sábado, 1 de junho de 2013

André Mehmari, gênio brasileiro do piano, é escorraçado de graça

  •   Régis Tadeu denuncia selvageria de jovens contra pianista que ousou tocar Ernesto Nazaré para público de Michel Teló... e na mira do autor entram os que dormem enquanto seus filhos chafurdam na degenerescência e na violência gratuita

     

     

    Ignorância e falta de educação são as marcas de uma geração de adolescentes

    Caso você não o conheça, vou apresentá-lo. André Mehmari é um dos maiores pianistas do Brasil atualmente, um músico/arranjador/compositor/multiinstrumentista que tem como principal qualidade, além de sua técnica primorosa, o trânsito fácil e livre que consegue estabelecer entre os universos da música erudita e da música popular brasileira e o jazz. Ele chegou a vencer um Prêmio Visa de MPB Instrumental e vários concursos de composição erudita, já tocou ao lado de grandes cantoras como Ná Ozzetti e Mônica Salmaso, e tem seis discos lançados, todos excelentes. Você pode assistir abaixo dois exemplos desta competência instrumental:
    Bem, feitas as apresentações, vamos ao motivo que me levou a escrever a respeito dele hoje, mais precisamente, a uma terrível experiência pela qual ele passou e que dá bem a medida dos tempos em que vivemos hoje. Peço permissão para colocar abaixo o texto que ele escreveu em sua página no Facebook. Leia com atenção, por favor...
    “Há uns dias participei como
    Bem, feitas as apresentações, vamos ao motivo que me levou a escrever a respeito dele hoje, mais precisamente, a uma terrível experiência pela qual ele passou e que dá bem a medida dos tempos em que vivemos hoje. Peço permissão para colocar abaixo o texto que ele escreveu em sua página no Facebook. Leia com atenção, por favor...
    “Há uns dias participei como convidado especial de um projeto musical educacional, para jovens de escolas públicas, de 10 a 12 anos, aqui perto de São Paulo. Levaram uma ótima banda, fizeram um roteiro bem bolado e caprichado com atores de primeira, e na segunda parte, a pedido da produção, entrei no palco, feliz da vida para falar de (Ernesto) Nazareth e anunciar as canções que se seguiriam.

    Ao som de berros e injustificáveis vaias irracionais, ouvi toda sorte de grosseria: ‘sai daí, filho da puta!’ ‘Vai tomar no ...!’, Vai se f....!’
    Fiquei um tanto cabisbaixo, mas segui quase firme. Com muito orgulho, falei um pouco desta música. Acompanhado por um supermúsico amigo - o percussionista e compositor Caito Marcondes -, toquei desconcentrado e ainda estupefato uma suíte de maxixes ‘nazarethianos’ abraçando uma ária de opera. É, eu queria falar para eles desta coisa bonita da Musica, de não ter fronteiras, a não ser na cabeça de medíocres e preconceituosos.
    Mas a fronteira ali estava tão antes de qualquer pensamento, de qualquer diálogo. Tudo tão aquém de qualquer desenvolvimento, que abaixei a cabeça e levei mecanicamente a apresentação até o final, acreditando que se tocasse para um único par de ouvidos férteis naquela plateia de 600 jovens pessoas já teria valido meu esforço, minha confiança na vida.
    Sei bem que educação é sempre desafio e que o Brasil encontra-se muito longe de ter estrutura e pessoal adequado.
    Meu apelo aqui fica para os pais, que acreditam que a educação de um filho se dá na escola. Ela se dá principalmente em casa, neste nível fundamental da formação do caráter de um ser humano. Não coloquem filhos no mundo se não estão aptos e dispostos a dar uma formação cuidadosa e apaixonada a estes novos seres.
    E estou farto deste discurso politicamente ‘soft-new-age-correto’ e praticamente inefetivo, de aceitar tudo e botar panos quentes em tudo que um jovem faz e diz. Acredito que ele tem consciência de seus atos e cabe aos mais experientes apontar problemas, olhar esta turma como nossos semelhantes que, em poucos anos, estarão ocupando importantes cargos e funções.
    Educação é invariavelmente feita com amor e dedicação e estas são responsabilidades primordiais dos pais, depois da escola e da experiência. De qualquer maneira agradeço a oportunidade de tocar para aqueles jovens, mesmo tendo sofrido agressões que me ofenderam. Sei que aqueles que ouviram saberão me agradecer no futuro. E estarei plenamente recompensado e tranquilo!”
    Quem acompanha o que escrevo neste honrado espaço sabe bem o que penso a respeito desta molecada nos dias atuais. Para quem não sabe, vou repetir numa boa: salvo raríssimas exceções, toda uma geração de adolescentes brasileiros se transformou em uma manada de asnos!
    É isto mesmo o que você acabou de ler. Sem tintas douradas ou palavras suaves. A realidade nua e crua é exatamente esta. Quem é pai ou mãe sabe exatamente o que quero dizer. Nos dias atuais, professores se transformaram em seres com nervos em frangalhos, com o espírito esgotado e abalado por terem que lidar com pequenos bucéfalos, precocemente empurrados para a vala da ignorância por causa do meio em que vivem, seja a família, os amigos e até mesmo a própria escola.
    Meninos e meninas são capazes de sugar o bom humor de quem quer que seja, tão rapidamente quanto as palavras ásperas, os gritos e a violência verbal que emanam de suas bocas sujas e cérebros já necrosados. Conversando com professores, a opinião é unânime: sala de aula é hoje um lugar onde reina a insanidade. Capacidade de cognição e momentos de sensibilidade por parte destes adolescentes é visto como um autêntico milagre de natureza divina.
    E quero deixar claro: isto não tem nada a ver com classe social e poder aquisitivo! Há uma horda de adolescentes cretinos milionários, ricos, pobres e miseráveis. A burrice e a falta de educação não fazem distinção.
    O que aconteceu com o talentoso pianista André Mehmari em um teatro municipal de Campinas, mais precisamente no bairro da Vila Industrial, é sintomático da total falta de educação e bons modos de toda uma geração. Basta dar uma olhada no meu perfil do Twitter para ver a quantidade de ofensas pesadas – e que se multiplicam como moscas – toda vez que escrevo a respeito de ídolos musicais desta garotada sem cérebro. Palavrões cabeludíssimos escritos por meninas que sequer tiveram a sua primeira menstruação e meninos que nem conhecem o significado do termo “punheta”. Dá vontade de fazer vasectomia no dia seguinte...
    Infelizmente, a escola não é mais capaz de propiciar aquela camada de civilização que complementava a educação familiar. Basta ver a quantidade de vídeos que inundam o You Tube com cenas de violência contra professores, colegas de classe e funcionários para sacar que toda uma geração de jovens já encara o seu semelhante como um rival, um adversário a ser derrotado de qualquer maneira, nem que seja preciso ir armado para as aulas. O fato de nenhum destes pequeninos monstros não reconhecer a autoridade no ambiente escolar é o retrato inequívoco da falta de autoridade dentro de casa. Não reconhecer isto é negar a existência de qualquer parâmetro de civilidade.
    E há outro problema, tão sério quanto este: a superficialidade imediatista que vê sendo imposta a todos nós diariamente pelos meios de comunicação. Em um País que teoricamente prima pela “diversidade”, cada vez mais somos esbofeteados por estratégias de marketing desenfreadas, que tentam nos obrigar a tomar a cerveja “X”, vestir a roupa “Y” e comprar o carro “Z” para que ninguém se sinta... diferente! É o fim da picada!
    Precisamos acabar com este papo de que “povo não gosta de cultura e arte”, que vem nivelando a programação das emissoras de TV e rádio a níveis abaixo do rasteiro. Temos que acabar com esta conversa de que “tudo é arte”, disseminada por pseudointelectuais de padaria, que defendem a ideia de que as classes menos favorecidas intelectualmente produzam a sua própria “cultura” e deixem de olhar para o passado ou para outras vertentes de informação e conhecimento. Para estes palhaços com pinta de sociólogos da PUC, tudo bem que isto resulte nos “Naldos”, “Lek Leks” e “quadradinhos de oito” da vida, pois é “cultura de um povo”. Cultura uma ova!
    Ah, o nome do tal projeto do qual André participava chama-se Ouvir Para Crescer. Que ironia nauseante, não?
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domingo, 26 de maio de 2013

Tornado nos EUA revelou ira de Deus contra gays??? E outras...







Você já deve “pensar” assim: “neste mundo de hoje, tudo pode”. Mesmo não podendo, pode. Tem que poder. E todos seguem a idéia do Lobão: “Peidei, mas não fui eu”. Simples assim. Então, mesmo que reprimindo uma tremenda repulsa, você TEM DE SE OBRIGAR a achar normal a onda dos gays, incluindo casamentos, adoções e o escambau. Muita gente que declara apoio ao movimento – que começou GLS e hoje tem mais de dez letras – e que publicamente demonstra oposição a homofobia carrega em si profunda aversão a homossexualismo de qualquer natureza. E nutre consigo forte asco para com essa exposição cada vez maior das manifestações do mundo gay. E ferve a rejeição a homens se beijando e outras cenas que causam abjeção no pessoal que gosta mesmo é do real órgão genital complementar ao seu – e exclui terminantemente práticas sexuais usando aparelho excretor ou roçação de aranhas. Isso até lembra o soneto Mal Secreto, do Raimundo Corrêa: “Se a cólera que espuma, a dor que mora n’alma” etc, falando sobre muita gente que ri mas que “guarda um atroz, recôndito inimigo, qual invisível chaga cancerosa”. Coisas desse Brasil em decomposição e desse mundo que perdeu as formas dadas por Deus e mergulha nas trevas. Mesmo assim, com essa hipocrisia imposta e tanto fingimento e falsidade grassando aqui e alhures, vemos alguns levantando vozes – mesmo que absurdas – contra  essa história, e disso aparecem manifestações até tendendo a alucinação. Enter.
Alá: “Um líder da polêmica Westboro Baptist Church disse que o tornado que devastou uma região do estado de Oklahoma (EUA) foi uma resposta de Deus ao apoio que Kevin Durant, jogador do Oklahoma City Thunder (NBA), manifestou ao companheiro de liga Jason Collins, do Washington Wizards, que recentemente assumiu ser gay. Segundo Phelps Jr., o apoio de Durant a Collins ‘enlouqueceu Deus e o fez esmagar Oklahoma’. Para ele, o tornado foi consequência da ‘maravilhosa ira’ divina. Esta não é a primeira vez que um religioso põe a culpa no casamento gay pela ocorrência de um fenômeno natural. Ano passado, o capelão John McTernan afirmou que o furacão Sandy, que arrasou a costa nordeste dos EUA, era uma manifestação divina contra a comunidade LGBT e o apoio do presidente Barack Obama ao casamento gay”. Que tal? Seja algo alucinado ou primitivismo maniqueísta, isso lembra Sodoma & Gomorra, meu. Neste caso “bíblico” ou sei lá que barato, haveria fundo de verdade ou seria só lenda pra arrebanhar trouxas para um catolicismo que pretendia infundir o temor a Deus como caminho para deter a tendência a promover a luxúria? Segundo a história ou a “História”, as duas cidades, totalmente entregues à prática da sodomia desenfreada, foram arrasadas por uma força do tipo “ira divina”, como disseram os pastores referindo-se às tragédias de Oklahoma e do setor yankee, sob o Sandy. Piração ou não, algo está agredindo algo. Não se pode negar que o movimento gay tem trazido séria inquietação a boa parte da Humanidade, e vê-se nessa rejeição um princípio que congloba conteúdos filosóficos, morais, religiosos e até mesmo estéticos. Neste último caso, temos uma visão natural do homem atraído pelas formas femininas e vice-versa. Assim, um pensamento coletivizado se opõe oculta mas concretamente a esse avanço gay que, contrariando as leis da Natureza e Deus, relativiza a união de homem e mulher, seres complementares e capazes de gerar vida. A união homossexual seria um amor que não gera frutos, o que em si coloca em xeque tal atração. E tem mais: os próprios homossexuais conscientes declaram que o homossexualismo é um recurso natural para deter a superpopulação que ameace qualquer comunidade. Enter.
Então, meu: fica dito assim. De minha parte, nada a declarar, senão que, se essa onda é rock, sou do samba. E que fiquem gays, pastores, furacões e tornados trocando bolachas e caneladas. Se isso vira notícia e acirra discussões, quem leva a grana é a imprensa, que está nas mãos dos globalizadores, e dessa eu tô fora. Fico na minha, porque sou do Cristo de corpo e alma, e é só. Mas tem um outro assunto... que entra nesse papo nosso através do Lobão, que cunhou a magnífica expressão “Peidei, mas não fui eu”. Ele mandou fazer uma camiseta preta com esses dizeres em branco no peito para comparecer a caráter à entrega dos prêmios Sharp aos melhores de não sei que lá. E fica muito claro que ele se referia a esse cafajeste undecápodo, esse monstro degenerador, verdadeiro javali abjeto, que dizia nada saber diante da explosão dos escândalos petistas lá pra 2006. E a pergunta é: por que entrar o peido nisso? Porque talvez ninguém goste de assumir que emitiu a sopradela, sempre criadora de reações de protesto e repulsa, como você pôde ver naquele comercial da Luftal. E já que estamos metidos nessas reflexões que aproximam a suposta ira divina sob o enfoque de pastores ao conteúdo de negação de autoria do peido, vamos a uma reflexão sobre esse fenômeno gerado no meio intestinal e que causa sempre algum impacto ao ganhar a atmosfera e que traz em si uma contradição inexplicável. Enter final.
Diverso do que muita gente possa “pensar”, peido não é palavra onomatopéica, embora a todos pareça uma imitação do ruído produzido pelas pétalas da florzinha quando da passagem do “arzinho”. Peido parece ser aquele “pêêêêi” produzido para aliviar as tripas de gases descartáveis. Mas não é. Vem do latim peditus, que significa ventosidade. Apreciou? Então seu fim de semana está garantido, meu. Você peidará pensando na Flor do Lácio, que deve emitir fragrância, não o tão popular futum. E a florzinha se sentirá engrandecida por saber que constantemente está emitindo latinórios, embora xexelentos. E, na solene situação de emissão de bombons – ou croquetões, toletões, morenaços, navegantes ou quejandos – a que todos nos dedicamos diariamente, havendo a participação dos arautos da coisa sólida, você provavelmente pensará: “É, talvez por isso a turma ande cagando no idioma...” E viva Santo Expedito! Oremos. Have a sexy weekend, babe!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O derradeiro adeus às esperanças






O sintoma que mais define o fim de qualquer coisa para nós cara é um decair de interesse por ela ou, de outra forma, o desinteresse repentino. Você vai constatando gradativamente que a coisa se estraga, e acaba que você não tem outra alternativa que não a de dar de ombros e virar as costas. Assim, vendo a nova cara do PT – ou a verdadeira, que era ocultada por uma proposta falsa, a pele de cordeiro no lombo do lobo –, eu me incompatibilizei com a linha do partido e depois o fui esquecendo por descartamento escatológico: merda não interessa. A menos que para adubar a terra, e olhe lá. Mas acontece que o Lobão, que você deve conhecer, lançou um livro aí. E ele mete o pau em todo mundo, parece que ninguém escapa da “metralhadora giratória” do cara. As aspas revelam não ser bem isso. Vi, até onde deu, uma entrevista desse roqueiro meio falastrão e confesso que o nível tende ao rasteiro. Gosto de coisas dele, admiro a musicalidade e tal, mas fico por aí. Meu estômago rejeitou o falatório, um Português vazio, uma visão superficial e até meio emocional de tudo. Mas o Reinaldo Azevedo comprou a briga pró-Lobão por detectar, lá com seus botões, um patrulhamento petralha sujo sobre o cara. Bem, o Lobão deixa claro que está tudo perdido, que não tem mais jeito. E vejo que nesse ponto concordamos. Enter.
Diz o Reinaldo: “Eu sei a patrulha de que fui alvo quando afirmei que Niemeyer era metade gênio (o arquiteto) e metade idiota (o comunista de butique). E olhem que alguns amigos meus protestaram. Há quem considere o arquiteto ainda pior do que o “pensador” porque preso a uma visão stalinista do homem, da cultura e da arquitetura. Parecia que eu tinha roubado o pirulito da boca de uma criança pobre…” Bem, o Niemeyer, como cansei de dizer aqui, só criou monstrengos, especialmente aquela Brasília insuportável, fria e irreal que acabou sendo a sede da maior quadrilha já conhecida na história “defte paíf”, como diz o safardana rei da petezada. “Lobão tem coragem de remar contra a maré vermelha, ao contrário da esquerda caviar, a turma radical chic descrita por Tom Wolfe, que vive em coberturas caríssimas, enxerga-se como moralmente superior e defende o que há de pior na Humanidade. No tempo de Wolfe eram os criminosos racistas dos Panteras Negras os alvos de elogios; hoje são os invasores do MST, os corruptos do PT ou ditadores sanguinários comunistas”. Pois é: remar contra a maré vermelha é banal; aliás, obrigatório, se considerado o nível de miséria intelectual e moral dessa corja desprezível. E vemos que Lobão, despreparado em quase tudo, até no falar, bota suas cartas na mesa sem medo, ao passo que Chico Buarque, um esquerdóide milionário – um dia eu descrevo aqui a casa dele no Jardim Botânico, Rio –, cala – e consente, então – sobre a explosão do descalabro petista, quando deveria vir a público manifestar sua desaprovação para com isso tudo. Mas não faz: fica por aí desfilando a “nova cara”, um maracujá de gaveta em que ainda brilham, desamparados e destoantes, aqueles olhos que causaram tantos suspiros nas malamadas de plantão – e um nariz que vai indo firme em direção a parecer uma berinjela (ou beringela, com g, como quiserem). A propósito, considerando a quase beringela nasal do menestrel das esquerdas tupiniquins, procurei a origem do termo e vi que não há registro dele no Houaiss. O nome científico, entretanto, é Solanum Melongena, e acredito que beringela derive do segundo nome, como carrot vem de Daucus Carota; letuce, de Lactuca Sativa; e arroz, de Oriza Sativa, só para dar alguns exemplos. Tem mais. Enter.
“Compare isso às letras de Chico Buarque, ícone dessa esquerda festiva, sempre enaltecendo os humildes: o pivete, a prostituta, os sem-terra. A retórica sensacionalista, a preocupação com a imagem perante o grande público, a sensação de pertencer ao seleto grupo da beautiful people são mais importantes, para essas pessoas, do que os resultados concretos de suas idéias”. Vá lá. Mas que o Chico é um talento de lei não há negar sem incorrer em grave distúrbio de obtusidade e miopia. O samba Pivete é admirável, poema imperdível, tanto quanto Apesar de Você figura entre os mais importantes sambas de todos os tempos, ao lado de Construção. Mas o pessoal não enxerga valores musicais NUNCA, isso é uma deficiência irremediável entre nós. Somos, os músicos, uma casta em extinção, pois a intervenção internacional conseguiu transformar um país musicalmente gigantesco num deserto sobre cujas areias soam emissões vocais obscenas de imbecis ganibundos liberando guais e melodias e palavras entre o miserável indescritível e o chulo asqueroso. Quanto à postura política do Chico, para mim é problema dele. Eu me garanto com a minha, e devo dizer que até me bate alguma pena desse cara – que tinha por hábito não pagar os músicos que o acompanhavam... Entendeu, ô meu? Então... Enter final.
Desisto de vez. Vejo uma turba de azumbizados entupindo ruas e lojas com suas vestes de espantalho, uma gentuça multitudinária zanzando pelas ruas mais perdida que charuto em boca de bêbado. Eles vagam pespontados por skates e “bicicretas”, tudo misturado como um novo caos obrigatório e para eles natural e até prazenteiro. O meio dos vermes é o pus. E não tem mais jeito. Se destruíram nossa música e nossa cultura, destruíram o Brasil. E as novas gerações, excluindo uma turminha que ainda evolui, mergulham nas trevas da miséria intelectual e moral. Lobão tenta alcançar isso, mas o livro dele – que não li, mas adivinho – é um monte de críticas pessoais a tudo que o desagrada. Não tenho tempo a perder com isso. E a entrevista dele ao Gentili mostra o nível de forma inegável: é rasteiro, emocional e egocêntrico. Ele não investe contra os valores que estão aí, apenas critica pessoas e condutas. Não dá. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!...

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Vamos “elaborar” o Grunês?







Estava no facebook, essa titica reunindo comunicação até evolutiva com intervenções da mais grosseira estupidez, neste segundo caso vindo a ser explicitação de ignorância e tacanhez em clima de festa e de “liberou geral”, e topei com uma fala. Não dá nem pra rir ao ver a queda livre em que está o idioma, a cada dia mais corrompido pela assunção da ignorância assemelhada a falta de higiene mental. A fala: “Filho é IGUAL PEIDO: a gente só tolera o nosso”. Quem escreveu essa merda mostra ter assumido ter merda na cabeça. A turma hoje, aliás, anda falando pelo rabo na maior cara dura... Ninguém mais se preocupa com a estética no falar, está aberta definitivamente a alta temporada de escrotofonia. Ou de proctofonia. Sim, o peido de que fala a mensagem é uma proctofonia, som emitido pelo aparelho excretor, só que neste caso temos associado à fonia anal os gases de odor mefítico, trazendo a putridez de dentro das tripas para a “degustação” por olfatos alheios. Não chega ao padrão da tetrametilenodiamina (C4H12N2), ou da putrescina (NH2(CH2)4NH2), mas tá bem perto... Bem, prossigamos: “Filho é igual A peido”, ameba! A preposição é um estorvo para esses anuros azumbizados... e assim chegaremos ao novo idioma, o Grunês, através de processo de mergulho radical no abismo da regressão social e humana. Ponto pro PT e pro Lula, reais arautos dessa tão absurda desgraça... que eles protagonizaram a mil! Enter.
Regras básicas do Grunês: altura, intensidade e sonoridade. E só. Meio de pronúncia: sons praticamente emitidos através de garganta, boca e nariz. Não são necessárias letras, palavras, verbos, acentos, nada disso, embora algum maluco logo vá tentar elaborar a gramática do Grunês. Mas vai acabar frustrado: uma das regras essenciais na base do Grunês é ser alterado ininterruptamente. Será a felicidade dos neotrogloditas brasileiros: um idioma que evolui involuindo. Nada de escrever, também: tudo serão sinais rudimentares, primitivos. Vai sobrar um resquício, uma vaga lembrança das letras, e os que prosseguirem usando o Português serão uma irrisória minoria especializada nisso como existem, hoje, os arqueologistas ou os especialistas em idiomas mortos ou extintos. O Grunês será, portanto um idioma morto-vivo, perfeitamente adequado à realidade atual, que mostra deambulando vida a fora como zumbis mais de 194,9 milhões de energúmenos, reais mortos-vivos. E tem outras facilidades a considerar no Grunês, e pulo pra outro parágrafo. Enter.
As criaturas que se deformam estupidamente no que empunham a caneta para escrever não sabem o que fazem. Aliás, como alguém que não sabe quem é vai poder saber o que quer? Mas é isso: observe a obscenidade que é o empunhar das canetas esferográficas, como cada mão de cada indivíduo é usada na forma a mais imprópria e deformadora para o ato de escrever... e a esferográfica trouxe essa deformidade, encerrando o ciclo da caneta-tinteiro, que exigia do usuário uma compostura... coisa que hoje perdeu qualquer significado! Compostura?? Ora, a turma do Grunês gosta mesmo é de expor o rego interglúteo quando se curva para frente para pegar algo... e assim vai se erigindo a nova arquitetura social brasileira. O negócio é “quadradinho” – sei lá o que é isso? – e leklek, Teló, Gustavo Limma ou tudo que represente a miséria moral e intelectual em que vamos nos atolando tragicamente, desenhando para um futuro próximo a total derrocada de instituições e significados sociais, pois já está entrando em cena o culto assumido ao horror social e à consagração da estupidez. E nisso vêm se empenhando os que ocupam o poder desde a derrocada da fase militar e a assunção desgraçante e maligna do monstro Sarney, sendo essa passagem da “retomada do poder civil”, incluindo nela a morte inexplicável do Tancredo, a maior incógnita política de nossa História. Você não viu isso, claro, e ficaria do mesmo tamanho se visse, como aconteceu com grande parte da população desse lugar social e politicamente amaldiçoado, o tão desventurado Brasil. Enter.
O Grunês será o idioma do caos social que já vivenciamos hoje, ao sabor de toda uma população transformada em turba ignara em curto prazo. Só não são seres regressivos nesta hoje horripilante Banânia uns poucos invasores europeus que puderam evoluir e uma parcela ínfima dos afrodescendentes, tanto quanto os índios nativos, que, a despeito do massacre sofrido ao longo de cinco séculos e que sem piedade quase os varreu totalmente deste solo, resistiram e aí estão na plenitude de sua cultura, seres ultraavançados que são. O resto, meu, já era, não passa de 194,9 milhões de deserdados de si mesmos e de tudo. Tudo virou caos: gente estúpida pelas ruas deambulando ao Deus dará, sem rumo, gado humano, pois. Gado humano ou lembrando seres que foram humanos um dia, gente dirigindo carros, adorando carros como ícones de consumo, gado humano deambulando bestamente por todo lado, todos parecem espectros de gente, gente sem objetivo, subgente perdida atrás de desejos sem consistência qualquer, e a comunicação tácita entre eles não passa de um grunhido indagativo: “Hm?”, respondido por outro, igual, indagativo também, ou por um grunhido afirmativo: “Hû”. E no Grunês haverá a necessidade de gestos manuais ou corporais em geral, como fazem os bichos. Isso desobrigará os bananianos quanto a aprender palavras, saber dessas coisas horrenda e loucamente instituídas que são substantivo, adjetivo, preposição, advérbio, verbo, essa merda toda que hoje está entrando no limbo do desuso e do esquecimento coletivo. “Hm?”. Enter final.
Desobrigue-se de tudo, meu. O caos é fato e está instalado irreversivelmente em sua vida. Esqueça tudo, regras, condutas, posturas, critérios, tudo! Hoje a lei é o nada, o negócio é o nada, todos vivendo o nada achando que é o tudo, cada um por si e o diabo por todos. Porque você hoje é soldado do Anticristo. E nem sabe disso, coitado... e vai por aí a fora levado pela filosofia do vácuo mental e espiritual, agarrado a desejos e matéria, a culto do corpo, da putaria desenfreada, da busca de prazeres estúpidos, aí está você. Eu, não. Estou com o Cristo e longe de tudo isso. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes! “Hû!”

sábado, 20 de abril de 2013

O penico já começa a transbordar e virar...




“Jamais se viu nefte paíf” tamanha desgraceira generalizada e escancarada. O Cachaceiro Çilva I, que não passa de um refinado bandido e que deveria, como seu antecessor e seus pares, estar a ferros – levando consigo o lindo pimpolho “Lulinha” e desarrolhando para sempre o bico de ar da mulher inflável, a anencéfala Marisa –, parece que agora vai ter que aturar a Justiça, aliás um poder-calhambeque, uma furreca das piores, que a duras penas ainda anda, desengonçada, pegando no tranco e vivendo uma condição de enguiço crônico. Mas é fatal acontecer o melhor, porque o pior já chegou ao fundo do inferno, não tem mais como piorar senão através de vermos os violentos efeitos colaterais da droga que se instilou entre os miseráveis “cidadãos brasileiros”. E uma das coisas que aparecem como inesperada marola é o Facebook, onde os imbecis se manifestam com seu idioma de amebas e seus “pensamentos” de frango de granja, os kkk e os rsrsrs da vida. Mas o Face é sortido, então rolam coisas produtivas politicamente, como abaixo-assinados pela expulsão do inseto – ou verme? – Renan Calheiros, aquele cafajeste pestilento, calhorda assumido, ou como a mobilização de repúdio ao Marco Feliciano, aquele protozoário que nada tem a ver com coisa nenhuma senão com entidades do atraso, das trevas. E o apoio a movimentos com reais propósitos renovadores, como aquele dado aos índios que se aproximam do poder desses monstros engravatados e começam a intervir na política. Os índios estão chegando, chamando os filhos da p* nas falas, e seria uma boa se começassem a declarar guerra aos bandidos que devastam o país que foi deles, estes nossos irmãos que nossos ancestrais europeus submeteram pretendendo, na verdade, exterminá-los. Seria bom apontarem flechas pros engravatados, dar-lhes bordunadas boas, descerem-lhes duramente o tacape, e aí começaria uma revolução santa, não as comandadas pelos Conquistadores do Mundo, seguidores fanáticos de um certo T.H. e de outros enviados de Baphomet, o demônio da inversão de valores que hoje controla os rumos da Humanidade. Nossos irmãos aborígenes estão nos ensinando a ser gente, meu. Quer ver só? Então... vamos lá. Enter.
“Centenas de índios invadiram o Plenário da Câmara dos Deputados no início da noite desta terça-feira para protestar contra a criação de uma comissão especial sobre terras indígenas. No momento da invasão, os parlamentares votavam a medida provisória 602. Alguns deputados saíram correndo do Plenário”. Alá: http://goo.gl/UwkXs. A matéria é escrita com cocô, a redação é de debilóide, mas pelo menos é uma notícia, já que os jornalões estão preocupados com a bomba em Boston, com o que o Obama acha, com o que os ingleses pensam da finada Thatcher, com difamar os chavistas, com o que a Rhianna – que merda significará esse “nome”? – e com tudo que não diga respeito a melhorar a vida “defte paíf”. Todo o Brasil precisava tomar conhecimento disso através de manchetes, isso é uma ocorrência de incomensurável importância, um fato histórico sem precedentes, e os jornalões simplesmente omitem com a mesma cara de pau com que os bandidos engravatados tocam seus negócios pra lá de escusos naquele antro denominado “Congresso” e levam o País à bancarrota da mesma forma que emitem flatos: sonora e fetidamente. A invasão do Congresso pelos índios, em quase igual número ao dos “parlamentares”, sevandijas cínicos, provocou debandada, pareciam maricas de puteiro fugindo da chegada da ira santa divina. E é bom que isso pegue, que a macacada resolva entender que tem que invadir o antro, ar, que tem que peitar essa farra diabólica em que se transformou a ação dos responsáveis pelo poder. Dilminha ex-guerrilheira, com aquela carinha de Mônica do Maurício, nada diz, nada quer ver, nada quer fazer, embora nos livre das bostejadas verbais do Cachaceiro Çilva I e, por outro lado, nos prive das gargalhadas que falas daquele beldroegas rastejante nos provocavam. Enter.
A realidade brasileira hoje é a miséria em todos os sentidos. A começar pela miséria moral de mídia e imprensa, uma cortina de fumaça para manter a macacada brasilis entorpecida e desarticulada. Que estado miserável de coisas! Pois o imbecil Bonner, que agora se separou da outra imbecil, a Fátima, não teria como encaixar naquela cara de bunda a expressão patriótica obrigatória a qualquer âncora ao noticiar um fato sem precedentes em nossa História e que um circo opiáceo como aquele “jornal nacional” não comportaria. Até o nome do noticiário é falso: não é jornal nem muito menos nacional. Trata-se do boletim diário dos donos do poder aqui dentro e no Exterior, e tem função multinacional, ou seja, existe para explorar ou ajudar a explorar o País. Imagino o que deve passar pelo bestunto daquele testinha de caixa de fósforos vendo os índios começando a rugir em defesa do que é deles. E você sabe o que é verdadeiramente deles? Sabe? Pois eu digo. Enter final.
O Brasil. O Brasil não é do invasor europeu, é dos índios. Toda a colonização não passou de um vírus que veio destruir essas divinas terras e adoráveis gentes. Se você se lembra da História do Brasil que chegamos a estudar, há de localizar a questão de a busca do caminho marítimo para as Índias ter sido motivada por interesses puramente mercantis que beneficiariam somente coroas montadas sobre o poder católico ou que estariam sob o tacão dos eternos crucificadores, não os que executaram ordens no Gólgota, mas os que condenaram em seu tribunal Jesus de Nazaré, o Cristo encarnado. Não foi diferente o que fizeram os espanhóis no México e no Peru e Bolívia, o fato é que chegava a turma das Oropa e massacrava civilizações admiravelmente avançadas em tudo. Mas agora a coisa por aqui mudou. A invasão do Congresso, fato auspicioso, não caberia na boca daquele asinino Bonner, nem Dona Dilma poderia ir a cadeia nacional para mostrar a posição do “governo” frente a tal maravilha: ela está no topo da pirâmide da desgraça que assola o País. Ela É isso também, como seu antecessor e instrutor. Borduna e flechada em todos, portanto, irmãos aborígenes! E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!  

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O Brasil acabou, meu!




E você nem aí, né, meu? Você corre um certo risco se encarar ler o que vem a seguir, especialmente porque isso o atinge em cheio, e naturalmente você tentará fugir da verdade pra adiar a consumação da tragédia que nos espera. Você lembra do tsunami no Japão? Faz uns dois anos, e os caras se reorganizaram como gente, dividindo a tragédia sem pânico e sem a avidez dos desgraçados como nós. Se tinha comida, faziam fila organizada, não a horda de loucos desesperados se matando pra ganhar o seu passando por cima dos outros. Se faltava alimento, todos se organizavam para que todos se beneficiassem do que pudessem receber igualmente. Isso é gente. Imagine se rola um tsunami no Brasil... Pois é. Então, só nisso você vê quem nós somos. E o que nos espera em qualquer hora adversa... mas hoje o assunto é o Brasil que acabou. E você trabalhou bem nesse sentido, não é mesmo? Ou você vem resistindo como os heróis anônimos soterrados pela massa de merda grossa que a mídia despeja diariamente? Ou vem peitando o desgoverno generalizado que vai plasmando um povo que vai se assumindo louco? Mão na consciência, meu! Enter.
Saio pra rua e a primeira coisa que vejo é uma maluca de mangueira na mão “aguando passeio”. Essa, seguramente, não goza. E compensa seu complexo de castração – o complexo de não ter um pinto mas uma perereca – manuseando seu falo imaginário em abundante sessão de mijada e ejaculação. Meia hora de função diária de desperdício de água tratada é o que essas dementes praticam desafiando todos os seus semelhantes, já que a água não é propriedade exclusiva dessa mentecapta, mas da Humanidade. Pois piores que essa doida são seus patrões, que não acompanham o trabalho dessa semiescrava desmiolada e que na verdade vivem só pra satisfazer seus desejos de classe média emergente e defecam e deambulam pra qualquer coisa fora disso. Acresça-se a estas cenas a presença crescente de cães de rua, às vezes engatados depois da cópula, às vezes atacando em bando quando, “cortejando” a fêmea no cio, estranham alguém que venha andando pela rua. Assim se constrói um belo cenário para um começo de um dia brasileiro. Enter.
Se você abre os jornais, só vê caganifâncias combinadas a tragédias. Estas, quando estão ganhando o interesse público de momento: tragédia vende pra cacete. Mas toma só dez por cento da primeira página. O resto, só merda grossa: Lady Gaga, Madonna, Ronaldo Peidômeno, Ivete Sangalo, Luciano Hulk, BBB, A Fazenda, Neymar, técnicos no entra e sai desse futebol que já virou futebosta faz tempo. E mais: disputas no tênis, carrões, “restorantes” chiques com pratos lindos, decoração de apês, cachorro que visita dono doente porque o hospital abriu o precedente; alguma notícia bem filtrada sobre os ladrões de gravata condenados e que jamais vão em cana; um juiz dizendo algo que não muda nada; constatação de desvio de milhões das verbas para hospitais públicos; notícia fria sobre alguma medida sem conseqüência tomada pelo “governo”; nota sobre o começo do julgamento de um crime praticado há mais de cinco anos; fotos combinadas dos novos estádios e de engarrafamentos, inundações, desabamentos, desastres nas estradas esburacadas... e eis você... do mesmo tamanho? Não: a cada dia você fica menor. Enter.
Os que trabalham para desativar o Brasil venceram de goleada. Não há mais instituições operantes, ingressamos na era do “salve-se quem puder”. Não há mais como controlar trânsito, por exemplo. Realizado o jogo de vender carro até pra gato e cachorro, as ruas que se danem, o tráfego que se fornique, você que se arrebente. Especialmente porque escravizado, agora que está motorizado, ao ônus que um veículo individual traz. Começa pelo IPVA e pelo combustível. Vá você pro inferno, porque as multinacionais já drenaram para suas matrizes nosso rico dinheirinho. Vá também o Brasil pra casa do cacete, porque desde o século XVII já ouvíamos os invasores dizerem que “o que nos interessa é a exploração lucrativa desta terra, não trabalhar por seu desenvolvimento em qualquer direção”. Isso foi a justificativa que deram para levar para a Holanda de volta o príncipe Maurício de Nassau, que começava a se encantar com nossa linda Pindorama e com a bondade que havia no ar daqui naqueles tempos, desde que esquecidas as muriçocas, os ratos e as baratas, sem contar piolhos, carrapatos, pulgas e quejandos, claro. Enter.
Agora tem o beijo gay do ator Bruno Gagliasso “bombando na internet”. Falaram que a bombada anterior foi da Fernanda Montenegro... e eu não sabia que ela gostava... Está tudo perdido, meu. Não há mais como reorganizar, como reformar, como revolucionar. Especialmente no país que manifesta a maior crueldade para com seu povo, mais ainda considerando que a situação aqui é de tal forma crítica e conflitada que o próprio povo se tornou perverso consigo, exibindo uma descomunal parcela da população transformada em verdadeiro exército do crime e lidando patologicamente com a situação desgraçada em que se encontra. Fatalismo, conformismo, desespero, e todos se empanturrando de TV e futebol. Todos ansiando por ter carro. Todos submissos à completa miséria imposta à nossa canção popular e a nosso patrimônio musical. Os monstrinhos sem cérebro que pululam ganindo diante de legiões de milhões de energúmenos ocuparam o lugar que já coube a Tom Jobim e João Gilberto, que encantaram o mundo com sua maravilha sonora. Agora vivemos sob duplas que proliferam estupidamente como coelhos e a uma fauna canora que deveria estar cantando para satanás no inferno, esses que vivem despejando canções deletérias quando não vis, torpes, miseráveis. E a classe mérdia calada... Enter final.
Você aposta na prisão dos mensaleiros condenados? Por que o poder judiciário não age? A que poder cabe encarcerar esses canalhas? Ao povo via internet? Que utopia!... Conta outra! E fique certo: o “governo” está protegendo os corruptos e refém da corrupção. E nós? Forniquemo-nos? E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!

sexta-feira, 15 de março de 2013



Música e cultura

Frederico Mendonça de Oliveira

Você pode até não acreditar, mas a cultura no Brasil foi exterminada sob uma estratégia planejada por um esquema internacional, e isso foi posto em prática acionando-se um conjunto de fatores trabalhados ardilosa e criminosamente diante de nossas barbas – usando a canção. A destruição mesmo começou em 1965, ano fatídico em que entrou no ar a Rede Globo. Não estou difamando a Globo através do que tenho revelado sobre isso, apenas tenho cumprido o dever de alertar os alertáveis. A Globo encaminhou com absoluta firmeza o desmantelamento de nossa cultura desde 1965. Poucos pensam nisso, a maioria simplesmente ignora e despreza: o entretenimento é o caminho mais curto e fatal para o fim da identidade do homem. E a Globo impõe isso de forma arrasadora, e para tanto contribui simplesmente TODA a população brasileira, de forma inexplicável, como num suicídio coletivo. Digo Globo como diria TV aberta, o conjunto que ela lidera sem competidores. E, se houver competição, é algo nivelado sempre por baixo. Podemos dizer que TV que desvirtua é Globo. O resto imita, vai atrás, dá no mesmo. Mas, para dominar, é fundamental emburrecer, e isso começa oferecendo ao público o caminho mais fácil, e cada dia mais fácil ainda. Ninguém resiste ao ópio global, senão uma meia dúzia de apocalípticos... Enter.
Você está vendo: não se edita mais nada no Brasil. Só livros contingenciados. Quando a Globo entrou no ar, em 1965, tínhamos em franca atividade poetas magníficos: Carlos Drummond, João Cabral, Manuel Bandeira, Cassiano Ricardo, Mário Quintana e Cecília Meireles, que morreu em 1964 mas cuja obra ainda repercutiu como se ela estivesse viva. De prosadores tínhamos João Guimarães Rosa, Dalton Trevisan, Campos de Carvalho, Mário Palmério, José Cândido de Carvalho, Clarice Lispector, entre dezenas de mestres. Que país tinha tal seleção de homens de Letras? Na música perdêramos Villa Lobos em 1959, um ano depois da estréia da Bossa Nova. E estavam em plena atividade Tom Jobim, João Gilberto, Eumir Deodato, Luís Eça, Durval Ferreira, Maurício Einhorn, Dori Caymmi, João Donato, Radamés Gnatalli, tínhamos instrumentistas acontecendo mundo a fora a dar com pau. Nossa pintura contava ainda com gente como Portinari, que morreu em 1962 mas cuja obra permaneceu vibrando até onde se pôde manter; tinha Di Cavalcanti, Djanira, Manabu Mabe, Ismael Nery, Ivan Serpa, Tomie Otake, Volpi, Guignard, Ligia Clark, Amilcar de Castro, nomes de uma imansa plêiade admirável de poetas da forma e da luz. E ainda tínhamos um cinema revelando gente como Gláuber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, ganhando prêmios nos mais importantes festivais de cinema do mundo. E o teatro ia também muito bem, obrigados. E junto com a Bossa Nova, em 1958, ganhamos a Copa do Mundo da Suécia. É mole? E isso tudo deu em quê? Hem?? Hem?? Enter.
Deu em Michel Teló, em Lek lek, em BBB, em Bonde do Tigrão, em É o Tchan, em louro josé, em Faustão, em Luciano Hulk, isso e tantas outras incontáveis manifestações regressivas, patogênicas ou simplesmente abomináveis de degenerescência da mente coletiva brasileira. Você pode achar tudo absolutamente normal, dizer que é isso mesmo a realidade, mas o diabo é que isso não é nada, é apenas um retrocesso imposto. E quem impõe isso tem um objetivo claro para si e oculto para nós, que mordemos a isca bestamente. Certo manual afirma que a maior arma para a ação dos que almejam o domínio sobre a Humanidade é a camuflagem. Uma célula cancerosa que se assemelhe às células normais é a pior ameaça ao corpo, simplesmente por não ser detectável. Os inimigos que estão entre nós são assim: parecem seres comuns e inofensivos, são aparentemente pacíficos, gentis, têm maneiras contidas... mas nos odeiam e querem nos submeter a qualquer custo pondo em prática um esquema político estupidificante e trabalhando ardentemente seu esquema de domínio total. Eles estão não só envolvidos em tudo: na verdade, ocupam simplesmente a quase totalidade dos postos chave no Brasil. E assim nossa cultura e nossa arte foram postergadas “dando lugar” ao que está aí. Conseguiram inclusive criar um neoboçal que é o padrão da “juventude” atual: tipos assemelhados a espantalhos são a imagem dominante entre adolescentes. O boné é o paradigma desses desmiolados. Quem usa boné desativa o cérebro e aciona o “submisso rebelde”, genial criação do inimigo dominador infiltrado, e esses objetos do sistema parece que negam qualquer autoridade e/ou hierarquia, posam de desobedientes sem causa, mas apenas se entregam a uma anarquia oca, inócua. Que tipo de fundo musical ou arte pode representar, expressar esse “conjunto social”? Rap, música de oligofrênicos, aquilo que os carros dos “desobedientes” passam tocando em volume ensurdecedor e que pretendem, como divertimento, disparar alarmes de outros carros com o deslocamento de ar que os graves produzem. Ou seja: coisa de mentes tacanhas, deformadas, condição que esses seres consideram sua real supremacia sobre o conjunto social que “integram”. Eles se acham acima do resto. Eis aí a grande contribuição do sistema através de quase meio século de emburrecimento. Essa juventude vai emular que tipo de avanço? Enter.
Tá bom. Que tipo de contribuição um tipo como Luciano Huck pode dar ao Brasil? Nenhuma, acredito: ele não vive no Brasil senão geograficamente. O mesmo podemos dizer sobre todos os famosos, essa récua de iletrados e descerebrados que vivem “acontecendo” em espaços escusos da mídia, espaços estes que ocupam a quase totalidade das primeiras páginas de publicações misturando alhos com bugalhos, de forma a fazer parecer que tudo é ocasional e passageiro, que não existe uma concretude no país, na comunidade, que não temos real liderança política, estabelecendo a “lei do vazio social”, a partir da qual o Brasil é apenas um lugar. Isso começou quando a Globo assumiu o comando das ‘”comunicações”, beneficiada pelo Império – o grupo Marinho tem vínculo direto com o grupo Time-Life, potência de imprensa com sede no Rockfeller Center, NY. O difícil é entender como uma emissora de TV ganhou, desde sua entrada no ar, o poder que ganhou. Estratégia de programação? Claro, seguramente. Melhor equipamento? Claro, sem dúvida. Melhor cast? Claro, e isso tem uma razão especial. E isso pede um enter. Enter.
É que a partir da prática já consagrada de telenovelas como O Direito de Nascer e seus resultados sobre a mente coletiva brasileira, e porque o teatro iria ter restrições de espaço maiores com a chegada da nova emissora, a telenovela passou a grande objetivo de horário nobre, tanto pela alienação que proporcionava em benefício do sossego do poder constituído, então já militarizado, como pelo incremento comercial que traria retorno pesado, enchendo as burras da empresa... e eis diante do Brasil um novo aparelho montado para trabalhar pelo fim definitivo da identidade nacional. Com a adesão do público televisivo, todos caindo nos braços da nova paixão, o brasileiro perdeu sua identidade e se desfiliou de sua relação com a pátria. O que é pátria hoje? Essa “juventude” de boné saberá dizer qualquer coisa sobre qualquer coisa? Você mesmo, que pode ter uma formação melhor um pouco, talvez hesite caso lhe perguntem como você entende o Brasil e o que é pátria... simplesmente porque são valores COMPLETAMENTE VARRIDOS DE NOSSAS VIDAS, para que fiquem em cena diariamente mastodontes mentais com sorrisos perfeitos e mentes vazias, sem contar que os espíritos que os habitam possam ser os de salteadores ou cafres de outrora. E se a pátria não existe no íntimo dos brasileiros, ela não existe como fato. A pátria é um sentimento somado. E a macacada que pisa o solo brasileiro hoje, que nem brasileiro mais vem a ser, tal a descaracterização de todos os nossos conteúdos e instituições, não tem idéia de mais nada a não ser de saciar desejos imediatos, ter e consumir. Consumir, inclusive, e crescentemente, drogas, vide o crescimento do consumo de crack. A desgraça é tal que possibilitou que uma quadrilha de bandidos esteja no comando do que se chamou de país e hoje é apenas lugar amaldiçoado. Pois quer saber de uma coisa que escapa a simplesmente todo mundo? Prossiga lendo. Enter final.
A música, reduzida às mais regressivas e patogênicas formas, é um sintoma de nosso fim, do fim do caminho que percorríamos com esperança de chegar a melhores condições como país e como comunidade humana. Um país que cultua o que há de mais abjeto, hediondo e desgraçante sonoramente não pode encontrar nada para seu destino que não o inferno social. Vemos crescer assustadoramente o número de veículos propagando som em alturas infernais, e o que toca nesses vetores do mal? Claro, não seria Villa Lobos ou Tom Jobim... Toca o que há de mais bastardo e miserável, sonoridades demoníacas em volume ensurdecedor. Esses energúmenos trafegam emitindo essa monstruosidade como quem espalha o câncer com prazer. Eles se odeiam, odeiam o mundo, mas não entendem isso direito. Então só fazem retransmitir sua miséria íntima de forma a fazer com que pareça ao mundo que existem, porque eles mesmos se impõem esse horror sonoro como que para se convencerem de estar vivos e de propalar isso. Mas está aí a metáfora do horror: isso rima com a corrupção desenfreada que nos devasta. Se você puser Mozart no som do carro e sair tocando isso por aí é capaz de sofrer até apedrejamento. É como disse Kon Fu Tsé, vulgarmente conhecido aqui pela alcunha de Confúcio: Se deseja saber se o governo de um país é bom, verifique a música desse país e terá a resposta. Já fomos o país de VillaLobos e Tom Jobim. Hoje, somos do Teló. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!