quinta-feira, 2 de julho de 2009

Manoel e a náusea incontida

Frederico Mendonça de Oliveira

Morador no arraial sul-mineiro tido outrora como pólo (com ou sem acento agora, porra??) cultural desde os bons tempos em que no Brasil se amarrava cachorro com linguiça (agora sem trema, que merda!), Manoel assiste a uma degenerescência visível atingindo a comunidade e as instituições, considerando até que se institui uma assustadora babel entre os munícipes. De dois anos para cá, a corrupção praticada abertamente por autoridades dos três poderes revela coisas estarrecedoras, como perseguição a um cidadão digno que denunciou crimes de prevaricação, crime de responsabilidade e improbidade administrativa envolvendo todas as instâncias de poder por conta de uma obra criminosa no bairro em que mora. O tal cidadão está, vejam só, sob censura por liminar, PROIBIDO DE MENCIONAR O NOME DO AUTOR DE UMA IRREGULARIDADE CRIMINOSA de que discordou e que denunciou. Manoel sente engulhos quando contempla a carantonha do responsável por uma das mais escandalosas atitudes de corrupção e abuso de autoridade já verificadas no arraial, que ainda é comparado a cidade da Grécia antiga por ter muito movimento intelectual décadas atrás. Piração à parte, houve mesmo cultura e arte no arraial no passado, mas hoje só se vê decadência, retrocesso e ruína aflorando pelas ruas, através da ação dos munícipes, quase todos corrompidos e deformados, e das autoridades, todas elas envolvidas com o mais deslavado e sórdido pragmatismo. Enter.
Revelando essa monstruosidade a amigos de outras cidades, eis Manoel informado de que TUDO ESTÁ ASSIM PRA TODO LADO. Perplexo com tomar conhecimento dessa pandemização da corrupção, Manoel se pergunta por que não volta para sua Lisboa, para romper de vez o elo com a nação que ele conheceu em dias luminosos de antanho e que agora mergulha nas trevas da corrupção e do retrocesso político, social, histórico e humano. “Sim, temos feijoada, temos tutu á mineira, temos vatapá e caruru, temos frango ao molho pardo, bebe-se uma cerveja boa como o diabo... mas de que vale toda essa curtição quando vemos que tudo se deteriora de forma galopante no arraial e no país? Por exemplo: como pode a maioria dos moradores da área onde se realizou a obra escandalosamente ilegal apoiar a obra e ainda por cima promover uma perseguição covarde e asquerosa contra o único cidadão digno que brandiu o respeito á lei e às instituições que protegem justamente esse monte de estúpidos deformados? E ampliando o foco dessa teratologia estúpida que se desenrola no arraial, como pode um presidente trêfego e álacre, desprovido de qualquer vínculo com moralidade e probidade – temos visto que a corrupção explodiu em seu governo envolvendo membros de seu partido e até seus familiares – e ainda por cima enchendo o caveirão de pinga direto e reto além de bostejar cretinices a respeito de tudo sobre o que ousa opinar, apoia (agora sem acento, essa porra, e agora isso faz lembrar outra palavra, poia, que os cariocas usam para representar monte de merda; na acepção original significa broa grande de trigo) o hoje completamente repudiado “José Sarney” – as aspas se devem ao fato de esse homem ainda se atrever a expor sua carantonha sardônica e imoral e sua história repulsiva como homem “publico”, e neste último caso as aspas registram o fato de que ele jamais foi algo parecido com gente que se dá conta de poder existir povo –, símbolo cabal da desgraça e da miséria em que a política desse país mergulhou de cabeça. É merda pra ninguém botar defeito! Enter.
E de Brasília, a bocada mais depravada desse país terminal, vêm as imagens do que fizeram com o repórter do CQC Danilo Gentili, reprimido por seguranças desse “homem” que hoje se vê alvo da repulsa de toda a população decente desse grande arraial em retrocessão. O repórter apenas perguntava, sem importunar verdadeiramente ninguém, se “Com a sua saída (de Sarney) vai mudar alguma coisa ou os escândalos vão continuar?” e “Como é não ser mais tão poderoso assim?”. O asqueroso objeto de execração popular prosseguia em seu percurso hoje sem qualquer conteúdo que não o da abjeção explicitada por sua conduta corrompida, símbolo dos mais visíveis de uma era sodômica na história do País. Enter final.
E, enquanto essas considerações visitam a cachimônia de Manoel, da cidade lá no outro morro vêm os eflúvios nada sutis da parada gay a que agora os arraialeiros são submetidos, com direito a contemplar com asco homens se bolinando e se amassando publicamente, mandando pro inferno qualquer preocupação com ética ou estética. Que esses seres se sintam bem fazendo isso, problema deles; mas submeter os não “iniciados” a essa visão de libidinagem agressiva, isso Manoel se nega a aceitar. “Que façam o que bem entenderem onde quiserem, mas me poupem de ver essas cenas! Primeiro não nasci para ser voyeur; segundo, meu negócio é uma linda mulher com curvas, fluidos e aromas feminis, tendo aquela máquina magnífica que endoida os machos e um par de seios para encantar os que neles puderem encostar o quengo sedento de paz. Maria é meu ideal nisso, minha linda bem servida, e quero homens cabeludos e suarentos bem longe de mim!’ Verificando que a sodomia não só se multiplica e se promove mas que também parece querer se impor, Manoel já começa a considerar o risco de, assim como fizeram com tantas outras loucuras, baixarem lei impondo que qualquer cidadão tem também que praticar relação homossexual, o que o leva a aumentar sua já pesada sensação de náusea. “Puta merda, será que uma geladézima cura esses engulhos que me assaltam??”, se pergunta nosso herói, que se define em nada homofóbico, mas heterofílico, considerando ser legítimo seu direito de ser o que é e ignorar essa coisa que jamais teve qualquer importância em sua vida. E,sem demora, contemplando as belas curvas de sua Maria, abraça-a com ternura, abre a geladeira e lava o gorgomilo com um fluxo de sacaromices cerevisae, lavando também sua alma de tanta náusea imposta. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Manoel, a morte do Michael e a perversão instituída

Frederico Mendonça de Oliveira

Manoel recebeu uma mensagem de um amigo comentando a morte de Michael Jackson. O amigo dizia que era para comemorar a morte de um pervertido em vários sentidos, mas especialmente pelo fato de ele ser um traidor da raça. Maneira de dizer desse amigo: coração de ouro que é, na verdade está é consternado com tanta feiúra que cercou o pobre ídolo do capitalismo selvagem. Tirando essa histeria de fazer cavalo de batalha por causa de “racismo” e “homofobia”, coisas que andam fazendo a Humanidade se ressentir da própria história, e que na verdade não vai mudar o rumo da sempre independente evolução cósmica, queiram os homens o que quiserem, Manoel se penaliza em considerar quão infeliz foi esse garoto, que morre aos 50 triste, deformado em quase todos os sentidos, cheio de rombos em sua aura – sabe-se lá o que rolou ainda além do que pudemos saber – e agora produzindo lucros astronômicos com sua morte sabe-se lá por quê. Enter.
Jackson foi o paradigma da trapaça capitalista em termos do universo pop – excetuando-se o fato de que dançava como poucos e cantava como um diabo. Era artista de verdade, mas operou no território da ilusão, materializando esse desvio no que se desfez de sua pigmentação pra ficar corderrosa, mais parecendo um ser de borracha. O nariz afilado por plástica destoava da boca, e ele parecia um pinóquio rosé. Também se via desde cedo o desvio de personalidade: ridiculamente ostentando ainda criança um pelame brequipau e cantando com inflexão piegas mais parecendo uma menina manhosa e chata, já dava sinais de ser uma criatura defasada de si. Compensou isso com a magnífica dança que Thriller sintetizou como patrimônio do artista e com cantar de forma eletrizante, com domínio de voz típico de prodígios da raça. Enter.
Mas... que raça? Esse papo de raça é um saco. Primeiro, a discussão sobre superioridade racial, que vem dos primórdios dessa maluquice chamada Humanidade. Uns se dizem escolhidos de Deus – o que faria de Deus um insensato, o que é impensável e oposto ao que Seu filho pregou: “O Pai ama a todos igualmente, todos são iguais perante Deus”, o que Lhe valeu uma crucificação –, outros vivem neste éon aturando discriminação até através da mitologia grega, em que a imperícia de Faetonte comandando a carruagem de Apolo o fez, descontrolado, dar um rasante sobre a África e queimar a pele de seus habitantes. Pelo visto, vamos ter que processar a mitologia por prática de racismo, essa babaquice irreal e histérica. Também teremos de processar Lamartine Babo por sua marchinha “O Teu Cabelo não Nega”, que todos de todos os matizes epidérmicos cantaram emocionados e felizes; vamos ter de processar Ary Barroso por sua “Nega do cabelo duro”, delícia de samba que jamais depreciou ninguém. E essa fantasia neurótica de tentar mudar o conteúdo real e espontâneo em relação a raças e condições de tendência sexual não passa de expediente promovido por uma minoria carregada de ódio nas células para deformar os fatos e dar passagem a outra fantasia, esta genocida, que vem embutida nessa farsa pra lá de safada. “Se não ficassem falando toda hora nisso, enchendo o saco de todos, chamando a atenção do mundo para assuntos que sempre foram irrelevantes para a maioria, estaria tudo do mesmo jeito, talvez até muito melhor!”, considera Manoel, estressado por tanta jeremiada e tanta bateção em ferro frio. Enter.
Pois lá se foi Michael Jackson para o imaterial, e a gentuça obtusa, legião de centenas de milhões nesse mundo estupidificado, vai lá reverenciar um “deus”, um ídolo, um ícone, um... embuste! Uma “instituição” da fantasia obscurantista do materialismo viciógeno, uma hipertrofia em tudo nociva para os valores reais que a Humanidade deveria cultuar. Morto, Michael Jackson voltará ao pó como corpo e enfrentará o limbo como espírito, e do lado de lá não haverá Neverland nenhuma, haverá é a verdade pura. Seguramente ele terá de passar bom tempo se desfazendo dessa desgraceira toda por lá, para, depois de despojado dessa coiseira, desse lixo que o matou, voltar como um jazzista que não será reconhecido em toda a sua vida, mesmo que genial e até inigualável em sua tarefa. Talvez volte para ser enfermeiro ou lixeiro, mesmo tendo dentro de si uma gigantesca riqueza. Talvez volte como mendigo, para compensar, pela Lei, o fato de ter vivido tamanha hipertrofia nesta vida. A compensação é necessária, para equilíbrio do Universo. “Então é isso”, conjetura Manoel: “Tanta grandeza aqui obriga a um retorno em pequenez. É como disse Madame Blavatsky: ‘Não te enojes de tocar a capa de um mendigo, pois na próxima existência ela poderá estar sobre seus ombros’”. Enter final.
E lá está a procissão de “fiéis” ao ídolo dos bobocas, ao boneco rosado, ao infeliz que se drogava com fármacos, gostava de coisas condenáveis pela mesma sociedade que o ejetou ao triunfo desmesurado e que fez de seus reais talentos, cantar e dançar, a atividade menos vivida por ele. Daí talvez ele chamar sua mansão de “terra do nunca”, porque seus reais talentos foram impedidos pelo mito que ele virou. “Mito de merda!”, comenta consigo Manoel: “A grande maioria que o cultuou não sabia exatamente por que cultuava, e os verdadeiros talentos do cara eram o que realmente menos se consumia. Prova de que havia uma grande defasagem, uma grande assintonia, ou arritmia, ou descompasso, ou desarmonia na vida desse cara, um infeliz!”. Agora é aturar mídia faturando em cima da morte do ídolo, depois virão revelações bombásticas, depois o esquecimento. “Mas que o cara cantava e dançava como um semideus, isso até lá em Portugal, que curte mais é um fado, se sabia. O mais importante é que parece que o mundo ficou mais leve...”, cogita Manoel, cofiando bigodes imaginários, reflexos de ancestrais lusos movidos a vinho e bacalhau. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Manoel, o Senado e a zoeira no Irã

Frederico Mendonça de Oliveira

Como sempre bancando o engraçadinho espirituoso mas na verdade explicitando sua completa falta de decoro e espírito de conveniência em todos os sentidos, o histriônico “presidente” Lula costuma combinar o inusitado com o ridículo de maneira insuperável. Zanzando aí pelo mundo, enquanto que no Brasil a bandalheira ganhou categoria de instituição ampla e irrevogável, o “presidente” que o boneco Obama classificou de “o cara” (“Este é o cara”, disse o figuróide de plantão e boneco africanóide dos globalizadores aboletado na Casa Branca) apareceu nesta semana vestido que nem fantasia de carnaval em bailes do Municipal do Rio nos anos 50, como sempre com aquele riso oligóide e, aproveitando a fanfarronice, defendeu o arquicorrupto Sarney, que mais uma vez ganha as páginas de escândalos em âmbito nacional. O sempre bizarro Lula disse que “Sarney tem uma história, não é um ser comum, e que essa onda de denuncismo só vai fazer atrapalhar a vida nacional”, coisa por aí, desprezível como sempre em se tratando de fala de quem ocupa a mais alta magistratura nesse bordel em que o Brasil foi transformado. Falar em “alta magistratura” hoje, referindo-se à presidência da República (melhor seria “repúbrica”, e, como sempre, das bananas) é tão cabível como o pianista do PT, paladino da negação da ética, ser considerado intelectual, como aliás vem acontecendo, para provar que por aqui, e nestes dias de trevas, nariz de porco é tomada e que não existe mais diferença entre um pouquinho de macarrão e um porrão de macaquinhos. Pois não estamos de todo desprovidos, ainda, de gente digna neste país baldio e tão escrachado e esculhambado, além de depredado e saqueado. Enter.
O senador Cristovam Buarque, do PDT, rebateu a afirmação irresponsável e cúmplice que nossa “autoridade máxima” não se pejou de cometer, ou eructar, como quiserem (só que arroto é infinitamente menos desagradável do que as falas de nosso dirigente máximo), e disparou uma correção no teor safado apresentado pelo gaiato mor da nação, sem contar que com isso ainda lhe impingiu a pecha de apedeuta, revelando a todos tamanha obtusidade associada a não menos estarrecedora ignorância. Seguem as palavras do senador, contestando a fala cínica: "Eu creio que o presidente Sarney tem uma biografia, mas, ao ocupar um cargo, ele guardou a biografia e ocupou um cargo político. Nesse ponto, o presidente Lula talvez não tenha entendido bem. A biografia do presidente Sarney estaria absolutamente segura se, no dia em que ele entregou o cargo de presidente da República ao presidente Collor, ele tivesse ido para casa e virasse estadista aposentado. Mas ele não quis isso. Ele preferiu guardar a biografia para os historiadores e ocupar um cargo político" Bem, Lula, o bufo, não tem alcance intelectual nem moral pra tal consideração, muito menos para entendê-la, já que defende a corrupção de forma explícita e desassombrada. Ainda cuspindo maribondos em cima de toda essa empulhação e troca de blandícias entre os que chafurdam no poder e mamam vorazmente nas tetas do erário não escondendo a conduta que mais se enquadraria na orgia típica de uma deslavada súcia, Cristovam explica de forma clara que “o peemedebista deve ser penalizado se ficar comprovado que ele tem envolvimento no escândalo dos atos secretos editados nos últimos 14 anos na instituição”, segundo relatou – não se sabe como – a Folha. Cristovam sustenta que o pilantraço deve responder a processo no Conselho de Ética. Enter.
Manoel tem memória de elefante, muito treinada, e viveu com muita atenção e muita reflexão o período ditatorial no Brasil. Vivenciou Portugal sob Salazar, e tem sua experiência sobre ditaduras, nas quais correu sério perigo e das quais escapou mesmo não sendo militante. Então ele relembra o cínico Sarney, sardônico, debochando do povo brasileiro quando era líder do “governo” ditatorial naqueles tempos sórdidos, dizendo, toda noite, quando entrevistado pela reportagem da Globo sobre questões de Estado, que “nada tinha a declarar”, como se o povo brasileiro fosse merda sob as botas daqueles gorilas a serviço de forças de alhures. Pois eis aí o sujeito agora envolvido com corrupção escandalosa, deitando e rolando em benesses ocultadas ao contribuinte-pagante, e o “presidente” ainda vem defender isso, que explode como escândalo maior, que vem se desenrolando há 14 anos, fazendo de palhaços todos os brasileiros honestos! E eis aí um ex-presidente que ocupou indevida e inexplicavelmente a cadeira que seria de Tancredo, e que depois se tornou senador pelo Amapá, sendo ele coronel do Maranhão, envolvido com corrupção grossa, e prossegue sorrindo sardonicamente para as câmaras com aquele bigode entre ridículo e obsceno, e o povo que se arrebente. Enter.
É isso. “O Brasil está fadado ao abismo de há muito, aliás desde sempre”, chora intimamente Manoel, “e isso desde que Cabral aqui aportou, trazendo sem saber, em sua caravela, por determinação inadvertida de Dom Manoel, um representante dos globalizadores. E pensar que fomos nós que trouxemos a desgraça para o Brasil! Poucos historiadores sabem que a heróica travessia e a descoberta foram o de menos! O diabo foi aquela azeitona que veio dentro do empadão!!!” E hoje Manoel considera que está no Brasil para pagar o carma de ser um lusitano vivendo no país que Portugal, sem saber e sem querer, desgraçou! É isso aí, presidente Lula! Desestimule a denúncia de irregularidades! Pense no seu filho, que todos sabemos que está muuuuuuuuito bem de vida, ele que era um joão-ninguém que ralava como qualquer brasileiro trabalhador que carrega país e os parasitas dele nas costas! Defenda aquele que você tanto criticou em seus tempos de líder de oposição, ó marajá dos marajás! Enter final.
E a coisa vai fedendo no Irã, sob a intervenção internacional que faz com que uma eleição.marcada pela normalidade seja transformada, pela ação da mídia internacional dos globalizadores, numa farsa que não ocorreu. O que vale aí é que o presidente reeleito andou dizendo verdades indesejáveis para os donos do mundo, e a cachorrada foi levada às ruas para manchar a imagem de um país que se nega a beijar as botas de Obamas, Bushes, Clintons et caterva. A hora do confronto se aproxima, será inevitável. A Coréia já se ouriça. A Venezuela está de olho. E o Brasil chafurda na lama da corrupção e da miséria. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye , babes!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Manoel aprecia os burros e os bobos

Frederico Mendonça de Oliveira

“A rescisão contratual do apresentador Gugu Liberato com o SBT é de R$ 15 milhões, informa nesta sexta-feira a coluna Outro Canal, assinada por Daniel Castro na Folha de S.Paulo”. “Eis aí”, pensa Manoel: “locupletam-se os burros para ficarem felizes os bobos”. E nosso herói ainda pensa no fato de os bobos acharem lindo o sujeito loirinho receber, burro como ele parece ser, uma soma dessas, que daria para fazer algo de positivo para o País, ao invés de pagar tamanha soma, aliás astronômica, para um tipo que se apresenta como imbecil entupir as mentes dos pobres telespectadores indefesos com merda grossa, mostrando quadros oligoferantes – geradores de oligóides – quando não simplesmente indecentes, como aquela infame “Banheira do Gugu”. O que realmente significa esse “apresentador”? Que resultados nos traz o “trabalho” dele? “Acredito que nada!”, rosna Manoel, “porque na verdade ele não passa de um mensageiro da estupidez assumida pela mídia terrorista e pela imensa legião de seres diariamente transformados em imbecis por absoluta falta de opção”. Enter.
E a mesma Folha, que noticia essa estupidez de pagar tamanha fortuna a um difusor de miséria mental e moral – como se isso fosse uma grande notícia –, noticia o nascimento de filhotes de pantera negra, e se sai com esta pérola fecal: “TRATAM-SE de duas fêmeas, que receberam O NOME de Larisa e Sipura. Elas nasceram em 26 de abril.” Bem, começa que a expressão “tratar-se” não vai para o plural, por ser abrangente: “trata-se, ISSO, de...”, esteja o complemento no singular ou no plural. Burrice grossa. Pois, insatisfeita com essa tijolada, a mesma criatura que abre o trecho defecando no idioma prossegue exibindo sua boçalidade, pois refere-se a dois nomes como sendo um só. Comentando sobre a exibição de estupidez com sua amada Maria, Manoel ouviu dela o comentário irônico: “Sim, é isso: o nome de uma é Larisa e Sipura; da outra, Larisa e Sipura também. Só pode ser. E ainda dizem no Brasil que os portugueses é que são burros...”. Enter.
Dois atentados, portanto. Um, ofender as instituições e o povo brasileiro premiando um mensageiro da estupidez com esta soma astronômica, enquanto professores ralam a vida inteira ganhando ninharias insultantes; dois, ofender a população com distribuir uma publicação em que o Português é linchado através de permitir que profissionais não qualificados difundam sua estupidez sem qualquer critério. Repete-se a equação de burros e bobos aos olhos de todos. Outro dia, aliás, lendo o JB Online, Manoel deparou com (agora vai sendo difundida a forma “deparar-se com”, pleonástica) um belo “Daqui dez dias”, expressão muito usada pelos apedeutas entre os quais se insere o presidente desta República de bananas, para quem o ato de falar é mecânico e desprovido de vínculo com a beleza e o prazer da correção. Questão até de caráter... mas isso não tem sido, como temos visto, preocupação qualquer para o “presidente” ou para sua “equipe”, na qual desfilavam inhenhos néscios como José Dirceu (em relação a quem a maior preocupação não foram os erros, mas os erres) e Palloci, gente mais apropriada para integrar parrandas, saparias ou catervas, e ainda se mantêm seres blindados, mesmo depois da limpa obrigatória consumada pela exposição de tamanha espurcícia regendo e compondo o “governo”. Enter.
“Daqui dez dias, no mínimo”, dizia o texto do JB pilotado por um oligoqueta ao teclado. E vale pensar que o Jornal do Brasil já foi modelo de jornalismo quando o Brasil era país, não apenas o lugar baldio que é hoje. Será que a figura do revisor desapareceu do universo do jornalismo? E, vale considerar, trata-se de um universo que seguramente fatura hoje muitíssimo mais, a julgar pelo volume de anúncios, que em tempos outros de respeito a valores do idioma de da verdade teria muito menor arrecadação... Seria o modelo concentrador apertando as tenazes contra a instituição do trabalho do jornalista em todos os sentidos? “Que miséria!!”, eructa Manoel diante da burrice que é desmantelar valores e edifícios, visando atender a interesses inconfessáveis dos globalizadores, esses monstros que criam atalhos que levam o planeta à consumação horrenda que será a grande tribulação! “É “daqui A dez dias”, intelijumência!”, grunhe implosivo Manoel vendo a estupidez estampada nas fuças, e tal exclamação surda o leva a emitir um curto e sonoro flato, e ele agradece a Deus por Maria não estar por perto – tá lá pros quartos, cuidando feminina e carinhosamente de roupas de cama – e poder presenciar o estampido e, pior, captar o odor mefítico inerente à emissão do gás sulfídrico. “Afinal”, pensa nosso herói, “ninguém peida cheiroso!, mas o lindo narizinho de Maria não merece tal experiência, de detectar o teor pestilento proveniente de intestinos de cervejeiro juramentado”. Enter final.
Pois Manoel recebeu de um amigo um texto de Rubem Alves, que escreve bobagens para bobos que caem na trapaça de ele ser um cara que tem o que acrescentar. O texto fala de passagem sobre ele ter mudado sua posição em relação a gatos, animais de que ele desconfiava. Então o texto abre revelando essa conversão, mas logo muda em direção a cachorros, tema que ocupa a maior parte da fala. De volta aos gatos, cita um fato específico envolvendo os bichanos, faz um comentário bobo e se encerra. “Rubem Alves é o arauto do vazio que passa por cheio”, reflete Manoel com enfado depois de constatar a besteira boba que acabou de ler. Afinal, tendo sido enviada por um amigo do peito, mereceu a leitura. Mas a tolice de Rubem Alves se confirmou. Ele faz o tipo de burro que escreve inteligentemente. Na verdade, é um bobo que exibe uma burrice dúbia e arregimenta bobos aos magotes. Típico exemplar de um país de empulhadores. Vende gato por lebre direto. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
P.S.: Ei, Chávez: fecha logo essa Globo daí! Se não fechar, é capaz de eles fazerem uma oferta ao Gugu, pra emporcalhar a Venezuela que se assumiu soberana!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Manoel e a barafunda do voo AF447

Frederico Mendonça de Oliveira

Mais um desastre aéreo cheio de contradições e inverdades até ridículas, se não forem estúpidas e trágicas. Os desastres como a loucura envolvendo o Fokker 100 da TAM em 1996, a absolutamente fantasiosa e criminosa notícia de colisão entre o Legacy com gringos e o Boeing 737 da Gol em 2006, fisicamente impossível, e ainda o tecnicamente inaceitável desastre do Airbus da TAM em 2007, em que o aparelho, depois de pousar normalmente, apresentou pane múltipla e a acabou dentro do próprio edifício da companhia, na avenida Rubem Berta, tudo são absurdos sem pé nem cabeça jogados nas fuças da população e dos envolvidos com as vítimas. A essas desgraças somemos a explosão da base de Alcântara e a explosão da P36, tudo completamente sem explicação lógica ou concreta, e, pior, tudo falseado e manipulado criminosamente para ser imposto ao público. Manoel se horroriza com tanta loucura neste Brasil de Lula, o esparolado. Agora, com esse desastre que nos associa diretamente à França, o que vai acabar dando mais zebra que o que já temos de mal parado com a nação de Asterix, temos um problema binacional, e as cagadas da brasileirada petista aflorarão mais escandalosamente do que quando ocorrem apenas dentro dessas malfadadas fronteiras. Já começaram a vir farpas de lá, e não contra os brasileiros dignos envolvidos com o desastre e o trabalho posterior a ele, mas com as “otoridades”, especialmente o álacre e trêfego “ministro da Defesa”, Nelson Jobim (oh!, Tom, que desdita esse trêfego sem pátria ter sobrenome igual ao seu!), e com a ignóbil imprensa marrom dos jornalões, controlada pelo capital dos globalizadores. E ainda desfila aos olhos sérios de nosso herói o colar de besteiras e ditos e não ditos sobre o acidente e seus desdobramentos, que assustam até um traficante da Rocinha ou do Complexo do Alemão. Enter.
Um amigo de Manoel comentou que a Folha Online tinha, na manhã de 5/6/09, a notícia sobre os destroços até agora encontrados no mar na área da tragédia não seriam do Airbus sinistrado. Essa matéria continha, como Manoel constatou ao lê-la, declarações do brigadeiro Ramon Borges Cardoso, que afirmava categoricamente que fora constatado que os destroços encontrados na área não eram do Airbus que fazia o vôo AF447. Abrindo logo após o JB Online, Manoel depara com essa: “O brigadeiro Ramon Cardoso disse há pouco que os destroços avistados na terça-feira por aviões da Força Aérea Brasileira pertencem ao Airbus da Air France que desapareceu na noite de domingo no trajeto entre Rio e Paris. Cardoso garantiu que os mesmos só não foram recolhidos na ocasião porque a prioridade, naquele momento, era encontrar sobreviventes ou corpos”. “Porra!”, exclama nosso herói: “São ou não são, cacete??”, e se abespinha como gato que vê cachorro na rua, considerando o que os brasileiros têm de sofrer sob a irresponsabilidade dessas elites cretinas e sórdidas.
Abestalhado, Manoel volta à Folha Online para confirmar a contradição entre os noticiários, e constata que as declarações do mesmo brigadeiro, que ele lera atentamente, sumiram da primeira página. Mesmo assim, recorre a outro amigo, que ele sabe ser assinante da Folha, e consegue outra declaração parecida, mas não aquela que ele vira na edição eletrônica. Na edição impressa, saiu somente o que se segue: “Peça tirada do mar não era do Airbus/ Aeronáutica e Marinha também descartaram ontem que a mancha de óleo tenha sido provocada pelo avião da Air France. Grupo de resgate não afasta possibilidade de que outros destroços avistados, que ainda não foram recolhidos, possam ser da aeronave”. Enfim, uma barafunda, uma azáfama, que aumenta quando entra em cena, irresponsável e calhorda como sempre, o “ministro” da Defesa, Nelson Jobim, que por sinal nem deve saber manejar um simples FAL: “As declarações do ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, na quarta-feira, descartando as hipóteses de uma explosão e de um incêndio no avião da Air France, devido à presença de uma extensa mancha de óleo no possível local da queda da aeronave foram alvo de críticas entre os franceses. As informações são do jornal O Estado de São Paulo. (...) A emissora TV TF1, a mais importante rede da França, chegou a chamar Jobim de 'bavard', que em francês significa 'indiscreto' ou 'falador'. Na concorrente France 2, uma reportagem afirmou que 'a França é mais prudente antes de falar”. E Manoel considera: “Os franceses já disseram décadas atrás, referindo-se ao Brasil sob ditadura nos anos 60, que ‘Este não é um país sério’, e agora terão muito mais motivos para repetir essa espetada.”, a julgar pela boçalidade que se presencia na imprensa sobre o acidente mais feio dos últimos tempos em todo o planeta. Enter.
“Mas, afinal, o que aconteceu?”, pergunta-se Manoel diante dessa porcariada. Na verdade, ele já se acostumou a multiplicar por menos um qualquer notícia sobre acidentes aéreos no Brasil. A versão de abertura no reversor do Fokker, em 96, é louca. É impossível mecanicamente um reversor de qualquer aeronave se abrir durante decolagem. A menos que uma sabotagem muito especial tenha sido realizada no aparelho – mas a mídia consagrou isso. A “colisão” entre o Legacy recheado de gringos e o Boeing 737 da Gol é mais impensável ainda: se passasse a dez metros do Boeing, o Legacy entraria em tangagem* e viraria farinha... mas a mídia, sem nem ter havido qualquer laudo pericial, “aceitou” a versão dos gringos – os passageiros da Gol só podem falar através de médiuns em centros espíritas – e difundiu esse absurdo, fazendo dos brasileiros um bando de babacas. Já o acidente da TAM em 2007, em que, segundo ficou sabido, os equipamentos do Airbus entraram em inexplicável falência múltipla, fato absolutamente impossível de ocorrer, especialmente em condições normais de operação, só pode ter sido decorrência de ação de sabotagem. Mas a mídia dos globalizadores tem outros planos para todos nós. Enter final.
Pois é: agora já se fala em terrorismo, em explosão em vôo, depois de se falar em raio... e Manoel já está a par dos fatos reais. E manda toda a imprensa brasileira pro diabo. “Vão pro raio que os parta, jornalões!” E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
* Tangagem é termo não dicionarizado, constando apenas do jargão aeronáutico mais privado: significa rotação horizontal sobre o eixo longitudinal, igual a um carro rodopiando na pista molhada.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Manoel e o orangotango que gravou CD

Frederico Mendonça de Oliveira

Saiu a notícia, captada por Manoel, que passeava rapidamente os olhos pelas “notícias” estampadas na mídia, para ele, uma “mérdia”: “Orangotango de zoológico alemão grava primeiro CD”. Saiu isso no G1. A reportagem é da revista alemã Der Spiegel, que está longe de descer às profundezas tenebrosas de uma Veja, mas que também é arrolhada como garrafa de vinho argentino. Spiegel em alemão é espelho, mas a revista só espelha a superfície enganosa dos fatos. Assim ordena a central oculta de controle da mídia mundial. Mas essa de o orangósio gravar foi fina. E sai exatamente uma semana depois de o Zé Rodrix desistir de prosseguir nesse mundo cruel. Pois é. Primeiro CD? Então poderão vir outros... Bem, vamos em frente. O nome do bicho é Ujian (isso lembra a Manoel o nome de um filho de um brasileiro que mora em Brasília e não sabe de nada que ocorre a sua volta), e ele aprendeu a assoviar. Um chucrute que levou seu filho ao zoológico ouviu o bicho assoviando e correu a sua casa, voltando munido de um gravador digital. Captou quatro horas de assovios do antropóide e providenciou a gravação de um CD em que o pongídeo emite seus silvos melódicos sobre fundo musical providenciado por um músico desconhecido lá. Poderiam botar de fundo A Morte de Isolda, com a Berliner regida pelo Karajan... Bem, ’tá. O CD será vendido no próprio zoo, e o dinheiro arrecadado será usado para ampliar e melhorar as dependências onde o “homem da floresta” (eis o significado da palavra orangotango, do malaio; pois Manoel, a julgar por vocábulos lindos como camundongo, marimbondo, bunda, julgava tratar-se também de palavra do idioma quimbundo, de Angola) está alojado na instituição. Enter.
Bem, o bicho aprendeu a assoviar, coisa que papagaios no Brasil sempre fizeram, especialmente depois do aparecimento das mulatas, lá pro século XVIII. Seguramente aprenderam isso ao ver aquelas nádegas magníficas rebolando pelas ruas e dependências das casas senhoriais onde as atraentes mestiças de afrodescendentes com brancos safados exibiam sua exuberância. Bunda é do quimbundo ‘mbunda”, que significa quadris, nádegas. “Mas os papagaios já assoviam desde séculos”, considera Manoel, “mesmo não podendo contrair lábios, e apesar da poderosa bicanca de crassirrostro”. Já pelas fotos de Ujian, os lábios são imensos e flexíveis (“Lembram certo traidor ignóbil que ocupou a presidência deste país desgraçado”, pensa Manoel, “mas os lábios de Ujian não são tão monstruosos”), facilitando a proeza. “Muito bem, muito bem. Mas esse assunto merece mais profundidade”, pondera nosso herói. Enter.
Pois é. Desde o fim da era da MPB orangotangóides gravam CDs por aqui. Aliás, desde muito antes. A notícia não ganhou grande repercussão nem boa acolhida por aqui pelo fato de ser considerada uma ameaça a certos pongídeos vestidos e emissores de horrendos guais e que o fazem diante de multidões de seres que agem como pongídeos de saias em auditórios onde reina o mal. Esses seres, que normalmente andam a dois, com nomes fazendo combinações a partir da semelhança de origem ou de tacanhez álacre, também amealham e enchem suas burras em locais assemelhados a zoológicos, repletos de quadrúpedes que aprenderam a andar sobre os quartos traseiros. E acaba que vivem em mansões, no que Ujian aparentemente fica pra trás, porque vive literalmente em jaula, diferente da jaula metafórica em que estão confinados – sem se aperceberem disso – seus concorrentes brasileiros na canção. Enter.
Pois outros seres com características de pongídeos, só que sem uma gota da dignidade e a pureza destes, se espalham pelo Planalto Central e pelas esferas de poder nesta Pindorama. “Pensando bem”, rumina Manoel, “pongídeos são desprovidos de cauda, mas são habilíssimos arborícolas. O Ruy Castro comentou que os seres de hoje voltaram às árvores, metáfora dele para o emburrecimento generalizado, especialmente no que respeita a música. Outros comentam que os mesmos seres só não voltam às copas do arvoredo porque perderam o rabo. Pois bem: pongídeos não precisam de rabo pra circular com total desenvoltura de galho em galho”. “O mais interessante”, conjetura Manoel, “é que árvores não são o forte em Brasília, mas os pongídeos de terno e gravata andam pendurados em florestas de galhos imensos de corrupção. São a maior praga já encontrada na triste história desse lugar desgraçado desde que Cabral bateu aqui com sua frota contaminada pelos inimigos da Humanidade”. Enter final.
Bem, Manoel apenas tratou de realizar um exercício de humor um tanto plúmbeo, considerando que seu coração bate forte e crístico tanto pelos animais como pelos pecadores. E reconsidera a palavra de seu verdadeiro ídolo, Jeshua ben Joseph, o Kristos dos gregos e o Cristo para os homens de alma limpa: “Não vim para os justos, mas para os pecadores”. Indignado com a degenerescência que vai corrompendo o planeta, não só a Pindorama, nosso herói reconsidera até o horror que deverá ser o que anda passando o tal do Sérgio Paranhos Fleury lá do outro lado, e o que vai ele aturar quando reencarnar. Fleury veio à baila porque Manoel soube da missa pelos 30 anos da morte do policial, que, entre outras muitas vítimas, mandou para o beleléu Lamarca e Zezinho no interior da Bahia em meados de 1972. “Pobre desgraçado!”, considera Manoel: “Quem sabe, esse infeliz não sabia absolutamente o que fazia?!, e achava que estava mesmo livrando o país da ação do inimigo...”, e eis Manoel já tentado a abrir uma latinha geladézima, pedindo em brinde, sob o olhar doce de Maria, piedade para pongídeos, seus assemelhados vestidos e mesmo para os equivocados quanto ao que seja o bem e o mal... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Manoel, mídia, imprensa e uma perda

Frederico Mendonça de Oliveira

Manoel falará sobre valores de mídia e imprensa, mas antes tem de fazer um registro que está abalando meio mundo na área da música popular no Brasil. Nosso herói acorda às sete da manhã neste 22 de maio, depois de completar 64 dia 20 passado, e chapa com a notícia em sua caixa postal. Tavito, ex-Som Imaginário ao lado de Fredera, Wagner, Luís Alves, Robertinho Silva e Zé Rodrix, mandou para todos da banda e adjacentes a notícia do inesperado e até inacreditável falecimento deste último, o mais regrado da turma, dotado de uma compleição invejável e de uma vitalidade até inquietante. Vendia saúde e fortaleza, estava rijo e flexível para abestalhar qualquer garoto, trabalhava com um gás sem igual, andava escrevendo obras alentadas e de desanimar qualquer um tal o tamanho, andava de anos pra cá às voltas de novo com Sá e Guarabyra e fazendo shows especiais e muito concorridos com seu mais próximo irmão Imaginário, Tavito. “Puta merda!”, exclama consigo Manoel, tomado de uma perplexidade um tanto marcada por um toque de bronca: “Como é que um cara tão regrado e forte pode morrer dessa maneira??”. Pois é. Conversando com Tavito logo pela manhã e encontrando este meio que em choque, ficou nosso herói sabendo que a coisa foi uma sucessão de bobagens. Segundo Tavito, Zé andava às voltas com caminhadas, ginásticas e outras merdas. Vendia saúde e disposição, era um trator. De repente, já quase na madrugada desta sexta, sofreu uma violenta queda de pressão, sem mais nem menos. Entrou em pânico, sofreu náusea aguda e se engasgou com o vômito, aspirando parte dele. O coração parou, e... um abraço a todos os que ficam. Era uma vez um criador de roques rurais. Enter.
Quando de uma tentativa de empresários, apoiados por uma companhia estrangeira de cerveja, no sentido de reapresentar o Som Imaginário naquela de 30 anos depois, coisa de revival de pop tupiniquim, Robertinho Silva, o baterista, informou que o então glamurizado Wagner Tiso tinha feito objeções quanto a se apresentar junto com o grupo em condições de igualdade, por estar em outro patamar de prestígio. O Zé Rodrix, conversando com o Fredera a respeito dessa cretinice, comentou: “Podemos nos apresentar sim, todos! O Wagner na dele, pode até botar um praticável bem mais alto, sai tudo numa boa. Todos estarão lá. Sem beijo na boca, claro!”. Manoel, sabedor dessas e outras, queda agora abestalhado tentando absorver a espantosa saída deste homem de sete instrumentos, uma usina viva de produção e de inquietação. “Adeus, Zé! Agora, só lá do outro lado poderemos ver se reunir o Som Imaginário, que passa a ficar imaginário MESMO. Até a possibilidade de reunir a ala digamos literária do grupo, os que escrevem livros – Fredera, Tavito e Zé – se esfuma ‘como a brancura da espuma’”, ruge interiormente Manoel. Enter.
E aí Manoel passa os olhos pelos noticiários e verifica o quão estúpido é alguém se basear em mídia e imprensa. Sobre a morte do Zé saiu no Google um filmeco mostrando aquela locutora morena com cara de semi-overdose de paz, autocontrole e gentileza sempre levemente sorridente e que noticia morte ou nascimento com a mesmíssima fisionomia afivelada. Até que a notícia estava limpa, embora vazia, como de hábito. Pois no decorrer do videozinho noticioso encaixaram um clipe da Elis cantando Casa no Campo, parceria do Zé com o Tavito. Elis aparece secundando vaca e bezerro e canta a canção. O clipe é de uma burrice total, uma vez que as imagens estão em absoluto descompasso com os versos, que falam em “Eu quero carneiros e cabras pastando solenes no meu jardim/ Eu quero o silêncio das línguas cansadas”, nada de curral embostalhado e com vacas e camarada se deslocando meio céleres. A falta de critério é fato, mas a obtusidade preside tudo de forma patológica: por trás da produção de TV – o clipe seria da Globo, claro – existe sempre a presença aguda da santa ignorância. Será que os caras que bolaram o clipe não entendem de ritmo em relação a texto/imagens? “Casa no Campo é EM TUDO uma proposta de reflexão e de imobilismo como posição assumida contra o agir pelo agir na mão do Sistema!”, considera Manoel meio puto de ter esses momentos de impacto que obrigam a uma dura autocrítica permeados por burrice midiática... Enter final.
Pois prosseguem, mudando de pato pra marreco, as investidas dos globalizadores contra a Venezuela, centrando as cacetadas sujas no líder Chávez, que os jornalistas e suas matérias reles a serviço dos amos capitalistas chegam ao cúmulo de associar ao programa humorístico de décadas na TV. Tivesse o “presidente” apedeuta e pinguço um milésimo da dignidade e da postura de estadista de Chávez e o Brasil estaria peitando essa corja de monstros que nos devasta de fora pra dentro e de dentro pra dentro. Lendo uma Bundas de setembro de 99, Manoel se estarreceu com matérias sobre devastação ambiental no Brasil APOIADA pelo poder público, sem contar, claro, a devastação no plano político, pois estava presidente o traidor monstruoso e abjeto FHC, sobre quem a revista cai de pau direto e de todas as formas, até calcando na deformidade... deformidade... – deixa pra lá – que todos conhecemos. Já se vão dez anos, tempo em que a Venezuela cresce como país e como comunidade humana, enquanto nós despencamos pelo mais imundo abismo institucional e social de todos os tempos – mas as cacatuas da imprensa do Sistema têm de atacar Chávez, que além de estadista é um Homem, não um boneco dos globalizadores vivendo de porres e gafes no desfrute de uma presidência não só escandalosamente não exercida, mas cinicamente explorada diante de um país e de um povo agonizantes. “Tomem vergonha nas fuças, lacaios do poder devastador! Vocês são tão reles que preparam a desgraça de seus filhos, degenerados!”, eructa grosso Manoel. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!