sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A Civilização Brasileira acabou-se

Frederico Mendonça de Oliveira

Não, não é o que vocês estão pensando: refiro-me à EDITORA Civilização Brasileira. daí as maiúsculas. Pois é: outro dia li, para não perder um amigo, um artigo da Folha – que os comunistas do extinto MR8 e hoje editores do jornal Hora do Povo chamam de “a cloaca da Barão de Limeira – assinado pela Bárbara Gancia, por sinal glamurizada, pela multidão de lacaiso dos globalizadores, como grande e sensata pensadora em meio a esta barafunda letal que enfrentamos. De cara ela deu uma tropeçada no penico, esparramou mijo no soalho: ela acredita na “mentira do século”, está por fora da mais importante realidade de nossos tempos desde 1945. E fala da coisa com a emoção da indignação de quem sabe o que aconteceu em Acosta Ñu. Pois ela começou falando já estar se achando meio velha, porque não acredita mais na civilização, coisa que em outros tempos a gente achava que um belo dia ia encontrar ali na esquina. Ela pode estar ficando velha sim, como todos nós, se não morrermos prematuramente, ficaremos, estamos ficando ou já ficamos. E a civilização já acabou sim, dona Gancia, trata-se de um fato, mesmo que a senhora seja colunista da tal “cloaca” também glamurizada como sendo um oásis em meio ao despedaçamento final. Puxa, vamos em frente, senão isso vira nariz-de-cera... Enter.
Mas a Civilização Brasileira acabou, e isto é trágico. Perdemos tudo neste país, e este é um feio sinal. Quando cursei Letras na Universidade do Estado da Guanabara, hoje UERJ, a Civilização publicava livros aos caminhões, numa qualidade jamais vista, e em todos os aspectos, desde as capas do Eugênio Hirsh até a participação profusa de pensadores em simplesmente todos os aspectos. Nessa época, a Eldorado Tijuca, uma das maiores livrarias do País, não tinha espaço nem prateleiras pra abrigar tamanha produção editorial: ficavam pelo chão pilhas e mais pilhas de livros recém-chegados, tudo cheirando a novo: as livrarias teriam de dobrar de tamanho para comportar tamanha demanda. Hoje, ora, “hoje”!... “Hoje” é a merda! As livrarias só têm porcariada, os tais dos best-sellers dos globalizadores ocupam quase todo o espaço, além da enxurrada de produção de auto-ajuda, sem contar o paulocoelhismo escatológico balizando os parâmetros da ignorância global generalizada. Enter.
“Hoje” é a merda. Estive no Rio tempos atrás e fui a todos os grandes sebos da “cidade maravilhosa” hoje cidade pavorosa, não precisa dizer por quê. Em nenhum deles achei um Iracema (!!!). Do Guimarães Rosa, só um Sagarana, que adquiri, claro. Do Campos de Carvalho, neca. Aliás, ninguém dos sebos sequer o conhecia. E o Campos de Carvalho foi publicado completo pela Civilização, com capas memorabilíssimas do já citado Hirsh: A Lua Vem da Ásia, Chuva Imóvel, Vaca de Nariz Sutil, O Púcaro Búlgaro eram livros do Brasil ainda brasileiro, com um belo contraponto na obra de João Antônio, também publicada pela Civilização, inclusive o Malagueta, Perus e Bacanaço. Eram tempos, não essa merda desse “hoje”. É carma coletivo, claro, e carma brabo, hem?! Que diabos andamos fazendo no passado para viver uma condenação dessas, caraco?? Será que fomos nós que afundamos a Atlântida e condenamos os atlanteanos a morrer afogados e devorados por predadores marinhos, a maioria dos infelizes habitantes do continente perdido boiando e tentando salvar mulheres e crianças da voracidade de dragões marinhos, polvos gigantes, tubarões e orcas? Enter final.
A Civilização acabou, porque aliás acabou a civilização. Resta-nos as degustações das boas coisas que alegram os que não morreram mentalmente sob a Grobo, resta estudar e progredir em meio ao caos, resta pedir a Deus pelos desvalidos. ’Tá russo, também ’tá ruço! E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Pra não dizer que não falei de...

Frederico Mendonça de Oliveira

...flores. É, também falo dessas coisas, que passam desapercebidas de tantos seres neste mundo. Beaudelaire escreveu “As Flores do Mal”, que não li, mas o título se fixa com facilidade. Parece que ele falou das papoulas do ópio, que são mortais, mas deixo para ele ou para quem quiser o trabalho de ler sobre algo que só nos destruirá se for usado por nós. As flores que me interessam são as do bem, as rosas, as orquídeas, mesmo as margaridas e as simplórias mas tão alegres tagetes, por aí. Também me interessam as flores que brotam das notas de Bach nos prelúdios para cravo nos lindos adágios do Cravo Bem Temperado. Epa!, estou bancando o intelectual, falando de coisas que os que se deliciam com flores do mal podem considerar maluquice de eruditóide! Enter.
Quando tenho de sair da toca, onde me refugio deste mundo a cada dia mais medonho e horrendo, sou obrigado a ouvir as flores sonoras do mal. Onde quer que haja comércio, lá está uma caixa de som despejando “sucessos”. Agora temos flores do mal até na feira, onde se instalaram caixas de som tocando obscenidades e gratuidades ao âmbito da estupidez para “animar” os que compram e vendem hortaliças, secos e molhados e tudo mais. As letras do “sertanejo” da programação desta detestadíssima e até detestabilíssima “rádio feira” são tétricas, coisas como “só qué coisá”, referência a uma personagem mulher que apresenta furor uterino. E tome falar de festa que tem muita “muié”, “as muié”, e volto pra casa com essa escatologia zoando na cabeça, e ela só passa quando ponho pra rodar algo sonoramente digno, construtivo, saudável. É terrível considerarmos que o mal avança a galope, e o bem se encolhe em seu canto mais e mais, cada dia mais, com medo, com vergonha, com imenso espanto. Enter.
Os objetos ambulantes e vestidos do sistema se engalfinham nessa massamorda social em decomposição e causam medo. Sim, porque eles dão continuidade, como mensageiros irracionais, a toda a deformidade imposta pelos globalizadores, e ai de quem levantar a voz contra todo esse horror. Uma amiga bancária se queixava, outro dia, de ter de passar todo o expediente ouvindo uma maldita caixa de som da loja em frente, sempre em liqüidação e sempre projetando som miserável de “sucesso” na rua. Pois agora parece lei: todas as lojas – maneira de dizer, claro – estão pondo essas desgraças na porta, e temos de suportar conviver com isso, e sem reclamar. Se reclamamos, lá vêm aqueles olhares de espanto estampados em semblantes asininos, como se estivéssemos revelando que encoxamos a própria mãe no tanque ou que batemos nela com porrete por causa da mistura. O que essas criaturas defendem? A desgraça que adotam contra si e que querem ver difundida mais e mais? O que será desses seres que praticam um suicídio que lhes é proposto pelos globalizadores através dos “meios de comunicação”? Virarão zumbis sem referência da vida, de si e de Deus? Enter.
É, tudo se encaminha para uma calamidade atroz. Os elefantes se afastaram com sábia antecedência do local onde ia rolar o tsunami. Aqui, os humanóides do sistema se apresentam ávidos para o abate mental, moral e espiritual. Só resta orar por eles, que são a esmagadora maioria nesse cenário cataclísmico. Não, não devemos chorar sob o cobertor, isso é para fracos. Devemos peitar isso, e basta, para tanto, refletir sobre a própria lucidez resistente e seguir de cabeça erguida por entre a multidão mesmerizada pelas forças das trevas, flores do mal. Enter final.
Flores, sim, comecei falando delas. Estou com lindas orquídeas sapatinho no xaxim. A despeito da demência instalada em torno, elas florescem e embelezam, e gostam do jazz que estudo sempre; senão, murchariam. E encerro com uma fala especial: “bem aventurados os bêbados, porque verão a Deus duas vezes”. Significa dizer que é bom estar fora do que é considerado normal. “Publicam viam ne ambules”, isto é, não ande por onde anda o vulgo. E viva Santo Expedito! Oremos. ’Té pra semana, babes!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Boçalidades do Brasil

Frederico Mendonça de Oliveira

Diretamente de Brasília, o amigo José Ronaldo trouxe novidades quentes. Uma, que anda se sentindo como que dançando com a irmã, porque tem bebido cerveja sem álcool para não descumprir a lei seca para motoristas. Pois quanto a mim, nessa onda, sinto-me como que tocando com outro músico, só que ele sem instrumento. Nosso grau de antanho se perde, a menos que vá eu a sua casa, onde ele pode virar seus imperdíveis copos e mais copos, e depois vai direto pra cama – e eu pro ônibus. Bem, isso não tem nada com as boçalidades do título, é apenas uma leve menção à boçalidade reinante no poder, que de repente resolve “moralizar” isso e aquilo envolvendo o povo enquanto que a classe dirigente deita e rola em tudo e destrói passo a passo uma nação que tem tudo para se emancipar – MAS ISSO NÃO PODE!!! Por que esses vigaristas engravatados não botam uma lei que os atinja no que eles têm de tão miserável e execrável? Querem ver só as gracinhas? Pois lá vai. Enter.
Comecemos pelos jogos da seleção de vôlei. Nossos atletas são verdadeiros mestres, dando banho de qualidade tanto individual como coletivamente. A macacada brasilis até comparece massivamente e se envolve, torce de verdade, mas o futum do peido na festa acaba se revelando: os boçais em coletividade vaiam os contendores na hora de eles sacarem, o que revela uma escrotidão ao rés da miséria. Não se vá querer da mente coletiva brasileira, contudo, qualquer tipo de reação positiva, se somos todos uns cornos em termos de país, governo, lei, poder constituído, meios de comunicação e tudo mais, embora valha mencionar os horrores envolvendo crimes e desastres forjados como aquele da TAM há exatamente um ano. Nossos chifres se entrelaçam volta e meia em episódios de barbárie e de desgraça de fazer tremer um babalon... que é o demônio que carrega na mão a taça de todas as abominações. Vão vaiar os congressistas, boçais! Vão vaiar o Gilmar Mendes e o Nelson Jobim, que soltam bandidos e dão habeas corpus pra eles confessarem crimes e não poderem ser presos! Desliguem a TV Globo, otários! Despertem! Em vez de vaiar jogadores visitantes quando sacam, e olhem que nós sempre os trituramos na quadra, às vezes de barbada, linchem os poderosos, babaquaras! Enter.
Pois é. O amigo já lembrado trouxe também duas putas boçalidades pra gente dar risada, mesmo eu fazendo a cabeça e ele bebendo sucedâneo. Uma, em relação à Justiça brasileira: o bandido Cacciola, preso lá não sei onde, deu entrevista sobre o que lhe pode acontecer aqui. Resposta: “Confio na Justiça brasileira”. Se ele confia, estamos FU! Ele deve ouvir as notícias sobre o Daniel Dantas e sobre a dupla Nelson Jobim/Gilmar Mendes. Pode confiar, ítalo salafrário, o cheiro de pizza já está no ar... Outra boçalidade: o Cacciola já estaria sendo punido, pois veio de classe econômica da TAM. Engraçado como tirada, claro, valendo até pelo absurdo, porque a TAM é glória brasileira, e o que sofreu de sabotagem até hoje não faz senão levantar-lhe a moral e exigir nosso respeito. Portanto, engraçado; mas injusto, se dermos um tratinho de nada à bola. Mas piadas não se perdem, e neste caso o amigo não está em jogo. Enter final.
Boçalidade é o que não vemos na tarefa de nossa admirável seleção de vôlei, em tudo o oposto dos mercenários de “nosso” futebol, aquele bando de mascarados que só serve pra mais e mais alienar a macacada de mais de cem milhões de aflitos sem rumo. Nossos voleibolistas são exemplo do que podemos ser, são a nata real do Brasil, são o Brasil que não nos permitem e que impedem que aconteça. E por hoje é isso: pára com essa vaia boçal, bando de midiotas! E viva Santo Expedito! Oremos. ’Té mais, babes!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Uma visita ao inferno – e adeus, música!

Frederico Mendonça de Oliveira

É digamos lancinante a visão dos contrastes humanos e sociais enfrentada na grande cidade paulistana. Muito “bonito” mas na verdade amedrontador o fluxo dos veículos, uma torrente avassaladora e já verificadamente irreversível, o que por si só nos faz começar a dar adeus a nós mesmos e a qualquer possibilidade de ver sarar essa coisa em que estamos metidos. Ou em que nos meteram. São Paulo continua a mesma, sim, mas algo instila em tudo um futunzinho de carniça. E o ar está visivelmente tendendo ao opaco, como se ele nos questionasse sobre se é isso mesmo o que nós queremos, se é isso mesmo que continuaremos a engendrar, a praticar ou a admitir. Enter.
Uma impressão nítida colhida nas ruas é a bovinidade – passividade seria gentil demais, até injusto – com que os seres suportam e na verdade até apóiam o massacre a eles imposto. A ruína é visível nos rostos, nos corpos, nas roupas, nas calçadas, nas paredes, na quinquilharia que entope as calçadas: a horrenda exclusão teima em ombrear com o patamar do que seria a normalidade social, a paisagem urbana real é no mínimo obscena, realmente tétrica, atroz. Pensando bem, é claramente infernal. E tudo parece tomado, tisnado de uma imundície irreversível. O mundo está ali, aquilo é o mundo, ou uma clivagem dele, e parece que nada mais poderemos fazer: basta-nos ter forças para prosseguir. Não sabemos é para onde isso nos leva, embora saibamos que não será para qualquer tipo de éden. É Deus o autor disso? Zola já sabia de tudo... Enter.
Mas falemos de algo concreto. O pianista Osmar Barutti, que todos conhecem – ele integra o sexteto de acompanhamento do Jô –, me revelou uma nova expressão para denotar a condição de párias a que os músicos foram rebaixados. No passado, ganhávamos cachês, naqueles tempos anteriores aos 20 anos em que a ditadura e a emepebê nos atingiram as vidas e as profissões ou carreiras. Depois, veio o tempo do “couvert artísitico”, isso desde o início dos anos 80. Esse couvert dava boa paga ao músico, mas os demônios ávidos e sem entranhas logo abocanharam o dinheiro de nosso suor, e esmagaram a paga, passando as garras imundas em grande parte dessa arrecadação. Hoje, segundo revelou Osmar, não recebemos mais couvert, mas “o que houver”, e os bandidos que exploram a noite são absolutos, e nós que nos fodamos e enfiemos nosso instrumento no rabo, se não gostarmos da “realidade”. E o pior é que ninguém toca flautim na noite, porque doeria bem menos que um saxofone ou uma guitarra, que dirá um piano... Mas prosseguiremos tocando, lembrando o calvário do Cristo, e que Deus cuide dos salteadores do dinheiro alheio. É de vomitar... Enter final.
Liguei para a companhia de ônibus para saber de horários, e a criatura que me atendeu exigiu saber meu nome. Pra quê? Respondi que era João Guimarães Rosa, ao que ela falou: “Pois não, senhor Rosa, aguarde” e me passou para outra alimária, e fiquei mal informado e mal resolvido. E elas? Pois no balcão de atendimento de um puteiro capitalista cinco estrelas (hotel) onde fui encontrar minha caríssima eis que consegui ser atendido por uma sirigaita solerte, que me ordenou identificar-me para passar a ligação. Disse-lhe que era “Euclides da Cunha”. Feita a ligação para a suíte, simplesmente me passou o fone. Não aceitei: se ela me exigiu o nome, que o passasse. Atônita, ela transmitiu ser o “senhor Euclides”. Minha caríssima entendeu, e logo saiu do elevador com um largo sorriso prenhe. Ìamos encontrar o Osmar, e sugeri que esperássemos na rua imunda, bem mais aprazível que aquela espelunca burguesa sórdida e cínica. Logo estávamos entre miseráveis camelõs. Bem mais respirável... e a noite nos tragou para um encontro com o querido Osmar, que também não é deste mundo. E viva Santo Expedito! Oremos. Té mais, babes.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O gosto e o som da nova população brasileira

Frederico Mendonça de Oliveira

Moro num bairro de classe média de uma cidade remota no Sul das Gerais. Na verdade, moro nas montanhas, portanto, entre montanheses. E a maioria deles, óbvio, falam “vô vim”, “vai vim”, “vou arrumar tudo pra você vim”, “ônti”, “antis de ônti”, por aí. Não é burrice, não: é bem mais do que isso. É falta de higiene em diversos aspectos, ressaltando-se que a condição de boiada imposta a esses seres parece que lhes agrada muito. É o que Louis Marchalko revela em seu “Os Conquistadores do Mundo – Os Verdadeiros Criminosos de Guerra”, livro estarrecedor que disseca a ação dos globalizadores desde bem mais de dois mil anos. Ele fala no projeto de uma minoria racial fanática visando transformar a humanidade em imensa boiada, para que funcione um único poder central e para tanto impondo um despotismo implacável. Só animais aturam isso, mesmo que alguns até se rebelem como bestas feras, e sejam, claro, exterminados. Enter.
Não é estranho, então, que essa massa de desmiolados sob efeito da mídia e de um poder o mais corrompido possível tenha hábitos dignos das cavalgaduras. Um dos mais eloqüentes sintomas dessa deformação coletiva é ver a absoluta dependência desses humanóides ao aparelho de TV. Os globalizadores operam livre, aberta e descaradamente entre nós, por saberem que os bovinizáveis são a quase totalidade nessa comunidade tupiniquim, e que são servis e completamente dúcteis, dóceis, ovinos. Os que entendem o que se passa nada podem senão pregar no deserto de almas cujos corpos contêm, em termos de massa encefálica, o quociente de intelectualidade de frangos de granja. Outra característica desses humanóides globais maleáveis à imposição do mais perverso e escroto subdimensionamento é ter ouvidos de latrina: só ouvem titica grossa, que é o que a mídia lhes fornece como dieta para emburrecer, e ainda agravam isso com o som abissal dos latidos de cachorros, que costumam ombrear com – senão superar em número – seus “donos”. No lindo bairro onde moro, chamado Jardim Aeroporto, costumo fazer tudo ao som de latidos dos incontáveis cães dos “vizinhos”: durmo, acordo, cozinho, como, lavo louça, discurso escatologicamente no vaso hoje assemelhado a uma tribuna do nosso Congresso, pratico o ato do amor, escrevo, pinto, esculpo, tudo sob o som de latidos de cães da vizinhança. Os “vizinhos” ou serão surdos mentalmente ou devem gostar dessa tão deletéria manifestação sonora, poluição que só dói em ouvidos não petrificados pela incessante matéria excrementícia despejada pelos meios de “comunicação”. Durante o “horário nobre” – tão nobre quanto um acasalamento de cães de rua –, a cachorrada entra em cadeia, e o tal Jardim Aeroporto vira, em espetáculo verdadeiramente pirotécnico, aquilo que já sabemos ser ele há muito tempo: o Canil Aeroporto. Isso é que é vida! Enter.
Então, se você quiser fazer parte dessa forma tão evoluída de civilização, pode “VIM” pro Jardim Canil Aeroporto, no Sul das Gerais. Você vai gostar, pode crer! É estupidez pra Leonardo ou Netinho nenhum botar defeito! Afinal, pra que se dar ao trabalho de aprender verbos e falar corretamente? Os animais nem mesmo falam, mas vivem aí, como nós, só que, à exceção das aves – que os brasileiros de hoje imitam no que tange a matéria cerebral, especialmente se aves de granja produzidas em série –, andam sobre quatro membros, para o que, aliás, as calçadas da cidade são bem mais apropriadas. Mas é fato que muitos seres que deambulam pelas ruas do arraial parece que tendem a se curvar para a frente de tal maneira que parece quererem voltar a pisar o chão também com os quartos superiores, para fazê-los de novo “dianteiros”. Aliás – de novo! –, quadrúpedes já estão quase todos, por efeito da mídia dos globalizadores, e parece que esta condição faz o gosto dos submetidos a ela. E tome Chitãozinho e Xororó mais Bruno & Marrone, aliás – de novo!! – preferências do indivíduo que ocupa a cadeira da “mais alta magistratura do País”. País?? Isso é país?? Isso é um curral de infelizes bovinizados! Tanto é que os globalizadores fazem aqui o que bem entendem. Só não sabemos como não mandamos soldados pra combater junto com os EUA para varrer o islã da face do planeta... Enter final.
E pensar que o Cristo morreu crucificado por nós!... Muito bem: a revolta dos elementos vai pôr fim a tudo isso, e o que sobrar aqui agirá em nome do amor. E, para encerrar, vale lembrar que, no idioma dos globalizadores, não existe a palavra amor. Sim! Não é maneira de dizer, não! A palavra amor não existe mesmo no idioma deles, podem conferir – se alguém souber que idioma é esse... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Afinal, existimos ou não?

Frederico Mendonça de Oliveira

Tenho convivido com tanta maluquice nisso a que chamam de sociedade, e em todas as suas acepções e concepções, que sinceramente começo a me perguntar se estou fora do penico geral. Por exemplo: estou proibido por liminar de falar em meu blog ou em público sobre um determinado assunto. Então não falo, porque não quero aturar as penas decorrentes disso. Calo o bico, portanto. Quem perde e quem ganha? Sei lá! Mas a pergunta é a seguinte: a Consitiuição Federal não postergou a censura prévia a meios de comunicação e não estabeleceu o livre direito à expressão do pensamento? Sim e sim. E aí é que a coisa piora mais ainda: é democracia, com direito a todos se expressarem, ou é ditadura, com cerceamento à livre manifestação de pensamentos e idéias? Pra constar, vivemos na primeira hipótese, ou seja, no que está na Constituição; mas pra valer estamos vivendo, especialmente no que venho enfrentando, na segunda. Bem, convenhamos que fica mais “rico” vivermos um jogo em vez de uma realidade simples e objetiva, o que seria chato e monótono. Então o negócio é “relaxar e aproveitar, se a curra for inevitável”. Por isso é que o Brasil é o país do futebol: porque tudo depende da cuca do árbitro... Enter.
Pois abro uma mensagem sobre um fórum de imprensa, e o entrevistado declara que “temos que usar a imprensa para construir o Brasil”. Porra! O Brasil tem 508 anos de vida completos e ainda tem de ser construído? Cacete! Temos tudo que os países ditos avançados ou civilizados têm, e ainda temos que construir o Brasil?? Que diaabo! Então estamos há 508 anos fazendo o quê? Temos universidades, hospitais, aeroportos, portos, navios, aviões, casas, arranha-céus, sistema de transportes transcontinentais nos conectando com o mundo todo santo dia e temos de construir o país? Então que merda é essa que está aí? A existência de Ouro Preto e Olinda como patrimônios da Humanidade, a existência da Brasília arquitetonicamente sem paralelo no planeta, a torcida do Flamengo, o Cristo Redentor, um Congresso de sudras, essas coisas são o quê? Falácias? Fantasias? Imagens? Enfim: existimos ou não? Somos o quê? Um bando de peidados fingindo que existimos pra dar consistência a um país ilusório ou abstrato ou imaterial? Chegamos a um ponto em que duvidamos de nós mesmos – isto no caso de sermos os que ainda usam a titica posta por Deus em nossas cavidades cranianas, aquilo a que a ciência chama de cérebro e que foi inventado para ser usado, mas que é hoje substituído pela programação da Grobo. Enter.
Ah!, ah! É que eles falaram errado – pra variar. Eles queriam dizer “reconstruir”!! Puxa, mas não somos obrigados a tecer adivinhações! A coisa é a seguinte: desde que os “colonizadores” puseram os cascos ferrados nesta terra desgraçada, só vimos ser, a própria, detonada, escorchada, pisoteada por crápulas de todos os matizes, e disso não poderia resultar um país, mas uma ruína. Pra todos os efeitos, temos de questionar se o Brasil pode mesmo ser considerado país em algum momento do que dizem ter sido a “nossa história”. Bem que eu sempre desconfiava da autenticidade das matérias do curso primário... Aquela “História do Brasil” nunca me convenceu! Mas, voltando: temos de reconstruir o país... Que piada! Porque, a bem dizer, quem o destruiu? Deus? O diabo? Os árabes? Os palestinos? Os iraquianos? Os iranianos? Os norte-coreanos? Os afegãos? Os venezuelanos? Os bolivianos? Os paraguaios? Os que derrubaram as torres gêmeas? Os japoneses? Os italianos? Os negros? Os índios? Os portugueses? Os nazistas? Os fascistas? Os católicos? Os cristãos? Os evangélicos? Os umbandistas? Os candomblecistas? Os espíritas? Os esoteristas? Os militares? Os civis? Os artistas? Os instrumentistas? Os sambistas? AFINAL, QUEM DESTRUIU ESSA PINÓIA DE PAÍS PARA QUE TENHAMOS DE VIVER NA TAREFA INTERMINÁVEL DE RECONSTRUÍ-LO? Enter final.
Hahahaha! Eu sei, crianças, eu sei! Mas não digo! Não digo, não digo e não digo, e pronto!! Não digo, aliás, porque aprendi isso com censurados como eu, aprendi com grandes brasileiros deletados da história porque disseram verdades. Um deles, por diversas vezes presidente da Academia Brasileira de Letras – que hoje encarta em seu quadro de imortais uma escória de paulocoelhos, robertomarinhos e pitanguis –, está banido de nossos cursos superiores de História, porque disse a verdade sobre o que realmente se passou com a pinóia brasilis desde que pisou aqui com Cabral um certo Gaspar da Gama. Então, em solidariedade a esse mestre dentre mestres, não digo e não digo. E pronto. Para encerrar, dedico essas bem traçadas a todas as mulheres que diariamente águam passeio de botas e bobs ou não; a todos os que cultivam hemorróidas sentados diante da TV desgraçando suas vidas e dando lucro aos globalizadores; aos que perambulam sem rumo ou objetivo pelas ruas fazendo a pantomima patética dos “consumidores” de R$ 1,99. Aos que diariamente se embebedam do veneno midiático achando lindo. E especialmente aos que não só se omitem diante da corrupção generalizda, mas especialmente aos que a apóiam, pobres seres miseráveis que vão à missa e professam catolicismos hipócritas enquanto cospem nas chagas do Cristo Salvador! E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Estagnação e deterioração rolam soltas no Brizêu

Frederico Mendonça de Oliveira

O fantoche presidente que não governa e que não enxerga senão seus privilégios materiais como “primeiro mandatário” – cairia como luva considerá-lo desmandatário, já que não sabe de nada, não ouve, não vê nada, não trabalha, não cria senão artifícios eleitoreiros, e os pilantras que operaram sob suas asas, mal ou bem, continuam privilegiados aí, bordejando tranqüilos – deverá ter ido a dois velórios simultaneamente: o de Rutão e o de Silvinha. Rutão, que deve ter morrido de não poder sobreviver ao lado de uma abjeção viva como aquele traidor monstruoso - que aliás a traiu também, para não perder o ímpeto de trair, natural de sua personalidade: gerou em Míriam Dutra Schmidt o menino Thomás; Miriam foi transferida para a Globo de Barcelona, pra esfriar aqui o escândalo, e Thomás Dutra Schmidt, literalmente filho da mãe pelo nome, já que teria de ser Cardoso, o pobre, terá hoje quase 17, e o pai não o conhece, a julgar pelo que (não) saiu na “imprensa” –, mesmo tendo sido ela, segundo estudiosos, da tribo dos globalizadores, que não hesitam em detonar um genocidiozinho, não iria para a carreira subsolo sem que o boneco enfatiotado e roufenho comparecesse à festança com presunto e tudo, para dar tapinhas nas costas de seu antecessor devastador; afinal, é tudo a mesma ralé de ignorantes sem caráter, tudo um bando de traidores, tudo uma corja de crápulas traidores da pátria. O corpo frio lá deveria ir serenizando a fisionomia enquanto desfilava a procissão quase que só de pilantras profissionais: desmaterializada, iria se acalmando por saber que por uns tempos, no limbo, iria viver esquecida dessa cambada de engravatados tendo seu maridão traidor em todos os sentidos como host sem nenhum caráter. Enter.
Corta para o velório de Silvinha Araújo, mulher daquele Eduardo, que mudou de escolha: integrante da récua de jumentos musicais da Jovem Guarda, acabou envolvido com criação de jumentos pêga, que pensam bem melhor que a turma liderada pelo Brasa – e depois montou estúdio de gravação com nome em ingrêis. Silvinha foi cantora, cresceu como tal ao longo de uma carreira ignorada pela mídia e foi devorada por um câncer contra o qual lutou anos. Sucumbiu aos 54 ou 56, por aí. Eduardo, viuvão, deveria estar lá arrebentado, por terem sido um casal 20, coisa meio diferenciada no setor da fauna jovenguardista. O fantochão falastrão deve ter ido lá, depois de umas boas talagadas de 51, dar os pêsames ao menestrel enviuvado. Dá voto. E é um evento midiático, afinal: deu até primeironas nos jornalões. Vá em paz, Silvinha: você sempre foi elegante e composta, sempre destoou da mediocridade geral que a cercou nos tempos do calhambeque robertiano e, mesmo sendo inculta, sempre esteve acima do espírito geral dessa pinóia de música jovem. Enter.
Estagnação é isso aí: nada acontece, e quando acontece parece que é óbvio, sem importância. Mas o presidente-desacontecência gosta de um evento, e deve ter até levado – pelo menos ao velório de Rutão – Marisão, brega e sempre sem nada a dizer, a tiracolo de seu cafumango apedeuta, empacotado num armani que lhe cai como um saco de dormir, mesmo que muito bem cortado. Estagnação é isso aí: o Brasil vai em decomposição, o fedor grassa a mil, mas tudo está como se vivêssemos a paz dos que já têm a certeza do paraíso no planeta terra. Enter.
E a farra da imbecilidade prossegue a mil também: mulherada aguando passeio e rua, imbecis midiotas criando cães desamparados esquecidos ladrando em quintais para fazer crer que há defesa nos “lares” em que manda a TV e onde os cérebros não são usados. Se o pobre do Raul (Seixas) lembrava que o “ser humano” comum só usa dez por cento de seu cérebro, hoje ele seria contestado: dez??? Que dez, Raul! Seria um por cento, se muitíssimo, e olhe lá. Conversamos sobre isso, você deve lembrar: e os objetos vestidos de nossa época eram bem mais pensantes! No seu tempo não havia Tiririca, Egüinha Pocotó, maratimbas botinudos, chapeludos e fiveludos emitindo guais lancinantes e descobrindo as terças maiores e menores, não havia bondes do tigrão. Pois é, Raul: nosso tempo foi uma merda, mas era melhor, por existir uma certa relutância em mergulhar de cabeça no abismo das trevas da ignorância assumida e propalada como sendo virtude básica. Enter final.
Que dizer mais, leitor? Bem, continuamos na batalha, só pra não perder o costume. De minha parte, escolho a reclusão, e mesmo assim atacam meu refúgio: o demônio tem sede de almas provectas. Tá. Que Deus se apiede de Rutão e receba Silvinha com uma taça de champanha. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!