sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Manoel e o aniversário do Arraial das Bagas

Frederico Mendonça de Oliveira

O Arraial das Bagas, onde reside Manoel há exatos 25 anos e dois dias, fica nas montanhas do Sul de Minas e hoje é exemplo de corrupção institucional em todas as instâncias de poder e degenerescência social e humana. Mas a panguazada vive normal, até festeja aniversário, como em qualquer outro arraial ou como fazem todas as criaturas neste planeta nunca tão ao feitio de planeta dos macacos. Pois mesmo distante dos “festejos” e apenas tendo deles impressões de passagem em horas de intervalo de funções e porque recebendo depoimentos de amigos devidamente acachapado com o que viram, Manoel resolveu dar aqui seu relato sobre essa patacoada mais semelhante a coisas do outros mundos, que só iniciados sacam. Enter.
Passando pela praça da Matriz exatamente às 21h de quarta-feira, portanto minutos antes de se apresentar o galã brega Fábio Júnior, já nos perigalhos e sem nada de verdadeiramente atraente nesses dias de tira-gosto para o começo do Apocalipse, Manoel viu de perto cenas dos abismos. A praça estava lotada de seres que pareciam saídos de cavernas e covis, palrando um idioma dantesco aliás aludindo a caganifâncias quase insondáveis. “Dava medo ver aquelas criaturas!”, disse nosso herói ao amigo músico também exilado nas Bagas. “A impressão que davam é que poderiam atacar-nos por estranhar nossa vibração tão diversa!...”. Pois muito bem. Manoel escafedeu-se cosido às paredes em meio à noite carregada de tragicidade em sua escuridão enigmática e carregada de um negrume ameaçador. Foi tomar um chopete no único endereço que ele de leve frequenta no arraial; um só chopete, e logo tomaria o busa para voltar à companhia de sua amada Maria no aconchego do lar que respira cultura, arte e amor. Enter.
No dia seguinte aconteceria a “parada” pela manhã, e Manoel até ouviu sinais dela vindos lá do centro. Pois eis que lhe ligou um amigo e deu notícias de várias coisas relacionadas aos “festejos”. Esse amigo é um tipo de pessoa meio pra santo, simples, músico – toca viola de sinfônica – e que São Pedro não deve ter pressa de receber lá em cima, pois já o conhece de sobejo. O amigo então relatou o que viu no show do sessentão Fábio Jr. e da “parada” de aniversário. Falou também do que ocorreu no primeiro show de um cantor gospel para o poviléu. O tipo atende por Régis Danese. E a estupefação se manifestou, mesmo que estando nosso herói mais que calejado com a teratologia que assola a aldeia irreversivelmente degenerada. A isso. Enter.
O cantor gospel, que já comprou até fazenda por conta do primeiro sucesso que emplacou em âmbito “nacional” – como nacional, se não somos mação, mas colônia dos EUA e do Império? –, teria produzido um milagre em seu “show”: um tipo em cadeira de rodas se teria levantado e andado, segundo foi “testemunhado” pela gentuça presente. Manoel consigo pensou: “Esse cara deve acompanhar a equipe do show do cantor e ganhar um cachezinho pra que se realize o milagre”. Pois muito bem: o cara cantou rapidinho e se esgueirou fora, com o gordo cachê no bolso. Já quanto a Fábio Jr, o galã brega que abiscoita a rebarba do Robertão (Carlos), soube-se que cantou durante 25 minutos, deu “Boa noite, Bagas!” e azulou como um risco. Na verdade, segundo relatos, nem cantou: ele e seus músicos fizeram mímica apoiados por um BG (fundo musical gravado) e “sartaram” fora, também com a bolada do bolso. Manoel não teve notícias sobre a reação da macacada, que talvez esperasse uma linda performance desse ídolo de fãs com faces enrugadas... Mas o mais chapante ficou por conta do desfile de aniversário do arraial, e isso merece um enter. Pois que seja. Enter.
O amigo de Manoel relatou que o desfile foi um vexame, um espetáculo de mediocridade, sem energia, sem liga, sem nada: um fracasso como evento. Entre outras coisas, desfilou um carro “alegórico” do centro de ensino musical, aliás enxovalhado por ter o nome de uma criatura absolutamente indigna de qualquer merecimento: teria sido, segundo soube Manoel, um tremendo flagelo para quem “estudou” piano com ela, uma criatura de gestos aparentados aos de rinocerontes ou coisa por aí. Pois ocorreu de rolar uma caminhonete com instrumentos, um baterista batucando lá e o diretor posando de não se sabe que significado. Não que isso esteja errado, mas não foi absolutamente entendido do público o que aquilo pretendia, porque a produção do desfile, segundo voz geral, foi de uma pobreza jamais vista no arraial. Enter.
Bem, depois de saber de ter rolado “milagre”, de ter rolado show de 25 minutos de Fábio Jr. e de desfile completamente frio e sem qualquer entusiasmo ou fundamento, já que o populismo do atual governo acaba que não funciona junto à população, cética em relação a política ou poderes públicos em qualquer dimensão, Manoel soube que o prefeito, em discurso longo para um público bovinizado em que se misturavam infiltrados estrategicamente membros do Executivo, citou a pessoa cujo nome foi dado ao centro musical comparando o que ele “entende” por talento musical dela ao gênio de Villa Lobos. A comparação bateu como petardo de canhonaço no meio musical do arraial, e Manoel pôde ouvir as críticas das pessoas ligadas a música, e todos concordavam em que trata-se de estado de demência instalada no Executivo. Enter final.
E nosso herói passou o resto do feriado churrasqueando feliz com sua amada, embora de coração doído pelo que andam fazendo, com seus tão queridos gatos, monstros da vizinhança. O último sumiu há uma semana, e dói na casa a ausência daquelas maravilhas que tanto alegram nosso herói e que tanto se identificam com a linda Maria, tão apaixonada e ligada a eles. Agora é tentar outros bichanos, e nosso herói e sua amada poderão pelo menos conviver com novo felino enquanto ele for filhote e puder ser mantido dentro dos muros da casa. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
ATENÇÃO: JÁ ESTAMOS CENSURADOS HÁ 553 DIAS. A CENSURA A O ESTADO DE SÃO PAULO JÁ ESTÁ CONDENADA ATÉ EM ÂMBITO MUNDIAL. QUANTO A NÓS...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Manoel e a bestialidade da censura

Frederico Mendonça de Oliveira

“Muito significativo isso de censurar quem denuncia crimes imundos praticados por autoridades!”, conjetura Manoel vendo que a censura contra o jornal Estado de São Paulo prossegue cínica e covardemente imposta pelo Judiciário há 70 dias, torpeza injudiciosamente praticada nas fuças dos brasileiros. O “presidente” Lula fica na dele, dizendo que “isso é assunto do Judiciário”, como se tal instância de poder não integrasse o edifício nacional. “Seria uma instituição estanque?”, indaga-se Manoel, para quem a censura poderia até existir no caso de coibir monstruosidades como produção de canções com letras visivelmente perniciosas para a infância ou quaisquer produções visivelmente deseducativas e atentatórias à evolução social. “Se podemos coibir através de nossas glândulas a ação de invasores prejudiciais a nossa saúde, a censura poderia agir do mesmo jeito em se tratando, por exemplo, de coisas como a asquerosa dança da garrafa e de outras teratologias como a pornografia desenfreada na TV aberta e na internet. E tudo leva a crer que a censura ao Estado de São Paulo prossiga, mesmo com a tentativa de intercessão de órgãos internacionais condenando a intervenção: “Sem obter resposta oficial da primeira carta enviada no dia 10 agosto, a Associação Mundial de Jornais (WAN) e o Fórum Mundial de Editores (WEF), entidades máximas da imprensa mundial, pediram novamente 'ação' do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, sobre a censura ao Estado, que completa hoje 69 dias.” E até abrem o bico em condenação: "’Estamos preocupados porque, dois meses após a primeira decisão judicial, a censura se mantém’, anota o texto assinado pelos presidentes da WAN, Gavin O"Reilly, e da WEF, Xavier Vidal-Folch” Enter.
“Estão mesmo preocupados, ó pás? Então vejam o caso de meu amigo aqui no Arraial das Bagas!”, ruge discretamente Manoel, que sofre com uma situação criminosa entalada em sua goela desde fins de 2006. Ele se refere à censura covarde e criminosa imposta a seu amigo, que denunciou crimes praticados por autoridades dos três poderes no arraial. O amigo e sua mulher não aceitaram a realização de uma obra ilegal ao lado da casa deles, e soltaram a denúncia na imprensa. Diante disso, o autor intelectual do crime meteu dois processos imundos, um penal e um cível
contra cada um. Uma brabaridade: os penais eram por calúnia, coisa que não houve, pois só foram denunciados fatos comprovados por farta documentação; os cíveis não passaram de tentativa suja de usurpação, alegando danos morais infligidos ao autor pelo fato de ter havido “calúnia”. Uma verdadeira monstruosidade. E o amigo ainda sofreu censura, estando proibido de mencionar o nome do autor do crime nos meios de comunicação – “mordaça torpe, sórdida, covarde!”, vocifera intimamente Manoel, profundamente enojado com tanta violência escrota, com tanta pústula emporcalhando os poderes do arraial – sob pena de multa de R$ 10 mil/dia e prisão por desobediência à ordem de não falar. “Isso são homens??”, pergunta-se Manoel diante de tanta perversão. Enter.
E já lá se vão mais de 546 dias desde que um juizeco do arraial baixou a liminar covarde e cabalmente demonstrativa da miséria do caráter de humanóides que hoje infestam o Judiciário em TODAS AS INSTÂNCIAS DESSE PODER!, desde a mais alta até o mais insignificante forunzinho de aldeota. A opinião pública é ciente de tudo, mas impotente diante dessa ditadura monstruosa, em que o “juiz entende assim ou assado”, estabelecendo um subjetivismo inaceitável na prática da magistratura. De há muito Manoel ouve falar da intocabilidade e da deformidade de caráter de muitos juízes, hoje agindo como opressores cruéis, ávidos, irresponsáveis e arrogantes. Sem contar serem regiamente pagos pelos impostos que esmagam os cidadãos... Podem dar voz de prisão a qualquer cidadão, seja um pobre mortal, seja um ministro de Estado, e ninguém lhes pode fazer o mesmo, estabelecendo uma distorção de valores inaceitável, pois privilegia imoralmente uma casta de seres que têm, como todos, merda dentro das tripas! Mas hoje está inaceitável a intangibilidade desses seres. Dostoyevski comenta isso: “O melhor dos homens pode, com o hábito, transformar-se num animal feroz. O sangue e o poder embriagam, engendram a brutalidade e a perversão”, disse o gênio eslavo. Enter.
E Manoel ainda pensa no escritor russo quando se recorda de outra fala dele na tristíssima obra A Casa dos Mortos: “Daí o perigo de um idêntico despotismo contagiar a sociedade. Uma sociedade que se afaz a tais conjunturas já está corroída até o âmago”. E assim se dá com o amigo de Manoel, monstruosamente perseguido também por uma vizinhança porca, quase toda ela curvada aos poderosos safados, glamurosos por serem detentores de poder no arraial, principalmente o deformado e repulsivo autor intelectual do crime denunciado pelo amigo. Enter final.
“É o fim!”, considera Manoel contemplando enojado tão horrenda paisagem. “Agora só tsunamis, terremotos e outras desgraças salvarão este planeta corrompido pelo ódio dos globalizadores, que aliás estão por trás de toda essa tragédia que enfrentamos. O diabo detém o cetro do poder sobre o mundo: Baphomet comanda o despedaçamento final. Que Deus livre os bem aventurados desse horror que já é uma realidade irreversível”. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
ATENÇÃO: JÁ ESTAMOS CENSURADOS HÁ 546 DIAS. A CENSURA A O ESTADO DE SÃO PAULO JÁ ESTÁ CONDENADA EM ÂMBITO MUNDIAL. QUANTO A NÓS...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Manoel e as crianças desencaminhadas

Frederico Mendonça de Oliveira

“O Brasil se transforma vertiginosamente em fábrica de delinquentes!”, considera Manoel ao contemplar melancolicamente os pequenos infelizes levados à torpeza por quem os gera, pare e depois deforma desencaminhando perversamente almas ainda inocentes de seu próprio destino. Dizer que eles (elas) parem é maneira elegante de nos referirmos ao momento em que os infelizes são jogados nesse inferno que vivemos. Poderíamos dizer “lançam”, “expelem”, coisa assim, ficaria mais de acordo. Mas o que importa é que a reprodução através do acasalamento desses seres irresponsáveis e verdadeiramente irracionais é o ato de dar continuidade à degenerescência que assola este país e este mundo que já foram de Deus. Mas ainda há quem enxerga isso e denuncia: são os poucos que mantêm a consciência crítica e gritam contra o câncer instalado nesses dias sem salvação e sem volta: Vale até outro parágrafo para destacar a reflexão de um carioca sensível sobre a violência instalada em nosso dia a dia e que no Rio virou paroxismo habitual. Enter.
“Nas boates e micaretas, garotas são beijadas à (discordo da crase: mantive para possibilitar aos leitores ver a escorregada do colunista; “a força”, “a bala”, “a tapa”, “a rodo”, nada disso tem crase) força por pitboys, aos quais arranjar briga parece mais excitante do que dedicar-se ao flerte. O combustível químico para a insensibilidade, vendido livremente a menores nas boas casas do ramo, pode ser bebida destilada com energético. A consumação da turma do rapaz morto no ano passado ao tentar tirar a arma das mãos do segurança do filho de uma juíza na porta da boate Baronneti assusta até velhos junkies da geração Mandrix-Optalidom: nove latas de energético, duas garrafas de vodka e uma de uísque”. Quem terá agido sobre esses jovens em sua infância? Pois o mesmo autor dessa consideração acima, Marcelo Migliaccio, revela: “Os jovens cresceram entregues a uma babá eletrônica muito relapsa chamada televisão, que lhes exibiu as maiores atrocidades a qualquer hora do dia a troco de audiência. No cinema, os heróis foram se embrutecendo desde Rambo até chegarem ao atual 007, um matador frio que nem de longe lembra o glamour dos tempos de Sean Connery e Roger Moore”. E vale considerar que Sean Connery e Roger Moore eram o comecinho dessa orgia de sangue e fogo exibida hoje pela TV em tempo praticamente integral. Na verdade, era o começo da hegemonia do entretenimento sobre a cultura, instituição que perdemos para sempre. E ainda vale considerar que o colunista é gentil quando vê a TV como babá eletrônica “muito relapsa”; não é relapsa, é teratológica e letal. E pensar que simplesmente TODOS entregaram suas mentes e mesmo suas vidas a esse aparelho funesto, e não se vive mais sem ele, não se perdem as malditas novelas, seguidas como sendo a função religiosa mais importante dessa era de lixo. Enter.
Os infelizes boçalizados de hoje palram como papagaios repetindo a tachação de “xiita” ao se referir à disciplina religiosa do mundo árabe, mas todos obedecem rigorosa e até fanaticamente à TV, como sendo seu guia espiritual mais caro e mais respeitável – ou, na verdade, venerável. O que se pode esperar desses objetos vestidos? O que eles têm para dar a seus pobres filhos, já infelizes só de terem nascido de quem nasceram?!... e ainda enfrentado um país desgraçado, despedaçado, governado por uma quadrilha de ladrões e de corruptos, incluindo assassinatos, rombos, escândalos inacreditáveis, e as figuras patibulares dos suídeos engravatados aí, sorrindo, mamando, abocanhando e estraçalhando a pátria que os pariu! Que se pode esperar de crianças que vêm compor um cenário de horror como esse, uma verdadeira tragédia social, um inferno??? Enter.
Então, as pobres crianças desta cloaca em que transformaram o Brasil vão se transformando em réplicas desses seres degenerados, e raro é o pai ou a mãe que eduque: os macacos vestidos entregam os pobres infantes à TV, e vão se criando boçais em massa, e a cada geração a boçalidade aumenta, a estupidez se materializa como virtude, a cegueira social se consolida como credo, e ver crianças dando espetáculos de grosseria, estupidez, violência e patologia mental, sem contar o triste espetáculo da insanidade afetiva, verdadeiro flagelo que vai deformando crianças e adolescentes, é de dar medo. Manoel se vê abestalhado, abismado diante de crianças que hoje são um monte de maluquinhos correndo como seres atormentados em lojas, nas ruas, em restaurantes, em supermercados, em bancos, onde quer que se vá... “Esses infelizes fedelhos desgraçados rimam com a televisão: onde estejam, são invasivos e inconvenientes, causam até um temor estranho, parecem mensageiros vivos da degenerescência! Ó Deus, que destino horrendo é esse que se manifesta na coisificação e na deformação atroz das crianças???”, pergunta-se Manoel confrangido, especialmente se pensando que ISSO vai ser a nova geração no comando deste lugar degenerado, desfigurado, completamente devastado por uma conjuntura sem reversão, uma bacanal de horror e monstruosidade!... Enter final.
E os babacas todos transformados em batatas de sofá, com o toba preso na poltrona e os olhos cegos na televisão, ainda “acham” que são gente, que devem ser acatados como tal, só porque OBEDECEM criminosamente ao invasor globalizante... e ainda babam de estupidez insana vendo o “presidente negro” dos EUA, um fantoche dos globalizadores, e o Migliaccio até cita o “pensamento” desses macacos sem rabo: “E nós, míopes diante do espelho, continuamos a esperar a redenção da Humanidade pelas mãos do pobre Barack Obama”. “Sim, um belo de um merda. Nem dá mais para acreditar que isso possa ter algum remédio... O diabo venceu essa”, pensa Manoel aflito com tanto horror, e vai para a geladeira. “Fazer o quê??” E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
ATENÇÃO - ESTAMOS SOB CENSURA DESDE O DIA 11/4/2008, POR TERMOS DENUNCIADO PODEROSO QUE PRATICOU ABUSO DE AUTORIDADE. SÃO EXATOS 539 DIAS!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Manoel, Belchior, motos e corrupção de menores

Frederico Mendonça de Oliveira

Lembrando os fortes momentos do clímax de Os Maias, Eça de Queiroz, Manoel compreendeu que a beleza não tem mais vez neste mundo, se depender dessa corriola demoníaca que detém o poder internacional. Não há mais perspectiva de saneamento dos males instalados no país, no mundo, e a morte de Afonso da Maia, o hercúleo patriarca presente em toda a história, bateu forte nos nervos sensíveis de Manoel, como que instaurando o começo de uma contagem regressiva implacável. Maria ainda não dormia quando percebeu a forte emoção que assaltava Manoel ao enfrentar a leitura daqueles duros instantes vividos por todos no Ramalhete, a austera propriedade da família Maia. Lágrimas desciam pelas faces de nosso herói, conduzido pela prosa vibrante de Eça às imagens vivas e pungentes daquele passamento. O gato de dom Afonso, que todos chamavam de “reverendo Bonifácio”, consumiu as últimas lágrimas de Manoel, ao saber este que o Vilaça, administrador da família, homem prático e puramente financista, fizera para o queridíssimo e fiel bichano do velho Afonso um pequeno mausoléu de mármore ao pé da janela do dono amado. Enter.
E Manoel considera: “Bem, bem. Terminado Os Maias, vamos a Camilo. Ainda não li Coração, Cabeça e Estômago, embora sempre sabendo do que se trata. Vamos em frente: é positivo prosseguir mergulhado na literatura portuguesa para não cair no vazio e na negatividade desses dias de globalização massacrante...”, e lá vai nosso herói viver momentos belos e fortes pela mão do gênio português que responde pela mais vasta obra no idioma de Camões. Enquanto isso, a merda grossa campeia geral neste lugar chamado Brasil, onde os globalizadores testam todas as modalidades de intervenção que não podem usar abertamente na Europa e nos EUA e que são duramente rechaçadas no mundo árabe, na Coréia do Norte e na Venezuela de Chávez, agora também seguida da Bolívia de Evo e do Equador de Rafael Correa. O boneco etilizado Lula fica por aí bancando o grande “chefe de Estado”, defensor de Honduras e Haiti, e dizendo suas asneiras de costume (por exemplo: “Estou com dor no pé, mas não posso nem mancar, senão a imprensa vai dizer que estou mancando porque estou num encontro com os companheiros portadores de deficiência”), enquanto que no Brasil a podridão política e a tragédia institucional se combinam com uma guerra civil sem comparação em toda a história da Humanidade. E o Brasil despenca em horror e miséria: saíram na internet fotos do enterro da mulher de um traficante, em que a sepultura é um quarto cavado no chão, todo em alvenaria, com massa corrida e pintura, acarpetado, com móveis, o caixão colocado sobre cama de casal, e ainda se vêem cômoda, cadeira estofada, mesa com bebidas importadas (inclusive um Chivas 12 Years Old de cinco litros), copos, flores, quadros nas paredes, um imenso espelho com moldura, TV de cristal líquido gigantesca, objetos de uso pessoal da finada, oratório e outros bichos. Sobre a cabeceira da cama, uma cópia simples da Santa Ceia. Salvador Dali, René Magritte e Paul Delvaux estão definitivamente superados e esquecidos como artistas e pensadores do surrealismo... Enter.
Bem, desgraça pouca é besteira: a moto, veículo de utilidade inquestionável e hoje ferramenta de trabalho de centenas de milhares senão de milhões de brasileiros, agora virou polêmica. É que também virou veículo de grande eficácia para o crime. Desde disk-entrega de drogas (especialmente crack e cocaína, sem contar Extasy) até disk-crime (super eficiente para efetuar roubos e homicídios), a moto está estigmatizada, associada crescentemente a delitos e causando temor geral. Num país-lixo como este, tudo pode se deteriorar da noite para o dia, desde a presidência da “República” até os mais simples significados sociais. E ainda alguém se espanta quando o Belchior se encafua no Uruguai pra traduzir a Divina Comédia para o idioma de Cervantes... “Fica por aí mesmo, amigo! Se bobear estarei do teu lado quando menos esperares!”, considera divertidamente Manoel, consciente da deterioração feia que nos atinge em cheio. Além disso, pra que diabos Belchior vai continuar essa farsa de ser ídolo em país de cavalgaduras e bandidos de toda espécie, e em que platéias são como imensas récuas ululantes que nada entendem do que aplaudem aos balidos, zurros e mugidos? Sendo a pessoa séria que sempre foi, Belchior naturalmente haverá de buscar uma alternativa para o Brasil, que mergulha no inferno de cabeça, processo por sinal providenciado cientificamente pelos globalizadores monstruosos, que promovem chacinas desde 540 A.C., vide o livro de Esther. Enter final.
E eis que um amigo iniciado na verdade da política internacional, entusiasmado com a postura digna e firmíssima do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, soube por sua filha menina que a van escolar promovia “festinhas” no percurso de volta das crianças para casa, tocando música obscena e induzindo as crianças a um “percurso feliz”. Mandou pela menina um bilhete para o motorista, em que o advertia que abriria processo caso continuasse ocorrendo essa miséria no trajeto. Curiosamente, já no dia seguinte à tomada de posição do pai e sem que o bilhete fosse entregue, a farra parou, porque o motorista foi trocado. “Meno male”, pensou o amigo, “mas muito pouco muda: as crianças sabem de cor e salteado TODAS ESSAS COMPOSIÇÕES OBSCENAS, aprendidas na TV, e basta tocarem em qualquer lugar e logo todas cantam aderindo ardente e religiosamente”. Moral da história: se correr o bicho pega; se ficar, o bicho come”. Não há mais saída para a inexorável destruição comandada pelos globalizadores. Como disse João Gilberto, provavelmente para Ronaldo Bôscoli: “Não adianta, Ronaldo: eles são muitos!”... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!

ATENÇÃO: ESTE BLOG ESTÁ SOB CENSURA HÁ EXATOS 15 MESES E 14 DIAS. A LIMINAR DE CENSURA FOI BAIXADA PELO JUIZ NELSON MARQUES DA SILVA EM 11 DE ABRIL DE 2008. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, GILMAR MENDES, NEGOU O RECURSO CONTRA O ATO INCONSTITUCIONAL, E MANTEVE A LIMINAR. EIS A "JUSTIÇA" NO BRASIL...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Manoel: viagem sentimental à Terrinha – e babados outros

Frederico Mendonça de Oliveira

Depois de “viajar” de forma literária a Portugal no que mergulhou em uma esplêndida coletânea de contos portugueses que estava em sua biblioteca há mais de 20 anos – a edição era de 1962, a coleção fora adquirida em 1984 – sem ter sido aberto o volume com contos portugueses, Manoel se reencontra com suas origens e acaba vivendo uma das mais gratificantes experiências literárias de sua vida. Os contos se sucediam em maravilha de forma, começando com Padre Manoel Bernardes (Conversões de Filêmon e Ariano), passando por Herculano (O Bispo Negro), encarando Camilo (Aquela Casa Triste), e foi aquela delícia marcada por grandiosa beleza e emoções profundas. Ao concluir a leitura de Camilo (Castelo Branco, óbvio), lendo num ônibus, teve de esconder as fuças, pois as lágrimas caiam em profusão, tão contundente a tristeza ao final... e temeu por seu coração sensível quando, ao ler os contos seguintes, pungentes, deparou ainda com “Uma Visita de Pêsames”, de Ramalho Ortigão. “Este livro vai rebentar meu coração!”, considerou, mas corajosamente avançou. “Depois de tanta tristeza lá vem essa coisa de pêsames, puta merda, assim me matam!”, considerava ele, quando, logo de início, verificou ser o tom do conto diverso. Parecia algo jocoso... e sucediam-se quadros meio cômicos, com pinturas de personagens e situações surpreendendo pela persistente gaiatice. “Ah, entendi, porra: é o Realismo do tempo das Farpas, é a inauguração da irreverência em oposição à idealização romântica”, considerou Manoel, já agora se recompondo na poltrona para ler com outros olhos aquilo que lhe prometia trazer surpresas. E Manoel jamais lera Ramalho Ortigão, embora soubesse dele desde a mais tenra infância. É que nunca lhe caíra nas mãos um texto qualquer desse autor brilhante, jamais vira em qualquer livraria lombada com o nome do cara. Enter.
Pois foi o diabo! Avançando pelo texto, começaram as risadas com situações absurdas e pândegas, com perfis grotescos e ridículos de personagens, até que rolou um episódio de um tombo envolvendo um menino na escadaria da igreja numa festa religiosa, umas meias tingidas grotescamente de vermelho e o nome “rebenta-boi”, relativo à cor das meias. Vale transcrever: “...sentiu segunda vertigem, deu-lhe de chapa a luz do sol poente nos olhos míopes, turvou-se-lhe o juízo e a vista, tropeçou em um dos meninos de coro aninhados nos degraus que sobem para o altar-mor e caiu pelas escadas, juntamente com a espezinhada criança que se lhe atravancara nas tíbias, tão mal empregadamente vestidas da brilhante cor de rebenta-boi!”. Pois logo adiante, ainda na mesma página, Manoel se abestalhou de ler a descrição do cabelo de um dos protagonistas, e pela segunda vez veio-lhe um assomo de gargalhadas, o primeiro por conta do tombo narrado acima. E assim foi, até acontecer o clímax da história, algo jamais pensado: uma pancadaria no velório da mulher do Serafim, pau que começou quando o rival, Eusébio, míope, pensando falar com outra pessoa, falou com o próprio Serafim palavras duras contra este. No auge da pancadaria, chega o padre e informa que a morta não morrera: “Senhores, a pessoa a quem eu vinha lançar a última bênção está viva!”. O quadro pintado a seguir levou Manoel a uma explosão de hilaridade: “Era tão extraordinária esta formal declaração que todos estacaram atônitos, menos Eusébio, o qual, apenas viu luz, imediatamente meteu na cabeça um chapéu que não era dele e desembestou pela porta fora, levando na mão convulsa um braço estroncado ao canapé da sala. Todos os outros, esquecendo-se dos rasgões do fato, do sangue que lhes escorria dos beiços e dos galos que lhes fumegavam na testa, correram de sobressalto à sala oposta”. Enter.
Manoel se contorcia na cama em gargalhadas, que primeiro levaram sua Maria, que estudava apostilas deitada a seu lado, a rir junto, mas que logo a assustaram, pois parecia que Manoel ia ter um troço de tanto rir beirando os urros e gemidos, o rosto banhado em lágrimas. E assim Manoel fez seu début na obra de Ramalho Ortigão, antes tarde do que nunca. E uma alegria nova passou a lhe visitar: mergulhou na obra de Camilo, lendo “A Doida do Candal”, e Eça lhe envolveu em alegria com “Os Maias”, obra que ele começara a ler mas deixara de lado há mais de trinta anos. Enter final.
E viva Portugal, que, mostrando que os brasileiros estão a cada dia mais burros, descriminalizou a maconha, entrando em nova fase histórica depois de décadas e décadas de primitivismo sádico no que alinhava simples consumidores de uma erva fora das estatísticas de homicídio (o álcool está presente em mais de 75% dos homicídios culposos e dolosos) a assassinos e bandidos de toda sorte. Civilização é isso... Acorda, Brasil!! Siga o exemplo da Terrinha! E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!

ATENÇÃO: ESTAMOS HÁ 541 DIAS INCONSTITUCIONALISSIMAMENTE SOB CENSURA BAIXADA PELO JUIZ NELSON MARQUES DA SILVA, DE ALFENAS, EM LIMINAR DATADA DE 11/O4/08. INTERPUSEMOS RECURSO JUNTO AO STF E A CENSURA FOI MANTIDA POR SIMPLEMENTE NINGUÉM MENOS QUE O SR JUIZ MINISTRO GILMAR MENDES. A CENSURA SE DEVE AO FATO DE O AUTOR DOS TEXTOS NESTE BLOG ESTAR COM A TRIBUNA DA CÂMARA MUNICIPAL RESERVADA NO DIA 14/04/08 PARA SER APRESENTADA DENÚNCIA DE CORRUPÇÃO ENVOLVENDO O JUDICIÁRIO, O EXECUTIVO E O LEGISTATIVO DE ALFENAS, PARTICIPANDO AINDA O MINISTÉRIO PÚBLICO DA MARACUTAIA, NO QUE O PROMOTOR SE ESQUIVOU DE ABRIR INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO DIZENDO-SE "SUSPEITO"!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Manoel e o auto-exílio nas Bagas

Frederico Mendonça de Oliveira

Auto-exílio é algo raríssimo nesses dias porcos marcados pela lei da conveniência. A Humanidade toda está coisificada, ávida, carente e tentando saciar isso através de comprar, e pululam compradores desde as faraônicas lojas do tipo Daslu até as míseras bibocas de R$1, 99. Vale de cara contar uma piada: uma mulher chega para o marido, que lê seu jornal. São riquíssimos. Ela diz que está deprimida. Ele, sem tirar as fuças de trás do jornal, sugere que ela vá comprar uma nova jóia. Ela recusa, dizendo não aguentar mais tanta jóia. Ele, enfiado no jornal, então sugere que ela troque a BMW esporte por uma Ferrari; ela argumenta que a BMW não tem ainda 50 km rodados. Ele, impassível, cara dentro do jornal, sugere que ela passe um tempo na Europa, mas ela responde que está farta de europeus estúpidos e sem graça. Ele então passa a página e pergunta o que ela verdadeiramente quer. Ela responde: “O divórcio”. Aí ele fecha o jornal e exclama: “Puta merda, não pensei que teria de gastar tanto!”, Sugestivo: a macacada de qualquer classe anda se compensando no comprar (a mulher da piada quer mais...). Já os que negam esses valores, por verem nesse contexto a materialização de um deserto em torno de si, se desincompatibilizam disso criando uma espécie de reclusão preventiva e saneadora, que os livre de presenciar e viver esse cenário deprimente e depravado: o capitalismo selvagem e seus escravos do comprar. E esse auto-exílio não é paraíso, tem seus percalços. Vamos a eles. Enter.
Cansado de viver entre músicos estúpidos e calhordas que “pensam” como jogadores de futebol e tocam com as pernas, o amigo de Manoel veio para estas montanhas, no Arraial das Bagas, atrás de paz e da aventura maior de sua vida: a busca de si mesmo. Não mais isso de acompanhar estrelas da canção multinacional travestida em música popular brasileira, de aturar idiotas ocos e presunçosos, de conviver com traidores cínicos, com pulhas golpistas, com patifes assumidamente sem ética. Basta de tocar musiquetas, mesmo que belas, para “pratéias” de basbaques balançando braços e acendendo isqueiros bic, coisa que hoje virou sessões demoníacas de multidões de humanóides de sexo femninino gritando como macacas histéricas diante de duplas caipiróides cantando miséria sonora a duas vozes. E para não correr o risco de ter de , por necessidades, recair na atividade de acompanhar esses humanóides chapeludos, botinudos e fiveludos, o amigo de Manoel meteu-se nestas montanhas, embora sabendo ser uma comunidade repleta de bugres toscos e até perigosos em sua rusticidade e ignorância de bestas feras “sociáveis”. De resto, no miolo da canção brasileira que ostenta Simones, Betânias e Djavans, ele não encontrou senão gente mais perigosa ainda, porque gente com vícios de poder e grandeza. Portanto, às montanhas. Na verdade, havia filho pequeno e a necessidade de salvar um casamento, e as montanhas oferecem menos risco. Resultado: o cara não salvou o casamento, os filhos aderiram estupidamente à ilusão da canção multinacional, tornaram-se resistentes a cultura e a diálogo, tornaram-se, enfim, aquilo que ele lutou por mais de 20 anos para que não fossem. Enter.
Bela derrota. Pode ser, mas tem beleza. A beleza do cara que renuncia ao ambiente de traição nacional porque a entende como fato; a beleza de conseguir sentir não a pontinha de algodão no manto de seda de que falou Machado, mas o irrespirável fedor de carniça emanando do banquete dos traidores, coisa que lhe causou uma náusea irreversível. Quanto à vitória dos que cagam na ética e para a ética, não passa de uma imunda vitória de Pirro. E o fato de os filhos deste homem destemido se terem deixado dominar e cooptar pelo modelo de parte da família, verdadeiramente uma famiglia, em que abundam abertamente o golpismo e a trapaça como sendo a normalidade, e em que a ética é considerada coisa de otários, para ele não passa de uma confirmação gritante de que os maus avançam porque os bons se omitem. E os filhos viraram peças da engrenagem torpe, completamente iludidos por tolas fantasias de grandeza e completamente equivocados com base na ação coercitiva de um fascínio do tipo “os olhos da cobra verde”, irresistíveis. E os anos vão passando, e nada de acontecer o que eles sonham, e o pai, amigo do Manoel, agora lava as mãos depois de sofrer até injúrias e desprezo dos filhos, que chegaram a rejeitar publicamente o nome paterno. E acabaram virando uns “filhos de Francisco”, pífio troféu dessa vitória pírrica. Enter.
O amigo de Manoel confidenciou a este passagens hediondas vividas nessa roda, e os espectadores, aboletados em assentos que comprimem hemorróidas e partes sexuais viciadas ou mal usadas e/ou lavadas, babam sorvendo a luta, combate de um homem assumido e consciente contra um bando de fariseus chulos, e o sadismo de ver o possível massacre embala esses espíritos de caráter atroz. Mas o amigo, não podendo se esquivar ao enfrentamento definidor de postura moral, que não admite qualquer acordo, está mais decidido e mais afiado em sua sanha saneadora do que nunca. Os aliados e/ou cooptados desse bando ficam todos sobre o muro, segundo eles mesmos, mas estão é do lado mais forte, por deformidade de índole, sem qualquer pejo. A conveniência os conduz para o que eles classificam de lado mais forte e mais cômodo. Enter final.
Pobres catrumanos! Não vêem que o lado mais forte é sempre o lado do bem!! E vão emporcalhando suas vidas com aderir à causa da covardia e da discriminação, vão se associando a crimes, e ainda tecem “reflexões”. O pior de tudo, entretanto, é ver que os pivôs dessa guerra, os filhos do amigo, estão seguramente para sempre arrebentados. Não há mais tempo de se salvarem do inferno que assumiram como sendo um céu. Auto-exílio não salva pecadores... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Manoel, Belchior e Vanusa (e “Madonna”)

Frederico Mendonça de Oliveira

Completamente abestalhado com tanta podridão, loucura e descalabro no Brasil, Manoel toma conhecimento do sumiço do Belchior, amigo do peito há quase 40 anos. “Que diabo é isto??”, comenta Manoel com sua amada Maria, que, não conhecendo o artista como Manoel, considerou possível alguma loucura ter levado o cantor ao sumiço. Manoel argumentou de cadeira: ”Pois saiba, minha linda, que o Belchior é homem de qualidade e fibra, e nada do que lhe atribuem nessa mídia porca do Império coadunaria com a conduta dele, homem digno e grandioso, senhor de si e de suas ações, uma exceção em meio a essa plévia de intérpretes de canção a serviço de interesses pessoais de glória e grandeza e dos interesses das multinacionais do disco!”. E nosso herói tratou de entrar em contato com seus amigos e pessoas ligadas a Belchior conhecidas de muito tempo, e ninguém dizia nada de concreto. Até com o pessoal radicado na Ibéria Manoel falou, e nada. Conversando com o amigo músico guitarrista de que falamos lembrando o show em homenagem ao Raul, Manoel ficou sabendo que havia mutreta nisso, embora o músico achasse realmente atípico o sumiço, a ser verdade o fato, claro. Mas os dois convieram em que Belchior pudesse estar simplesmente enojado de tudo nesse país de miséria, desgraça e malignidade explícitas. E as notícias e especulações não paravam, chegando a alimentar a fogueira que faz Globo e Record abrirem luta pela audiência de forma aberta, envolvendo o público na disputa, com evidentes lucros para ambas no que expuseram ao público o embate: “De acordo com informações da coluna (Outro Canal), os executivos (da Record) entendem que a notícia foi um ‘artifício’ da Globo para evitar derrotas no ibope para ‘A Fazenda’ e para a estreia de Gugu. Ainda segundo a Outro Canal, a Globo sustenta o sumiço de Belchior, afirmando que a produção do ‘Fantástico’ ouviu mais de 60 pessoas ligadas ao cantor para os quais Belchior não dava notícias há mais de um ano e meio”. E ia assim a história quando Belchior sem qualquer problema fez contato e brecou as mirabolâncias, mostrando que é dono no próprio nariz, desapegado de glória e grandezas, e todo o circo armado desabou fácil. Enter.
“Entendeste, Maria? É o que eu lhe disse: o cara é sabedor de si!”, comentou Manoel com sua amada, que está mais que ciente de os dois serem tampa e caldeirão. E a novela Belchior acabou sem gran finale, mas certamente o cachê do cantor vai subir bastante quando (se) ele voltar a fazer shows no Brasil. “Se ele premeditou isso, terá sido de forma serena e inteligente, deixando apenas que a macacada sem rabo se desse conta do ‘desaparecimento’ de forma a criar tremenda expectativa e potencializar o valor do cachê, seguramente depreciado nestes dias de miséria musical. Se estava de todo desigual, havia que desempatar, porra!, e Belchior não é nenhum Daniel ou Leonardo, é homem culto como poucos nesse cu de país com 50 milhões de miseráveis e ‘governado’ por uma horda de monstros degenerados”. E ainda põem a Vanusa pra cantar “hino nacional”... Pois enter.
Vanusa era conhecida como uma das “musas” da jovem guarda (perdoem as minúsculas...) e como ex do Antônio Marcos, um maluco de primeira, dos poucos entre os que na “música” brasileira se mataram com bagulhos vários (Tim Maia, Raul, Sérgio Sampaio, Cássia Eller e alguns outros menos votados). Ela está no sétimo casório; os seis anteriores, segundo ela mesma, foram recheados de porrada, ela também dando, não escapando nem o pai, que ela cobriu de pau talvez para revidar o remoto dia em que ele disse que a irmã dela nasceu pra ser mãe e esposa, e ela para ser puta. Tudo isso está num depoimento dela no Google. Mas voltemos à reaparição gloriosa da cantora, que aconteceu paralelamente ao auê envolvendo o sumiço do Belchior. Trata-se de uma sessão de loucura musical admirável, e o paralelismo da reaparição dela com o sumiço do Belchior encontra também uma confirmação interessante no Google, pois tem lá um vídeo dela cantando Paralelas, bela canção do Belchior. Que viagem!... Nestes dias de Gilmar Mendes, Sarney, Palocci, magistrados aloprados rasgando lei a torto e a direito e perseguindo quem os denuncia, que hino poderia ser cantado para esse puteiro em que transformaram o Brasil? Fantástico a Vanusa ser contratada para cantar um treco surrealista desde sua “invenção” e mais surrealista ainda nesses dias de miséria e horror, porque nada mais faz sentido em relação a nada... Enter.
Vejam bem: o que se encontra de palavreado barroco no sempre absurdo e inviável “hino nacional” nada tem a ver com o que, digamos, vivemos – no passado e no presente. Entre outras bazófias, falam de o Brasil ser “florão da América”. Que florão? Somos quase todo o continente em território e, por outro lado, a vergonha da América do Sul, hoje até agigantada por Chávez, Morales e seus povos. Somos é merda nenhuma, somos é um chiqueiro e uma bicheira imunda! Portanto, Vanusa acabou por mostrar que cantar hino para nação inexistente faz sentido nenhum, e inventou uma outra coisa. E vai faturar com essa, porque chamou a atenção de todos. “Só podemos garantir é que não vai posar nua pra Playboys da vida...”, considera Manoel sorrindo lá consigo. Enter final.
E tem a ordinária Madonna, sempre de pernas abertas onde quer que apareça, uma imbecil ignorante que parece pensar com as coxas e a bunda mirrada, como que impondo a todos pensar no que conclui essa geografia obscena que ela insiste em empurrar goela abaixo do mundo. Pois a criatura se diz Madonna, nome da Virgem Maria. Só não sabemos o nome verdadeiro da tipinha, mas isso fica pra outra. Por agora, viva Belchior!, valeu, Vanusa!, xô Madona, que quase desmaiou no palco, e deveria mesmo é se estabacar de vez. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!.