sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Obama, Lula e o Arraial das Bagas

Frederico Mendonça de Oliveira

“Só faltava essa: esse boneco transformado em presidente dos EUA, simples serviçal dos globalizadores implacáveis, ganhar Nobel da Paz! Que serviço ele tem prestado à paz para ganhar essa merda de prêmio??”, comenta iracundo Manoel com sua linda Maria ao ver estampado em primeira página de jornalões estúpidos tamanho disparate, misturado a outras titicas inúteis que em nada contribuem para informar ou esclarecer coisas que sempre ficam no ar. Coisas como todos os escândalos que sacodem esse país miserabilizado e já moribundo, terminal sob tanta imundície e depravação. “Afinal, essa besta cheia de glamour pra otários não esconde que acredita na guerra para se alcançar a paz... Ora, o que o país-lugar que ele falsamente comanda faz é ocupar, invadir, massacrar, não há nenhuma guerra em curso! Guerra é outra coisa, é exército contra exército, não é o poderio irresistível da maior potência mundial invadindo países desarmados como Iraque e Afeganistão, não esquecendo a ação imunda dos yankees contra Cuba, Vietnam, Coréia, não esquecendo a ignomínia que foi o lançamento de bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki! E, pior que essas duas cidades, o bombardeio-genocídio contra a Alemanha já rendida, pulverizando a maioria das cidades importantes e massacrando população civil absolutamente indefesa! Isso é guerra para alcançar a paz?? Ora, vá pentear macaco, vá chupar um prego até virar parafuso, lacaio dos globalizadores!!” Enter.
Pra contrabalançar essa constatação que abestalha todos os seres com um mínimo de visão da realidade, temos aí o boneco tido pelo Obama como líder na América que não fala inglês: o execrável Lula, refinado farsante, aliás nada refinado, pois não passa de um bugre, um grosso, e está na presidência devidamente colocado pelos que manejam os cordéis dos poderes mundo afora. “Obama disse que ‘Esse é o cara!’, o que nos faz desconfiar definitivamente de qualquer coisa que esse boneco roufenho e caricatural, senão histriônico, faça ou diga. Anda perdoando dívidas de diversos países latinos e africanos sob orientação dos globalizadores, para seguramente, dentro de pouco tempo, estar como líder aglutinador de um monte de paisecos, com isso quebrando a verdadeira arrancada pela soberania movida por Chávez, Morales e Rafael Correa na América do Sul, arrancada que Lula está sendo trabalhado para brecar, pois a podridão petista não tem qualquer índole que a faça ombrear com gente como esses três líderes autênticos...” Então Manoel pega o gatinho e senta em sua poltrona refletindo sobre o negro horizonte que se vai definindo sob a política dos Conquistadores do Mundo: “É como aqui neste arraial fedorento, cheio de moleques e bandidos: o que rola é um câncer para destruir todo e qualquer tecido saudável onde quer que se vá! Os globalizadores não agem somente visando o poder: é preciso destruir para dominar, dividir para imperar. E o mais horripilante é que isso é movido a ódio histórico, senão cósmico: os globalizadores são movidos a ódio, são o ódio feito povo, ai de nós cristãos!...” Enter.
E por falar em Arraial das Bagas, a podridão tem lugar aqui. Não só rola ódio entre os arraialeiros, todos eles – são pouquíssimas as exceções – ignorantes e cheios de fantasias de arrogância e megalomania, como se verifica um pendor explícito para participar de corrupção. “Trata-se de um lugar até maldito, porque nele nada de bom tem espaço, ao contrário do que acontece com tudo que é ruim. Uma das únicas virtudes nas Bagas é o fato de metade do arraial ser flamenguista, mas isso não é novidade: metade do Brasil também é, porque o Flamengo é um estado de espírito, é o que resta de bom nos corações perdidos nessa pindorama estraçalhada!... Enter.
E por falar em Flamengo, ocorreu um episódio estranhíssimo com o amigo músico de Manoel: no que o cara festejava a conquista, pelo seu Flamengo, do Campeonato Brasileiro de 2009, um vizinho começou a bombardear a casa do cara com tijoladas, o cara estava completamente transtornado, parecia em transe de droga, virou um assassino potencial, ameaçou o amigo de Manoel de morte, injuriou o cara de todas as maneiras! E o amigo não tem a quem recorrer no arraial: tudo está dominado, tudo envolvido com o crime e os criminosos que ele denunciou como responsáveis pela alteração que criou uma praça ilegal. Manoel, consternado, pede ajuda a Deus para reverter esse horror que ameaça o futuro dessa comunidade corrompida, infeliz e beirando a loucura coletiva. Enter final.
Pois o pai do menino, que estava viajando nesse fim de semana prolongado, chegou e procurou o amigo de Manoel para uma “conversa” e veladamente ele foi ameaçado, aconselhado a não tomar nenhuma medida policial ou judicial, a não tomar nenhuma providência em relação ao delito, alegando que ele mesmo tomaria suas medidas para com o infrator. Detalhe: esse pai, entre outras coisas, assinou a favor do crime, se posicionou de diversas maneiras contra o amigo de Manoel e ainda vem dizer o que o cara deve fazer. Veladamente, veio uma ameaça, não esquecendo que na conversa o tipo lembrou que o filho agressor é a única pessoa no entorno que dá razão ao amigo de Manoel. E bombardeia a casa dele com tijoladas??? Que diabo é isso? “Isso é o Arraial das Bagas, isso é Minas, isso é Brasil, isso é o mundo sob a globalização, sob a ação deles!”, pensa Manoel. “E durma-se com um barulho desses, sem esquecer que a selvageria se manifesta em cada gesto desses arraialeiros, ficando em questão ou em xeque a escolha de viver no interior ter sido um ato acertado, baseado em fugir da violência das capitais!...” E viva Santo Expedito! Oremos. Té a próxima, babes!
ATENÇÃO: JÁ ESTAMOS CENSURADOS HÁ 609 DIAS. A CENSURA A O ESTADO DE SÃO PAULO, VERGONHA QUE SOMA 132 DIAS E CUJA LIMINAR BAIXADA PELA PUBLICAÇÃO ESTÁ EM VOTAÇÃO NO SUPREMO. A CENSURA AO ‘ESTADÃO’ ESTÁ CONDENADA ATÉ EM ÂMBITO MUNDIAL. QUANTO A NÓS..., FOI MANTIDA PELO MINISTRO PRESIDENTE DO STF, GILMAR MENDES. E CONTINUAMOS AMORDAÇADOS BONITINHO!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Manoel e a orangotanga fotógrafa

Frederico Mendonça de Oliveira

“E daí? Que importância tem isso de uma fêmea orangotango tirar fotos? O Alex Silveira, que está praticamente cego, não é hoje diretor de fotografia e documentários na Globo, e não cobre eventos e mais eventos depois de uma bala de borracha disparada por um gorila da PM paulista lhe arrebentar o olho são? Ora, não há nada de especial em orangotangos fotografarem!”. Pois é: Manoel, um estudioso e pensador, analista rigoroso de seu tempo e iniciando na tarefa de transcendência assumida para no mínimo se realizar em três existências, considera que deve intervir nessa palhaçada de promoverem orangotangos, e essa é a segunda vez que isso acontece neste 2009 esmerdeado por tantas outras titicas elevadas a potências inadmissíveis. Enter.
O outro orangósio que ganhou primeira página na mídia mundial, faz até pouco tempo, foi um que andou assoviando, não se sabendo se continua. Aí fizeram um CD em que aparece o assovio do bicho com fundo musical, e a macacada vestida, essa legião de “humanos” que não volta às árvores por não ter mais rabo, achou isso maravilhoso e comprou o CD para ouvir e mostrar a “novidade”. “Novidade seria vocês voltarem a pensar, macacos vestidos! Novidade é vocês conseguirem retomar qualquer resquício de consciência crítica, imbecis!”, ruge Manoel, pensando na Europa que ele deixou pra trás e onde acontecem esses “fenômenos” em zoológicos que são os territórios de vida real e normal nesse planeta, territórios cercados de estúpidos por todos os lados e sempre invadidos por macacos vestidos que insistem em dar pipoca aos macacos e jogar alimentos para os “bichos” que não pensam, só reagem a estímulos mostrando que nem estão aí. “Bichos que não pensam?? Ora, como se os macacos vestidos pensassem! Rarará! Que piada essa, dizer que ‘humanos’ pensam! Alguns pensam, sim, mas são raríssimos! Quem, hoje, é capaz de entender o que diz o Gilberto Nable? Aliás, que é a poesia do Gilberto Nable senão uma espécie de (nost)algia do pensar – e sentir! – em meio a um oceano mundializado de bestas? Ora, macacos (extremamente mal) vestidos, vejam se me dizem se o macaco real descasca a banana pra comer! Descasca ou não descasca? E por que é que você descasca a banana para comê-la, macaco vestido? A casca é imprópria para a digestão e a alimentação? E por quê? Porque é suja? Porque existe somente para proteger a banana?” Enter.
“Então a macaca fotografa, né? Pior é sermos governados por macacos vestidos, que hoje fotografam também! Qualquer macaco vestido hoje fotografa, e as imagens captadas por eles são tão ou mais primárias que as captadas pela Nonja, a orangósia de Viena! Porque só pode captar algo quem vê conteúdos em algo, e os macacos vestidos de hoje só identificam imagens, senão somente perfis definitórios de funções primárias...”, considera filosoficamente Manoel depois de analisar uma foto tirada pela Nonja, um close acidental sobre a face do filhote e que acabou ficando um poema no que revela uma proximidade inusitada com o universo dos pongídeos... “E o tratador dos antropóides, um macaco vestido sem poesia nas células cooptadas, minimiza não o que acontece com a oranga de câmera na mão, mas mostra apenas que obedece a seus antolhos: ‘Claro que os orangotangos não estão nem aí para as fotos, só sabem que apertando um botão aparece uma uva-passa’. Você não entendeu a poesia e o milagre que é ao apertar um botão com aquele dedo ancestral ‘aparecer uma uva-passa’? Pense bem, animal, na poesia que você criou sem querer! Bem, macacos vestidos não lêem Guimarães Rosa, que observou que ‘Quando nada acontece, está ocorrendo um milagre que não estamos vendo’, não é mesmo ô boneco do sistema?” Enter.
E Manoel recorda a sogra do amigo músico, que passou quase um mês na Europa com o filho, e que respondeu, quando indagada pelo amigo sobre o que achou da viagem: “Vi muita coisa bonita, mas tá tudo igual, tudo lojas com gente comprando bestamente, e o pior é que a maior parte do tempo gasto lá foi em engarrafamentos”. O amigo de Manoel pediu à sogra que trouxesse um exemplar de obras completas do Fernando Pessoa quando passasse por Portugal. Pois ela procurou, procurou, procurou – e só achou um livro lá, uma edição especial de uma parte ínfima da obra. De outra feita, ocorreu o mesmo: uma amiga do amigo passou tempos em Lisboa e não achou nada sobre o grande poeta. “Que Europa é esta, que Portugal é este??”, considera Manoel chapado. Enter.
Esta é a Europa dos globalizadores, grande Manoel! E nela estão as multidões dos globalizados, macacos vestidos e de cérebro em ponto morto para serem conduzidos como gado, não é? “Pois tu pensas que não sei, ó Frederico?? Pensas que não enxergo com nitidez, embora esteja quase cego pela catarata, que existe uma desgraça em marcha por trás desse cenário de miséria que é o mundo chamado de ‘civilizado’? Civilizados são os que estão confinados em zoológicos, porque eles não destroem o planeta, e talvez por isso estejam sendo levados à extinção pelo bípede implume que tem por qualidade ímpar prender e matar seu semelhante... O mundo está transformado em nação sem face onde pululam os goyim... e está no Urban Dictionary que ‘goyim’ dignifica ‘cattle’, e ainda cabe a consideração: ‘Said with contemption’... Que podemos esperar de seres que destroem o mundo, um ser vivo que se dá a esses degenerados para eles simplesmente se empenharem em destruí-lo??”Enter final.
Bem, vamos deixar nossos possíveis leitores certos de que Camões já entrevia isso tudo nos Lusíadas: “Põe-me onde se use toda a feridade/ entre leões e tigres, e verei/ se neles achar posso a piedade/ que entre peitos humanos não achei”.”Procurem compreender melhor os pongídeos, ó macacos vestidos!!”, ruge Manoel de dentro de sua iniciação conduzida por Dion Fortune. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
ATENÇÃO: JÁ ESTAMOS CENSURADOS HÁ 602 DIAS. A CENSURA A O ESTADO DE SÃO PAULO, VERGONHA QUE SOMA 128 DIAS, JÁ ESTÁ CONDENADA ATÉ EM ÂMBITO MUNDIAL. QUANTO A NÓS...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Manoel e o ódio racial doentio

Frederico Mendonça de Oliveira

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad esteve entre nós nesta semana de merda como outra qualquer – os tempos são de merda, qualquer dia ou semana ou mês são de merda, claro –, e a imprensa, nas mãos dos globalizadores, deu cobertura de merda à presença do líder iraniano no Brasil petista. Claro, isso se explica: o Irã não beija os pés dos mandões do Império, e o fato de estar em tarefa de produção da bomba atômica bota os donos do mundo em polvorosa. Para esses tipos monstruosos, Israel pode e tem que ter 400 ogivas nucleares, tudo certo; no entanto, acusaram o Iraque, país praticamente desarmado de tudo, de ter “armas de destruição em massa”, ordenaram inspeções a que se opôs o brasileiro chefe da APAQ Alexandre Bustani – que acabou destituído do cargo por pressão dos gringos yankees, mesmo sendo ele inamovível em seu cargo – e, contrariando todos os princípios internacionais de soberania, tomaram o país simplesmente para manter a hegemonia de Israel no Oriente Médio. Naqueles tempos a imprensa ainda tinha bolsões de resistência, e houve denúncias e gritas. “Hoje, rá rá rá, só existem papéis limpacu a serviço dos depravados de sarda nas costas das mãos!”, reflete Manoel, enojado com a MERDIOCRIDADE estabelecida como padrão no sistema político dominante. “Eles odeiam o Cristo, que não é um deles!”. Enter.
E a mídia fez seu serviço porco já esperado: tentou obscurecer a presença de um dos mais importantes presidentes do planeta hoje, simplesmente obedecendo à ordem de não falar sobre o assunto, ordem dada pelos globalizadores descarados, que mandam e desmandam em todos os países do mundo, com exceção de resistentes como Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, Paquistão e Irã. E como o assunto é Ahmadinejad no Brasil. Manoel se concentra na resistência iraniana aos yankees imundos, enquanto contempla a boçalidade brasileira em relação à visita do líder a “nosso país”. Ou “nofo paíf”, como diz o bobo pinguço depravado, e aliás porque vale considerar que “não existe mais porra de país nenhum entre o Oiapoque e o Chuí!”, como rosna Manoel, cuja reflexão nos é muito cara sobre assuntos de uma colônia rebaixada ao âmbito da miséria mais miserável que se possa imaginar. Enter.
Pois Manoel abriu a Folha em busca de indícios para ele importantes e deu com um artigo de um sujeito de sobrenome um tanto pouco brasileiro e que ostentava um título um tanto agressivo. O escrevinhante do artigo era um tal de Sérgio Malbergier, e o artigo era intitulado “ O pária entre nós”. Pra começo de conversa, vamos ao significado de “pária”: no Houaiss, na segunda acepção do termo, está “pessoa mantida à margem da sociedade ou excluída do convívio social”. A primeira acepção é de caráter histórico, baseada em princípios políticos da Índia, não nos serve. Abrindo o artigo por curiosidade para ver do que se tratava, interessado em saber quem era o pária em questão, Manoel topou com um absurdo. Pensou que poderia ser o George W. Bush, o Idi Amin Dada, algum idiota da mídia internacional, gente dessa dimensão miserável. Pois a suspeita despertada pelo sobrenome meio agringalhado Malbergier se mostrou relevante: o “pária” em questão é simplesmente um homem amado por seu povo, representante digníssimo de toda uma comunidade envolvida com aperfeiçoamento humano, criatura iluminada pelo fato de representar os mais altos ideais de um país e da Humanidade como espécie criada à imagem e semelhança de Deus e que se obriga a evoluir por ter recebido o dom de reflexão sobre seu destino. “Pária, Ahmadinejad?? Esse colunista é um doente!!”, considera abismado Manoel, que se dispôs, diante de tal disparate, a dar uma passada de olhos no artigo. E lá está o motivo de considerar o presidente iraniano um “pária”: é que ele nega o tão promovido holocausto, grafado por toda a mídia do Império com maiúscula, e que não pode ser questionado, porque as vítimas disso seriam o “povo eleito”. Manoel, cristão convicto, acata as palavras do Cristo: “Todos são iguais perante Deus”, postura que levou o Filho de Deus à cruz, execução levada a cabo pelos soldados romanos mas a partir de condenação à morte determinada pelo sinédrio, tribunal dos fariseus que nos consideram “sementes de animal”. Enter final.
Bem, esse escrevinhador pago pela “cloaca da Barão de Limeira”, como se referem á Folha os inimigos do Império, não passa de um idiota a serviço de uma causa que ameaça o mundo. É um soldadinho de merda. Perto do presidente iraniano, não passa de titica de pulga. E eis que o líder que veio aqui articular coisas para o bem da Humanidade encontrou boa acolhida, e não adianta os cães ladrarem à sua passagem: a grande caravana ignora latidos de entidades inferiores. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye!
ATENÇÃO: JÁ ESTAMOS CENSURADOS HÁ 595 DIAS. A CENSURA A O ESTADO DE SÃO PAULO, QUE SOMA 121 DIAS, JÁ ESTÁ CONDENADA ATÉ EM ÂMBITO MUNDIAL. QUANTO A NÓS...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Manoel e as crianças do Brasil hoje

Frederico Mendonça de Oliveira

Simplesmente perplexo pelo fato de constatar que uma obra criminosa realizada por autoridades deformadas atingindo a residência e mesmo a vida e a paz de seu amigo músico teve como “apoio” para que ficasse “legal” a convocação das crianças do entorno para “frequentá-la”, Manoel começou a considerar as crianças como vítimas diretas e desgraçadas pela ação dos adultos, seres simplesmente sem qualquer vestígio de humanismo ou mesmo escrúpulo mínimo em suas almas. Almas penadas, diga-se muito claramente: a estupidez, a tacanhez e mesmo a ignorância podem ser admissíveis em geral. Mas a deformidade de espírito e a completa falta de sentido de humanidade levarem a atitudes de conveniência através de deformar crianças, especialmente os próprios filhos, isso é de causar engulhos, revolta! E, vendo-se todos impotentes diante de tudo como todos se vêm, trata-se da materialização da imagem do horror. Enter.
Pois Manoel tem visto as crianças, a partir dessa podridão e dessa deformidade inacreditáveis, como vítimas da escrotidão que se instala pra todo lado no Brasil (no mundo também?) e que parece irreversível. Acabrunhado com o simples fato de ver crianças alopradas pelas ruas, em lojas ou supermercados ou onde quer que estejam essas pequenas bestas fabricadas pelo sistema, nosso herói se indaga se já não estará ficando meio caduco. É que ele se surpreende tomado até de certo pânico ao deparar com essas criaturinhas a cada dia mais estupidificadas e exibindo um desequilíbrio inquietante em simplesmente tudo que fazem. As cenas envolvendo os pobres diabinhos onde quer que estejam revela uma deformação a eles imposta não se sabe se de forma programada pelo sistema, não se sabe se apenas pela degenerescência natural decorrente de toda essa empulhação que vemos explodir em todas as dimensões e instâncias de viver no geral e da área de poder. O arbítrio está mais claro e explícito do que nunca, e o mal acontece como sendo o normal – e todos se submetem e se adaptam a isso como sendo algo completamente natural! E as crianças vão acompanhando essa decomposição de tecido social “fazendo a sua parte”, envolvidas, arregimentadas, consoantes! A feiúra toma conta de tudo, e as crianças dão seu toque “mágico” a toda essa escatologia crescente e horrenda, e “que fazer??”, pergunta-se nosso herói diante de tanto horror! Enter.
Comprando suas necessidades básicas em supermercado, volta e meia Manoel contempla a miséria que é a presença de crianças no espaço do consumo. “Comprar é simplesmente adquirir o de que se necessita de acordo com nosso poder aquisitivo”, considera Manoel tomado do tédio filosófico em meio a produtos - que só significam, para ele, matéria para suprir necessidades. Pois os supermercados inventaram aqueles carrinhos em que os fedelhos vão alojados como que dirigindo um automóvel de brinquedo, sendo que o volante não interfere no rumo da geringonça, o que já faz dos rebentos dos consumidores uns idiotazinhos – pois ficam tentando operar o volante, e nada acontece. Recebem ali um múltiplo diploma de otários, porque, além de manipulados num treinamento para serem futuros consumistas crônicos e compulsivos, dá-se que não só aquilo não é carrinho como não obedece ao comando deles. Isto faz com que sejam também duplamente cooptados pelo adulto estúpido que os mete nessa patacoada. Enter.
Pois tem coisa pior: moleques correndo como zumbis adoidados pelos corredores, vindo como bólidos cegos em direção aos compradores, enquanto os boçais que os geraram e/ou pariram quedam inebriados no ato hoje religioso da compra, do consumo como atividade realizadora, gratificante, sagrada, catalisadora e mágica. Manoel se esquiva cuidadosamente desses maluquinhos perdidos, desses espectros da estupidez reinante, deixa-os passar como se fossem alimnárias desembestadas a serviço da loucura generalizada, imagens deprimentes dela. E a cada dia mais e mais se consolida na consciência de nosso herói a certeza da perdição imposta a essas pequenas cavalgaduras, projetos de boçais palradores, balantes e mugentes. Eles serão os personagens vivos e imagens móveis do futuro que já está aí, patético, esfarrapado, deformado, degringolado!... Enter final.
“Vinde a mim as criancinhas”, teria dito o Cristo em algum ponto dos Evangelhos. Pois o capeta intercedeu nisso: hoje as crianças são dele, do demônio que opera através da TV em filmes de animação carregados de violência gratuita e obsessiva, são reféns do mal instituído, contextualizam assustadoramente o inferno vivo que vamos suportando em direção ao despedaçamento final. E não há piedade nem humana nem divina que livre esses infelizes desse destino horrendo. E viva Santo Expedito! Oremos. E semana que vem falaremos mais disso. Bye!
ATENÇÃO: JÁ ESTAMOS CENSURADOS HÁ 588 DIAS. A CENSURA A O ESTADO DE SÃO PAULO, QUE SOMA 114 DIAS, JÁ ESTÁ CONDENADA ATÉ EM ÂMBITO MUNDIAL. QUANTO A NÓS...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Manoel e seu novo amigo poeta

Frederico Mendonça de Oliveira

De repente o amigo músico de Manoel presenteou seu faixa lusitano com dois livros de um poeta de Aiuruoca, linda cidade do Sul de Minas já no limite da Zona da Mata. Dessa área saiu também o poeta magnífico Dantas Mota, ídolo deste novo e já muito amadurecido vate aiuruoquense. Trata-se de Gilberto Nable, aliás médico, aliás pessoa de profunda sensibilidade e inteligência. Pois foi Manoel abrir o primeiro dos dois livros e arregalar os olhos: “O que é isto???”, perguntou-se logo nosso herói ao deparar com o estro do bardo para ele um estreante. Ele dava de cara com o livro O Mago sem Pombos. Manoel abrira no terceiro poema, e a paulada cantou logo em sua fecunda cuca: “Desconsolado feito mago sem pombos/ a quem ninguém deu uma lição de calma/ procuro, ainda entre livros, alma e alento”. Em estrofe adiante Manoel leva outra lambada: “Mas outros rumos não pretendi de mim,/ avesso, seco, muitas vezes cansado,/ aparentado a becos, auroras, botequins”. Estes belíssimos versos, que fizeram Manoel parar considerando admirado sonoridade e teor, estão também na contracapa do livro, uma bela edição da 7Letras, editora carioca. Enter.
“O que foi feito da poesia não só no Brasil, mas mesmo em Portugal?”, considera Manoel ainda sob o impacto da poesia de O Mago sem Pombos. Politizado na marra, tendo lido até comunistas como
Trotsky e Lênin (Marx ele deixou pra lá, passou apenas os olhos no Manifesto, e aquilo não fechou com nada para ele), informado também pela experiência da vida, mas desde há 20 anos conhecedor da VERDADE através de obras ocultas a que poucos têm acesso em meio à azáfama destes tempos estúpidos, Manoel encontrou nas páginas do Mago uma revivificação de suas emoções da juventude no que topava com as obras de poetas brasileiros que produziam direto e difundiam encantamento, principalmente Cabral e Drummond. “Valia a pena morar no Brasil vendo aquele movimento editorial nos anos sessenta!”, dizia Manoel ao amigo músico em recente conversa, pois o amigo, mesmo músico, é da literatura, especialmente da poesia, e das artes plásticas, terreno em que produziu curiosas descobertas, como a pintura com cimento. “Pois agora tu me bateste no coração com a obra impressionante desse admirável Gilberto Nable!”, comenta com júbilo nosso herói ante a cara feliz do amigo. Enter.
E é sobre o amigo que Manoel pensa ao ler a primeira quadra do poema V do Mago: “Pouco importa o que digam.../ Mas como foste traído!/Com manha, ciúme e intriga/ Foram urdindo teu exílio.” Manoel até pensa consigo que esses versos são mesmo dirigidos, embora considere que “manha, ciúme e exílio”, no caso, seja pouco: valeria nisso um “ódio mortal doentio”, mas isso fica de fora destas luminosas linhas. E o poema avança: “Como se não os abrigasses,/ não um só, mas vários exílios,/ e desconhecesses a inveja/ e as mãos secas da usura”. E Manoel exulta, e um “Puta que pariu!” lhe escapa entre língua, dentes e lábios oclusivos surdos ao prosseguir na leitura do poema: “Mas ouso rir de vós, filisteus,/ratos-de-barrigas-brancas,/ tomando café com leite, de cuecas,/ contando cédulas, títulos e moedas”. E sob o impacto dos significados e da disposição musical de palavras, Manoel detecta a curiosa presença de rimas toantes: rimam as palavras ingênuos, cordeiro e dinheiro, rimam com filisteus, depois rimam cuecas com moedas, e lá vai Manoel viajando feliz nesse achado de nome Gilberto Nable. “Que felicidade poder expressar-se tão profunda e claramente!”, reflete nosso sensível ibero, e avança no desfecho lapidar do poema, que mija nos classemédias de merda: “É irrisório, sim, vosso patrimônio/ Vosso juntar de pedras feito lagostins/ Vossas cadelinhas, academias e soníferos/ Vossa piscina térmica com cascatas!”. Rolando os olhos a sua volta, Manoel considera a estupidez assumida da vizinhança porca e doentia que persegue por pura inveja – e por aflorar o ódio por se saberem medíocres e obtusos – o amigo músico, homem com a alegria simples dos eleitos da Musa, diletos de Santa Cecília, protegidos de Euterpe, sempre sob as graças de Eufrosina, Aglaê e Talia... e como poderiam ratazanas vestidas e cínicas enxergar tais valores? Vendo a plumagem do amigo, esses mulos zurram de despeito, sonham matar sua cor azul brilhante, babam de ódio vendo os olhos de Argos estampados na cauda aberta em leque quando o amigo simplesmente estuda sua guitarra e causa admiração em quem não se emporcalha nessa podridão! Enter final.
E fechemos: “Tem seu lado vegetal a morte./ No tecer de podres raízes,/ no modo como se conduz,/ ou como somos plantados” . E Manoel se deslumbra: “Chega por agora, meu novo amigo Gilberto Nable! Minha turma lá na Ibéria saberá de ti!”. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye!...
ATENÇÃO: JÁ ESTAMOS CENSURADOS HÁ 581 DIAS. A CENSURA A O ESTADO DE SÃO PAULO, QUE SOMA 107 DIAS, JÁ ESTÁ CONDENADA ATÉ EM ÂMBITO MUNDIAL. QUANTO A NÓS...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Manoel reverencia Nando Fiúza

Frederico Mendonça de Oliveira

“Quem está vivo pra morrer não custa!”, disparava a avó de Manoel, Virgínia, por sinal uma lusitana que educou seus filhos na base da porrada grossa e dos ditados populares correntes na Ibéria. “Pra morrer basta estar vivo!”, dizia também a senhora em outras ocasiões, mas também em que o cheiro cavernoso das vestes da Indesejável e o entrever do gadanho letal ocorriam causando arrepios quando da passagem de alguém conhecido para o beleléu. Manoel ouvia tais frases fatais com o respeito de quem ouve uma sentença sobre o infalível, mas a força da vida sempre vibrou mais forte nele, e tais falas, embora lhe calando fundo, logo saíam de sua mente dando lugar ao brilho da chama alegre do existir simplesmente, de prosseguir, de amar, de sentir a gratidão pela existência que Deus concede aos Seus. Enter.
Pois eis que desta vez Manoel levou um pesado golpe no peito. Foi duro saber, embora este espectro já rondasse a vida de muitos há mais de 40 anos: o artista plástico, artista gráfico, fotógrafo e pensador Fernando Fiúza, anjo que iluminou nosso espaço artístico e cultural desde priscas eras neste lugar brasilis, afinal cedeu ao gadanho da Inimiga, à tesoura de Átropos, e eis que cruzou o Aqueronte, deixando-nos neste chão a cada dia mais árido, mais desfalcados de corações benignos. Manoel olha condoído para o céu, sabendo que numa próxima ida a BH não estará mais com seu amigo querido, bravo resistente pela causa da beleza e da vida, artista de fina têmpera que produziu profusa e lindamente até seu aceno de despedida a este mundo. Enter.
Manoel conheceu Nando Fiúza quando seu amigo músico ralava muito sofridamente o couro em Belo Horizonte em 87. O amigo tentava se reestruturar profissionalmente naqueles já então corrompidos tempos, em que o ar não apresentava mais a transparência de tempos outros e em que já se entrevia no cenário da vida um sombreamento estranho, um desbotar esquisito de coisas e fatos, um já indisfarçável odor de tetrametilenodiamina, sinal da existência de carniça. Mas o amigo lutava duro, e tinha com ele a mão de apoio de Mônica Sartori, anjo que Manoel admirava em silêncio prenhe de admiração. O amigo músico se esfolava numa busca de consolidação de um rumo nas artes plásticas, e Manoel via com alguma dúvida a possibilidade de aquilo vingar. A turma de BH recebia o cara muito bem, a Mônica era uma desdobrada e atenta madrinha, mas todos ficavam na expectativa de ver o cara voltar a empunhar sua guitarra lendária, e muitos até pensavam: “Quero é ouvir aquela música forte e pungente, isso é que é o cara!”. E eis que nessa batalha encarniçada contra o infortúnio aparece em cena o angelical Nando Fiúza, com aquela beleza de entidade pertencente às legiões do bem Quando Nando ouviu o som do amigo no disco solo, disco aliás que virou cult, arrepiou-se todo, e se converteu imediatamente ao trabalho do cara. E logo começaram a produzir juntos, e foi uma deslanchada bonita, que acabou em shows musicais que deixaram marcas indeléveis, unindo o amigo ao Nando para sempre. Nando fazia os cartazes com sua arte fina, fotografava com sensibilidade especial o amigo, acabou que ficaram irmãos inseparáveis nesta vida. Manoel, em suas constantes idas às Alterosas, coabitava esse conúbio de artistas febris em sua tarefa de busca, integrava os papos, as excursões pelas ruas contemplando a arquitetura art décco abundante na cidade, as idas a galerias e vernissages, as chopadas na noite belorizontina – e isso o ligou também profunda e fortemente ao adorável Nando Fiúza. Enter.
Manoel se grilava ao ver, naquelas noitadas, que Nando apresentava roxidão nos lábios e dedos quando a madrugada avançava. Um amigo comum, aliás médico e poeta de estro ardente, Gilberto Nable, um dia deu o serviço: Nando sofria de cardiopatia congênita, e os sinais eram aquela roxidão, as unhas de “vidro de relógio” e os dedos em formato de baquetas de tambor. Aflorado isso, Manoel logo percebeu que todos estavam ligados, e que todos viviam com o Nando aproveitando tempo, dias, horas, minutos que se apresentavam como dádiva de convívio com aquele homem que todos sabiam condenado. Isso rolava em 1987. E todos em silêncio pediam que Nando não se fosse logo, que ficasse mais, que resistisse, mas era chover no molhado: Nando amava tão apaixonadamente viver que, milagre!, reunia forças de enfrentamento da anomalia de forma cientificamente inexplicável. E lá ia Lachesis enrolando o fio da vida de Nando, e Átropos de tesoura na mão ficava sem entender por que o fio não lhe chegava logo à mordida fatal das suas lâminas. Talvez isso ocorresse porque Juno, que sofrera o golpe da morte de Argos, o gigante de cem olhos e que nunca dormia – olhos que ela botou no rabo do pavão em homenagem ao aliado cruelmente morto por Júpiter –, sentisse por Nando, semideus apóstolo do amor e da beleza, uma ternura especial, e com isso afastasse da tesoura da Parca da Morte o fio da vida dele. Enter final.
Pois Nando resistiu por mais de 40 anos, coisa inexplicável para caretas. Só Manoel e o amigo desfrutaram do viver encantado de Nando por belos 32 anos! E eis que em 2003 Manoel presenciou um belo reencontro de Nando com o amigo no Bar do DCE, e na ocasião Nando, que integrava como co-produtor o certame de que o amigo participava, deu a ele, com carinho efusivo, o livro Retratos da Música, em que uma das fotos era do amigo, e revelava o artista plástico, não o músico. A dedicatória, que Nando produziu em segundos, é outra obra de arte anexada ao livro. Depois disso, alguns encontros cheios de entusiasmo e encantamento, até que veio de lá para este infecto Arraial das Bagas a dura notícia. Nando se fora. E Manoel e o amigo, aturando a coisa quietos aqui, mal podiam emitir palavras: as lágrimas de ambos desciam, diante dos olhares consternados de Maria e da mulher do amigo, como pequenos cristais líquidos de uma alegria convertida em dor. E o peito de ambos doía em constrição pesada, e pronto: Deus chamara Nando Fiúza para Si. E Manoel disse para o amigo e para as duas amadas, falando sorrindo e vertendo lágrimas: “Só sei que quando nós chegarmos lá o Nando nos receberá bem na entrada, com aquele sorriso sempre encantado!” E viva Santo Expedito! Oremos. Bye...
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Postado por Frederico Mendonça de Oliveira - Fredera

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Manoel e o drama de seu amigo músico

Frederico Mendonça de Oliveira

Manoel se espanta diante do que seu amigo músico enfrenta. É um verdadeiro calvário, um enredo de vida capaz de inspirar um filme pungente e inesquecível. O mais inacreditável nisso é a completa indiferença do amigo para com a adversidade, as traições e perseguições que ele sofre, o completo descaso com que é tratado no arraial, o ódio que certos arraialeiros deformados e invejosos lhe devotam religiosamente, sem contar o vexame a que é submetido pelos filhos da ex-mulher, uma criatura viciada na deformidade de caráter, aliás traço de toda a família dessa infeliz. Sabendo o que vai no coração do amigo - a bondade, o amor ao trabalho e à pesquisa ininterrupta nas áreas da arte e da cultura, o aprofundamento no estudo da política, a devoção para com a lucidez e a ética, a paixão pela música em todos os sentidos, a intransigência para com a putrefação imposta às instituições em geral - tudo faz deste homem um verdadeiro herói da resistência, e um espírito realmente heróico não se preocupa com reconhecimento: apenas cumpre com seu dever de não vacilar na vigilância dos cânones sagrados da vida para não se deixar entorpecer jamais sob a enxurrada de merda a que todos somos submetidos diuturnamente. Enter.
Defecando e deambulando para esse inferno que o cerca e tenta submetê-lo ininterruptamente, o amigo de Manoel mostra uma fibra de titã e não se preocupa senão com tocar suas tarefas. E ultimamente estourou um escândalo envolvendo um inimigo desse amigo-irmão: um músico de meia tigela – que “se consagrou” neste país desgraçado através de astúcias e penetrações frutos de manipulações em meios corrompidos e cooptação de imbecis aboletados na máquina na música e do poder –, colega (do tipo daqueles que temos de tapar o nariz quando lidando com o tipo) de 40 anos atrás, na verdade um baita capadócio que mais se assemelha a um verdureiro ou a um vendedor de quinquilharias, deformou fatos envolvendo o nome do amigo. Já falamos disso aqui. Mas o importante são os desdobramentos aparentemente insignificantes disso, mas que revelam na verdade o grau de imundície desse arraial e dessa família que parece mais um bando de sicários e malfeitores disfarçados em seres comuns. E que desdobramentos seriam esses? Enter.
“O pior deles é o fato de os filhos de meu amigo IGNORAREM SOLENEMENTE o que fazem de perversidade explícita contra o pai. E vale revelar que sou testemunha das violências e perseguição cruel e odiosa que o pai sofreu nestes 25 anos de Arraial das Bagas, enquanto se sacrificou duramente pelos mesmos filhos que hoje continuam a lhe cuspir na cara!”, vocifera indignado Manoel, vendo esse espetáculo de desumanidade movido contra um homem "que é uma lenda dentro e fora do Brasil e cujo nome acende felicidade e encantamento em todos os rostos dos que sabem o que é música de verdade!!" Pois em conversa com o amigo dia desses Manoel ouviu dele uma colocação que lhe causou espanto e uma curiosa alegria: “Querido, se sou reconhecido na Holanda, hoje foco do mais importante jazz no planeta; se sou reconhecido nos mais brabos meios musicais norte-americanos e europeus; se meu disco é procurado no mundo inteiro como algo absolutamente ímpar realizado no campo da música instrumental brasileira; se o ‘maestro do século XX’, Gil Evans, me considerou ‘padrão de composição contemporânea brasileira’, como é que você vai querer que eu seja tratado aqui nestas montanhas? E se sou reconhecido em locais onde reina a lucidez e o culto à beleza, como posso vir a ser reconhecido aqui nestas montanhas bárbaras?”, e Manoel parou para pensar na curiosa dialética enfrentada por este amigo interessado apenas em prosseguir estudando e estudando, fazendo de sua vida uma busca quase febril de aperfeiçoamento, e contando para isso unicamente com o amor e o reconhecimento de sua linda mulher e de alguns raros amigos locais e de muitos amigos Brasil e mundo afora. Enter final.
E Manoel, encantado com a resistência lúcida do amigo, discursa animado para sua linda Maria: “Mefistófeles, Baphomet e Belfegor mais Belzebu e Babalon lutam para desviar os caminhos de meu amigo e destruí-lo, mas o amor dele pelo Cristo é de tal forma sólido e transparente que, mesmo sendo os demônios o que sabemos que são, não ganham uma dele, somente lhe dão um trabalho do cacete! E ele usa isso para crescer mais e mais, firme no leme de sua embarcação que singra mares revoltos a caminho de uma real conquista nesta existência. E, se os filhos a quem ele devotou 25 anos de devoção profunda renunciando a si próprio para viver a crueza torpe desse arraial hoje estão a serviço do ‘outro lado’ (e Manoel se benze discretamente), o amigo entrega tudo a Deus lembrando, em conversa comigo e com Maria, Mateus 13, a parábola do semeador e seu significado oculto para os infiéis. Puta merda, que cara mais gentil, Maria querida!!!” E o que mais espanta Manoel é que quando gente como Sá e Guarabyra, Marcinho Borges, Lô Borges, Nelsinho Angelo, Belchior, Gilberto Gil e outros vêm ao arraial fazer show, sempre têm palavras sinceras e ardentes de elogio e homenagens para o amigo, que fica lá quieto no seu canto e ainda permite que um filho que o desrespeita há anos esteja a seu lado para que recaiam também sobre ele as honras concedidas ao pai... E viva Santo Expedito! Oremos. Até pra semana, babes!
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