quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Poucas e boas na Pindorama e alhures

Frederico Mendonça de Oliveira

Manoel prossegue assoberbado com pesquisas que logo serão reveladas aqui, e a nós cabe assumir a coluna até que volte nosso herói de seu mergulho a profundezas científicas. Pois a nós não falta o que detonar, e já começamos estas “mal traçadas” (bem traçadinhas, cá pra nós, que ninguém nos ouça: mal traçadas são as porcarias que se publicam na imprensa do Império e nos jornalões da Pindorama...) trazendo à luz uma sujeira bem ao estilo da política degenerada deste lugar que ainda chamamos de Brasil. Pois é: nem subiu Dilma Roussef a famigerada rampa do Planalto e já se publica na imprensa amestrada escândalo envolvendo um futuro ministro, convidado para titular da pasta do Turismo, de nome desconhecido de todos nós, mas muito conhecido do monarca maranhense José Sarney. Seguramente terá vindo daí a indicação... A notícia saiu no Estadão, tradicional jornal brazuca paulistano censurado há 511 dias justamente por denunciar maracutaias da família que explora o estado de Gonçalves Dias: “O peemedebista Pedro Novais (MA), que integrará o governo Dilma, gastou R$ 2.156,00 no Motel Caribe, em São Luís; a nota fiscal foi anexada à prestação de contas de junho para justificar o uso de verbas destinadas à atividade parlamentar”. Bem, eles dizem que festa em motel é atividade parlamentar... e durma-se com um barulho desses... Enter.
E a patuscada já se consolida como tira-gosto do que virá sob Madame Dilma, ai de nós e do país-lugar em que nos vemos atolados. Vejam só a gracinha: “O futuro ministro do Turismo no governo de Dilma Rousseff pediu à Câmara dos Deputados o ressarcimento por despesas em um motel de São Luís (MA). Indicado pelo comando do PMDB e aliado de José Sarney, o deputado Pedro Novais (PMDB-MA) apresentou uma nota fiscal de R$ 2.156,00 do Motel Caribe na prestação de contas da verba indenizatória de junho”. O distinto parlamentar agora ministro orça pelos 80 anos. Puta merda, haja viagra, ou prótese! Ou que diabo de festa é essa que parece ter durado um tempão, talvez dias? Se a suíte mais cara, batizada de “Bahamas” – com piscina, ducha, sauna etc –, foi o cenário da esbórnia, como ficou sabido na reportagem do Estado, e se seu custo por 24 horas é de aproximadamente R$ 392, e se a despesa a ser ressarcida com – nosso – dinheiro público foi de R$ 2156, a festa teria durado cinco dias e meio!... a menos que nosso garanhão – ou seria apenas um generoso anfitrião sexual chegado a voyeurismo? – turístico incluísse também na frascarice os gastos de praxe, champanhe, uísque e tal (e o e tal seria o mais caro). E, segundo já apurado pela imprensa e por este blog, a festa reunia 15 casais... o que levou um tuiteiro a comentar que seria servido cardápio tendo surubim como pièce de résistence, hehehe... Enter.
Na coluna do Cláudio Humberto saiu esta perolita: “Ministro assustado: o futuro ministro Pedro Novais (Turismo) saía ontem de seu gabinete no anexo 4 da Câmara, e jornalistas o interpelaram sobre uma festa. Reagiu assustado: ‘Festa? Que festa?’ e sumiu no elevador privativo”. Eis aí nossa pátria amada idolatrada salve salve. O distinto mensalmente ganha, como “verba de apoio”, fora o salário, simplesmente R$ 32 mil, LIVREZINHOS DE DENTES E GARRAS DO LEÃO!!! E ele quer ressarcimento de uma festa de arromba num motel??? Ou seja, quer que paguemos a suruba, ops!, a confraternização??? Ora, ministro, está muito certo o comentário em uma notícia no Estadão, em que sua atividade terá um acréscimo descritivo: ministro do Turismo Sexual!... Haja libido e potência, hem, Sua Excelência!!!..., porque libido e potência monetária não lhe faltam, e essa força toda é tirada do suor dos brasileiros que batalham pra comer e pagar as próprias contas e mais as festanças do nobre ministro!!!... E lá vem a desculpa esfarrapada: “Depois de confirmar a festa, na reportagem do Estadão, e admitir que errou ao cobrar a despesa da Câmara, Novais vai divulgar nota, na tarde desta quarta-feira, negando tudo, e culpando um assessor”. Assessor, aliás, que deve ganhar – muito bem, muito bem, claro! – pra isso: pra segurar as consequências de qualquer rabo de foguete... Enter.
A foto que aparece do fuzarqueiro é eloquente, fala mais que dez mil palavras: olhando assustado, olhos arregalados, as pelancas do pescoço bem visíveis, cara de cachorro caído de mudança ou que quebrou o prato... mas as “imunidades” estão aí para justamente defender Sua Excelência da sanha justiceira desses invejosos que não fazem outra coisa que tentar alimentar escândalos de coisas tão triviais como festinhas de autoridades... E essa carantonha de picareta flagrado com a boca na botija deve estar entrando em cadeia nacional por esse país-lugar, porque os parlamentares congêneres de nosso herói sexual, ops!, turístico, sevandijas que votaram seu aumento de salários para outro patamar ainda mais astronômico se comparado com o dinheirão que já ganhavam, devem sentir algum tipo de frisson na coluna quando consideram que um dia o ódio de classe dos impiedosamente explorados/excluídos possa vir a se materializar em linchamento mesmo, não linchamento moral – porque esses sudras nada sabem a respeito de moral... Cá pra nós (one more time), não é possível que esses pelintras não tenham algum medo, porque, não resta dúvida, têm o chamado orifício anal, e reza o ditado: “Quem tem c(X) tem medo!”... Enter final.
Bem, mudando de assunto, lá está o Vaticano às voltas com as vítimas do Holocausto. E Pio XII, morto em 1958, está de novo na berlinda por ter sido ministro do Vaticano em Berlim antes da II Guerra. Acusam-no de não ter denunciado o holocausto judeu. Será que esse assunto vai varar o terceiro milênio? Cacete, é duro viver topando com essa discussão amplificada por uma jeremiada que não acaba! O fato é que o Vaticano teria, segundo os integrantes de uma associação, a Força Tarefa para Cooperação Internacional na Educação, Lembrança e Pesquisa do Holocausto (ITF), desistido de assinar um acordo para passar a integrar essa coisa, sustentam diplomatas americanos conforme documento vazado pelo WikiLeaks. “De acordo com reportagem do jornal britânico "Guardian", a número dois da embaixada dos EUA no Vaticano, Julieta Valls Noyes, afirmou que a Santa Sé voltou atrás em relação a um acordo prévio, por escrito, que o tornaria observador na organização”. E nós vemos que não haverá jamais qualquer possibilidade de paz no planeta enquanto não acabar a Segunda Guerra, que é mantida viva por outros meios que não o combate aberto. Hitler terá morrido em 1945, Stálin, Churchill e Roosevelt, sem contar Truman, já comem capim pela raiz há décadas, Mussolini foi pendurado com sua Clara Petacci de cabeça pra baixo, todo o alto comando alemão foi enforcado, e a Segunda Guerra não acaba nunca??? Pô, gente, muda o disco!!! E viva Santo Expedito! Oremus. Bye, babes.
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 960 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 511 dias também sob mordaça...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Hienas, papagaios e mixórdia na mídia

Frederico Mendonça de Oliveira

Manoel continua atolado de pesquisas, e cumprimos nossa tarefa de cobrir com artigos-tampão essa pedida de tempo solicitada por nosso herói. E para tanto fazemos o de sempre: uma varredura nas primeiras páginas dos jornalões em busca de algo que mereça nossa atenção e empenho.
Confessamos que anda difícil. Desde o fim da Tribuna da Imprensa e o fim de publicações ainda um pouco sérias na área dos jornalões, ler coisa válida e artigos de gente lúcida vem sendo praticamente impossível. E como não vivemos atrás de blogs, embora esta vá se impor como única saída dentro de pouco tempo, ainda varremos as boçais e/ou escrotas primeiras páginas das folhas da vida, boletins descarados dos que mantêm sob torniquete este planetinha em convulsão. Este intróito pode até feder a nariz-de-cera, mas fede é mais ainda: já vem logo mostrando as carantonhas ensebadas e catinguentas de maquiagem – à la Berlusconi – dos Civita, dos Bloch, dos Marinho, desses que fazem da imprensa um meio de enriquecer às custas de bestializar e boçalizar a macacada o mais que puderem. E o assunto que escapou hoje da triagem do Império é a nova lei que Chávez submete hoje ao Congresso venezuelano, e isso aparece, claro, sob o dedo invisível do Império, dedo que aponta autoritariamente para a necessária senão imperiosa tarefa macabra de demonização do líder bolivariano. Isto para que Tio Sam, aquele monstro abjeto, reine sossegado sobre todos nós, especialmente mantendo aquela cartola sinistra, aquele dedo voltado para nossos narizes e aquele sorriso infernal. “We want you!”, diz aquele depravado yankee, sob quem toda a Humanidade hoje padece, e gente como Chávez deve ser eliminada do mapa, simplesmente porque, como Ahmadinejad, Kadhafi e outros seres refratários a submissão, o líder venezuelano se nega a se curvar ao Império e com isso mostrar a bunda aos seus patrícios. Enter.
“O departamento de Estado americano criticou na quarta-feira, 15, a tentativa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de aprovar uma lei que lhe permite governar por decreto por 12 meses. O venezuelano respondeu com críticas à ‘arrogância do Império’. A Lei Habilitante será votada hoje em segundo turno pela Assembleia Nacional, de ampla maioria chavista”, diz a cabeça da notícia no Estadão. Bem, que o departamento de Estado americano critique o que lhe desagrada, problema deles. Quem é o departamento de Estado naquela pocilga de país onde impera o materialismo desenfreado e onde os ícones culturais são a Coca-Cola, o Jeans, o automóvel e o hambúrguer? Que vá à merda esse departamento com seus babaquaras engravatados obedientes a poderes ocultos que eles mal sonham existir - ou de que são agentes na caradura! Bem, Chávez não hesita em mandá-los à merda de barquinho, respondendo na lata dos gringos com um belo desaforo sem cerimônia. É como aquilo de a Carla Bruni, que dizem ter sido garota de programa antes se deitar com o presidente francês e que já apareceu nua na coluna social da Folha tapando com os braços e a mão os mamilos e o pelame – será que tem? – pubiano, atacar de militante em defesa da iraniana condenada pela lei e pela tradição religiosa do Irã. A resposta de Ahmadinejad foi clara: “Não damos ouvidos a prostitutas”, coisa assim. O que gente como la Bruni e outros estropícios a quem ela se curva querem é que a mulherada árabe vire esse tipo de coisa que pulula no Ocidente: uma legião de mulheres coisificadas, desfrutáveis, sem parâmetros morais, objetos assumidos de prazer, objetos vestidos – mal ou sumariamente, quase sempre – se entregando sem pestanejar para qualquer bunda-suja que lhe fizer qualquer corte (ô) “pra ver que bicho dá”, e, se vier a gravidez, bem, tem bolsa disso e daquilo e ainda a possibilidade de meter um advogado no idiota para quem ela deu para saciar o cio de ignorante sem miolos dentro da cachola. Enter.
“A oposição venezuelana acusa Chávez de tentar aprovar a lei às pressas para se sobrepor à nova legislatura, que toma posse em janeiro, na qual o Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV) perderá a maioria qualificada de dois terços”. Bem, a nova legislatura é resultado de investimento pesado norte-americano infiltrando insatisfação em setores atrasados da população, sobre os quais se opera um tipo de populismo assistencialista para compra eleitoral - leia-se, em outras palavras, intervenção em assuntos internos venezuelanos. A oscilação de opinião pode ser resultado de muitos fatores, mas um dos mais eficazes é a velha e depravada compra de votos. E a vida econômica na Venezuela não é nenhum paraíso. Então os agentes do Império infiltrados no país podem agir com alguma certeza de sucesso fazendo uso do que aqui, nesta maravilha de cloaca em que nos fazem chafurdar, é tradição de mais de século para eleger os montes de pulhas que vemos ocupar cadeiras no Congresso desde que Deodoro e Floriano foram sucedidos por civis. Até aí, tudo certo, ou erradíssimo, mas não é o que nos interessa. O que vale registro, por exemplo, é a opinião emitida por leitores, em sua maioria uns equinos, que não se vexam de exprimir asneiras como a que se segue: “Gostaria de ver o chavez como mussulini, de ponta cabeça”. Quem assina esse primor de psicopatologia é um certo – ou incertíssimo – Caetano Santos. Primeiro, não é chavez nem mussulini, é Chávez e Mussolini; segundo, esse psicopata não tem a menor idéia do que sua boca bosteja: simplesmente porque ele nem suspeita de quem terá praticado uma das mais horrendas manifestações de monstruosidade como o que foi feito contra um líder nacionalista. E essa besta não fareja um grãozinho que seja da podridão que ele proferiu: Mussolini não é acusado de massacres, a ele não se imputam crimes de guerra, nada. Por que matar e pendurar de cabeça pra baixo um líder que integrou uma aliança nacionalista internacional e só fez mobilizar a Itália para uma ideologia como outra qualquer? Esse suposto Caetano Santos parece um ser doentio com fantasia de genocídio em seu espírito infernizado. Simplesmente porque NÃO SE TRATA DISSO o caso de Chávez nem tem sentido a execução monstruosa de Mussolini – nome que o maluquete nem sabe escrever... Mas é isso que o Império quer: imbecis votando contra Chávez, imbecis defendendo a intervenção internacional anti nacionalista, bocós palrando como papagaios imitadores o que a mídia do Império defeca nas populações destas américas latrinas... Enter final.
Bem, Chávez, que não é um Tiririca nem um Jáder Barbalho, dispara sem contar até dois: “Em resposta às críticas dos EUA, Chávez acusou Washington de tramar um complô para desacreditá-lo. ‘Temos que nos proteger da arrogância imperial’, disse. Eles repetem o discurso da ultradireita e de seus lacaios daqui’”. Ora, encerramos com uma colocação inequívoca: se os que acusam Chávez de ditador são os mesmos que massacram o povo palestino, submetem o Afeganistão e o Iraque, intervêm em qualquer estrutura social que não se dobre a eles, que valor terá o que esses seres opinem a respeito do quê? Vão comer hambúrgueres e beber cocacola, seus loucos sanguissedentos! E saibam que os que pensam não duvidam de que de vocês só pode vir monstruosidade e destruição... E viva Santo Expedito! Oremos. Té pra semana, babes!
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 953 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 504 dias também sob mordaça...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Manoel pede um tempo por uns tempos

Frederico Mendonça de Oliveira

Envolvido com estudos copiosos e de grande dificuldade de incorporação pelo volume e profundidade de conteúdo, Manoel pede um tempo por uns tempos e passa a nós o espaço semanal para troca de idéias e informações. E assumimos o trampo e o tranco de cara, sem pestanejar. Logo abordamos os fatos mais malucos do momento, fatos que não interessam à mídia do Império, ou os que interessam justamente para serem alvejados de alguma forma: tesourados, deformados, desviados, invertidos, manipulados, usados criminosamente, coisas assim. Começa logo com a questão WikiLeaks, essa tremenda confa gerada pela publicação de informações sobre ações criminosas da central de comando do Império, nos EUA. E eis que, indo à luta, logo deparamos com o insondável, com o desequilíbrio, com o vago. É que a imprensa do Império não tem nenhum interesse em esclarecer os fatos que começam a assombrar o mundo. De saída, fomos buscar indícios da encrenca na Folha, e logo aparece uma visão embaralhada e sem norte, protagonizada por Lula da Filva, o Çilva I, colocada a fala do quase ex-presidente como gancho de uma impalpável notícia sobre o assunto. Tudo fica vago, como convém. E sentimos o jeitinho brasileiro sendo posto pra funcionar. Enter.
Lá vem a Folha: “O presidente criticou a busca mundial feita por Assange (??). ‘Ele desnuda a diplomacia, que parecia inatingível e a mais certa do mundo, e começa uma busca. Não sei se colocaram cartaz como no tempo do faroeste, procura-se vivo ou morto, e prenderam o rapaz. Não vi um voto de protesto’, disse. Lula pediu aos assessores que comecem a fazer manifestação no Blog do Planalto. ‘Vamos fazer o primeiro protesto então contra a liberdade de expressão na internet (,) porque o rapaz estava colocando lá apenas o que ele leu. E se ele leu é porque alguém escreveu. O culpado não é quem divulgou, mas quem escreveu a bobagem. Então, que fique aqui meu protesto’, afirmou o presidente”. Estivesse Manoel aqui e logo denunciaria a completa dubiedade dessa matéria e da própria fala do Çilva I, sempre soando a cacarejo, senão a bostejo, como diriam professores do Colégio Militar do Rio nos anos 50. O trêfego petista maior conseguiu impor um estilo histriônico e banalizante em relação a tudo. É um Midas às avessas, que reduz todo assunto em que toca a conteúdo de miserê, de titica. Vejam a fala completamente desalinhada e paradoxal: “Vamos fazer o primeiro protesto então contra a liberdade de expressão na internet porque o rapaz estava colocando lá apenas o que ele leu”. Parece uma outra fala dele, dizendo que foi quem mais lutou contra a ética... Mas acabou que conseguimos ordenar a questão, chegamos a informações mais consistentes, e vai o que interessa a todos os seres do Cristo – não somos evangélicos, pô! – e do bem: “O site WikiLeaks já divulgou documentos sigilosos sobre guerras do Iraque e do Afeganistão e revela agora correspondências diplomáticas dos EUA e afeta, entre outros, o WikiLeaks Brasil. O WikiLeaks é um site que se dedica a revelar documentos secretos de vários países. Neste ano, o site divulgou cerca de 400 mil documentos secretos sobre a guerra do Iraque. Antes disso, o WikiLeaks já havia divulgado 90 mil relatórios confidenciais sobre abusos cometidos no Afeganistão. Divulgou no último domingo cerca de 250 mil documentos diplomáticos secretos dos EUA que revelaram segredos da política externa americana. Os documentos foram publicados pelos jornais The Guardian, New York Times, Le Monde e El País e pela revista alemã Der Spiegel e se referem desde os anos 1960 ao início de 2010”. Enter.
Os Conquistadores do Mundo, isto é, o Império, que envolve os donos do planeta e sua equipe monstruosa espalhada pelos quatro cantos do mundo, querem que tudo seja feito ao gosto e interesse deles, e isso não pode ser sabido pelas vítimas desse esquema. Os monstros dominadores intervencionistas, sempre tomados de ódio e fantasia de vingança, seres sanguissedentos, tacham cinicamente de “adeptos de teorias da conspiração” os que descobrem a armação conspiratória deles, que é tão clara quanto funesta, mas o sigilo que impõem a seu esquema é tal que a Humanidade vive bovinamente sob cabresto e não tem como se organizar. E é justamente para evitar qualquer organização, qualquer mobilização, que existe o descomunal esquema de “comunicação”, justamente para evitar a comunicação entre os seres por eles controlados. E esses seres são simplesmente TODA A HUMANIDADE. Então o papel do WikiLeaks é de suma importância no que desvenda o que os dominadores ávidos e desalmados fazem contra a macacada vestida que deambula bestamente na superfície desta bola malsinada, o planeta Terra. Enter.
Pois eis que prenderam semana passada o homem do WikiLeaks alegando prática de crime sexual. Estivesse Manoel na raia e logo viria a estupefação: “Na Suécia?? Crime sexual na Suécia??”, porque trata-se do país em que o sexo não tem fronteiras, segundo o que se diz no mundo inteiro. Preocupados com essa história tão estranha quanto intrigantemente oportuna e conveniente para os reis do Império, flagrados com a boca na botija pelo que o site revelou, fomos atrás de subsídios.
E chegamos a algo concreto, sempre via internet, setor em que a censura – ainda! – não pode incidir: “As acusações contra Assange na Suécia são absurdas e foram consideradas absurdas pela Procuradora-chefe sueca, que já havia encerrado o caso, até que uma figura política importante entrou em cena, e o caso foi reaberto”. E lá vai Pepe Escobar abrindo o jogo em seu Asia Times Online: “Como disse Mark Stephens, advogado londrino de Assange, falando a ATO News no fim-de-semana, os procuradores suecos caçam Assange ‘não por alguma acusação de estupro, como disseram antes’, mas por prática conhecida como ‘sex by surprise’, a qual, disse Stephens, ‘envolve multa de 5.000 kronor, cerca de 715 dólares’. Stephens acrescentou que ‘Nem sabemos o que significa ‘sex by surprise’. 'Ninguém nos falou sobre isso', disse.”. Na calçada, à frente do tribunal de Westminster, o consagrado jornalista John Pilger, que acompanha a maluquice, resumiu tudo: “Os suecos deveriam ter vergonha do que fizeram.” E prossegue Escobar: “Nada confirmado até agora, mas especula-se que a tal ‘figura política importante’ talvez tenha as maneiras sombrias do velho estilo da velha CIA. Mas a parte mais absurda é que a própria ‘Miss A’ (uma das envolvidas no sex by surprise) contou a um tabloide sueco que ‘jamais pensara ou desejara acusar Assange de estupro’. Talvez devesse contar também à nova Procuradora”. Enter final.
Para quem quiser ver as coisas mais de perto vão, abaixo, três links. Um mostra o trêfego Çilva I falando – com delícia, pois adora ter uma platéia diante de si – sobre o fato e misturando bolas, como sempre. Outro é o link da matéria sobre o escândalo, no ATO News. Outro ainda, e brabo, permite entrar na encrenca de cabeça. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
http://www.viomundo.com.br/politica/a-solidariedade-de-lula-ao-wikileaks.html
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/pepe-escobar-imperador-nu-prega-%e2%80%9csex-by-surprise%e2%80%9d.html
http://213.251.145.96/
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás, mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 946 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 497 dias também sob mordaça...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Manoel e o colapso dos institutos

Frederico Mendonça de Oliveira

“Pois é, pois pois. Fiquei sabendo, ó Maria, que uma funcionária de uma empresa foi despedida por ter aliviado seus gases intestinais não sei se com estampido, se com fetidez sulfídrica, se com os dois. Não sei quem sentiu ou ouviu o malfadado flato, o fato é que isto valeu uma demissão para a pobre emitente do gás liberado em ambiente adverso. Mas parece-me a mim e a muitos outros seres atentos para com tais fatos aberrativos ou naturais – quem não alivia seus intestinos pressionados por gases? – que livrar-se de gases é lícito, desde que não causando lesão ou dano a pessoas ou ambientes. Que te parece, ó linda? Concordas com a demissão da pobre?”, pergunta Manoel, considerando os curvilíneos volumes de sua amada, que se ajeita na cadeira para dar prosseguimento ao diálogo. Enter.
“Tu não acreditas, ó Manoel, mas acabo de dar de cara com uma notícia enviada por uma colega de escola secundária que sempre me envia fatos bizarros para curtição. Trata-se do teor de um despacho judicial tratando justamente desse assunto. Veja aqui no vídeo”. E Maria abre sua caixa postal e exibe o material para seu abestalhado Manoel. A combinação de termos e de ambientes, isto é, o juridiquês empolado usando até latim para se referir a emissões gasosas de intestinos e as imagens que passam por nossas mentes lembrando tribunais e, claro, as partes emitentes dos gases e a sonoridade característica e sempre hilariante deles acaba gerando uma propensão ao divertimento, e Manoel já olha para as palavras do texto com expressão a caminho do riso. E o texto acaba realmente risível, inusitada que é a combinação de tais conteúdos. Segue o texto. Enter.
“RECORRENTE: Coorpu's Com Serv de Produtos Para Estet/ RECORRIDO: Marcia da Silva Conceição/ EMENTA - PENA DISCIPLINAR. FLATULÊNCIA NO LOCAL DE TRABALHO.
Por princípio, a Justiça não deve ocupar-se de miuçalhas (de minimis non curat pretor). Na vida contratual, todavia, pequenas faltas podem acumular-se como precedentes curriculares negativos, pavimentando o caminho para a justa causa, como ocorreu in casu. Daí porque a atenção dispensada à inusitada advertência que precedeu a dispensa da reclamante. Impossível validar a aplicação de punição por flatulência no local de trabalho, vez que se trata de reação orgânica natural à ingestão de alimentos e ar, os quais, combinados com outros elementos presentes no corpo humano, resultam em gases que se acumulam no tubo digestivo, que o organismo necessita expelir, via oral ou anal.
Abusiva a presunção patronal de que tal ocorrência configura conduta social a ser reprimida, por atentatória à disciplina contratual e aos bons costumes. Agride a razoabilidade a pretensão de submeter o organismo humano ao jus variandi, punindo indiscretas manifestações da flora intestinal sobre as quais empregado e empregador não têm pleno domínio. Estrepitosos ou sutis, os flatos nem sempre são indulgentes com as nossas pobres convenções sociais.” Enter.
“Vê, Manoel, como tudo é tão relativo. Todos sabemos das pressões sociais agindo em nossa fisiologia, todos vivemos às voltas com evitar emitir gases em momentos ou locais considerados impróprios, mas punir quem deixa escapar um sonoro e/ou malcheiroso pum me parece algo além dos limites. Se o autor do disparo o faz de forma acintosa contra um superior, aquilo de assestar a via de liberação em direção ao endereço e deliberadamente efetuar o disparo, acredita-se até na procedência de uma justa causa. Mas se foi involuntário, se escapou, malgrado os efeitos da liberação, seja a contrariedade gerada com lidar com gases oriundos de entranhas outras e portanto portadores de conteúdos mefíticos indesejáveis para terceiros, seja pela quebra de uma convenção de compostura no trabalho, é bem vinda a indulgência para com o pobre emissor”, considera Maria diante de um olhar derretido de Manoel. O casal tem por princípio não incluir emissões quando juntos ou apenas próximos. Mas o fato de uma empresa despedir uma pobre peidante cheira a pedantismo. “Tu viste, ó Manoel, aquele vídeo no Youtube em que um funcionário recebe, em sua apertada repartição, seus colegas de trabalho que levam para ele o bolo de aniversário, e eis que o aniversariante, sem saber do séquito que invade seu espaço – ele estava de costas – ali adentrava com o bolo, emite uma bomba sonora em direção aos pobres?”, pergunta Maria. Você pode, querido leitor, assistir às cenas dessa situação que Maria lembrou, basta clicar no link abaixo. E Manoel, vendo as cenas, comenta: “Mas que podemos fazer diante de uma rata dessas senão sair correndo do local para evitar inspirar conteúdos de entranhas outras?? Aliás, foi o que me pareceu que os envolvidos fizeram...”, comenta nosso herói diante do fato inesperado vivido por todos. (http://www.youtube.com/watch?v=NkblnnAF1sE) Enter.
E Maria aponta no texto enviado por sua amiga algo que não vira antes e que corrobora suas palavras de forma inequívoca: “A imposição dolosa, aos circunstantes, dos ardores da flora intestinal, pode configurar, no limite, incontinência de conduta, passível de punição pelo empregador. Já a eliminação involuntária, conquanto possa gerar constrangimentos e, até mesmo, piadas e brincadeiras, não há de ter reflexo para a vida contratual.” E Manoel pensa nos seus longínquos tempos de escola fundamental, em que as brincadeiras com pum eram diárias, sendo verdadeiro sucesso em salas de aula – especialmente quando o risco era grande, no caso de o professor ter maus instintos – e de como isso enriqueceu sua vida com um acervo de lembranças em que a inocência ia se perdendo através de práticas de pequenos desvios, e ainda de como isso trouxe de forma indolor a compreensão da nossa falibilidade humana. Enter final.
E Manoel conta para Maria sua experiência com o Realismo português, quando, lendo O Crime do Padre Amaro, deparou com aquela abertura falando de o pároco José Miguéis, de Leiria, não ter compostura de sacerdote, chegando a arrotar no confessionário e a desencorajar com maus modos as fiéis carolas que lhe vinham falar de jejuns: “Ora, coma-lhe e beba-lhe, criatura!”. Maria se deliciava ouvindo a fala de Manoel, cheia de deslumbramento, e acabou por falar sobre a falência irremediável de todos os institutos: “Tu vês, ó Manoel, que a estrutura da lei, a considerar o crescimento desordenado das populações Brasil a dentro e mundo afora, chegou a um impasse de pane total. Todos os valores se relativizaram a tal ponto que seria necessário reformular tudo, desde a Constituição até os conteúdos de cargos de comando, e com isso estaríamos diante de tamanha e tão árdua tarefa que a vida passaria a andar para trás. Quanto maior o número de leis, pior a república, diz o adágio latino – mala raepublica plurimae leges –, e vemos o colapso geral quando toda uma estrutura da Justiça é acionada por conta de um simples pum!”. E Manoel: “É, minha linda: a civilização acabou!”, e os dois deixam a adorável copa-cozinha e fica lá o gato dormindo, dando um toque de beleza à cena. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás, mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 939 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 490 dias também sob mordaça...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Manoel e a anunciada prisão de Tiririca

Frederico Mendonça de Oliveira

“Não há mais sentido em nada nesse Brasil, ó Maria! Será que nós é que estamos amalucados e o Brasil está em perfeito estado de saúde mental?? Agora o promotor Maurício Lopes, segundo a Folha, ‘pediu à Justiça que o deputado eleito Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o Tiririca, seja condenado a cinco anos de prisão. Essa é a pena máxima para o crime de falsidade ideológica, do qual o humorista é acusado.’, diz a notícia. Não existe muito a duvidar nessa história de o Tiririca ser candidato: foi um golpe bem tramado por espertalhões, uma armação que tentou antes outros nomes conhecidos, como o Dráuzio Varela e uma certa Sabrina Sato, que dizem ser ‘apresentadora’ – cá pra nós, ó linda, apresentadora de quê?? –, e que acabou encontrando o Tiririca, e ele topou a aventura de cara, seguramente porque palhaçada é seu feitio e sua função nesta vida”, expõe Manoel a sua amada, que dobra roupas cheirosas que ela acabou de tirar do varal lá embaixo, com religiosidade total. A reportagem ainda aponta aspectos que seriam sustentação técnica para o pedido de prisão: “Segundo o promotor, Tiririca entregou à Justiça Eleitoral declarações falsas sobre sua alfabetização e a propriedade de bens. A lei prevê que a punição no caso pode ir de um a cinco anos de prisão. ‘Pedi a condenação na pena máxima tendo em vista a repercussão social do crime e a natureza da falsificação, que foi feita para produzir uma fraude eleitoral de rumorosa consequência jurídica e social’, afirmou Lopes”, segundo a mesma Folha. A colunista Mônica Bérgamo também aborda a coisa, pendendo para o lado do palhaço: “Ainda às voltas com acusações de que não saberia escrever e por isso não poderia assumir o cargo de deputado federal, o palhaço Tiririca teve parecer favorável da Justiça Eleitoral para a aprovação de suas contas de campanha”, diz a pregoeira dos ricos da Paulicéia e do Brasil, quiçá do mundo. Em outro momento, cai no saco o que se segue: “A atuação do promotor no caso já levou a Corregedoria do Ministério Público a abrir uma investigação para apurar eventuais excessos dele na busca por uma condenação do humorista”. Enter.
“Enquanto isso, ó Maria, o crime avança no nosso saudoso Rio de nossos primeiros vagidos de amor. Os revoltosos – que o sistema chama de bandidos – estão provando por A mais B que não há mais o que os detenha, que estão de tal forma integrados e inerentes ao tecido social que não há mais possibilidade histórica de extirpá-los. Eles são o pecado essencial do sistema se manifestando de forma irrefreável. Para exterminar essa manifestação, seria necessário exterminar a origem dela, e a origem dela é o próprio corpo social... que se deixou cooptar pela malignidade do capitalismo brasileiro e carioca em especial, e agora temos um terrível corpo social duplo indissociável, como gêmeos toracópagos dotados de um só coração. Se se tentar livrar um do outro, os dois morrem, porque o coração é único... E tudo isso nos leva a perguntar o que Pilatos perguntou: ‘Quid est veritas?’, na verdade contendo, isto, o sentido oculto da percepção da decadência iminente do império romano. Mas para nós aqui, ó linda, fica a coisa na superfície mesmo. É que o chamado Congresso congrega NADA: congrega mesmo é uma caterva de desconhecidos que em nada representam o povo que os guindou a tal condição. ‘Onde está a verdade?’ Esta inversão de valores revela o erro, a malignidade presente na gênese do processo político-social, e do que decorre a sociedade entrar em processo de autofagia e de conflagração. Células em confronto mortal, em suma, quando deveria ser o oposto!”, considera Manoel chapado com o paroxismo que explode no Rio e que brevemente acabará tomando todo o território nacional como nova instituição viva. Enter.
Toca o pianista John Bunch na Jazz Radio (www.jazzradio.com) com seu trio, uma linda balada, I’ll Get By, um requinte só. Enquanto isso, no Rio, a guerra se agrava. Manoel considera fatos e conteúdos: “A população até já considera que chacinar os revoltosos – na verdade, excluídos, não propriamente marginais, mas, sim, marginalizados –, seja solução. Mas não é: é desespero de causa, e isso não traz solução. O erro vem de longe, e não há como retomar o começo e repensar o rumo, corrigindo o desvio que gerou essa desgraça toda. Aliás, isso começou a se agravar estupidamente concomitantemente à entrada da Globo no ar. Alguns lúcidos dirão que a violência se desenhou, gestou e nasceu nos anos da ditadura. Certo, mas não se pode esquecer que a Globo entrou no ar no verão de 1964/1965, e agiu contra a população de forma imensamente mais destrutiva que 20 ditaduras militares... As ditaduras do Chile e na Argentina mataram horrores, mas os dois países não despencaram em valores sociais como nós, porque lá não teve Globo, não teve a destruição institucional que esse horror televisivo detonou aqui. A explosão populacional e a deseducação intervencional chegando à piada da boçalização teratogênica via TV não poderiam ter chegado senão a essa atual desgraça, uma conjuntura em que os opostos estão caoticamente abraçados numa dança mortal e trágica!”, fala Manoel depois de constatar que a ação policial e militar deixam cair a máscara. E Maria, depois de organizadas todas as roupas, intervém. Enter final.
“Pois isso vai dar em mais derramamento de sangue, vai gerar um círculo vicioso em que o lado chamado criminoso estará cumprindo é o papel que deveria ter sido desempenhado pela chamada boa sociedade. Hoje estamos à mercê de quem? Estamos desarmados, de joelhos! As instituições foram desmanteladas todas, o marginalizado está em sua condição de opositor do regime e está armado – e ataca pra valer. E nós? Adubamos isso com nossa omissão e aceitação do cinismo desse sistema comandado por pulhas, sudras, canalhas, patifes, vilões, seja qual for a colocação política deles, que pululam nos três poderes e em tudo que cerca essa arquitetura infernal??? Somos cínicos, cagões ou pusilânimes? Cínicos são os que só almejam benefícios; cagões, os que se defecam só de pensar em assumir qualquer responsabilidade; pusilânimes, os que preferem apodrecer confortavelmente com carrão na garagem e inserção social através de planos e mais planos. Seria isso uma estrutura LEGAL???”, indaga Maria com olhos ardentes de indignação. Enter final.
“O que nos resta é a mais cínica de todas as decisões, mas é a única alternativa: ficar na moita em casa, quietos, rezando para que o ódio social não nos atinja. A corrupção já nos alvejou, mas isso acaba saindo na urina, porque lidar com pulhas à distância é suportável e superável. Mas o cinismo, em certas horas, é a saída digna, por mais paradoxal que pareça. O Brasil já era, o mundo já era. Não poderemos reverter isso. É ter fé em Deus e que venha o que vier: juntos enfrentaremos qualquer coisa”, conclui Manoel sob o olhar concentrado de sua Maria. “A nós nos resta o nosso amor e Deus, filho!”, conclui Maria. E o mundo lá fora vira apenas um pesadelo, e a paz inunda o espaço em que manda o Cristo. E viva Santo Expedito! Oremos. ’Té a próxima, babes!
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás, mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 932 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 483 dias também na mordaça...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Manoel e “A Corte dos Padrinhos”

Frederico Mendonça de Oliveira

“Veja aqui, ó Maria, o que saiu na tal da Veja: sob o título de ‘A Corte dos Padrinhos’, tendo como subtítulo ‘A nova corregedora do Conselho Nacional de Justiça diz que é comum a troca de favores entre magistrados e políticos’, e ainda mostrando pequeno detalhe com os dizeres ‘PROMISCUIDADE – Eliana Calmon: Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. E eles cobram a conta’, a revista dos ricos da Pindorama mostra as entranhas da atual Justiça, é de estarrecer! Estaria chegando o Armagedon??” pergunta-se Manoel, abestalhado com tamanha explicitação de desvalores. Comecemos por dar uma olhada na abordagem da matéria. Enter.
“A ministra Eliana Calmon é conhecida no mundo jurídico por chamar as coisas pelo que elas são. Há onze anos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana já se envolveu em brigas ferozes com colegas – a mais recente delas com o então presidente Cesar Asfor Rocha. Recém empossada no cargo de corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ministra passa a deter, pelos próximos dois anos, a missão de fiscalizar o desempenho de juízes de todo o país. A tarefa será árdua. Criado oficialmente em 2004, o CNJ nasceu sob críticas dos juízes, que rejeitavam a ideia de ser submetidos a um órgão de controle externo. Nos últimos dois anos, o conselho abriu mais de 100 processos para investigar magistrados e afastou 34. Em entrevista a VEJA, Eliana Calmon mostra o porquê de sua fama. Ela diz que o Judiciário está contaminado pela politicagem miúda, o que faz com que juízes produzam decisões sob medida para atender aos interesses dos políticos, que, por sua vez, são os patrocinadores das indicações dos ministros.” Sob o impacto de tal reportagem, Manoel não pode deixar de considerar que o Brasil da cracolândia e do mensalão de repente pode dar sinais de regeneração de seus tecidos corrompidos. E apresenta para sua sempre atenta e absorvente Maria o teor da matéria da revista – que ele jamais lê senão quando é necessário executar varreduras abrangentes na imprensa sobre algum assunto que entra em cadeia. Esta Veja apareceu por acaso – ou “por acaso”, que nosso herói não é nada cego... Enter.
“Eis a bomba, quase inacreditável: a corregedora solta os pitbulls, ó linda: respondendo a uma pergunta do repórter Rodrigo Rangel, sobre terem pipocado tantas denúncias de corrupção no Judiciário, ela disparou: ‘Durante anos, ninguém tomou conta dos juízes, pouco se fiscalizou. A corrupção começa embaixo. Não é incomum um desembargador corrupto usar o juiz de primeira instância como escudo para suas ações. Ele telefona para o juiz e lhe pede uma liminar, um habeas corpus ou uma sentença. Os juízes que se sujeitam a isso são candidatos naturais a futuras promoções. Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão.’ Então quer dizer que... bem, deixemos que fale Eliana Calmon. ‘O ideal seria que as promoções acontecessem por mérito. Hoje é a política que define o preenchimento de vagas nos tribunais superiores. Os piores magistrados terminam sendo os mais louvados. O ignorante, o despreparado, não cria problema com ninguém porque sabe que num embate ele levará a pior. Esse chegará ao topo do Judiciário’. Com mil meirinhos, ó Maria, onde estamos???”, pergunta Manoel entre estupefato e boquiaberto, a pólvora da elucidação fedendo no ar. Enter.
“Indagada sobre os tribunais superiores, para os quais o presidente da República é que nomeia, olhe o que ela solta: ‘Estamos falando de outra questão muito séria. É como o braço político se infiltra no Judiciário. Recentemente, para atender a um pedido político, o STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal (O ministro Cesar Asfor Rocha se bateu com ela nessa questão, veremos a seguir). É uma tese equivocada, que serve muito bem a interesses políticos. O STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal. De fato, uma simples carta apócrifa não deve valer. Mas, se a Polícia Federal recebe a denúncia, investiga e vê que é verdade, e a investigação chega com todas as provas, você vai desconsiderar? Isso não tem cabimento. A denúncia anônima só vale se o denunciado é traficante? Há uma mistura e uma intimidade indecente com o poder”. E Eliana Calmon prossegue: ‘Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. Nos tribunais superiores, o critério é única e exclusivamente político’. É de doer, ó linda!”, murmura Manoel, acabrunhado. Enter.
A reportagem/entrevista prossegue, e a corregedora revela ter sido promovida pela via política SIM, mas se negando sempre a agir sob pressões e conchavos. E garante que jamais teve nenhuma cobrança pesando sobre ela, mostrando que vira bicho se isso acontecer – e que, por isso, não acontece. Mas lá veio mais chumbo: avaliando a conduta dos magistrados, ela enche a boca para criticar duramente a vaidade e a empáfia que dominam a classe: “Nós, magistrados, temos a tendência a ficar prepotentes e vaidosos. Isso faz com que o juiz se ache um super-homem decidindo a vida alheia. Nossa roupa tem renda, botão, cinturão, fivela, uma mangona, uma camisa por dentro com gola de ponta virada. Não pode. Essas togas, essas vestes talares, essa prática de entrar no recinto de julgamento) em fila indiana, tudo isso faz com que a gente fique cada vez mais inflado. Precisamos ter cuidado para ter práticas de humildade dentro do Judiciário. É preciso acabar com essa doença que é a ‘juizite’”. Enter.
“O já citado Cesar Asfor Rocha é candidato a vaga no Supremo. Segundo consta, minha linda, ele estaria contra haver, na raiz de um processo que tenha passado por investigações e caudaloso levantamento de provas, uma denúncia anônima. Eliana e ele discordaram, e ela vê nisso vestígio de aliança política na atitude dele. Na verdade, onde quer que se trabalhe ou viva hoje, topamos com deformidades as mais gritantes. Veja o caso de nosso amigo Fox, um paladino da legalidade neste arraial sofrendo perseguições covardes e até criminosas, porque se colocou de forma serena mas intransigente pelo cumprimento da lei. É nojento vermos os próprios cidadãos exercendo discriminação, constrangimento e agressões de toda sorte contra um cidadão UNICAMENTE PORQUE ELE CUMPRIU SEU DEVER DE CIDADÃO!!!, ó linda!, e isso é Brasil, mas isso também é mundo, e o Cristo sabia disso!...”, conclui Manoel ressabiado. Enter final.
Maria acaba que fala: “Parece que temos mais uma mulher para mudar o rumo das coisas na Pindorama, ó Manoel... mas não é bem isso: existem as Erenices por aí. Eliana Calmon é apenas infensa a corrupção. Existem outros, e oremos para que mais e mais vão chegando os libertadores. Eles são do Cristo!...”, encerra Maria com o gato embolotado em seu colo, sob o olhar enternecido de um Manoel esperançoso. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás, mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 925 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 476 dias também na mordaça...
Postado por Frederico Mendonça de Oliveira - Fredera

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Manoel considera a Justiça e a “Justiça”

Frederico Mendonça de Oliveira

“Veja, ó Maria, que patacoada vai aflorando nos anais (êpa!) do poder constituído na Pindorama: as autoridades que deveriam zelar pelo rigor da aplicação da lei em todos os âmbitos, especialmente se são eles os autores de delitos, querem ser protegidos se flagrados cometendo esses mesmos delitos, o que dá à lei duas caras, e isso é simplesmente o escancaramento do estabelecimento de dois pesos e duas medidas no corpo da Justiça. Bem que muitos gritam que a lei é feita para os ricos, o que, a ser verdade, definitivamente não nos contempla, huahuahuá!!!”, e nosso herói, tomado de humor vertical logo na manhã da quinta-feira passada, quando viu a manchete do JB Online, come suas bananas depois de jogar outras para os sabiás, sanhaços, cambacicas, bem-te-vis, gaturamos e saíras que acorrem ao telhado da edícola para se alimentar da ração a eles carinhosamente destinada. Manoel e Maria têm o consolo de serem visitados por essas maravilhas aladas de Deus diariamente, enquanto que em torno de sua casa bestas aliciadas pela alucinação do poder pululam em festim diário da boçalidade. “Pois veja que notícia nos mandam nas fuças logo de manhã, minha linda: ‘Punição maior para juízes empaca na Câmara - Ana Paula Siqueira, de Brasília - Embora tenha sido aprovada por unanimidade pelo plenário do Senado, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a demissão – e não a aposentadoria antecipada – de juízes que cometerem faltas graves recebeu parecer contrário na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, ontem, um dia depois que o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil, Mozart Valadares, visitou o presidente da CCJ, o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS). O parecer, no entanto, não significa o fim da linha para a PEC.
Em seu relatório, Padilha considera a proposta inconstitucional por violar a vitaliciedade dos membros da magistratura. O relator argumenta que os direitos constitucionais garantem independência ao julgador. Segundo ele, acabar com a garantia da vitaliciedade abrirá perigoso precedente para que os juízes não alinhados com a cúpula dos tribunais possam ser excluídos injustamente da magistratura.’, e Manoel, depois de ler esta fala tão estranha para sua atenta Maria, diverte-se com o emaranhado de maracutaias e imperfeições que enfeitam o cotidiano de nosso deletério poder constituído. “Só falta dizerem que querem dispor de toda a blindagem possível para que sejam intocáveis, desfrutando de um rol de benefícios e favorecimentos, isso é o que aflora dessa fala desse Padilha, pelo menos para o alcance de meu pobre bestunto!, e ainda querem brecar o Tiririca!”, dispara nosso herói, enojado com a desfaçatez de entidades doentias que pululam em Câmaras e quejandos. Enter.
Mas não fica por aí a bronca santa de nosso herói. Um amigo de arraial próximo, aliás provecto jazzista e atento observador da bosta brasilis, mandou esta pérola que tem como protagonista o excelso e divinal ex-presidente do Supremo, Gilmar Mendes: “Protógenes é condenado por crimes na Operação Satiagraha: pela primeira vez na história do Judiciário brasileiro, o distinto público tem notícia de uma decisão da Justiça Federal, primeiro no PIG (Partido da Imprensa Golpista). Trata-se de uma delirante decisão (figura nisso o nome Ali Mazlun) que condenou o ínclito delegado Protógenes Queiroz a atender a vítimas de queimaduras. A delirante decisão condenou o ínclito delegado por forjar provas, espionar presidente da República e assumir o controle da ABIN com o intento mediático de se eleger deputado federal. O delírio tem um objetivo explícito de impedir que o ínclito delegado se diplome deputado federal e possa subir à tribuna para ler o que ainda não se conhece da Operação Satiagraha. A decisão delirante foi tomada por um conhecido juiz federal que se livrou de boa por causa de uma decisão suprema do ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo Tribunal Federal. Aquele que maculou irremediavelmente a imagem do Judiciário brasileiro ao conceder em 48 horas dois Habeas Corpus ao passador de bola apanhado no ato de passar bola Daniel Dantas. Impedir que Protógenes Queiroz assuma a cadeira de deputado federal é o sonho de consumo do Daniel Dantas. Que agora, por coincidência, é o que pretende a delirante decisão publicada no Conjur, também conhecido como Estadão. Daniel Dantas continua solto. E o ínclito delegado vai ter que pensar queimaduras. Viva o Brasil!”. “Que tal, ó Maria?? Condenam o delegado que agiu contra a bandidagem e mantêm a liberdade para o notório salafra... não lhe parece algo parecido com a experiência pessoal de cada um de nós, ó linda?”, brinca Manoel diante de tão inspiradora constatação. E nosso herói logo bota pra funcionar sua bem treinada cachimônia, voltando à carga. Enter.
“Tu lembras do Protógenes, ó minha deusa? Pois bem. Quando da prisão do Paulo Maluf, anos atrás, um fotógrafo captou um flagrante da chegada da Blaser da PF, dentro da qual se viam, em primeiro plano, o motorista e o acompanhante deste. Ao fundo, ensombrecido, o rosto patético de Paulo Maluf, que ocupava o banco traseiro. Essa foto saiu em manchete de primeira página da Folha. Detalhe: o cara ao lado do motorista ostentava um boné, que tinha escrito na parte frontal, simplesmente ‘ISRAEL ARMY’. Ora porra, com mil engravatados: esse boné era apenas enfeite? Seria algum brinde que o cara exibia por esporte, por exercício de humor (negro, por sinal)? E quem seria o cara? Estaria mesmo a serviço de Israel ou apenas se dava o direito de brincar com a verdade ao usar tal boné em missão oficial? Pois veja, ó linda: anos depois, lendo uma porcaria de matéria sobre o escândalo envolvendo o filho do Tuma (parece que secretário de Justiça, coisa por aí), um que parece um cachaço, dei de cara com uma foto de um sujeito envolvido no curuquerê com o tal Tuminha, e que me pareceu MUITO FAMILIAR. Na legenda, o nome dele, veja só: Protógens Queiroz. Pensei, pensei, não matei a charada. E o dia foi indo, até que veio o estalo: ERA AQUELE DO BONÉ NA BLASER EM QUE LEVAVAM O MALUF!!! Que bosta é essa? Que cipoal emaranhado está virando o poder!” Enter final.
“Agora o mesmo Protógenes é eleito deputado federal no vácuo do Tiririca, é condenado não se sabe por que vestal (Houaiss, 2-2) do Olimpo das Divindades do Paço de Radamanto da Pindorama, e o banqueiro envolvido com sujeira braba está aí, soltinho da silva, com aquele semblante de foca distraída, foca fazendo cara de paisagem ártica. E ficamos sem saber onde entra – e por que diabos – aquele boné com aqueles dizeres ‘Israel Army’ enfiado na cuca do Protógenes naquele dia em que Maluf ingressou em curta temporada de algemas e sol nascendo quadrado”, conclui nosso herói, enquanto Maria prossegue com um olho no peixe, outro no gato, afundada em seus estudos com que a Federal a rouba de seu amado. E viva Santo Expedito! Oremos. Té pra semana, babes!
Ah! Vale lembrar: estamos sob censura desde 11/04/08, aliás, mantida por Gilmar Mendes, e a restrição vai totalizando 918 dias. Abraço pra turma do Estadão, há 469 dias também na mordaça...