sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Direita, esquerda, Romário e otários

Frederico Mendonça de Oliveira

Bem, a Globo diz que Hosni Mubarak é ditador. As cacatuas Bonner, Fatinha, Annenberg e outros nada sabem de política, sabem apenas palrar, e alguns palram bonito, com bela colocação de voz e tal. O Bonner, uma porta, tem voz de semideus. Já a esposinha que contracena com ele é do tipo som neutro, não tem a pegada de uma Salete Lemos, por exemplo. E a Sandra Annenberg, voz anasalada pra lá de chata, e que faz caras e bocas, é uma lástima. Bem, tirando a Salete, que foi afastada da Record por ter denunciado sacanagens econômicas contra o povo, ninguém na telinha sabe distinguir, e aposto minha guitarra, esquerda de direita. Talvez saibam usar o pé certo do calçado, mas isso os pongos saberiam fazer se usassem sapatos. E também ponho minhas dúvidas sobre qualquer desses pobres diabos que ficam exibindo carantonhas na telinha e aproveitando pra enriquecer estupidificando o povo saber MESMO a diferença entre direita e esquerda. Enter.
Para pianistas, a direita serve para tocar a melodia; a esquerda, para fazer acordes. Para violonistas normais – não canhotos – a direita é usada para tanger as cordas; a esquerda, para calcar as mesmas ditas em notas e/ou acordes. Para políticos, engravatados sugando energia do povo através de saquear o erário, essa definição está hoje absolutamente sem possibilidade de compreensão. Romário chuta com a esquerda, creio, ou com as duas. Agora vai chutar nossos testículos ganhando uma fortuna através de nosso suor para fazer coisa nenhuma, a menos que milagres comecem a ocorrer naquele antro, o Congresso. Mas se formos esperar que ele saiba definir a diferença de conteúdo histórico-político entre direita e esquerda, teremos de providenciar boas acomodações. Na verdade, ele mal sabe falar. E que dizer de Tiririca? Trata-se de outra figura asinina que representará não se sabe quem, se ainda acreditarmos que aqueles sudras estão lá pra representar o povo que os elegeu. Mas eles estão lá pra representar mesmo, e muitíssimo bem, os interesses, normalmente escusos, deles mesmos. A canção festivalesca “Se gritar ‘pega ladrão!’”, de início dos anos 70, já se referia aos “congressistas”, e continuava: “Não fica um, meu irmão!”, pois sairiam correndo todos aqueles seres abissais que ficam amontoados no “plenário” tratando de seus interesses enquanto um deles fala na tribuna, um palquinho pra algum parlamentar contrariado com alguma porcaria clame em vão, sem ser ouvido por simplesmente ninguém. Temos até um exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=3m6OSDCkQB0 , uma diatribe de uma mulher com mil vezes mais testosterona no sangue do que todos os seus pares de casa somados. Chama-os de cafajestes pra baixo, e os pulhas calam, até se riem dela, são hienas acostumadas a trincar a carniça do povo que os elegeu. Mas isso é exceção, vale apenas para lavarmos um pouco a alma. Enter.
Bem, a Globo, que dentro de pouco tempo será a Grobo, tal a decadência espiritual da população espelhada em sua fala, bota no bico de suas cacatuas palrantes que o Mubarak é um ditador, que o governo do Egito é uma ditadura. Canalhas como sempre foram, os mandantes da Grobo, ops!, Globo, têm como objetivo algo que para nós está a anos luz de possibilidade de compreensão. E mandam seus lacaios bem pagos enganarem a rafaméia, a patuléia, a choldra, com mil palavras sem qualquer sentido. Estimulam discussões vãs, para ocultar o mais importante de tudo. O interessante é que Mubarak está no poder até hoje tendo, entre outros pilares de sustentação política, justamente o lobby de que a Grobo, ops!, Globo, integra. Basta olhar a fronteira nordeste do Egito e ver quem está do outro lado daquela linha... E então, na hora de engrossar a turma que emociona o mundo exigindo a saída de um títere dos aliados EUA-Israel, a Grobo, ops!, Globo, vira a casaca fingindo ser “democrática”, quando trata de esconder coisas como o que você poderá ver se puxar, em seu Internet Explorer, www.collateralmurder.com , e você verá que quem atua ali com frieza total é a turma que a Grobo, ops!, Globo, apóia com unhas e dentes. Enter.
A chegou a hora dos otários, isto é, nós todos. Otários sim, porque estamos a serviço de malandros espertos e pagando o vidão deles, CUJAS OCUPAÇÕES NÃO SERVEM PARA NADA nem para o País nem para nós. Você tem dúvida quanto a ser um otário de carteirinha? Pois basta ler isso aí: “Depois da festa em comemoração aos 31 anos do PT, a presidente Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguiram para um jantar com petistas na casa do ex-deputado federal Sigmaringa Seixas. O ex-deputado federal José Genoino (PT) usou um carro de serviço da Câmara para chegar à casa. Ele não se reelegeu. Genoino disse que pegou carona com um deputado federal (e não havia no carro senão ele e o motorista). Depois, afirmou que o veículo acompanhava o comboio do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), apesar de ambos não terem chegado juntos. O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) e o senador Humberto Costa, líder do PT no Senado, chegaram ao local em carro oficial. A Folha não conseguiu falar com eles”. Que tal? Somos otários ou não somos? Pois é. Querem mais? Lá vai: Só pra relembrar... “CURIOSIDADES DE UM PAÍS DE LOUCOS: Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para comandar uma fragata! Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.
Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda uma Região Militar ou uma grande fração do Exército. Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro do que ganha um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.
Um assessor de terceiro nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas. O SUS paga a um médico, por uma cirurgia cardíaca com abertura de peito, a importância de R$ 70,00, equivalente ao que uma diarista cobra para fazer a faxina num apartamento de dois quartos”. Enter final.
Certo, irmão? Então somos otários sim. A saída está em nos assumirmos otários E COMEÇAR A BATALHAR PRA VIRAR ISSO TUDO. O Egito nos dá o exemplo, mesmo sob ditadura títere de EUA e Israel há mais de 30 anos! E não estão na rua gritando porque a rede grobo mandou, como no caso daqueles ridículos caraspintadas, mauricinhos e patricinhas de colégios de elite que queriam mesmo era aparecer na TV, e eram meia dúzia... de riquinhos! Então, otários, ops!, irmãos, VAMOS À LUTA!Todo caminho de mil léguas começa com um passo. Dê o primeiro, otário, ops!, irmão! E viva Santo Expedito! Oremos. ’Té a próxima, babes!
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 1004 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 560 dias também sob mordaça...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Egito, imprensa e Império

Frederico Mendonça de Oliveira

Manoel manda emeios lá de Coimbra, onde está agora trocando informações com estudiosos da famosa universidade sobre a deterioração galopante do poder no Brasil, com ênfase para a nova ditadura, que transforma em todo-poderosos os juízes e os faz intocáveis, façam eles o que fizerem, restando aos que forem realmente flagrados em crime – normalmente por investigação da Polícia Federal – a regalia, vista como inaceitável e abjeta infâmia para todos os cidadãos decentes nesse lupanar em que estamos condenados, de aposentadoria compulsória. Sim, com todos os vencimentos e mais essa e aquela cortesia e mordomia, e o privilégio de prosseguirem ganhando seus super salários sem precisar trabalhar. Ou seja, se pilhados em crimes, suas excelências ganham o prêmio da aposentadoria plena e prosseguem no vidão, sem responder por coisa nenhuma do que fizeram. Manoel também informa de lá que a confa no Egito não se faz compreensível para ninguém, que os jornais – todos, todos! – do Império apenas traçam linhas gerais e superficiais sobre o tal conflito sem definir o fio da meada na confa. Que o pau seja entre oposição e situação todos sabem, pô, mas queremos saber é o que quer cada lado. A oposição, dizem os jornalões lá e cá, quer a saída de Osni Mubarak; agora vêm os situacionistas e deflagram um pega feio com molotov, tiros, porretadas e o escambau, e morrem quase dez numa só noite de confrontos. E Manoel e sua linda quedam sem informações concretas para nos passar de lá, mesmo estando sem Atlântico entre eles e o conflito. Enter.
Pois é, ó Manoel, por aqui estávamos no ar também. Só noticiam o pau tocado pelos oposicionistas ao regime que querem Mubarak fora. Mas depois de muito fuçar, conseguimos tirar umas conclusõezinhas, a partir de – talvez, talvez...– vacilos da Inteligência do Império que controla a imprensa mundial. Vimos, por exemplo, e não sabemos se isso saiu aí, oposicionistas com um cartaz em que a imagem da face de Mubarak traz uma estrela de seis pontas na testa. Isso nos fez perceber um rasgo de sentido na encrenca. Afinal, o Egito tem fronteira ao nordeste com Israel, talvez por isso role uma aliança, um pacto de não agressão entre os dois países, com indubitável vantagem para o Império. O que, claro deixa o mundo árabe desfalcado... Tá. E colhemos outro grãozinho na grande imprensa daqui, imprensa pró-Israel roxa, O Globo: uma frasezinha no fim de uma interminável e cacetíssima mascação de borracha e amassação de barro: “Diante do futuro incerto, uma pesquisa do Instituto Pew em dezembro do ano passado reforçou nos EUA os temores de que o Egito passe por uma islamização pós-Mubarak. Entre mil pessoas ouvidas, 95% querem um papel maior do Islã na política”. Óquêi, óquêi. E a galeria de fotos “revelando a trajetória” de Mubarak, apresentada também por O Globo, traz imagens reunindo o “ditador” com Carter, depois com Reagan, depois com George Bush, depois com Clinton, depois com Bush filho. Se é esse o alinhamento do cara, o ditador deve vir sem aspas. Você pode ver isso no link (http://oglobo.globo.com/mundo/fotogaleria/2011/13703/); em duas das fotos, ele aparentemente confraterniza com Arafat, uma sob os olhares de Istzak Rabin e de possivelmente outro congênere deste, e a cena é temperada com um sorriso profissional de Clinton; em outra, estão só ele e Arafat – ao que parece, trocando blandícias, mas os sorrisos podem ser falsos, e os dois podem estar trocando duras farpas, Arafat possivelmente dizendo “Lava essa fuça, ô sionista de merda!” e Mubarak dizendo “Vai lavar essa bunda, palestino ralé!”. Pode. Enter.
Mas conseguimos outro indício que ajuda a dar o sentido ao pega pra capar às margens do Nilo: “Não há a menor dúvida de que a violenta repressão será vista pelo público nos EUA e na Europa como um escândalo. Num momento em que o presidente Barack Obama e o premier britânico David Cameron estão com problemas de popularidade em seus países, uma atitude séria contra Mubarak terá que ser tomada. Isso inclui o empurrão definitivo nesse regime”, diz um certo Chris Davidson, analista político – seguramente pró-Império – da Universidade de Durham, no Reino Unido. Bem, isso fica pendurado. Se Mubarak é títere do Império, tudo fica nítido: o Império teme uma radicalização islâmica pós-Mubarak no Egito. Então a oposição não aceita mais o cara no poder, terá soado a hora de o povo egípcio chutar o balde. A oposição possivelmente quer o alinhamento com o mundo árabe anti-sionista, anti-Israel e, entre outras coisas, pró-Irã. E, claro, passando a peitar o Império, emitindo flatos sonoros e nada olorosos contra a sucessão da dupla Bush-Blair, hoje Obama-Cameron. O analista Davidson é intencionalmente vago, incerto, claramente embaralha as cartas na cara dos otários – quem quiser que organize naipes e sequências. Ele fala em rolar escândalo nos EUA e na Europa por estar ocorrendo repressão violenta contra os manifestantes de oposição. Óquêi. Mas isso significaria admitir que a repressão vem do regime imperialista hoje entrando em colapso porque inaceitável para o verdadeiro povo egípcio que de repente quer se assumir como árabe? E que sentido faz a dobradinha Obama-Cameron “tomar uma atitude séria” contra Mubarak? Significaria dizer que eles terão de tirar o apoio a seu fantoche para melhorar sua popularidade? E que o controle do Império sobre a “opinião pública” sofre um revés, na medida em que cresce fortemente a corrente dos que não mais caem como patinho nas versões da mídia imperialista? E que também por isso cai feiamente o prestígio dos dois maiores representantes do Império, transformados pela mídia imperialista em reis maiores no Ocidente? Enter final.
Então, ó Manoel, como tu e tua amada Maria podem ver, reunimos aqui essas considerações, dura mineração na vaga e dúbia exposição estampada nos jornalões do Império. De certa forma, mesmo ainda ao sabor da incerteza, torcemos para que a oposição radical ao Mubarak seja movida pela radicalização islâmica. Isto porque o mundo árabe necessita mais e mais de união, pois a Terceira Guerra já começou, e o front é o Oriente Médio, sendo vítima da agressão bélica justamente o povo árabe. A turma quer expulsar a CocaCola e o McDonald’s de lá: querem sua culinária, seus costumes tradicionais. Querem a túnica e a cafia, querem o camelo em oposição ao automóvel – mesmo que figuradamente –, querem Maomé e Alah. Salam!, dizemos nós e vocês, Manoel e Maria, que temos na alma o fado cantado por nossos ancestrais com sangue mouro, acento artístico e religioso do sentimento árabe genuíno. E, cristãos que somos, estaremos sempre contra qualquer opressão. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 1004 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 553 dias também sob mordaça...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Obrigados, senhores parlamentares! Que maravilha!

Frederico Mendonça de Oliveira

Manoel e Maria foram respirar por algum tempo, na Santa Terrinha, ares menos poluídos que os desta passagem 2010/2011. Uma das razões da ida do casal a seu país: levar a seus conterrâneos as bizarras e chapantes notícias do Brasil, das capitais alagadas e do morticínio solto, e novas do arraial em que vivenciam a suruba anti institucional, a bacanal das autoridades rasgando a Constituição, as leis em geral e se limpando com a Lei Orgânica do Município. Vão apresentar esses fatos a setores de estudos especiais em Portugal, fazendo o trajeto Sul/Norte já para eles de lei: Lisboa, Coimbra, Porto. E cá ficamos dançando o sambalelê na Pindorama, e aproveitamos para encaminhar moção de louvor aos que fazem deste lugar sul-americano um paraíso tropical. Enter.
Obrigados, senhores parlamentares! Estamos todos maravilhados com vocês! Desde seu trabalho incansável, noite e dia de domingo a domingo, pela felicidade do povo e pela grandeza do covil, ops!, país, até seu empenho em solucionar nossos males, buscando nossa renovação moral sempre que põem seus imundos, ops!, santos pés naquele depravado, ops!, sagrado Congresso. Enter.
Nós, esses merdas que só fazemos viver como burros de carga comendo o pão que o diabo sova, temos é que nos curvar maravilhados vendo Suas Excelências cuidarem bem de suas vidas, ao contrário de nós, porcarias vivas, seres sem visão, sem ambição e conformados com flectir as vértebras como se fossem dobradiças, não é mesmo? Somos uns bundões! Bundas sujas!! Como diz o pessoal da Seicho No Ie, “O mundo a meu redor é obra de minha própria autoria”; e eles ainda provam isso por a mais b: “Se me parece que algo ilógico está ocorrendo, não significa que alguém criou um mundo ilógico e o está impingindo a mim. Sou eu próprio que está pintando o meu mundo com a cor chamada ilógica. No mundo de Deus, não existe nada que seja ilógico ou injusto. Tudo que ocorre ao meu redor são imagens ilusórias, que eu próprio criei com o poder da palavra”. Então, se entendi bem, eu, essa besta metida a escrevinhar textículos, eu é que crio meu mundo! Se estou na merda é porque não sei materializar imagens mentais; já nossos adorados pulhas, ops! parlamentares, esses sabem muito bem transformar sonhos em realidade. Então pensam assim: “Eu quero ganhar quase o dobro do que ganho e prosseguir mamando as mordomias do Estado!, e repetem isso sem parar durante as sessões no Lupanar, ops!, Congresso, e logo tudo se materializa. Querem algo mais claro e transparente? A turma da Seicho No Ie sabe o que diz gente! Enter.
Mas têm os eticochatos, claro, que ficam se mordendo de inveja e partem pra falar mal dos nossos lindos pulhas, ops!, congressistas. É o que diz o filósofo e cientista político Roberto Romano, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que “acredita” deve haver comparação dos vencimentos dos congressistas com os vencimentos da população em geral, que está pra lá de distante do nível de vida dos parlamentares: “Eles que reduzam o que recebem, porque não há justificativa para alguém que serve no Parlamento ter tantas benesses. Eles não precisam de reposição de inflação como um trabalhador comum. É uma questão também ética e é muito simples: eles que comparem seus ganhos totais com o que ganha a população média. A natureza da esfera pública não pode ser comparada à da privada.” “Privada”, cientista?? O senhor quer comparar a maravilha da vida dos congressistas a privada??? Privada é onde nós idiotas de zé povinho vivemos, e estamos nessa porque queremos, senhor cientista! Pois é! E esse “pensador” de meia tigela ainda fala mais contra nossos adorados ladravazes, ops! congressistas: “A democracia é cara. Às vezes ela é impagável, sobretudo no Brasil. Os operadores do Estado, nos três poderes, acham que o contribuinte tem o dever de pagar e não receber nada em troca. No caso dos deputados e senadores, não há uma só prova de que eles precisam ganhar mais e manter mordomias. É uma visão que eles mantêm sem preocupação, porque não há prestação de conta. Mas não é ético.” Enter.
Tudo inveja! E ainda fica essa Polícia Federal pegando nossos sudras, ops!, políticos, e fazendo espetáculo de algemas toda hora, como no caso do tucano Cícero Lucena, um homem comparável a um verme, ops!, a um anjo. A coluna do Cláudio Humberto, outro despeitado, mandou essa: “Nome forte - O tucano Cícero Lucena (PB), que foi preso na operação Confraria, da Polícia Federal (2005), deve ser eleito primeiro-secretário do Senado”. DEVE SER SECRETÁRIO DO SENADO, SIM!!!! Ele é um ladrão, ops!, um grande político! Eles dizem que, em julho de 2005, Lucena teve a prisão decretada e foi detido pela Operação Confraria, da PF, por chefiar um grupo com mais sete pessoas participantes de esquema de licitações irregulares e desvio de verbas em obras, envolvendo em torno de R$ 100 milhões quando era prefeito de João Pessoa. Foram todos soltos, mas estão à disposição da justiça e da PF. O processo corre em segredo de justiça. Pois que corra! Não tem nada de ilícito no fato de amigos se reunirem pra ganhar uma graninha a mais! A Polícia Federal tem que mostrar serviço, então fica algemando a turma pra mostrar que está trabalhando duro, mas isso é só encenação! Tanto é que nosso antigo secretário de Planejamento da lindíssima Paraíba está aí soltinho da silva e desfilando seu semblante de homem público inteiramente voltado para o bem de todos e felicidade geral da mancebia, ops!, nação! Enter.
E agora a vítima é o lindo senador Álvaro Dias, aquele pãããããããão, porque requereu aposentadoria como governador que foi do Paraná. Estão gritando loucamente pra todo lado porque o lindãããããããããão solicitou ao governo do Estado o pagamento retroativo de cinco anos da aposentadoria de R$ 24,8 mil concedida a ex-governadores. Se tudo der certo, o lindo senador embolsará cerca de R$ 1,6 milhão. E quem não gostaria de beliscar uma dessas????... E o chato do Cláudio Humberto, cometendo erro no título da matéria – ele diz Escafedeu, mas o verbo é pronominal! –, ainda cutuca o fiofó de outro lindo, o senador Pedro Simon, porque descobriram sua aposentadoria de ex-governador (R$ 24,1 mil/mês); e diz que o lindo senador gaúcho desapareceu. Claro, queria que ele sofresse a inveja odiosa das hienas soltas por aí? Enter final.
Olhem bem, estúpidos como eu: um parlamentar custa POR MÊS aos cofres público APEEEEEEEEENAS R$ 130.378,87. Uma merreca! Cada brasileiro não desembolsa nem UM CENTAVINHO por mês pra pagar todos eles, que devem somar, em custo total, R$ 78.226.800,00, o que significa um custo de menos de R$ 0,30 por mês para cada cidadão neste randevu, ops! país! Convenhamos, é muuuuuuuuuuuuuuuuuuito pouco! E o Tiririca, esse depravado, ops!, iluminado, fez um comentário lindo sobre o aumento: “Dei sorte.” E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 997 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 546 dias também sob mordaça...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Manoel e o caos instalado

Frederico Mendonça de Oliveira

“Seria só no Brasil, ó Maria? A situação que enfrentamos parece ter similares somente nos Haitis da vida, na África mais atrasada e carente, nos confins do mundo onde parece que a turma vive no purgatório de que nos falavam naquelas aulas de catecismo!”, comenta Manoel com os olhos úmidos depois de considerar as horrendas imagens do Rio e da região serrana, fotos do caos instalado, onde o horror parece que chegou para ficar. “Ano passado, ó Maria, aquele deslizamento em Angra sugeria que o bicho estava indo em direção aos ricos, mas os pobres são a maioria vitimada nesta nova edição da insistente tragédia que parece querer ser o carnaval às avessas!”, considera meio indignado nosso herói, reiterando seu horror para com o panorama da vida carioca e brasileira. “A cobertura da imprensa já largou o tom de sensação, já trata a coisa como se ‘tudo já estivesse se ajeitando’ para mudarem de assunto deixando o miserê pra lá e voltarem para seus veios amenos de arrecadação: futebol, carnaval, BBB, famosos internacionais, tititis e cocôs escandalosos envolvendo figurões. O que se pode esperar disso? Só a fúria dos elementos mesmo!...”, conclui Manoel entre consternado e um tanto irado. Maria toca a casa, e a desgraceira não a tenta ao silêncio. Parada e com a curvilínea e generosa anca encostada na pia em que lidava, preparando o almoço que combina religiosidade com delícia, ela crava os lindos olhos em Manoel. Parece que hesita em falar, como quem considera se deve abrir o lindo bico, preocupada com sempre melhorar a vida com boas palavras e com preservar o silêncio. Enter.
Mas urge tomar posição nisso, porque não só para ela, mas para todos, parece que o horror se avoluma e se mostra crescentemente ameaçador. Considerando as avaliações “político-científico-históricas” emitidas pelas primeiras páginas dos jornalões – que é o que o casal suporta enfrentar, claro: não perderiam seu precioso tempo nem cansariam suas doutas cucas enveredando por publicações escritas por estúpidos no geral e dirigidas por pilantras cínicos no essencial –, nossa heroína acaba que opta pelo posicionamento. E dispara, suave mas incisiva: “Ó Manoel, eu não posso mais ter esperanças em que Deus vá dar um jeito nisso. Basta olhar para os aglomerados de gente nas encostas, nos morros, basta constatar uma superpopulação desordenada e em crescimento assimétrico e desmedido, isso nos dá como que uma sentença: não tem mais remédio tamanha desarmonia social em todos os sentidos. O fator quantidade, esmagador, brecou qualquer esperança de qualidade regeneradora para esse crescente e aterrador caos humano e social. O que sanearia o somatório de favelas no Rio e em São Paulo, por exemplo? Qual é a proporção entre favelados e não favelados a essa altura do campeonato? Qual a possibilidade de regeneração social do cancro incrustado no urbano que são as favelas e seus desdobramentos em todos os sentidos? E, pior que isso: como administrar toda a gama de desvios dessa distorção que é a miséria instalada em tamanha dimensão e profundidade no corpo vivo das cidades? Isso é ‘normal’ ou trata-se de uma situação de patologia social galopante?”, pergunta Maria com olhos lindamente alarmados, aparentando peso no coração, condoimento diante de tão adverso quadro humano. Enter.
E acaba que o bicho pega, a linda Maria não se reprime: “Ó Manoel, solução viável em termos sociais e humanos para isso não existe, o quadro é de todo irreversível. É como um imenso móvel quase todo carcomido por cupins: não há como erradicá-los – e não se erradicam favelas!! – sem que o móvel sofra dano irreparável em sua estrutura. Isto porque na verdade essas coisas estão cosmicamente associadas, não é por acaso que as favelas tais envolveram urbes tais. E não é nada de descaso de autoridades nem baboseiras outras: isso é o karma coletivo dos brasileiros, como é a desgraça na América Latina e na África, e o momento do pega final se aproxima ameaçador, e lamentavelmente é assim mesmo. Ninguém está livre disso! Lamentamos pela sorte dos que caíram sob as avalanches de lama e pelo furor das águas, mas sabemos que devemos botar as barbas de molho! Já que ninguém sabe o que fez nas vidas passadas, porque somos ‘esquecidos’ de nossos atos pelos senhores do karma para que entremos nesta vida inocentes, ninguém terá qualquer certeza do que lhe possa suceder nesta vida até o último suspiro. Então, ó Manoel, é necessário sabermos, através dessa visão da lei divina e de nossa impotência, que ISSO é a verdadeira humildade!, e só assim nos harmonizaremos com as leis imutáveis!”, conclui Maria, os olhos úmidos de amor e compreensão, o coração pulsando pelos irmãos que sofrem o horror atual. Enter.
“Pois veja, ó Maria: um certo verdureiro espírita do arraial, tido como ‘sacerdote’ no centro em que trabalha, um belo dia veio falar da ‘humildade de Jesus’. O fundamento para a humildade do Cristo para esses seres é a história do oferecimento da outra face. Equivocados! Presunçosos! Será que eles acham que o Cristo gostava de apanhar? Será que não percebem a superioridade e o desafio que seria provocar o agressor com forçá-lo a prosseguir agredindo, fazendo-o cair em ridículo? Diga-me, ó linda, em que momento o Cristo se mostrou humilde nos Evangelhos, senão quando revelava o vínculo cósmico?! E como se explicaria, aos olhos desses equivocados, a investida violenta contra os vendilhões do templo? Momento de loucura?? A verdadeira humildade está na demonstração da lei de ação e reação: ‘Quem com ferro fere com ferro será ferido’, e nas Bem Aventuranças, em que também Ele traça um painel de equilíbrio cósmico, da Lei Universal da Perfeição, que é Deus. E, claro, isso não significa cruzarmos os braços: a solidariedade por nossos irmãos atingidos é fundamental, é aperfeiçoamento, porque devemos LUTAR CONTRA O KARMA, vide o mito de Laocoonte, o profeta de Tróia. As catilinárias lançadas sobre as autoridades responsáveis por isso não passam de desabafos, e até procedem. Mas NADA PODE ALTERAR O QUE ESTÁ ESCRITO, isso é inegociável. Podemos tentar acelerar a evolução, sim, mas isso implica em dedicação suprema, o que é muito difícil ou impossível de fazermos nesse contexto!”, considera Manoel, voz meio surda, engasgada, para sua Maria. Enter final.
“É irreversível, Manoel, está feito! Para estudiosos isto seria resultado a longo prazo da ação da TV Globo e congêneres, intervenção por dentro dos lares, assim teria sido feito tudo. Como respostas sociopolíticas para explicar o inexplicável, é prato feito. Mas a realidade essencial, imaterial, que preside os inferiores 'fatos objetivos', vem do cosmo. Rumamos para a grande desmaterialização, e virá a purificação, a volta à essência de tudo, e isso é só com Deus”, fecha Maria a questão, olhos líquidos e brilhantes, vibrando puro amor. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 990 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 539 dias também sob mordaça...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Manoel, a imprensa tantã e o idioma da Pindorama

Frederico Mendonça de Oliveira

“Em grande parte de Minas Gerais, ó Maria, e já eu disse isso em outras ocasiões, usa-se corromper o idioma a partir principalmente da preposição. Mas isso vai se generalizando Pindorama afora como outras deformidades, vai transpondo as fronteiras do estado, é como aquilo de comer dobrado sobre o prato, como bichos – gatos são os únicos elegantes, porque comem abaixados e com cuidado e delicadeza – e com a faca pregada na mão esquerda como extensão do membro. Especialmente por aqui, nestas montanhas apinhadas de pongos vestidos, pobres coitados sob o tacão do sistema prostituidor, a preposição é instrumento de estranhos desvios em diversos sentidos. Mais preocupante ainda é verificar que a metástase avança, e já vemos outras comunidades incorrendo na pinóia, a merda se alastra, e o sistema educativo/cultural nem tchuns. Já vemos de há muito essas cacatuas da mídia eructando estupidezes (ou estupidezas, como você quiser: o Houaiss não consigna o plural do termo, que, sendo substantivo, pode flectir) por entre dentes alvíssimos projetando sorrisos indecorosos: uma certa Maria Cândida recebe chamadas de telespectadores e pergunta: ‘Você tá falando DAONDE?’, e assim vai se emporcalhando tudo, tudo virando entulho, rumo ao lixo generalizado. Mas, pensando bem, que esperar? Tivemos na presidência da República por oito anos um apedeuta, desprezando completamente o idioma, e o Brasil tende mesmo é ao abismo...”, comenta Manoel chegando de sua sofisticada oficina, na edícola, onde acaba de consertar uma panela para a sogra. Maria considera, divertida, a retomada do assunto, e já dá trabalho a sua divinal caixa pensante, olhando, linda. E glosa o mote. Enter.
“Pois olhe, ó Manoel, acabo de passar em revista as primeiras páginas dos jornalões, e dói ver o horror das imagens da fúria das águas. É um desconcerto feio, uma desarmonia que explode, um caos manifestado. Misturadas a isso, notícias frívolas, como Ronaldinho no Flamengo, Hebe desfilando com não sei quem, Charlie Sheen (quem é esse tipo?) fazendo farra com atrizes e perdendo gravação, Amie Winehouse com aqueles cambitos de sabiá, aquele semblante meio de babuíno e aquela música reles, e ainda falam de o autor de uma novela chula global contrariar o público e, pasme, registra-se em primeira página o primeiro beijo ocorrido naquela nojeira de Big Brother Brasil. Com um painel desses, dá até para considerar que os elementos estejam propensos a fúria, injuriados com tanta devassidão”, considera Maria diante de tal bagaceira. Enter.
“Mas ainda vem a turma católica pra cima da Dilma”, acrescenta a linda, “cobrando não sei o que, besteirada, coisa do caos, e registram-se opiniões de objetos vestidos . Observe só: ‘Parabéns a Igreja Católica por esta iniciativa. Se nada for feito para impedir o ímpeto dessas pessoas, o país e o mundo entrará em colápso total em breve. Essas pessoas que postam estes cometários aqui, são os pobres coitados que vivem em mundo que não existe, que é irreal, e não tem nenhuma responsabilidade na vida. Vivem como verdadeiros animais. Não respeitam nada e nem a ninguém’. Então, ó Manoel: de cara, uma crase vai pro saco, e fica um a maluco pro leitor; depois, um erro de concordância e um acento em colapso, talvez por influência de lápis; depois um este que deveria ser esse, seguido de uma vírgula entre sujeito e predicado; depois, um tem plural sem acento – talvez os filólogos petistas queiram o fim dos acentos, pra facilitar a vida deles; pra finalizar, uma preposição desnecessária, mas que ajuda a empenar a fala. E vêm outros comentários, dolorosos em sua forma: ‘Mobilizar a opinião pública contra instituições sérias que defendem suas opiniões, é simplesmente querer atestar insanidade aos cidadãos de bem’. Esse aí, meu caro Manoel, é possivelmente esquizofrênico: bota vírgula entre oração subjetiva e principal com valor predicativo, ou seja, racha a si próprio ao meio. E outro ainda: ‘Incrível, mas acho que essas pessoas não tem mais o que fazer. Que tal usar toda essa energia para ajudar o próximo, hein? Milhares de pessoas estão precisando de ajuda nas cidades afetadas pelas chuvas.Ah, me esqueci que ser católico não tem nada a ver com amar o próximo...’... Veja só: uma troca de tapas verbais estúpidos, recheados de mancadas: aparece de novo um tem plural sem acento; a forma hein é rejeitada pelos filólogos, que preferem hem; e o fecho é com um escorregão conceptivo: esquecer, em forma pronominal, impõe o uso da preposição de”, comenta Maria com olhar sério e um tanto ausente, superior mas sem empáfia. Enter.
Segundo os iniciados, a convulsão por que passa o mundo é o começo do Armagedon, que seria o evento escatológico, o já temido fim do mundo ou dos tempos; ou, para outras linhas de pensamento, convergentes, a grande purificação. Manoel e Maria, dois estudiosos contumazes, dois apaixonados um pelo outro e pelos estudos, tanto quanto pelos gatos e pela criação de Deus, percebem a grande deterioração em andamento, a marcha da derrocada, e nutrem no coração tanto a esperança confiante na Inteligência como sentem no peito um aperto por pensarem na grande destruição que se avizinha, e que iniciará uma nova era. Então dói nestes dois corações a desagregação de tanta beleza organizada pela mão de Deus e saber que tudo isso, os pássaros, as matas, as flores, os animais, tudo se esfará em fogo e lama, e que dessas formas nada restará. A sequência crescente de desastres ecológicos e os desencarnes coletivos são os sinais do grande desenlace. Também a arrogância dos templos do capitalismo apoiado na usura, a violência das construções de dimensão gigantesca, o desmedido tamanho de aviões que desafiam a gravidade ou de navios que ultrajam a face dos mares, tudo isso a serviço do lucro, do supérfluo ou do desvio da mente humana para a adoração da matéria, tudo será tragado pela fúria dos elementos. Maria e Manoel contemplam tal perspectiva com reverência à grandeza divina, e Manoel considera a irreversibilidade da grande virada lembrando Pietro Ubaldi: “De tudo só restará a idéia!”, cita ele para sua Maria quieta e bela, milagre que Deus deu a nosso herói. Enter final.
“Ó Manoel, nóis vai no supermercado amanhã, que nem nós feiz antes de ônti, mas se ocê quer que eu num vô, traiz pra eu o que era pra mim trazê!”, brinca Maria para um Manoel encantado, pois ela não é dada a troças, especialmente focando terceiros. Mas o amor à correção os faz travessos eventualmente, e os que depredam a si e ao idioma nem sonham que alguém os avalie em oculto. Uma linda saíra azul bica a banana no telhado da edícola sob o olhar vigilante de seu par, azul e negro, o céu sorri. E viva Santo Expedito! Oremos. “Semana que vem nóis se fala!”
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Manoel e a generalização da estupidez

Frederico Mendonça de Oliveira

“Ó Maria, de que servem organizações lusófonas ocupadas com preservar o Português, se o que acontece direto e reto é a depredação diária e diuturna do idioma através da burrificação coletiva e da estupidez promovida pelo Sistema em todos os níveis?”, pergunta nosso herói a sua amada, que o ouve concentrada avaliando os teores da pergunta. Manoel voltou a mil, depois de um mergulho em estudos transcendentais, de que tirou um belíssimo lastro para seu aperfeiçoamento e de sua linda Maria. Houve um grande salto de qualidade com as grandes descobertas e aprofundamentos, mas cresceu feiamente o abismo entre o casal e o mundo esmerdeado e em galopante desmantelamento que o cerca. E, claro, é um mundo em que o casal não se insere de forma nenhuma, casal cada vez mais fugindo da estupidez generalizada. Bem, vamos ao front. Enter.
“O idioma se depreda na medida exatamente proporcional ao desmantelamento do social. Estão sendo amputados os pronomes oblíquos, por exemplo, não só nestas montanhas apinhadas de macacos sem rabo, de bugres movidos a desejos primários, e essa macacada ocorre em todos os níveis sociais. A burguesia local fala um pouco mais corretamente – ou menos incorretamente – mas não está preocupada com o idioma em si, patrimônio da comunidade que o utiliza, por ser o instrumento que nos expressa. Os objetos vestidos do Sistema falam abertamente ‘E ela não convidou eu pra ir na festa’. Seria correto dizer ‘E ela não me convidou para ir à festa’. A lógica dos ignorantes vai suprimindo tudo que os obriga a pensar ou a lembrar. Eles vão se fazendo entender através de sua rusticidade que sonha não a simplificação, mas a primarização total, pois querem mais tempo de vazio na vida, o que lhes permitirá encher as cucas de mais desejos de matéria e de desejos só desejos mesmo. E assim vão se bestializando e rumando para a comunicação dos animais, que tem códigos extremamente primários e sem mais que, digamos, cinco emissões de significado. Aliás, por aqui se corrompe o idioma pela preposição. Quando comecei a conviver com esses tipos mal falantes, logo percebi o mau uso das preposições. Ir na festa ou no cinema significa ir lá com outra intenção que não participar do que as duas coisas oferecem. Ir na festa seria para fazer outra coisa, como ir verificar, excluído da função, se alguém estava lá e fazendo o quê. Ação de espião, por exemplo; e ir no cinema seria parecido, como ir levar moedas de troco para alguém que lá estivesse, na bilheteria, digamos. Nada de assistir ao filme. E trocar o pronome oblíquo pelo reto é baixar o nível para contornar escolha de correção gramatical. ‘Pra que isso?’, pensam esses pongídeos, que, por outro lado, costumam corromper o oposto: ‘Tinha muita coisa pra mim fazer’. Um pacóvio da imprensa local, por exemplo, que lembra o perfil dos primatas, chafurdava nos erros da publicação, uma farra. Depois, por injunções várias, veio uma purificada na titica, mas o sujeito e seus pares prosseguem toupeiraças nas vírgulas, por exemplo, e as idéias editoriais, especialmente os cabeçalhos de primeira página, são verdadeiros tiros de bestialidade”, considera Manoel, sob o olhar absorvente de sua linda. Enter.
“É uma ruína crescente, e não nos consola Gilberto Freyre dizer que o Português é fadado à extinção por ser complexo demais. Alfabetizado em Inglês, ele fala de cima a respeito do que espera os dois idiomas. Mas não levou em conta, nisso, que a deseducação imposta à Pindorama promove e acelera a depredação. Como conservar um idioma se se destrói quem o utiliza e se é desmontada a estrutura física de sua sustentação, que são a Educação e a Cultura? Não é isso, ó linda?”
E Maria assume: “E o cara que andou presidente por oito anos nesse lugar comentou, a respeito do problema do WikiLeaks, mais precisamente do affair Assange, que o culpado foi o que criou a ‘mensage’, não o que divulgou a ‘mensage’, e isso ilustra o que tu falas, ó meu Manoel”. E fala penalizada com a grosseria que é obrigada a reportar por imposição de ofício, pois abraçou a problemática da Educação como sua atividade. “E tu não vistes uma das chamadas de capa de O Globo de hoje, falando de cruzeiros marítimos – essa nova festa de imbecis turistas navegantes – e dando um soco no olho do leitor?”, e Manoel vai ao monitor olhar, e lá está: “Cruzeiros investem em mordomia 24 horas à bordo”. “Bordo é substantivo masculino, cacilda, e o jornalista não deve saber nem o que é substantivo, e periga nem saber o que é masculino!”, fala Manoel com cara de sacana para sua Maria que lhe sorri de volta com os lindos olhos. “Se o cara vacila já de cara nessa, saberá o que é crase? A menos que alguém lhe explicasse muito bem que ele pode ser um ser craseado, ou seja, que vive duas realidades de condição sexual, ele jamais aprenderá como usar ou não a mistura do a preposição com o a artigo...”, prosseguiu Manoel com mordacidade educada, sob o olhar doce e picante de sua linda. E a conversa vira para questões de preservação e depredação cultural, e a Tailândia entrou em cena como novidade que anda assustando os estrangeiros. Enter.
“A nova mania na Tailândia, naqueles confins asiáticos, é o caraoquê, veja só, ó linda! A palavra vem do japonês, karaoke, formado de kara, 'vazio', e oke, redução de okesutora, 'orquestra'. Ou seja, fundo musical sem canto, ou back ground, ou bg. Isso virou febre lá, e houve uma feia reação: atiradores começaram a ‘coibir’ a prática, em defesa de valores tradicionais da cultura local, que rejeita energicamente essa merdificação do canto, a entrega do microfone para o leigo, para o desejoso de fazer o que sonha e que não tem preparo para fazê-lo. E uma das canções preferidas nessa é ‘My Way’, aquela bosta gravada pelo Sinatra já senil. Então em uma semana foram eliminados literalmente, a tiros, uns 30 caraoqueiros, parece que justo quando cantavam a infamérrima My Way... Que achas disso, ó linda?”, pergunta Manoel. Enter final.
“Digo-lhe, meu Manoel: soa-me que a civilização morre. O progresso tecnológico joga os seres para um passado, bestializa tudo e todos, e a reação a isso tem de ser radical, ou morrerá no nascedouro esmagada pela força do capital cancerígeno. Temos muito a falar ainda sobre isso.”, e Maria leva seu Manoel para lá... E viva Santo Expedito! Oremos. Té a próxima, babes!
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Mudanças ou paralisia pela frente?

Frederico Mendonça de Oliveira

Manoel prossegue em recesso neste fim de 2010, ano que para alguns encerra uma década e que trouxe curiosas mudanças no Brasil e no Mundo – para outros, a década acabou no fim de 2009, faça as contas. Uma das mudanças foi a eleição da primeira presidenta brasileira, o que mostra que brasileiros não consideram a testosterona dominante um ingrediente fundamental pra a ascensão ao Palácio do Planalto como autoridade mor nesta Pindorama desvairada. Tida como a última façanha do esparolado Lula da Çilva, a eleição de Dilma revela outras nuances, mas o trêfego “desocupante” da primeira cadeira quer porque quer para si os louros da novidade depois de 121 anos de República protagonizados por bofes. Outra mudança curiosa: os donos do Mundo elegerem – sim, sim!, são eles que “elegem”! – um negro, ops!, afroamericano para a Casa Branca, deixando racistas na bronca e integracionistas boquiabertos. A mudança que não ocorreu com Obama na Casa Branca é que anda confundindo as cucas dos zumbis humanos, andróides e humanóides – sem contar milhões mais assemelhados a antropóides, basta ver o que fazem de suas vidas. Esses seres esperavam que Obama inaugurasse uma nova era comandando – qual!... – os EUA, os otários babosos. E outra mudança que chapou geral foi o ataque aviônico e posterior implosão das Torres Gêmeas, ícones arquitetônicos maiores do capitalismo selvagem, evento até hoje absolutamente sem explicação, muito embora a mídia do Império tenha criado a fantasia demente de que foram aqueles árabes estampados na mídia do Império os responsáveis, valendo como prova rota disso um carro abandonado e tendo em seu interior um manual de pilotagem em árabe... no aeroporto de que teria supostamente saído um dos vôos E nessa loucura se insere um avião que não existiu atingindo o Pentágono – na verdade atingido por míssil terra-terra –, um avião que não foi abatido lá não sei onde e um prédio, o nº 5 do complexo WT, que caiu sem qualquer motivo. Ó Manoel!, help! Enter.
Bem, o que também valeu como novidade foi o pícnico retirante filho de mãe que nasceu analfabeta inverter radicalmente seu discurso tão logo subiu a malfadada rampa. A fala “curta e grossa” dos tempos de metalúrgico fajuto querendo ser chefe “defe paíf” e o tom de denúncia e de radicalidade vociferado por 25 anos contra a corrupção e o lobby tirânico burguês deram lugar a uma postura beirando o histriônico e recheada de falas inconseqüentes – quase sempre sob efeito de etanol – e a uma aceitação vil para com desmandos, tendo as duas gestões de PT no Planalto revelado uma tendência a cair na farra da corrupção como jamais se vira antes “nefte paíf”. Uma dessas falas-pérolas de “desradicalização” ocorreu quando o cara falou para um grupo de atletas paraolímpicos, fala histórica de pinguço, inspiração etílica vazia e escrota: "Estou vendo aqui companheiros portadores de deficiência física. Estou vendo o Arnaldo Godoy sentado, tentando me olhar, mas ele não pode me olhar porque ele é cego. Estou aqui à tua esquerda, viu, Arnaldo? Agora, você está olhando pra mim... ". A descerimonialização/coloquialização das falas em público substituiu o discurso do metalúrgico “de esquerda” fingindo ira santa, aquele grosseirão que parecia estar no extremo oposto de seus antecessores, especialmente o asqueroso e degenerador – eca! – FHC. Pois assistimos a uma inversão radical, e a era Lula nos tomou o que poderíamos considerar como um décimo de nossas vidas. E isso, somado a outro décimo consumido pelo tucano Gallochmouth e a mais duas décadas e tal de ditadura, nos deixa diante de um saldo desanimador. Quase meia vida sob estupidez e descalabro instituídos. São essas as Suas linhas tortas, ó Pai?? Enter.
Bem, se ficou o episódio das torres gêmeas sem explicação, por aqui tivemos uma década de várias merdas feias sem explicação também: a explosão da P36, até hoje sem qualquer conclusão pericial mínima; Alcântara, episódio horrendo até hoje envolto em mistério e silêncio E JÁ AMPLAMENTE DENUNCIADO COMO SABOTAGEM COMPROVADA pelo relatório Schlechting; a tragédia do vôo 1907 (29 de setembro de 2006, um Boeing 737-800 SFP da Gol Transportes Aéreos, prefixo PR-GTD, 154 pessoas a bordo, sumiu dos radares aéreos às 16h48min – UTC-3 – indo de Manaus para Brasília. Teria colidido com um Legacy que ia em sentido oposto para os EUA, e o Legacy saiu inteiro de uma colisão que é física e tecnicamente IMPOSSÍVEL. Foi divulgado posteriormente que não houve colisão: o Boeing foi explodido. Por isso o Legacy desligou o transponder e saiu da aerovia quase meia hora antes: para não receber estilhaços da explosão planejada. O Legacy era o laranja na história. O nome disso é SABOTAGEM); a tragédia do vôo 3054, em que TODOS os comandos do Airbus A 320-233 simplesmente desobedeceram aos pilotos, fato inédito na história da aviação mundial e inexplicável pela pluralidade da pane – o que aponta GRITANTEMENTE PARA SABOTAGEM. Decadazinha danada, hem??? Enter.
E agora entra Dilma no corredor da História, e prosseguimos com cara de cow watching the train passing by, muito embora nos tenham feito votar, e tenhamos votado contra a tucanagem, pois seria simplesmente pura desgraça termos mandando neste lugar um tipo como José Serra, cacete, puta merda!!! Então tiramos essa coisa de nossas vidas pisoteadas apostando em algo digno depois de uma história pífia e degenerada iniciada em 1500. Dilma será digna? Teremos esperança de uma atuação séria que nos traga perspectivas maiores de ganho de soberania? Teremos algo mais que bolsa isso e aquilo, que acobertamento monstruosamente criminoso de corrupção, que falas estúpidas sobre tudo que acontece? Teremos Dilma envergando bonés, pegando guitarras, subindo em skates, fazendo embaixadas com bolas, envergando camisas de times, ou o decoro e a compostura virão AFINAL, e virá uma estrutura de poder mais séria e digna? Enter final.
Saímos da ditadura militar e entramos na ditadura da corrupção. Os poderes estão cancerificados, totalmente carentes de conteúdo moral. O Executivo se estraçalhou com o mensalão e outros cocôs feios, só restando agora a frágil esperança na seriedade de Dona Dilma; o Legislativo está mergulhado em farra e orgia e totalmente dissociado do que representaria, e não há esperanças de regeneração daquilo; o Judiciário está em crise de conteúdo, máquina emperrada e beirando um colapso e, o que é pior, desacreditado de todos. Até dos próprios membros, pois, como disse Edson Vidigal, presidente do STJ, em declaração à rede Globo, “a Justiça brasileira é tarda e falha”. E chega por 2010. Que Deus nos olhe. E viva Santo Expedito! Oremos. Té pro ano, babes!
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 967 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 518 dias também sob mordaça...