do corpo disso a que ainda chamamos Brasil. No passado, era uma presença indesejável, era um acidente em nossa história, uma ferida pequena em um grande corpo; hoje é um mal que até mesmo define o rumo desse corpo. Como ficar feliz vendo tanto horror? Se Castro Alves falou: “Senhor Deus dos desgraçados/ dizei a nós, senhor Deus/ se é verdade ou é mentira/ tanto horror perante os céus!”, você vai dizer que seus conterrâneos que se forniquem e que, se a farinha é pouca, o que importa é o seu pirão primeiro? Esta é a lei de gérson, o individualismo escroto do salve-se quem puder. E o salve-se quem puder obriga ao estabelecimento da lei da selva e do mundo cão. É possível para qualquer ser dotado de um mínimo de sensibilidade calar diante disso ou simplesmente conviver com isso como sendo “assim mesmo”, virando pro lado e dormindo? Pode ser, caso contrário isso não estaria assim tão consolidado como etapa histórica definida. Mas calar diante de um crime é cometê-lo, disse o líder cubano José Marti quando Fidel ainda estava de gatinhas. O que você acha? Enter.
E temos uma ilustração para essas palavras doloridas. Deu no Cláudio Humberto: “Às moscas – Em recesso branco devido às eleições, a Câmara sequer reuniu um décimo dos deputados esta semana, número necessário para que a sessão conte como prazo para a votação de emendas constitucionais”. Talvez tenham estado naquele covil de vagabundos de carteirinha o Romário e o Tiririca. Eles já se diferenciaram do restante, e muito bem... E terão aparecido mais alguns moleques engravatados que lá estariam por alguma razão pessoal e que lá tenham ido pra encaminhar alguma porcaria para suas vidas de cafres e sevandijas lincháveis ou enforcáveis. Como podemos estar tranqüilos se pagamos regiamente esses bandidos – com raríssimas exceções. Se não fossem bandidos, não aceitariam a fortuna que recebem vinda de nossos esforços e nosso ardido suor para viverem como nababos cínicos e descarados fazendo simplesmente porra nenhuma naquele asqueroso lupanar. E agora, justo quando a Banânia ferve sob Cachoeira e mensalão, quando as eleições municipais vão mudar muita coisa do paizeco, vemos o Congresso de pulhas esvaziado, talvez porque nada a respeito de prefeitos ou vereadores tenha valor para quem vive na prostituidíssima Brasília, a desvairada capital mundial da corrupção. Ou você acha que não é? Enter.
E o boneco de borracha Levandowsky, que mais parece ator do filme A Dança dos Vampiros, do Polansky – aliás, o sobrenome desses dois meio que rima...– vai manobrando com seu semblante de frieza emborrachada visando desestabilizar a imagem do “supererói” Barbosa, levantando questões de mérito para irritar o relator, e assim consegue, na manha e na picardia gélida, provocar descargas e até pitis do colega, e a qualquer revide meio quente de Barbosa vem o restante das togas em defesa da “ordem no tribunal”. E virou isso por agora o julgamento, enquanto entra em cena pegando o bonde andando outro nome pra lá de agringalhado: Teori Zavascki, menos emborrachado e amarrotado que o revisor mas levantando as orelhas da galera quanto ao que fará nessa: vota ou fica só sacando? Se quiser votar, tem que pedir vistas, e pára tudo sine die. Enfim, dá o que fazer para que a coisa não pare, e a tendência de as formalidades do tribunal darem o andamento da toada é visível. Até o momento, contudo, a turma que servia ao babalorixá biriteiro vai se ajeitando pra começar a conviver com ver o sol nascer quadrado... Enter.
E rolou uma em Nova York digna de menção: um garotão de boné e tênis adentrou a principal estação do metrô da city e começou a tocar um violino lá – estojo aberto no chão com partituras –, no saguão central. Ninguém dava a mínima, todos passavam em direção a seus objetivos tratando de viver seus rumos, mas na verdade o cara tocou 45 minutos para gente totalmente distante daquilo. Só uma mulher ficou parada segurando sacolas a três metros dele ouvindo com total atenção. O cara terminou, foi cumprimentar a mulher e fim. Bem, o cara era simplesmente Joshua Bell, o maior violinista da atualidade. Ele executava o concerto para violino de Max Bruch, obra de mestre para ser executada por mestres. E o instrumento era simplesmente um Stradivarius 1723, avaliado em muuuuuuuuutos milhões. Você sacou a piada? Foi uma onda projetada e filmada, e eles pretendiam estabelecer um parâmetro: um virtuose consagrado tocando o concerto de Bruch num Stradivarius 1723 é tratado como qualquer violinista amador tocando um violino de brechó e esperando umas moedas pra levantar um troco. Eis a piada. Enter final.
E rolou um estremecimento entre a alta cúpula do Exército e Dilma e seus civis. Depois do rasante dos Mirage quebrando vidraças do STF, um general ignorou o “protocolo” e ordenou a constituição de uma escolta especial para Joaquim Barbosa. Não cabia ao Exército a decisão, mas rolou, sacudindo a roseira de novo. A notícia saiu ontem na Tribuna da Internet, pelas 22 h. Hoje, abrindo para conferir, cadê? Tiraram! Sumiu! Eu, hem!! Qual é, gente? Censuraram? E viva Santo Expedito! Oremos. Inté, babes!
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Contrastes dentro do horror mundial
Frederico Mendonça de Oliveira
O Maluco Beleza meio que ’tava certo: diante desse mundo, o negócio é seguir a máxima anarcodemonista de Aleister Crowley: “Faze o que tu queres, pois é tudo da ‘lei’”. Quando o cara estava em ascensão, tempo em que eu tocava com ele pra me manter vivo naqueles tempos negros de Médici e Geisel, ele me veio com essa descoberta. Falava nisso a toda hora. E acredito que já tivesse começado a cheirar cocaína e beber. Pra mim parecia uma bela besteira: “Vou fazer o que eu quero, e os home me pegam, pô! Que lei é essa? Eu, hem!”, pensava com meus parcos botões, acho que o único o do cós da calça. Bem, a idéia do Crowley é buscar o prazer total, meter bronca nas drogas e sexo, cair de cabeça no rock, por aí e daí pra frente. Raul estava lançando aquela merda chamada Sociedade Alternativa. Daí a sair tocando aquele roquinho chato pelos palcos foi um pulo, e era um ossário, não um osso do ofício. Enter.
Bem, hoje ninguém tem discernimento pra abordar isso, apenas o pessoal ainda lúcido, só uma meia dúzia pode engolir e digerir o assunto. E ele sai quase integralmente pelo fiofó, porque no trajeto intestinal passa direto, por não ter conteúdos pra serem assimilados. Raul, afinal de contas, fez seu autorretrato naquela canção primária e chata, “Maluco Beleza”, modelo de composição nos moldes da classe C dos porões da CBS em que ele trabalhou como produtor. Padrão Odair José, Paulo Sérgio e quejandos, aquelas mulas transformadas em ídolos de milhões de maluquinhas paridas por um sistema já envenenado desde 1950 pelos programas ao vivo em emissoras de rádio, com as “macacas de auditório” (royalties para Nestor de Holanda) que os freqüentavam como fiéis devotas. Tom Jobim, naquele 1973 em que Raul se saiu com Ouro de Tolo, gravava Matita Perê, obra prima, enquanto o então guitarrista aqui dava suporte de rock pro baiano roqueiro. E a CIA despejava cocaína sobre nós, pra desviar a juventude de qualquer iniciativa séria. Assim fizeram nos EUA com a New Left, movimento de jovens organizados em fins dos anos 1960 para começar a peitar o stablishment. E a difusão da droga deu certo!... e aqui também. Enfim, eis que podemos dizer que o mundo católico europeu-americano foi transformado nisso: o mundo da TV, do automóvel, da matéria, do cartão de crédito, dos engarrafamentos, dos apagões, das festas rave, das balas perdidas, da economia das drogas, da corrupção, da não representatividade política, da heresia como filosofia moral e do pragmatismo amoral como estilo de vida, do desregramento crescente, do alcoolismo flagelando geral a partir da puberdade, da ação militar contra países árabes, da destruição da Natureza, das grandes fantasias em que essas coisas todas encontram apoio. Desde a II Guerra, passando por Hiroshima e Nagasaki, depois a Coréia, depois o Vietnã, depois o que já vivemos como coisa atual, tudo é suporte para a consolidação do governo central sobre o planeta. E teve a farsa do homem na Lua, e tem a farsa da propaganda por assim dizer “norte-americana” sobre tudo, submetendo os povos a mentiras estúpidas, e teve a farsa do WTC – ou você pode provar que bateu avião no Pentágono, que caiu avião em Shanksville e que aquelas implosões do 11/9 foram acidentais? – pra justificar a invasão do Afeganistão, enfim: o mundo vai de mal a pior, e isso é processo irreversível, é câncer generalizado. Não é à toa que nessa merda de Brasil imperem a corrupção, a miséria, o crime, sob os “acordes” dos braganejos multiplicados como coelhos em duplas miseráveis e sob nomes impronunciáveis como Michel Teló, Adriane Galisteu, Ivete Sangalo, Luan Santana, Sandy e outros membros da fauna dos obtusos famosos. O demônio tá aí... Enter.
E aí, pra feder mais ainda, vem o diretor Sam Bacile – nome tido como falso, normal no mundo do cinema – com o filme “A inocência dos muçulmanos”. Ele “se autoproclama judeu americano”, segundo a matéria na Tribuna da Internet. No mesmo site: “O produtor é um pastor, Terry Jones, que, recentemente, provocou confusão ao queimar exemplares do Corão. O filme, segundo Becile, custou cinco milhões de dólares, e teria sido bancado por integrantes da comunidade judaica americana”. Bem, os inimigos dos árabes são os judeus, até um vereador de arraial sabe disso. O peixeiro do Mercado Municipal do Arraial das Bagas, por exemplo, afirma isso e prova por A mais B, basta você dar ouvidos. Assustado – ou exultante – com o que o filmeco provocou no mundo árabe, o diretor sumiu. “Ele fugiu. Por telefone, de um destino ignorado, falou com a agência de notícias Associated Press. Disse que o islamismo é o ‘câncer do mundo’, e atribuiu o sangue que correu na Líbia à ‘falta de segurança’ no consulado americano”. Se não óbvio, parece obrigatório, pois lembra Pearl Harbour, lembra também os filmes que empurraram os EUA para a II Guerra: Casablanca, I Married a Nazi, Men Hunt, O Grande Ditador e outras porcarias. Enter final.
Morou? Pois pense: essa provocação, dando seqüência a outra, quando o pastor Terry Jones queimou o Alcorão – e de um outro que fez um desenho da cabeça de Maomé como sendo uma bomba com estopim aceso –, parece isca lançada no mundo árabe. E parece que colou. O Zé Simão diria que a isca era um quibe... com anzol dentro. E o embaixador americano Christopher Stevens foi pro beleléu, gancho para merda maior, e Israel pode se animar a agir... Piorou pro Irã também, um dos países árabes com maior grau de religiosidade islâmica. Logo veremos a fuça impassível e “serena” do William Waac (é isso?) ou do Bonner sério dando a notícia de ataque americano por lá. Líbia, por exemplo. “A predadora política externa americana no Oriente Médio está na raiz dos acontecimentos no Egito e na Líbia. Enquanto ela não mudar, bombas, infelizmente, explodirão numa quantidade cada vez maior”. O filme é provocação, supostamente financiada pela comunidade judaica norte-americana, como dito. Durma com essa, bem. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Banânia em polvorosa! E nós pagando...
Frederico Mendonça de Oliveira
A republiqueta da Banânia, paraíso da corrupção sem freio e sem punição, terrinha infeliz onde a classe média (mérdia seria melhor...) se contenta em calar diante da putrescência ebuliente que ocorre no poder desde que tenha seu carrinho, sua vidinha de vegetal sem cérebro e seu direito de reclamar da vida sem nada fazer para mudar nada, agora enfrenta um risco de a canoa virar. Talvez você não acredite porque moralmente perplexo, talvez morra de inveja de estar fora da putaria, mas a verdade vai vazando por tudo quanto é buraco. Quer ver? Alá: “Pelo menos dois milhões foram comprovadamente desviados pelo esquema dos mensaleiros para bancar prostitutas de luxo em programas feitos por políticos para fechar grandes negociatas com dinheiro público, em Brasília. A vergonhosa informação consta dos autos da Ação Penal 470 agora julgada pelo Supremo Tribunal Federal. A polêmica dentro do STF é se o ministro-relator, Joaquim Barbosa, deve tornar pública ou omitir tamanha safadeza promovida entre mensaleiros e messalinas”. Que tal? O interessante é que muita gente sonharia estar protagonizando isso na história da Banânia, mas, que fazer: Deus não quis... e cá estamos suando camisa pra melhorar o mundo enquanto esses ladravazes de gravata e vagabundas desfrutáveis – se bem pagas, claro... – se esfregam em orgias às nossas custas naquela Brasília imunda. Quem ainda tiver alguma dúvida sobre isso, que pense na sua mãe ou na sua filha... e logo a virtude se impõe. Por medo, na maioria dos casos, claro. Interessante é que NÓS PAGAMOS TUDO. Enter.
E aquele deslumbrante rebento de nosso ex-presidente vem de novo à baila dos blogueiros com essa gracinha: “Juíza condena filho de Lula na ação contra a revista Veja – A Ação foi movida pelo filho de Lula, Fábio Luis Lula da Silva, contra a revista Veja, pedindo indenização por danos morais pela matéria publicada a respeito do seu enriquecimento milagroso e também sobre a frase dita pelo ex-presidente ‘Meu filho é o Ronaldo dos negócios’. Parabéns à Drª Luciana Novakoski Ferreira Alves de Oliveira, MMª Juíza de Direito Auxiliar prolatora da sentença na ação movida por Lullinha contra a revista Veja. Veja um trecho de sua sentença: ‘…O autor (Lulinha) precisa compreender que é de interesse de toda a população brasileira saber como o filho do presidente da República obteve tamanha ascensão coincidente ao mandato de seu pai. E há de concordar que uma imprensa livre para investigar tais fatos é fator essencial para que vivamos num Estado Democrático de Direito, ideal outrora defendido por tantos que, agora, ao que se vê, parecem se incomodar com ele.’”. Bem, ainda tem gente como você e eu nessa merda de republiqueta apodrecida. Quanto ao pai desse tipinho de cuca oca, aquela besta deveria sumir do mapa antes de se agravar a situação que começa a se desenhar. Não sei onde, em que comício ao qual ele se associou como o anjo salvador da candidatura de algum moleque aí, ouviram-se insistentes gritos de “ladrão”, “quadrilheiro” e outros termos digamos impublicáveis. E não faltou um ovo estourando naquelas fuças de patife asinino e cínico, ele que conseguiu superar sua alteza real da Higienópolis, FHC, em cinismo. Você compreende, a coisa vai “zangando”, meter no dos outros pode um dia reverter... Enter.
Pois é: podemos mesmo chamar esse bugrinho com aspecto de cachaço de “Ronaldo dos negócios”, pois se meteu numa encrenca dos diabos e agora deve até as cuecas. Parece mesmo com o outro, aquele paspalho tatibitate que hoje ostenta um barrigão e não consegue correr dez metros sem peidar grosso e botar os bofes pela boca. Bem parecidos mesmo. E a comparação é estranhamente correta para uma besta como o “ex-presidente”, que até hoje só disse asneiras e que dentro daquela cachimônia só guarda titica da grossa. Basta ele abrir a boca, e você constata isso... e eis que a Forbes joga merda no ventilador ao revelar ao mundo a dimensão da fortuna desse moleque safado. Quer ver? Alá: “Conforme amplamente noticiado em algumas ocasiões, uma conceituada revista – a Forbes – trouxe à tona esse tema (de enriquecimento), reputando a Lula a posse de uma fortuna pessoal estimada em mais de dois bilhões de dólares, devendo-se ressaltar que a primeira denúncia ocorreu, ao que tudo indica, em 2006, o que nos leva a concluir que a ‘inteligência financeira do ex-presidente’ já deve ter mais que dobrado esse valor, na falta de uma contestação formal e legal do ex-presidente contra a revista”. E tem mais: “A pergunta que fica no ar é sobre que atitudes deveriam e devem tomar o Ministério Público, a Receita Federal, O Tribunal de Contas e a Polícia Federal diante de supostas e escandalosas evidências de enriquecimento ilícito de alguém que ficou durante dois mandatos consecutivos no cargo de presidente da República. Na falta de atitudes investigativas ou conseqüências legais, como sempre, a mensagem que o poder público passa para a sociedade é de uma grotesca e sistemática impunidade protetora de todos, ou quase todos, que pactuam com a transformação do país em um Paraíso dos Patifes”. Enter final.
Ah, Banânia amada, quanta hipocrisia e canalhice sob sua fétida calcinha! Você é o paizeco em que as crianças sofrem sensualização sistemática via TV aberta; em que uma garota de programa de voz guinchada e enjoada – e que tem até filme em que ela protagoniza uma degenerada que convoca um menino para uma transa – foi responsável por entreter por anos a fio as crianças de todo o país todas as manhãs; em que meninas de menos de dez anos faziam constantemente a imunda, torpe dança da garrafa aos domingos à tarde no programa daquele suíno Gugu – mas que agora difunde a preocupação com a pedofilia, problema que vem da gênese dos tempos e que sempre foi reprimido na medida em que veio à tona. O hino que podemos cantar é: “Banânia, você é uma vaca!” E adeus, viola, que esse mundo anda pra trás e logo acabará! E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes.
E não esqueça, brother: pegue seu papa-vento verde e amarelo e vá desfilar... Ou não?
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Os petizes da Banânia: infelizezinhos em cena
Frederico Mendonça de Oliveira
Você quer ver? É só entrar num supermercado, por exemplo. De repente, lá vem um ou mais infelizezinhos correndo em êxtase estúpido e celebrando a liberdade que não lhes cabe e que na verdade não querem. Agora, nestes infernalóides dias lulopetistas, foi conferido a crianças o “direito à liberdade” e, pior, não se pode mais reprimir os projetinhos de zumbis. O mais importante para uma criança é ser educada, diziam os doutos antepassados e alguns resistentes à filosofia agora vigente na Banânia. Educar é dever do adulto responsável por alguma vida nascente; ser educada é o maior direito que uma criança pode – e espera, necessita fundamentalmente – ter. A maior e mais importante relação entre pais e filhos é justamente a educação. E a Educação concomitante desde cedo, claro. Mas parece que o Çilva I, preclaro educador e orientador da infância “nefte paíf”, conseguiu transcender o passado e beneficiar o “paíf” com uma nova concepção para a infância. O babalorixá Çilva I é um mestre em tudo, até em II Guerra, até em economia norte-americana, e é facílimo para ele discorrer sobre a nossa atual garotada, porque a mãe dele nasceu analfabeta e ele se tornou presidente da República das Bananas. Alá: “Temos que reconhecer que a situação é delicada, que essa crise é possivelmente maior que a crise de 1929, e temos que reconhecer que o Roosevelt só conseguiu resolver a crise de 29 por causa da II Guerra Mundial. Como não queremos guerra, queremos paz, nós vamos ter que ter mais ousadia, mais sinceridade, mais inteligência, por que eu não admito que uma guerra para resolver um problema econômico tenha 6 milhões de mortos”. Bem, somos todos uns burros, até porque estudamos no passado e ainda mantemos essa mania maluca mesmo estando já velhos. O negócio agora é não estudar, para chegar a ser presidente da Banânia e obter aprovação esmagadora dos bananianos. Só que não entendi de que Roosevelt o babalorixá falou. Se foi o Theodore, não dá, porque o cara foi presidente dos EUA no início do século XX. Já o Franklin chegou ao poder em 1933 (no mesmo ano que Hitler...), e enfiou os EUA na II Guerra junto com seus congêneres de Hollywood, gente como Chaplin (ou Israel Thorstein? Hem??), Michael Curtiz, Fritz Lang, Garson Kanin e outras tetéias. Diz-se dele que ‘recuperou os EUA após a crise de 29 (dando condições melhores de trabalho aos americanos, alcançando metas militares e industriais, levando energia elétrica e modernidade às regiões mais pobres do país), traçando o destino dos estadunidenses’”. Çilva I falou sobre isso embolando as coisas, gênio que é, e todos os que o ouviam ficaram com cara de paisagem, não havendo um piadista que gritasse um “Cala a boca, burro!” de um canto do auditório. O Brasil hoje é a Banânia... e nós, lixo humano. Enter.
Mas estávamos num supermercado, felizes de ver os projetinhos de zumbis chegarem “filizes”. E lá vem um pestinha, ops!, amoreco, com seu meio metro de altura se muito, vestido como um palhacinho – se os pais não têm bom gosto nem consigo, terão com os filhos? – e pulando como um boneco de mola sua alegria estúpida, sem objetivo. Ele está apenas fazendo seu “outing” (Ver Terça Insana, procure no Google, a personagem é Betina Botox) para festejar a liberdade que lhe concederam e com a qual – claaaaaaaaaaaaro!!!! – ele não sabe lidar. Seus estúpidos, ops!, adoráveis pais, os inoculadores de sêmen normalmente portando camisas listradas lembrando mandruvás ou larvas de bicho-da-seda; as receptoras de sêmen apresentando lantejoulas e/ou vidrilhos em suas nem sempre bem torneadas traseiras, com cabelos normalmente tratados com reflexo, bolsas que parecem de metal ou mesmo de ouro, aqueles espantalhos, ops!, seres divinos. Ainda bem que não fedem, embora exalem a pestilência inodora da ignorância assumida e estampada em suas figuras. E ficamos extasiados de vontade de dar uma dura em uma dessas pestinhas, ops!, maravilhazinhas, embora quem devesse levar sacudidelas e uns belos berros fossem justamente os que geraram/pariram essas excrescências sociais agora representando o estado de boçalidade generalizada onde quer que estejam. Enter.
Um belo dia, empurrava eu o carrinho pelo corredor entre prateleiras e eis que veio em minha direção uma menina de seus dez anos, sei lá, e fiquei sem saber o que fazer. É que a louquinha se aproximava de mim dançando balé, levantando os braços, na ponta dos pés e rodopiando em minha direção. A mãe nem via isso, ou via e não se interessava em saber se a louquinha incomodava alguém. Deixei o carro no meio do corredor e me encostei na prateleira, esperando. A insana passou bailando em êxtase e dobrou 90 graus, e eu pude retomar meu rumo. É isso: não há mais responsáveis pelos projetos de imbecis. Correm gritando, fazem do espaço em que estão o que bem entendem, e os pais assumem o que são: uns bovinos estúpidos, na verdade uns cínicos se não crápulas, irresponsáveis que puseram no mundo suas réplicas indesejáveis. Esses “pais” são na verdade filhos da Xuxa, também não tiveram pais. São “educados” por babás eletrônicas, de onde saía a figura deletéria da apresentadora ex-garota de programas e atriz pornô. Bela guia... e nada pudemos fazer senão tentar interferir com muita dificuldade – mesmo dentro de casa, tudo conspirava para que triunfasse o demônio do Sistema – e sob o risco de virarmos repressores por tentar salvaguardar a ordem doméstica ameaçada pelo diabo global. E eis que um dia eu tentava entrar num restaurante em outra cidade, mas um louquinho vinha andando de gatinhas e impedia minha passagem, sob os olhares complacentes e até deslumbrados dos “responsáveis”. Tive de esperar do lado de fora até levarem embora aquele doente mental mirim. E o levaram normalmente, achando linda a insanidade do piradinho. Enter final.
Vão nessa, alimárias! Um dia o craque entra na vida desse degeneradozinho, e vocês vão sentir o que é bom... Ou então o mundo cão bota esse fedelho maluco nos eixos, pois vocês não foram gente – nem seriam... – para viver o papel de pais.Imagine-se o que nos espera em curto prazo... E viva Santo Expedito! Oremos. E fogo na corrupção, babes!
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Adoniran e o desidioma da Banânia
Frederico Mendonça de Oliveira
Depois de oito anos ouvindo os petardos idiomáticos disparados pelo babalorixá da Banânia, o Çilva I, que aliás envergonha os cefalópodes teutóides, vulgarmente conhecidos como lulas, pela semelhança nominal com aqueles deliciosos frutos do mar, eis que nossos ouvidos se vão dando conta de que poucos seres nesta Pindorama fazem uso tão rasteiro do idioma como o tipo. Bostejou asneiras e solecismos combinados da forma a mais estúpida e escrota, aliás fazendo uma bela combinação disso com sua imagem desde há oito anos entendida como deletéria, deleterizada pelas aparições patéticas em público e pelos ditos carregados de estupidez e primarismo grosseiro. E ei-lo até recebendo diploma de doutor honoris causa de Coimbra – puxa, isso nos permite ampliar o repertório de piadas abordando a alegada burrice dos portugueses... –, ele, que não passa de um apedeuta salafrário ou de um salafrário apedeuta, como você quiser; ele, que foi até considerado estadista por incautos; ele, que até buscou se promover através de um estupidíssimo filme laudatório talvez inspirado naquela patacoada que decanta os dois filhos de Francisco, aquelas duas mulas palradeiras e emissoras de guais regressivos, dois irmãos grotescos, abissais em tudo, Mirosmar e Welson Davi, adorados, pelos milhões de boçais que os consomem, sob os pseudônimos Zezé di Camargo e Luciano. Çilva I é o retrato da terminalidade do Brasil, hoje rebaixado a Banânia, republiqueta continental degenerada ad infinitum sob uma corja de sevandijas e sudras, um lugar que não é mais país, mas um paraíso de bandidos de todos os estilos e de todas as nuances. Enter.
Quando você ouviu Adoniran Barbosa pela primeira vez, talvez via Demônios da Garoa lá pra 1965, naquele Trem das Onze – se é que ouviu, depende de sua idade e de sua mente – que comoveu geral como samba e como história do cotidiano dos humildes, deve ter pensado que o idioma ali estava a salvo das falas dos multitudinários malacos freqüentadores de estádios da paulicéia. Pois veio logo Saudosa Maloca, obra prima de cabeça e coração, poema encartando o falar do poviléu: “Peguemo todas nossas coisa/ e fumo pro meio da rua apreciar a demolição/ Que tristeza que nóis sentia! Cada tauba que caía doía no coração”. O Adoniran seria da rua, dos pobres, das personagens decaídas e esmagadas pela vida, e ele conseguia tirar poesia disso, até humor ele extraía da desgraça alheia... quando não da própria. “Os homi tá coa razão, nóis arranja outro lugar”. E aprofunda: “Só si conformemo quando o Joca falou: ‘Deus dá o frio conforme o cobertor’”. Curioso: o linguajar dos desgraçados e/ou miseráveis vinha, pelas composições do Adoniran, como forma de metaforizar os conteúdos da saga dessas personagens. Que, por sinal, se misturam entre a ficção e a vida de reais seres e fatos do universo desse mestre único do samba paulista. Só que neste caso temos um conteúdo literário, os solecismos aparecem como identificadores da desassistência, do desamparo, da carência, portanto enriquecendo com a pobreza que revelam. Neste caso, a pobreza do idioma é metáfora da pobreza esmagadora e do trágico dessas e nessas existências incógnitas comprimidas num gueto. Enter.
O linguajar da besta de Garanhuns é o oposto: é o emporcalhamento de todos os significados. É fazer da política, a mais nobre das artes do viver coletivo, um lamaçal. A fala desse impostor cínico é a verdadeira metáfora da podridão que ele abriga em sua vida miserável. É o retrato da traição e da imoralidade assumida e propalada. Quando começaram a querer pegar o Assange, havia a questão de uma mensagem, a que o boçal se referiu publicamente dizendo “mensagi”, mostrando sua constituição reles de homem sem estética e sem ética. A deprimente figura da “primeira dama”, mulher-coisa com seu sorriso sardônico vazio e sempre a tiracolo do estróina desclassificado, é a imagem ilustrativa do conteúdo de quadrilha que marca a dupla gestão petista, a tosca Marisa posando de loura e subserviente mulher do chefe dos traficantes no cenário do crime organizado. Çilva I é a estupidez e a velhacaria combinadas num energúmeno e instaladas na cadeira presidencial, realizando o projeto desconstrutivo do Brasil nação e sua condenação a ser terra sem lei e seara do crime institucionalizado. Os fedapê de plantão, lombrigas habitando a matéria fecal em que se aloja o poder, haverão de dizer que estou propalando teorias da conspiração. Será que quando os pais desses seres fecais se acasalaram também estavam praticando teoria da proliferação de bestas? Ou sexo anal? Enter final.
O Brasil do Adoniran está mais difundido que nunca. Os malacos alcançam os milhões, ocupando o espaço que caberia a uma juventude aspirante ao comando de nosso país. Hoje podemos dizer que a imagem do jovem é a imagem do malaco: bermudas extravagantes e de cores e desenhos berrantes; moleton incluindo capuz, usado ou não sobre o indispensável boné; camiseta sempre com dizeres e imagens preferencialmente deletérias; tênis acolchoado e incrementado o mais possível, do qual sobem dois caniços normalmente finos e morenos e que terminam na barra da bermuda, abaixo dos joelhos; andar gingado, sinuoso; fisionomia fugidia, mutante, sempre entre os buços e a barba mal definida. Hoje a fala dos heróis anônimos do Adoniran é a fala oficial da juventude miserabilizada, o idioma dos malacos. Eis o grande milagre da era Çilva I: nivelar o Brasil pela sua/dele própria miséria moral, pela dele estupidez consentida e assumida, pela vigência e oficialização da trapaça explícita – que nesse agosto sombrio invadiu o STF exibindo um espetáculo de malandragem puxado pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, traidor torpe, figura repulsiva, corrupto assumido e militante. Ficamos assim. A miséria que Adoniran transformava em poesia, puxando personagens do submundo que a sociedade via só de relance, foi transformada por Lula em realidade objetiva, em verdade instituída. Haja antiácido pra tanto horror! E viva Santo Expedito! Oremos. Have a sexy weekend, babes!
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