Frederico Mendonça de Oliveira
Lembrando os fortes momentos do clímax de Os Maias, Eça de Queiroz, Manoel compreendeu que a beleza não tem mais vez neste mundo, se depender dessa corriola demoníaca que detém o poder internacional. Não há mais perspectiva de saneamento dos males instalados no país, no mundo, e a morte de Afonso da Maia, o hercúleo patriarca presente em toda a história, bateu forte nos nervos sensíveis de Manoel, como que instaurando o começo de uma contagem regressiva implacável. Maria ainda não dormia quando percebeu a forte emoção que assaltava Manoel ao enfrentar a leitura daqueles duros instantes vividos por todos no Ramalhete, a austera propriedade da família Maia. Lágrimas desciam pelas faces de nosso herói, conduzido pela prosa vibrante de Eça às imagens vivas e pungentes daquele passamento. O gato de dom Afonso, que todos chamavam de “reverendo Bonifácio”, consumiu as últimas lágrimas de Manoel, ao saber este que o Vilaça, administrador da família, homem prático e puramente financista, fizera para o queridíssimo e fiel bichano do velho Afonso um pequeno mausoléu de mármore ao pé da janela do dono amado. Enter.
E Manoel considera: “Bem, bem. Terminado Os Maias, vamos a Camilo. Ainda não li Coração, Cabeça e Estômago, embora sempre sabendo do que se trata. Vamos em frente: é positivo prosseguir mergulhado na literatura portuguesa para não cair no vazio e na negatividade desses dias de globalização massacrante...”, e lá vai nosso herói viver momentos belos e fortes pela mão do gênio português que responde pela mais vasta obra no idioma de Camões. Enquanto isso, a merda grossa campeia geral neste lugar chamado Brasil, onde os globalizadores testam todas as modalidades de intervenção que não podem usar abertamente na Europa e nos EUA e que são duramente rechaçadas no mundo árabe, na Coréia do Norte e na Venezuela de Chávez, agora também seguida da Bolívia de Evo e do Equador de Rafael Correa. O boneco etilizado Lula fica por aí bancando o grande “chefe de Estado”, defensor de Honduras e Haiti, e dizendo suas asneiras de costume (por exemplo: “Estou com dor no pé, mas não posso nem mancar, senão a imprensa vai dizer que estou mancando porque estou num encontro com os companheiros portadores de deficiência”), enquanto que no Brasil a podridão política e a tragédia institucional se combinam com uma guerra civil sem comparação em toda a história da Humanidade. E o Brasil despenca em horror e miséria: saíram na internet fotos do enterro da mulher de um traficante, em que a sepultura é um quarto cavado no chão, todo em alvenaria, com massa corrida e pintura, acarpetado, com móveis, o caixão colocado sobre cama de casal, e ainda se vêem cômoda, cadeira estofada, mesa com bebidas importadas (inclusive um Chivas 12 Years Old de cinco litros), copos, flores, quadros nas paredes, um imenso espelho com moldura, TV de cristal líquido gigantesca, objetos de uso pessoal da finada, oratório e outros bichos. Sobre a cabeceira da cama, uma cópia simples da Santa Ceia. Salvador Dali, René Magritte e Paul Delvaux estão definitivamente superados e esquecidos como artistas e pensadores do surrealismo... Enter.
Bem, desgraça pouca é besteira: a moto, veículo de utilidade inquestionável e hoje ferramenta de trabalho de centenas de milhares senão de milhões de brasileiros, agora virou polêmica. É que também virou veículo de grande eficácia para o crime. Desde disk-entrega de drogas (especialmente crack e cocaína, sem contar Extasy) até disk-crime (super eficiente para efetuar roubos e homicídios), a moto está estigmatizada, associada crescentemente a delitos e causando temor geral. Num país-lixo como este, tudo pode se deteriorar da noite para o dia, desde a presidência da “República” até os mais simples significados sociais. E ainda alguém se espanta quando o Belchior se encafua no Uruguai pra traduzir a Divina Comédia para o idioma de Cervantes... “Fica por aí mesmo, amigo! Se bobear estarei do teu lado quando menos esperares!”, considera divertidamente Manoel, consciente da deterioração feia que nos atinge em cheio. Além disso, pra que diabos Belchior vai continuar essa farsa de ser ídolo em país de cavalgaduras e bandidos de toda espécie, e em que platéias são como imensas récuas ululantes que nada entendem do que aplaudem aos balidos, zurros e mugidos? Sendo a pessoa séria que sempre foi, Belchior naturalmente haverá de buscar uma alternativa para o Brasil, que mergulha no inferno de cabeça, processo por sinal providenciado cientificamente pelos globalizadores monstruosos, que promovem chacinas desde 540 A.C., vide o livro de Esther. Enter final.
E eis que um amigo iniciado na verdade da política internacional, entusiasmado com a postura digna e firmíssima do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, soube por sua filha menina que a van escolar promovia “festinhas” no percurso de volta das crianças para casa, tocando música obscena e induzindo as crianças a um “percurso feliz”. Mandou pela menina um bilhete para o motorista, em que o advertia que abriria processo caso continuasse ocorrendo essa miséria no trajeto. Curiosamente, já no dia seguinte à tomada de posição do pai e sem que o bilhete fosse entregue, a farra parou, porque o motorista foi trocado. “Meno male”, pensou o amigo, “mas muito pouco muda: as crianças sabem de cor e salteado TODAS ESSAS COMPOSIÇÕES OBSCENAS, aprendidas na TV, e basta tocarem em qualquer lugar e logo todas cantam aderindo ardente e religiosamente”. Moral da história: se correr o bicho pega; se ficar, o bicho come”. Não há mais saída para a inexorável destruição comandada pelos globalizadores. Como disse João Gilberto, provavelmente para Ronaldo Bôscoli: “Não adianta, Ronaldo: eles são muitos!”... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
ATENÇÃO: ESTE BLOG ESTÁ SOB CENSURA HÁ EXATOS 15 MESES E 14 DIAS. A LIMINAR DE CENSURA FOI BAIXADA PELO JUIZ NELSON MARQUES DA SILVA EM 11 DE ABRIL DE 2008. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, GILMAR MENDES, NEGOU O RECURSO CONTRA O ATO INCONSTITUCIONAL, E MANTEVE A LIMINAR. EIS A "JUSTIÇA" NO BRASIL...
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Manoel: viagem sentimental à Terrinha – e babados outros
Frederico Mendonça de Oliveira
Depois de “viajar” de forma literária a Portugal no que mergulhou em uma esplêndida coletânea de contos portugueses que estava em sua biblioteca há mais de 20 anos – a edição era de 1962, a coleção fora adquirida em 1984 – sem ter sido aberto o volume com contos portugueses, Manoel se reencontra com suas origens e acaba vivendo uma das mais gratificantes experiências literárias de sua vida. Os contos se sucediam em maravilha de forma, começando com Padre Manoel Bernardes (Conversões de Filêmon e Ariano), passando por Herculano (O Bispo Negro), encarando Camilo (Aquela Casa Triste), e foi aquela delícia marcada por grandiosa beleza e emoções profundas. Ao concluir a leitura de Camilo (Castelo Branco, óbvio), lendo num ônibus, teve de esconder as fuças, pois as lágrimas caiam em profusão, tão contundente a tristeza ao final... e temeu por seu coração sensível quando, ao ler os contos seguintes, pungentes, deparou ainda com “Uma Visita de Pêsames”, de Ramalho Ortigão. “Este livro vai rebentar meu coração!”, considerou, mas corajosamente avançou. “Depois de tanta tristeza lá vem essa coisa de pêsames, puta merda, assim me matam!”, considerava ele, quando, logo de início, verificou ser o tom do conto diverso. Parecia algo jocoso... e sucediam-se quadros meio cômicos, com pinturas de personagens e situações surpreendendo pela persistente gaiatice. “Ah, entendi, porra: é o Realismo do tempo das Farpas, é a inauguração da irreverência em oposição à idealização romântica”, considerou Manoel, já agora se recompondo na poltrona para ler com outros olhos aquilo que lhe prometia trazer surpresas. E Manoel jamais lera Ramalho Ortigão, embora soubesse dele desde a mais tenra infância. É que nunca lhe caíra nas mãos um texto qualquer desse autor brilhante, jamais vira em qualquer livraria lombada com o nome do cara. Enter.
Pois foi o diabo! Avançando pelo texto, começaram as risadas com situações absurdas e pândegas, com perfis grotescos e ridículos de personagens, até que rolou um episódio de um tombo envolvendo um menino na escadaria da igreja numa festa religiosa, umas meias tingidas grotescamente de vermelho e o nome “rebenta-boi”, relativo à cor das meias. Vale transcrever: “...sentiu segunda vertigem, deu-lhe de chapa a luz do sol poente nos olhos míopes, turvou-se-lhe o juízo e a vista, tropeçou em um dos meninos de coro aninhados nos degraus que sobem para o altar-mor e caiu pelas escadas, juntamente com a espezinhada criança que se lhe atravancara nas tíbias, tão mal empregadamente vestidas da brilhante cor de rebenta-boi!”. Pois logo adiante, ainda na mesma página, Manoel se abestalhou de ler a descrição do cabelo de um dos protagonistas, e pela segunda vez veio-lhe um assomo de gargalhadas, o primeiro por conta do tombo narrado acima. E assim foi, até acontecer o clímax da história, algo jamais pensado: uma pancadaria no velório da mulher do Serafim, pau que começou quando o rival, Eusébio, míope, pensando falar com outra pessoa, falou com o próprio Serafim palavras duras contra este. No auge da pancadaria, chega o padre e informa que a morta não morrera: “Senhores, a pessoa a quem eu vinha lançar a última bênção está viva!”. O quadro pintado a seguir levou Manoel a uma explosão de hilaridade: “Era tão extraordinária esta formal declaração que todos estacaram atônitos, menos Eusébio, o qual, apenas viu luz, imediatamente meteu na cabeça um chapéu que não era dele e desembestou pela porta fora, levando na mão convulsa um braço estroncado ao canapé da sala. Todos os outros, esquecendo-se dos rasgões do fato, do sangue que lhes escorria dos beiços e dos galos que lhes fumegavam na testa, correram de sobressalto à sala oposta”. Enter.
Manoel se contorcia na cama em gargalhadas, que primeiro levaram sua Maria, que estudava apostilas deitada a seu lado, a rir junto, mas que logo a assustaram, pois parecia que Manoel ia ter um troço de tanto rir beirando os urros e gemidos, o rosto banhado em lágrimas. E assim Manoel fez seu début na obra de Ramalho Ortigão, antes tarde do que nunca. E uma alegria nova passou a lhe visitar: mergulhou na obra de Camilo, lendo “A Doida do Candal”, e Eça lhe envolveu em alegria com “Os Maias”, obra que ele começara a ler mas deixara de lado há mais de trinta anos. Enter final.
E viva Portugal, que, mostrando que os brasileiros estão a cada dia mais burros, descriminalizou a maconha, entrando em nova fase histórica depois de décadas e décadas de primitivismo sádico no que alinhava simples consumidores de uma erva fora das estatísticas de homicídio (o álcool está presente em mais de 75% dos homicídios culposos e dolosos) a assassinos e bandidos de toda sorte. Civilização é isso... Acorda, Brasil!! Siga o exemplo da Terrinha! E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
ATENÇÃO: ESTAMOS HÁ 541 DIAS INCONSTITUCIONALISSIMAMENTE SOB CENSURA BAIXADA PELO JUIZ NELSON MARQUES DA SILVA, DE ALFENAS, EM LIMINAR DATADA DE 11/O4/08. INTERPUSEMOS RECURSO JUNTO AO STF E A CENSURA FOI MANTIDA POR SIMPLEMENTE NINGUÉM MENOS QUE O SR JUIZ MINISTRO GILMAR MENDES. A CENSURA SE DEVE AO FATO DE O AUTOR DOS TEXTOS NESTE BLOG ESTAR COM A TRIBUNA DA CÂMARA MUNICIPAL RESERVADA NO DIA 14/04/08 PARA SER APRESENTADA DENÚNCIA DE CORRUPÇÃO ENVOLVENDO O JUDICIÁRIO, O EXECUTIVO E O LEGISTATIVO DE ALFENAS, PARTICIPANDO AINDA O MINISTÉRIO PÚBLICO DA MARACUTAIA, NO QUE O PROMOTOR SE ESQUIVOU DE ABRIR INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO DIZENDO-SE "SUSPEITO"!
Depois de “viajar” de forma literária a Portugal no que mergulhou em uma esplêndida coletânea de contos portugueses que estava em sua biblioteca há mais de 20 anos – a edição era de 1962, a coleção fora adquirida em 1984 – sem ter sido aberto o volume com contos portugueses, Manoel se reencontra com suas origens e acaba vivendo uma das mais gratificantes experiências literárias de sua vida. Os contos se sucediam em maravilha de forma, começando com Padre Manoel Bernardes (Conversões de Filêmon e Ariano), passando por Herculano (O Bispo Negro), encarando Camilo (Aquela Casa Triste), e foi aquela delícia marcada por grandiosa beleza e emoções profundas. Ao concluir a leitura de Camilo (Castelo Branco, óbvio), lendo num ônibus, teve de esconder as fuças, pois as lágrimas caiam em profusão, tão contundente a tristeza ao final... e temeu por seu coração sensível quando, ao ler os contos seguintes, pungentes, deparou ainda com “Uma Visita de Pêsames”, de Ramalho Ortigão. “Este livro vai rebentar meu coração!”, considerou, mas corajosamente avançou. “Depois de tanta tristeza lá vem essa coisa de pêsames, puta merda, assim me matam!”, considerava ele, quando, logo de início, verificou ser o tom do conto diverso. Parecia algo jocoso... e sucediam-se quadros meio cômicos, com pinturas de personagens e situações surpreendendo pela persistente gaiatice. “Ah, entendi, porra: é o Realismo do tempo das Farpas, é a inauguração da irreverência em oposição à idealização romântica”, considerou Manoel, já agora se recompondo na poltrona para ler com outros olhos aquilo que lhe prometia trazer surpresas. E Manoel jamais lera Ramalho Ortigão, embora soubesse dele desde a mais tenra infância. É que nunca lhe caíra nas mãos um texto qualquer desse autor brilhante, jamais vira em qualquer livraria lombada com o nome do cara. Enter.
Pois foi o diabo! Avançando pelo texto, começaram as risadas com situações absurdas e pândegas, com perfis grotescos e ridículos de personagens, até que rolou um episódio de um tombo envolvendo um menino na escadaria da igreja numa festa religiosa, umas meias tingidas grotescamente de vermelho e o nome “rebenta-boi”, relativo à cor das meias. Vale transcrever: “...sentiu segunda vertigem, deu-lhe de chapa a luz do sol poente nos olhos míopes, turvou-se-lhe o juízo e a vista, tropeçou em um dos meninos de coro aninhados nos degraus que sobem para o altar-mor e caiu pelas escadas, juntamente com a espezinhada criança que se lhe atravancara nas tíbias, tão mal empregadamente vestidas da brilhante cor de rebenta-boi!”. Pois logo adiante, ainda na mesma página, Manoel se abestalhou de ler a descrição do cabelo de um dos protagonistas, e pela segunda vez veio-lhe um assomo de gargalhadas, o primeiro por conta do tombo narrado acima. E assim foi, até acontecer o clímax da história, algo jamais pensado: uma pancadaria no velório da mulher do Serafim, pau que começou quando o rival, Eusébio, míope, pensando falar com outra pessoa, falou com o próprio Serafim palavras duras contra este. No auge da pancadaria, chega o padre e informa que a morta não morrera: “Senhores, a pessoa a quem eu vinha lançar a última bênção está viva!”. O quadro pintado a seguir levou Manoel a uma explosão de hilaridade: “Era tão extraordinária esta formal declaração que todos estacaram atônitos, menos Eusébio, o qual, apenas viu luz, imediatamente meteu na cabeça um chapéu que não era dele e desembestou pela porta fora, levando na mão convulsa um braço estroncado ao canapé da sala. Todos os outros, esquecendo-se dos rasgões do fato, do sangue que lhes escorria dos beiços e dos galos que lhes fumegavam na testa, correram de sobressalto à sala oposta”. Enter.
Manoel se contorcia na cama em gargalhadas, que primeiro levaram sua Maria, que estudava apostilas deitada a seu lado, a rir junto, mas que logo a assustaram, pois parecia que Manoel ia ter um troço de tanto rir beirando os urros e gemidos, o rosto banhado em lágrimas. E assim Manoel fez seu début na obra de Ramalho Ortigão, antes tarde do que nunca. E uma alegria nova passou a lhe visitar: mergulhou na obra de Camilo, lendo “A Doida do Candal”, e Eça lhe envolveu em alegria com “Os Maias”, obra que ele começara a ler mas deixara de lado há mais de trinta anos. Enter final.
E viva Portugal, que, mostrando que os brasileiros estão a cada dia mais burros, descriminalizou a maconha, entrando em nova fase histórica depois de décadas e décadas de primitivismo sádico no que alinhava simples consumidores de uma erva fora das estatísticas de homicídio (o álcool está presente em mais de 75% dos homicídios culposos e dolosos) a assassinos e bandidos de toda sorte. Civilização é isso... Acorda, Brasil!! Siga o exemplo da Terrinha! E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
ATENÇÃO: ESTAMOS HÁ 541 DIAS INCONSTITUCIONALISSIMAMENTE SOB CENSURA BAIXADA PELO JUIZ NELSON MARQUES DA SILVA, DE ALFENAS, EM LIMINAR DATADA DE 11/O4/08. INTERPUSEMOS RECURSO JUNTO AO STF E A CENSURA FOI MANTIDA POR SIMPLEMENTE NINGUÉM MENOS QUE O SR JUIZ MINISTRO GILMAR MENDES. A CENSURA SE DEVE AO FATO DE O AUTOR DOS TEXTOS NESTE BLOG ESTAR COM A TRIBUNA DA CÂMARA MUNICIPAL RESERVADA NO DIA 14/04/08 PARA SER APRESENTADA DENÚNCIA DE CORRUPÇÃO ENVOLVENDO O JUDICIÁRIO, O EXECUTIVO E O LEGISTATIVO DE ALFENAS, PARTICIPANDO AINDA O MINISTÉRIO PÚBLICO DA MARACUTAIA, NO QUE O PROMOTOR SE ESQUIVOU DE ABRIR INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO DIZENDO-SE "SUSPEITO"!
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Manoel e o auto-exílio nas Bagas
Frederico Mendonça de Oliveira
Auto-exílio é algo raríssimo nesses dias porcos marcados pela lei da conveniência. A Humanidade toda está coisificada, ávida, carente e tentando saciar isso através de comprar, e pululam compradores desde as faraônicas lojas do tipo Daslu até as míseras bibocas de R$1, 99. Vale de cara contar uma piada: uma mulher chega para o marido, que lê seu jornal. São riquíssimos. Ela diz que está deprimida. Ele, sem tirar as fuças de trás do jornal, sugere que ela vá comprar uma nova jóia. Ela recusa, dizendo não aguentar mais tanta jóia. Ele, enfiado no jornal, então sugere que ela troque a BMW esporte por uma Ferrari; ela argumenta que a BMW não tem ainda 50 km rodados. Ele, impassível, cara dentro do jornal, sugere que ela passe um tempo na Europa, mas ela responde que está farta de europeus estúpidos e sem graça. Ele então passa a página e pergunta o que ela verdadeiramente quer. Ela responde: “O divórcio”. Aí ele fecha o jornal e exclama: “Puta merda, não pensei que teria de gastar tanto!”, Sugestivo: a macacada de qualquer classe anda se compensando no comprar (a mulher da piada quer mais...). Já os que negam esses valores, por verem nesse contexto a materialização de um deserto em torno de si, se desincompatibilizam disso criando uma espécie de reclusão preventiva e saneadora, que os livre de presenciar e viver esse cenário deprimente e depravado: o capitalismo selvagem e seus escravos do comprar. E esse auto-exílio não é paraíso, tem seus percalços. Vamos a eles. Enter.
Cansado de viver entre músicos estúpidos e calhordas que “pensam” como jogadores de futebol e tocam com as pernas, o amigo de Manoel veio para estas montanhas, no Arraial das Bagas, atrás de paz e da aventura maior de sua vida: a busca de si mesmo. Não mais isso de acompanhar estrelas da canção multinacional travestida em música popular brasileira, de aturar idiotas ocos e presunçosos, de conviver com traidores cínicos, com pulhas golpistas, com patifes assumidamente sem ética. Basta de tocar musiquetas, mesmo que belas, para “pratéias” de basbaques balançando braços e acendendo isqueiros bic, coisa que hoje virou sessões demoníacas de multidões de humanóides de sexo femninino gritando como macacas histéricas diante de duplas caipiróides cantando miséria sonora a duas vozes. E para não correr o risco de ter de , por necessidades, recair na atividade de acompanhar esses humanóides chapeludos, botinudos e fiveludos, o amigo de Manoel meteu-se nestas montanhas, embora sabendo ser uma comunidade repleta de bugres toscos e até perigosos em sua rusticidade e ignorância de bestas feras “sociáveis”. De resto, no miolo da canção brasileira que ostenta Simones, Betânias e Djavans, ele não encontrou senão gente mais perigosa ainda, porque gente com vícios de poder e grandeza. Portanto, às montanhas. Na verdade, havia filho pequeno e a necessidade de salvar um casamento, e as montanhas oferecem menos risco. Resultado: o cara não salvou o casamento, os filhos aderiram estupidamente à ilusão da canção multinacional, tornaram-se resistentes a cultura e a diálogo, tornaram-se, enfim, aquilo que ele lutou por mais de 20 anos para que não fossem. Enter.
Bela derrota. Pode ser, mas tem beleza. A beleza do cara que renuncia ao ambiente de traição nacional porque a entende como fato; a beleza de conseguir sentir não a pontinha de algodão no manto de seda de que falou Machado, mas o irrespirável fedor de carniça emanando do banquete dos traidores, coisa que lhe causou uma náusea irreversível. Quanto à vitória dos que cagam na ética e para a ética, não passa de uma imunda vitória de Pirro. E o fato de os filhos deste homem destemido se terem deixado dominar e cooptar pelo modelo de parte da família, verdadeiramente uma famiglia, em que abundam abertamente o golpismo e a trapaça como sendo a normalidade, e em que a ética é considerada coisa de otários, para ele não passa de uma confirmação gritante de que os maus avançam porque os bons se omitem. E os filhos viraram peças da engrenagem torpe, completamente iludidos por tolas fantasias de grandeza e completamente equivocados com base na ação coercitiva de um fascínio do tipo “os olhos da cobra verde”, irresistíveis. E os anos vão passando, e nada de acontecer o que eles sonham, e o pai, amigo do Manoel, agora lava as mãos depois de sofrer até injúrias e desprezo dos filhos, que chegaram a rejeitar publicamente o nome paterno. E acabaram virando uns “filhos de Francisco”, pífio troféu dessa vitória pírrica. Enter.
O amigo de Manoel confidenciou a este passagens hediondas vividas nessa roda, e os espectadores, aboletados em assentos que comprimem hemorróidas e partes sexuais viciadas ou mal usadas e/ou lavadas, babam sorvendo a luta, combate de um homem assumido e consciente contra um bando de fariseus chulos, e o sadismo de ver o possível massacre embala esses espíritos de caráter atroz. Mas o amigo, não podendo se esquivar ao enfrentamento definidor de postura moral, que não admite qualquer acordo, está mais decidido e mais afiado em sua sanha saneadora do que nunca. Os aliados e/ou cooptados desse bando ficam todos sobre o muro, segundo eles mesmos, mas estão é do lado mais forte, por deformidade de índole, sem qualquer pejo. A conveniência os conduz para o que eles classificam de lado mais forte e mais cômodo. Enter final.
Pobres catrumanos! Não vêem que o lado mais forte é sempre o lado do bem!! E vão emporcalhando suas vidas com aderir à causa da covardia e da discriminação, vão se associando a crimes, e ainda tecem “reflexões”. O pior de tudo, entretanto, é ver que os pivôs dessa guerra, os filhos do amigo, estão seguramente para sempre arrebentados. Não há mais tempo de se salvarem do inferno que assumiram como sendo um céu. Auto-exílio não salva pecadores... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Auto-exílio é algo raríssimo nesses dias porcos marcados pela lei da conveniência. A Humanidade toda está coisificada, ávida, carente e tentando saciar isso através de comprar, e pululam compradores desde as faraônicas lojas do tipo Daslu até as míseras bibocas de R$1, 99. Vale de cara contar uma piada: uma mulher chega para o marido, que lê seu jornal. São riquíssimos. Ela diz que está deprimida. Ele, sem tirar as fuças de trás do jornal, sugere que ela vá comprar uma nova jóia. Ela recusa, dizendo não aguentar mais tanta jóia. Ele, enfiado no jornal, então sugere que ela troque a BMW esporte por uma Ferrari; ela argumenta que a BMW não tem ainda 50 km rodados. Ele, impassível, cara dentro do jornal, sugere que ela passe um tempo na Europa, mas ela responde que está farta de europeus estúpidos e sem graça. Ele então passa a página e pergunta o que ela verdadeiramente quer. Ela responde: “O divórcio”. Aí ele fecha o jornal e exclama: “Puta merda, não pensei que teria de gastar tanto!”, Sugestivo: a macacada de qualquer classe anda se compensando no comprar (a mulher da piada quer mais...). Já os que negam esses valores, por verem nesse contexto a materialização de um deserto em torno de si, se desincompatibilizam disso criando uma espécie de reclusão preventiva e saneadora, que os livre de presenciar e viver esse cenário deprimente e depravado: o capitalismo selvagem e seus escravos do comprar. E esse auto-exílio não é paraíso, tem seus percalços. Vamos a eles. Enter.
Cansado de viver entre músicos estúpidos e calhordas que “pensam” como jogadores de futebol e tocam com as pernas, o amigo de Manoel veio para estas montanhas, no Arraial das Bagas, atrás de paz e da aventura maior de sua vida: a busca de si mesmo. Não mais isso de acompanhar estrelas da canção multinacional travestida em música popular brasileira, de aturar idiotas ocos e presunçosos, de conviver com traidores cínicos, com pulhas golpistas, com patifes assumidamente sem ética. Basta de tocar musiquetas, mesmo que belas, para “pratéias” de basbaques balançando braços e acendendo isqueiros bic, coisa que hoje virou sessões demoníacas de multidões de humanóides de sexo femninino gritando como macacas histéricas diante de duplas caipiróides cantando miséria sonora a duas vozes. E para não correr o risco de ter de , por necessidades, recair na atividade de acompanhar esses humanóides chapeludos, botinudos e fiveludos, o amigo de Manoel meteu-se nestas montanhas, embora sabendo ser uma comunidade repleta de bugres toscos e até perigosos em sua rusticidade e ignorância de bestas feras “sociáveis”. De resto, no miolo da canção brasileira que ostenta Simones, Betânias e Djavans, ele não encontrou senão gente mais perigosa ainda, porque gente com vícios de poder e grandeza. Portanto, às montanhas. Na verdade, havia filho pequeno e a necessidade de salvar um casamento, e as montanhas oferecem menos risco. Resultado: o cara não salvou o casamento, os filhos aderiram estupidamente à ilusão da canção multinacional, tornaram-se resistentes a cultura e a diálogo, tornaram-se, enfim, aquilo que ele lutou por mais de 20 anos para que não fossem. Enter.
Bela derrota. Pode ser, mas tem beleza. A beleza do cara que renuncia ao ambiente de traição nacional porque a entende como fato; a beleza de conseguir sentir não a pontinha de algodão no manto de seda de que falou Machado, mas o irrespirável fedor de carniça emanando do banquete dos traidores, coisa que lhe causou uma náusea irreversível. Quanto à vitória dos que cagam na ética e para a ética, não passa de uma imunda vitória de Pirro. E o fato de os filhos deste homem destemido se terem deixado dominar e cooptar pelo modelo de parte da família, verdadeiramente uma famiglia, em que abundam abertamente o golpismo e a trapaça como sendo a normalidade, e em que a ética é considerada coisa de otários, para ele não passa de uma confirmação gritante de que os maus avançam porque os bons se omitem. E os filhos viraram peças da engrenagem torpe, completamente iludidos por tolas fantasias de grandeza e completamente equivocados com base na ação coercitiva de um fascínio do tipo “os olhos da cobra verde”, irresistíveis. E os anos vão passando, e nada de acontecer o que eles sonham, e o pai, amigo do Manoel, agora lava as mãos depois de sofrer até injúrias e desprezo dos filhos, que chegaram a rejeitar publicamente o nome paterno. E acabaram virando uns “filhos de Francisco”, pífio troféu dessa vitória pírrica. Enter.
O amigo de Manoel confidenciou a este passagens hediondas vividas nessa roda, e os espectadores, aboletados em assentos que comprimem hemorróidas e partes sexuais viciadas ou mal usadas e/ou lavadas, babam sorvendo a luta, combate de um homem assumido e consciente contra um bando de fariseus chulos, e o sadismo de ver o possível massacre embala esses espíritos de caráter atroz. Mas o amigo, não podendo se esquivar ao enfrentamento definidor de postura moral, que não admite qualquer acordo, está mais decidido e mais afiado em sua sanha saneadora do que nunca. Os aliados e/ou cooptados desse bando ficam todos sobre o muro, segundo eles mesmos, mas estão é do lado mais forte, por deformidade de índole, sem qualquer pejo. A conveniência os conduz para o que eles classificam de lado mais forte e mais cômodo. Enter final.
Pobres catrumanos! Não vêem que o lado mais forte é sempre o lado do bem!! E vão emporcalhando suas vidas com aderir à causa da covardia e da discriminação, vão se associando a crimes, e ainda tecem “reflexões”. O pior de tudo, entretanto, é ver que os pivôs dessa guerra, os filhos do amigo, estão seguramente para sempre arrebentados. Não há mais tempo de se salvarem do inferno que assumiram como sendo um céu. Auto-exílio não salva pecadores... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Manoel, Belchior e Vanusa (e “Madonna”)
Frederico Mendonça de Oliveira
Completamente abestalhado com tanta podridão, loucura e descalabro no Brasil, Manoel toma conhecimento do sumiço do Belchior, amigo do peito há quase 40 anos. “Que diabo é isto??”, comenta Manoel com sua amada Maria, que, não conhecendo o artista como Manoel, considerou possível alguma loucura ter levado o cantor ao sumiço. Manoel argumentou de cadeira: ”Pois saiba, minha linda, que o Belchior é homem de qualidade e fibra, e nada do que lhe atribuem nessa mídia porca do Império coadunaria com a conduta dele, homem digno e grandioso, senhor de si e de suas ações, uma exceção em meio a essa plévia de intérpretes de canção a serviço de interesses pessoais de glória e grandeza e dos interesses das multinacionais do disco!”. E nosso herói tratou de entrar em contato com seus amigos e pessoas ligadas a Belchior conhecidas de muito tempo, e ninguém dizia nada de concreto. Até com o pessoal radicado na Ibéria Manoel falou, e nada. Conversando com o amigo músico guitarrista de que falamos lembrando o show em homenagem ao Raul, Manoel ficou sabendo que havia mutreta nisso, embora o músico achasse realmente atípico o sumiço, a ser verdade o fato, claro. Mas os dois convieram em que Belchior pudesse estar simplesmente enojado de tudo nesse país de miséria, desgraça e malignidade explícitas. E as notícias e especulações não paravam, chegando a alimentar a fogueira que faz Globo e Record abrirem luta pela audiência de forma aberta, envolvendo o público na disputa, com evidentes lucros para ambas no que expuseram ao público o embate: “De acordo com informações da coluna (Outro Canal), os executivos (da Record) entendem que a notícia foi um ‘artifício’ da Globo para evitar derrotas no ibope para ‘A Fazenda’ e para a estreia de Gugu. Ainda segundo a Outro Canal, a Globo sustenta o sumiço de Belchior, afirmando que a produção do ‘Fantástico’ ouviu mais de 60 pessoas ligadas ao cantor para os quais Belchior não dava notícias há mais de um ano e meio”. E ia assim a história quando Belchior sem qualquer problema fez contato e brecou as mirabolâncias, mostrando que é dono no próprio nariz, desapegado de glória e grandezas, e todo o circo armado desabou fácil. Enter.
“Entendeste, Maria? É o que eu lhe disse: o cara é sabedor de si!”, comentou Manoel com sua amada, que está mais que ciente de os dois serem tampa e caldeirão. E a novela Belchior acabou sem gran finale, mas certamente o cachê do cantor vai subir bastante quando (se) ele voltar a fazer shows no Brasil. “Se ele premeditou isso, terá sido de forma serena e inteligente, deixando apenas que a macacada sem rabo se desse conta do ‘desaparecimento’ de forma a criar tremenda expectativa e potencializar o valor do cachê, seguramente depreciado nestes dias de miséria musical. Se estava de todo desigual, havia que desempatar, porra!, e Belchior não é nenhum Daniel ou Leonardo, é homem culto como poucos nesse cu de país com 50 milhões de miseráveis e ‘governado’ por uma horda de monstros degenerados”. E ainda põem a Vanusa pra cantar “hino nacional”... Pois enter.
Vanusa era conhecida como uma das “musas” da jovem guarda (perdoem as minúsculas...) e como ex do Antônio Marcos, um maluco de primeira, dos poucos entre os que na “música” brasileira se mataram com bagulhos vários (Tim Maia, Raul, Sérgio Sampaio, Cássia Eller e alguns outros menos votados). Ela está no sétimo casório; os seis anteriores, segundo ela mesma, foram recheados de porrada, ela também dando, não escapando nem o pai, que ela cobriu de pau talvez para revidar o remoto dia em que ele disse que a irmã dela nasceu pra ser mãe e esposa, e ela para ser puta. Tudo isso está num depoimento dela no Google. Mas voltemos à reaparição gloriosa da cantora, que aconteceu paralelamente ao auê envolvendo o sumiço do Belchior. Trata-se de uma sessão de loucura musical admirável, e o paralelismo da reaparição dela com o sumiço do Belchior encontra também uma confirmação interessante no Google, pois tem lá um vídeo dela cantando Paralelas, bela canção do Belchior. Que viagem!... Nestes dias de Gilmar Mendes, Sarney, Palocci, magistrados aloprados rasgando lei a torto e a direito e perseguindo quem os denuncia, que hino poderia ser cantado para esse puteiro em que transformaram o Brasil? Fantástico a Vanusa ser contratada para cantar um treco surrealista desde sua “invenção” e mais surrealista ainda nesses dias de miséria e horror, porque nada mais faz sentido em relação a nada... Enter.
Vejam bem: o que se encontra de palavreado barroco no sempre absurdo e inviável “hino nacional” nada tem a ver com o que, digamos, vivemos – no passado e no presente. Entre outras bazófias, falam de o Brasil ser “florão da América”. Que florão? Somos quase todo o continente em território e, por outro lado, a vergonha da América do Sul, hoje até agigantada por Chávez, Morales e seus povos. Somos é merda nenhuma, somos é um chiqueiro e uma bicheira imunda! Portanto, Vanusa acabou por mostrar que cantar hino para nação inexistente faz sentido nenhum, e inventou uma outra coisa. E vai faturar com essa, porque chamou a atenção de todos. “Só podemos garantir é que não vai posar nua pra Playboys da vida...”, considera Manoel sorrindo lá consigo. Enter final.
E tem a ordinária Madonna, sempre de pernas abertas onde quer que apareça, uma imbecil ignorante que parece pensar com as coxas e a bunda mirrada, como que impondo a todos pensar no que conclui essa geografia obscena que ela insiste em empurrar goela abaixo do mundo. Pois a criatura se diz Madonna, nome da Virgem Maria. Só não sabemos o nome verdadeiro da tipinha, mas isso fica pra outra. Por agora, viva Belchior!, valeu, Vanusa!, xô Madona, que quase desmaiou no palco, e deveria mesmo é se estabacar de vez. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!.
Completamente abestalhado com tanta podridão, loucura e descalabro no Brasil, Manoel toma conhecimento do sumiço do Belchior, amigo do peito há quase 40 anos. “Que diabo é isto??”, comenta Manoel com sua amada Maria, que, não conhecendo o artista como Manoel, considerou possível alguma loucura ter levado o cantor ao sumiço. Manoel argumentou de cadeira: ”Pois saiba, minha linda, que o Belchior é homem de qualidade e fibra, e nada do que lhe atribuem nessa mídia porca do Império coadunaria com a conduta dele, homem digno e grandioso, senhor de si e de suas ações, uma exceção em meio a essa plévia de intérpretes de canção a serviço de interesses pessoais de glória e grandeza e dos interesses das multinacionais do disco!”. E nosso herói tratou de entrar em contato com seus amigos e pessoas ligadas a Belchior conhecidas de muito tempo, e ninguém dizia nada de concreto. Até com o pessoal radicado na Ibéria Manoel falou, e nada. Conversando com o amigo músico guitarrista de que falamos lembrando o show em homenagem ao Raul, Manoel ficou sabendo que havia mutreta nisso, embora o músico achasse realmente atípico o sumiço, a ser verdade o fato, claro. Mas os dois convieram em que Belchior pudesse estar simplesmente enojado de tudo nesse país de miséria, desgraça e malignidade explícitas. E as notícias e especulações não paravam, chegando a alimentar a fogueira que faz Globo e Record abrirem luta pela audiência de forma aberta, envolvendo o público na disputa, com evidentes lucros para ambas no que expuseram ao público o embate: “De acordo com informações da coluna (Outro Canal), os executivos (da Record) entendem que a notícia foi um ‘artifício’ da Globo para evitar derrotas no ibope para ‘A Fazenda’ e para a estreia de Gugu. Ainda segundo a Outro Canal, a Globo sustenta o sumiço de Belchior, afirmando que a produção do ‘Fantástico’ ouviu mais de 60 pessoas ligadas ao cantor para os quais Belchior não dava notícias há mais de um ano e meio”. E ia assim a história quando Belchior sem qualquer problema fez contato e brecou as mirabolâncias, mostrando que é dono no próprio nariz, desapegado de glória e grandezas, e todo o circo armado desabou fácil. Enter.
“Entendeste, Maria? É o que eu lhe disse: o cara é sabedor de si!”, comentou Manoel com sua amada, que está mais que ciente de os dois serem tampa e caldeirão. E a novela Belchior acabou sem gran finale, mas certamente o cachê do cantor vai subir bastante quando (se) ele voltar a fazer shows no Brasil. “Se ele premeditou isso, terá sido de forma serena e inteligente, deixando apenas que a macacada sem rabo se desse conta do ‘desaparecimento’ de forma a criar tremenda expectativa e potencializar o valor do cachê, seguramente depreciado nestes dias de miséria musical. Se estava de todo desigual, havia que desempatar, porra!, e Belchior não é nenhum Daniel ou Leonardo, é homem culto como poucos nesse cu de país com 50 milhões de miseráveis e ‘governado’ por uma horda de monstros degenerados”. E ainda põem a Vanusa pra cantar “hino nacional”... Pois enter.
Vanusa era conhecida como uma das “musas” da jovem guarda (perdoem as minúsculas...) e como ex do Antônio Marcos, um maluco de primeira, dos poucos entre os que na “música” brasileira se mataram com bagulhos vários (Tim Maia, Raul, Sérgio Sampaio, Cássia Eller e alguns outros menos votados). Ela está no sétimo casório; os seis anteriores, segundo ela mesma, foram recheados de porrada, ela também dando, não escapando nem o pai, que ela cobriu de pau talvez para revidar o remoto dia em que ele disse que a irmã dela nasceu pra ser mãe e esposa, e ela para ser puta. Tudo isso está num depoimento dela no Google. Mas voltemos à reaparição gloriosa da cantora, que aconteceu paralelamente ao auê envolvendo o sumiço do Belchior. Trata-se de uma sessão de loucura musical admirável, e o paralelismo da reaparição dela com o sumiço do Belchior encontra também uma confirmação interessante no Google, pois tem lá um vídeo dela cantando Paralelas, bela canção do Belchior. Que viagem!... Nestes dias de Gilmar Mendes, Sarney, Palocci, magistrados aloprados rasgando lei a torto e a direito e perseguindo quem os denuncia, que hino poderia ser cantado para esse puteiro em que transformaram o Brasil? Fantástico a Vanusa ser contratada para cantar um treco surrealista desde sua “invenção” e mais surrealista ainda nesses dias de miséria e horror, porque nada mais faz sentido em relação a nada... Enter.
Vejam bem: o que se encontra de palavreado barroco no sempre absurdo e inviável “hino nacional” nada tem a ver com o que, digamos, vivemos – no passado e no presente. Entre outras bazófias, falam de o Brasil ser “florão da América”. Que florão? Somos quase todo o continente em território e, por outro lado, a vergonha da América do Sul, hoje até agigantada por Chávez, Morales e seus povos. Somos é merda nenhuma, somos é um chiqueiro e uma bicheira imunda! Portanto, Vanusa acabou por mostrar que cantar hino para nação inexistente faz sentido nenhum, e inventou uma outra coisa. E vai faturar com essa, porque chamou a atenção de todos. “Só podemos garantir é que não vai posar nua pra Playboys da vida...”, considera Manoel sorrindo lá consigo. Enter final.
E tem a ordinária Madonna, sempre de pernas abertas onde quer que apareça, uma imbecil ignorante que parece pensar com as coxas e a bunda mirrada, como que impondo a todos pensar no que conclui essa geografia obscena que ela insiste em empurrar goela abaixo do mundo. Pois a criatura se diz Madonna, nome da Virgem Maria. Só não sabemos o nome verdadeiro da tipinha, mas isso fica pra outra. Por agora, viva Belchior!, valeu, Vanusa!, xô Madona, que quase desmaiou no palco, e deveria mesmo é se estabacar de vez. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Manoel e a boçalidade no Arraial das Bagas
Frederico Mendonça de Oliveira
Recebendo de uma admirável garota já beirando os 20 um poema do Bukowski via internet, Manoel considerou e admitiu como fato consumado a boçalidade no Arraial das Bagas. O poema fala em ter estilo para tudo, até para mandar o cérebro pelos ares, como fez Hemmingway, até para morrer na cruz, como Cristo. E o autor alude a alguns cães terem estilo: “I have seen dogs with more style than men”, mas em tempo coloca esses animais estúpidos no seu devido lugar: “Although not many dogs have style”, e sentencia a bem da elegância e do estilo falando sobre gatos: “Cats have it with abundance”. Pois é: o xaroposo Rubem Alves um belo dia escreveu um batatão sobre gatos num artigo sem pé nem cabeça, em que declarou sempre ter tido desconfiança de gatos. Por que, Rubens? Por serem eles elegantes e independentes, belos e gentis em tudo que fazem? Você deve preferir um cão babante em que você tem de dar banho, de limpar a bosta, deve achar lindo a cópula deles, que os deixa depois engatados asquerosamente como baratas dando vexame até a eles mesmos, né? Bem, deixando de lado quem desconfia de gatos, vamos ao cerne dessa fala de uma vez. Enter.
É que no Arraial das Bagas há cachorros de toda sorte. Desde todos os âmbitos do poder cachorros são abundantes. Fora do poder mas atrelados a ele e mamando e dando prosseguimento às cachorradas também há cachorros vestidos de toda sorte, dando suporte e tirando proveito da podridão instituída através da corrupção escancarada, e vivendo dela como vermes e abutres na carniça. E o Arraial não passa de um grande canil, onde se criam estupidamente cães largados nos quintais e jardins, sofrendo de tédio e desamparo, cagando e mijando e dando à população o fedor de que ela parece gostar muito. E, pior: latindo em desespero, em cadeia, e isso para seus donos acachorrados deve ser música... pois para essa gentuça a Xuxa é a Rainha dos Baixinhos MESMO, o Roberto Carlos é o Rei MESMO. Enter.
Pois Manoel sempre teve gatos. Embora tenha dado uma colher de chá a um filho criando um cão para ele por questão de espaço, o Sobio, isso foi uma exceção. O cão, mesmo sendo boa gente, incomodava Manoel, pois era burro e chato como todos os cães. E no tempo do Sobio Manoel tinha seu Grude, um gato rajado gentilíssimo, soberano e digno do carinho e atenção que recebia. Pois um dia envenenaram o bicho. O autor, segundo uma vizinha que criava um montão de gatos, foi um vizinho novo no pedaço, criador de passarinhos, super mal encarado, feio, bexiguento, de barba rala por fazer e casado com uma mulher também mal encarada e mais velha que ele, tipo uma bruxa de mal com a vida. Segundo a vizinha, os gatos dela foram mortos um atrás do outro. Manoel morava por ali, e como gatos andam mundo afora, o dele terá tido o mesmo destino, só que não conseguiu chegar de volta em casa para morrer lá. Enter.
Agora, com essa praça maldita reunindo uma ralé ruidosa e estúpida e já que vieram novos vizinhos arregimentados pelo poderoso autor do crime, vem acontecendo de desaparecerem os gatos nas imediações. Sumiram gatos de vizinhos, sumiram recentemente dois gatos de Manoel – desde que ele mora no endereço definitivo, já é o sexto gato dele eliminado com veneno, e um vizinho de muro fez uma piada de mau gosto como que “advertindo” que trabalha com cianeto, depois de manifestar sua aversão por gatos – e sobrou apenas um, negro, pesadão, luzidio, belíssimo e que deve ter sobrevivido por ter horror a seres humanos, talvez por isso não caindo no ardil de ir comer em casa de desconhecidos que vão dando ração a eles e depois de acostumá-los dão uma dose de veneno junto. Canalhas imundos! Covardes abjetos! E ainda posam de politicamente corretos, ainda desfilam como se fossem gente de bem, até aparecem em “colunas sociais” no pasquinete do arraial quando nem gente sonham ser! Pulhas! E, claro, quase todos têm cães. Óbvio. Enter.
Pois Manoel estava no sai-não-sai da cama numa manhã destas, tirando cochilos de leve, quando foi acordado de um deles por um som que no sonho era emitido por um estupidozinho de uns cinco anos e de camisa verde água. No instante em que acordou da soneca e do som, verificou que a coisa vinha do cão fila do vizinho, que emitiu um longo e agudo gemido. Combina: os animaizinhos vestidos que frequentam o espaço criminosamente montado berram como se torturados, e de tudo decorre uma sinfonia de sons deletérios emitidos por seres irracionais degenerados e desamparados. O que Manoel mais contempla no bairro é o som dos pássaros, desde os gritos poderosos das cocotas até os delicados cantos dos gaturamos, tudo soando como a orquestra da Natureza. Pois um dia passa Manoel pela rua contemplando a gritaria das maritacas no fio, e de dentro da casa em frente sai um boçal ignorante gritando para espantá-las dali, pois estava “incomodado” com a cantoria delas, uma divertidíssima troca de frases palradas. Esse pitecóide não tem alma nem coração: é um objeto vestido e dependente de ter, de matéria, nem sonhando com a idéia de ser... Enter final.
Pois o amigo de Manoel que foi guitarrista do Raul anda também amuado por ter perdido dois gatos amadíssimos, o Tácito – rajado e branco, forte, gentil, há já quatro anos vivendo com seu dono – e o Bicus – abreviatura de Chimbico, um angorazinho cinzento doce, amável, dócil, elegantemente chameguento, o xodó da casa –, que de algum tempo para cá, segundo o amigo, andavam possivelmente frequentando outra casa, pois andavam menos tempo na residência do dono. Que monstros! E o que eles não sabem é que vão pagar por isso na conta cármica, irremediavelmente. Com isso vê-se como são estúpidos e ignorantes. Por isso gostam tanto de cachorros... se é que gostam: devem apenas fazer deles suporte para a personalidade que não têm, já que são objetos vestidos obedientes à TV. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Recebendo de uma admirável garota já beirando os 20 um poema do Bukowski via internet, Manoel considerou e admitiu como fato consumado a boçalidade no Arraial das Bagas. O poema fala em ter estilo para tudo, até para mandar o cérebro pelos ares, como fez Hemmingway, até para morrer na cruz, como Cristo. E o autor alude a alguns cães terem estilo: “I have seen dogs with more style than men”, mas em tempo coloca esses animais estúpidos no seu devido lugar: “Although not many dogs have style”, e sentencia a bem da elegância e do estilo falando sobre gatos: “Cats have it with abundance”. Pois é: o xaroposo Rubem Alves um belo dia escreveu um batatão sobre gatos num artigo sem pé nem cabeça, em que declarou sempre ter tido desconfiança de gatos. Por que, Rubens? Por serem eles elegantes e independentes, belos e gentis em tudo que fazem? Você deve preferir um cão babante em que você tem de dar banho, de limpar a bosta, deve achar lindo a cópula deles, que os deixa depois engatados asquerosamente como baratas dando vexame até a eles mesmos, né? Bem, deixando de lado quem desconfia de gatos, vamos ao cerne dessa fala de uma vez. Enter.
É que no Arraial das Bagas há cachorros de toda sorte. Desde todos os âmbitos do poder cachorros são abundantes. Fora do poder mas atrelados a ele e mamando e dando prosseguimento às cachorradas também há cachorros vestidos de toda sorte, dando suporte e tirando proveito da podridão instituída através da corrupção escancarada, e vivendo dela como vermes e abutres na carniça. E o Arraial não passa de um grande canil, onde se criam estupidamente cães largados nos quintais e jardins, sofrendo de tédio e desamparo, cagando e mijando e dando à população o fedor de que ela parece gostar muito. E, pior: latindo em desespero, em cadeia, e isso para seus donos acachorrados deve ser música... pois para essa gentuça a Xuxa é a Rainha dos Baixinhos MESMO, o Roberto Carlos é o Rei MESMO. Enter.
Pois Manoel sempre teve gatos. Embora tenha dado uma colher de chá a um filho criando um cão para ele por questão de espaço, o Sobio, isso foi uma exceção. O cão, mesmo sendo boa gente, incomodava Manoel, pois era burro e chato como todos os cães. E no tempo do Sobio Manoel tinha seu Grude, um gato rajado gentilíssimo, soberano e digno do carinho e atenção que recebia. Pois um dia envenenaram o bicho. O autor, segundo uma vizinha que criava um montão de gatos, foi um vizinho novo no pedaço, criador de passarinhos, super mal encarado, feio, bexiguento, de barba rala por fazer e casado com uma mulher também mal encarada e mais velha que ele, tipo uma bruxa de mal com a vida. Segundo a vizinha, os gatos dela foram mortos um atrás do outro. Manoel morava por ali, e como gatos andam mundo afora, o dele terá tido o mesmo destino, só que não conseguiu chegar de volta em casa para morrer lá. Enter.
Agora, com essa praça maldita reunindo uma ralé ruidosa e estúpida e já que vieram novos vizinhos arregimentados pelo poderoso autor do crime, vem acontecendo de desaparecerem os gatos nas imediações. Sumiram gatos de vizinhos, sumiram recentemente dois gatos de Manoel – desde que ele mora no endereço definitivo, já é o sexto gato dele eliminado com veneno, e um vizinho de muro fez uma piada de mau gosto como que “advertindo” que trabalha com cianeto, depois de manifestar sua aversão por gatos – e sobrou apenas um, negro, pesadão, luzidio, belíssimo e que deve ter sobrevivido por ter horror a seres humanos, talvez por isso não caindo no ardil de ir comer em casa de desconhecidos que vão dando ração a eles e depois de acostumá-los dão uma dose de veneno junto. Canalhas imundos! Covardes abjetos! E ainda posam de politicamente corretos, ainda desfilam como se fossem gente de bem, até aparecem em “colunas sociais” no pasquinete do arraial quando nem gente sonham ser! Pulhas! E, claro, quase todos têm cães. Óbvio. Enter.
Pois Manoel estava no sai-não-sai da cama numa manhã destas, tirando cochilos de leve, quando foi acordado de um deles por um som que no sonho era emitido por um estupidozinho de uns cinco anos e de camisa verde água. No instante em que acordou da soneca e do som, verificou que a coisa vinha do cão fila do vizinho, que emitiu um longo e agudo gemido. Combina: os animaizinhos vestidos que frequentam o espaço criminosamente montado berram como se torturados, e de tudo decorre uma sinfonia de sons deletérios emitidos por seres irracionais degenerados e desamparados. O que Manoel mais contempla no bairro é o som dos pássaros, desde os gritos poderosos das cocotas até os delicados cantos dos gaturamos, tudo soando como a orquestra da Natureza. Pois um dia passa Manoel pela rua contemplando a gritaria das maritacas no fio, e de dentro da casa em frente sai um boçal ignorante gritando para espantá-las dali, pois estava “incomodado” com a cantoria delas, uma divertidíssima troca de frases palradas. Esse pitecóide não tem alma nem coração: é um objeto vestido e dependente de ter, de matéria, nem sonhando com a idéia de ser... Enter final.
Pois o amigo de Manoel que foi guitarrista do Raul anda também amuado por ter perdido dois gatos amadíssimos, o Tácito – rajado e branco, forte, gentil, há já quatro anos vivendo com seu dono – e o Bicus – abreviatura de Chimbico, um angorazinho cinzento doce, amável, dócil, elegantemente chameguento, o xodó da casa –, que de algum tempo para cá, segundo o amigo, andavam possivelmente frequentando outra casa, pois andavam menos tempo na residência do dono. Que monstros! E o que eles não sabem é que vão pagar por isso na conta cármica, irremediavelmente. Com isso vê-se como são estúpidos e ignorantes. Por isso gostam tanto de cachorros... se é que gostam: devem apenas fazer deles suporte para a personalidade que não têm, já que são objetos vestidos obedientes à TV. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
sábado, 22 de agosto de 2009
Manoel e os 20 anos sem Raul Seixas
Frederico Mendonça de Oliveira
Manoel é amigo do cara que foi o primeiro guitarrista do Raul Seixas. Como estamos a 20 anos do momento em que o Maluco Beleza nos deixou a ver Tchans, Bondes do Tigrão, Tiriricas, Créus, e a mídia voraz vai abocanhando (qualquer coisa serve para desviar a atenção da podridão que explode no Congresso e livrar Sarney do linchamento que tanto merece) e arrecadando (até depois de morto o Raul dá lucro aos chacais da segunda mais antiga profissão do mundo) em cima de homenagens, documentários, livros e tributos às centenas, vale parar e fazer uma reflexão entre um arroto, um peido e uma escarrada emitidos quando pensamos – o tempo todo, aliás – na cloaca parlamentar brasileira. E foi nesta pausa para meditação que Manoel topou com o velho amigo, que tocava no palco acompanhando o Raul em sua primeira temporada enquanto nosso herói tudo testemunhava da platéia, presente quase todos os dias àquele memorável show de estréia no Teatro Tereza Rachel, no Rio já conflagrado naquele já distante 1973. E foi aquilo de dois velhos amigos do peito trombando em meio à putaria instalada também nos mais remotos arraiais deste lugar degringolado chamado Brasil. Enter.
Irmanados na mesma visão crítica pela conjunta experiência haurida em anos de percurso comum, os dois se deixaram apenas ficar juntos, o amigo de braço apoiado no ombro firme de Manoel, e não era preciso praticamente dizer nada. O amigo perguntou pela Maria, mulher amada e sempre musa de Manoel, e a conversa, tácita, telepática, só foi interrompida quando o amigo informou que estaria tocando em homenagem ao Raul – não em homenagem aos 20 anos da morte do Raul, como dizem os trouxas tipo “pode vim”: não vá ninguém homenagear data de falecimento...- no exato dia em que se somam 20 anos do desaparecimento do cara. “Porra, não quero perder essa!’, exclamou entusiasmado Manoel, considerando como seria estar na platéia dessa homenagem e voltando no tempo vendo o amigo ainda de rabo-de-cavalo , cheirado e dando tudo em sua Gibson garance. O amigo ainda relatou ter composto um rock em homenagem ao finado autor de Ouro de Tolo. E esse rock alude ao ilícito que corrompeu a vida na vizinhança em que os dois se inserem, essa história de uma torpeza que trouxe com ela uma série de torpezas mais graves e abjetas ainda. Manoel, sabedor da capacidade musical e poética do velho amigo, ficou vermelho de entusiasmo, pensando consigo: “Carilha!, esse rock deve ser é bom, imagine-se o que poderá sair do coração esmagado desse músico sesquipedal!”, e os dois se despediram com forte e sentido abraço fraterno, pois o amigo estava a caminho de casa para receber a Globo, que o iria entrevistar em função do show de homenagem etc. Enter.
Pois tudo rolou, inclusive a matéria na TV, que, no conceito exigente de Manoel, deixou um gostinho de quero mais, na verdade ficando a dever ao músico e ao público – pra variar. E Manoel se divertiu muito considerando a dor-de-cotovelo, a inveja e o desapontamento dos vizinhos escrotos, covarde e sujamente organizados contra seu amigo, quando viram a viatura de externa da Globo parada na porta da casa por mais de duas horas (e tome acender e apagar refletores dentro da sala da frente)... E, como a casa do amigo está sendo observada por câmara colocada em casa de um dos moradores aliciados pelo autor intelectual do crime, esse registro deve ter causado calafrios entre os bugres estúpidos partidários do ilícito, que devem ter imaginado que vem bomba pela frente, pois fica reinstaurada no Arraial a superioridade do amigo, em termos de prestígio, frente à alcatéia que o assedia com ódio e inveja, e à população do arraial em geral, verdadeira súcia de conformistas materialistas hipócritas, senão cínicos.. Enter.
E rolou o evento, em meio a verdadeiro furor de produção, ensaios, gravação de reportagem da Globo, e a noite ferveu de gente, um evento explosivo, e Manoel no meio com sua linda Maria – levemente maquiada ela causa deslumbramento... – exibindo seu lindo violão e ajudando com eficiência as meninas ligadas ao amigo de Manoel e ao próprio casal. E nosso herói via com os olhos úmidos o amigo já sessentão, hoje tocando sentado, com uma SG de luthier (o admirável Ronay, de Americana, SP), guitarra furiosa, uma vedete pra rock, e em torno do consagrado guitarrista que ele é mais de mil jovens, a começar pelos músicos tocando no palco, todos alunos dele, com exceção do admirável baterista.convidado para compor a homenagem. Enter final.
E a noite foi apoteótica! O filho do amigo, cantor já admirado por conhecedores e leigos, cantou Cachorro Urubu, linda faixa do Raul (procure isso na internet, possível leitor) na verdade homenageando o cacique Touro Sentado, sioux que declarou guerra aos EUA e teve sua tribo exterminada pela famigerada 7ª Cavalaria, comandada pelo genocida general Custer. A namorada desse filho do amigo, cantora, baixista e violonista, dotada de voz deslumbrante, cantou lindamente Trem das Sete e causou comoção geral cantando, junto com a voz unânime e fervorosa da platéia de jovens, Maluco Beleza. E Manoel e Maria ouviram e presenciaram, abraçados e de cabeças juntas, vertendo lágrimas de emoção, Ouro de Tolo, obra prima do Raul, que parecia dirigida à corja de bugres aliciada pelo autor intelectual do ilícito, quando fala: “É você se olhar no espelho/ se sentir humano, ridículo, limitado e que só usa dez por cento de sua cabeça, animal! /E você pensar que é doutor, padre ou policial e que está contribuindo com sua parte para este belo quadro social”, e nosso herói e sua amada se apertaram mais ainda quando ouviram “Eu é que não me sento no trono de um apartamento/ com a boca escancarada cheia de dentes/ esperando a morte chegar!”, e olhavam para o amigo músico, homem de coração livre, homem livre de desejos, trabalhando com energia e concentração a turma de pupilos no palco, e Manoel se emocionava com a figura que vira há 36 anos dando suporte ao salto do Raul. Que, na verdade, estava ali, naquele evento, porque estavam reunidos mais de mil em seu nome. O resto... depois eu conto. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Manoel é amigo do cara que foi o primeiro guitarrista do Raul Seixas. Como estamos a 20 anos do momento em que o Maluco Beleza nos deixou a ver Tchans, Bondes do Tigrão, Tiriricas, Créus, e a mídia voraz vai abocanhando (qualquer coisa serve para desviar a atenção da podridão que explode no Congresso e livrar Sarney do linchamento que tanto merece) e arrecadando (até depois de morto o Raul dá lucro aos chacais da segunda mais antiga profissão do mundo) em cima de homenagens, documentários, livros e tributos às centenas, vale parar e fazer uma reflexão entre um arroto, um peido e uma escarrada emitidos quando pensamos – o tempo todo, aliás – na cloaca parlamentar brasileira. E foi nesta pausa para meditação que Manoel topou com o velho amigo, que tocava no palco acompanhando o Raul em sua primeira temporada enquanto nosso herói tudo testemunhava da platéia, presente quase todos os dias àquele memorável show de estréia no Teatro Tereza Rachel, no Rio já conflagrado naquele já distante 1973. E foi aquilo de dois velhos amigos do peito trombando em meio à putaria instalada também nos mais remotos arraiais deste lugar degringolado chamado Brasil. Enter.
Irmanados na mesma visão crítica pela conjunta experiência haurida em anos de percurso comum, os dois se deixaram apenas ficar juntos, o amigo de braço apoiado no ombro firme de Manoel, e não era preciso praticamente dizer nada. O amigo perguntou pela Maria, mulher amada e sempre musa de Manoel, e a conversa, tácita, telepática, só foi interrompida quando o amigo informou que estaria tocando em homenagem ao Raul – não em homenagem aos 20 anos da morte do Raul, como dizem os trouxas tipo “pode vim”: não vá ninguém homenagear data de falecimento...- no exato dia em que se somam 20 anos do desaparecimento do cara. “Porra, não quero perder essa!’, exclamou entusiasmado Manoel, considerando como seria estar na platéia dessa homenagem e voltando no tempo vendo o amigo ainda de rabo-de-cavalo , cheirado e dando tudo em sua Gibson garance. O amigo ainda relatou ter composto um rock em homenagem ao finado autor de Ouro de Tolo. E esse rock alude ao ilícito que corrompeu a vida na vizinhança em que os dois se inserem, essa história de uma torpeza que trouxe com ela uma série de torpezas mais graves e abjetas ainda. Manoel, sabedor da capacidade musical e poética do velho amigo, ficou vermelho de entusiasmo, pensando consigo: “Carilha!, esse rock deve ser é bom, imagine-se o que poderá sair do coração esmagado desse músico sesquipedal!”, e os dois se despediram com forte e sentido abraço fraterno, pois o amigo estava a caminho de casa para receber a Globo, que o iria entrevistar em função do show de homenagem etc. Enter.
Pois tudo rolou, inclusive a matéria na TV, que, no conceito exigente de Manoel, deixou um gostinho de quero mais, na verdade ficando a dever ao músico e ao público – pra variar. E Manoel se divertiu muito considerando a dor-de-cotovelo, a inveja e o desapontamento dos vizinhos escrotos, covarde e sujamente organizados contra seu amigo, quando viram a viatura de externa da Globo parada na porta da casa por mais de duas horas (e tome acender e apagar refletores dentro da sala da frente)... E, como a casa do amigo está sendo observada por câmara colocada em casa de um dos moradores aliciados pelo autor intelectual do crime, esse registro deve ter causado calafrios entre os bugres estúpidos partidários do ilícito, que devem ter imaginado que vem bomba pela frente, pois fica reinstaurada no Arraial a superioridade do amigo, em termos de prestígio, frente à alcatéia que o assedia com ódio e inveja, e à população do arraial em geral, verdadeira súcia de conformistas materialistas hipócritas, senão cínicos.. Enter.
E rolou o evento, em meio a verdadeiro furor de produção, ensaios, gravação de reportagem da Globo, e a noite ferveu de gente, um evento explosivo, e Manoel no meio com sua linda Maria – levemente maquiada ela causa deslumbramento... – exibindo seu lindo violão e ajudando com eficiência as meninas ligadas ao amigo de Manoel e ao próprio casal. E nosso herói via com os olhos úmidos o amigo já sessentão, hoje tocando sentado, com uma SG de luthier (o admirável Ronay, de Americana, SP), guitarra furiosa, uma vedete pra rock, e em torno do consagrado guitarrista que ele é mais de mil jovens, a começar pelos músicos tocando no palco, todos alunos dele, com exceção do admirável baterista.convidado para compor a homenagem. Enter final.
E a noite foi apoteótica! O filho do amigo, cantor já admirado por conhecedores e leigos, cantou Cachorro Urubu, linda faixa do Raul (procure isso na internet, possível leitor) na verdade homenageando o cacique Touro Sentado, sioux que declarou guerra aos EUA e teve sua tribo exterminada pela famigerada 7ª Cavalaria, comandada pelo genocida general Custer. A namorada desse filho do amigo, cantora, baixista e violonista, dotada de voz deslumbrante, cantou lindamente Trem das Sete e causou comoção geral cantando, junto com a voz unânime e fervorosa da platéia de jovens, Maluco Beleza. E Manoel e Maria ouviram e presenciaram, abraçados e de cabeças juntas, vertendo lágrimas de emoção, Ouro de Tolo, obra prima do Raul, que parecia dirigida à corja de bugres aliciada pelo autor intelectual do ilícito, quando fala: “É você se olhar no espelho/ se sentir humano, ridículo, limitado e que só usa dez por cento de sua cabeça, animal! /E você pensar que é doutor, padre ou policial e que está contribuindo com sua parte para este belo quadro social”, e nosso herói e sua amada se apertaram mais ainda quando ouviram “Eu é que não me sento no trono de um apartamento/ com a boca escancarada cheia de dentes/ esperando a morte chegar!”, e olhavam para o amigo músico, homem de coração livre, homem livre de desejos, trabalhando com energia e concentração a turma de pupilos no palco, e Manoel se emocionava com a figura que vira há 36 anos dando suporte ao salto do Raul. Que, na verdade, estava ali, naquele evento, porque estavam reunidos mais de mil em seu nome. O resto... depois eu conto. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Manoel retoma a literatura em meio ao caos
Frederico Mendonça de Oliveira
Depois de viver décadas um tanto afastado de seus autores prediletos da Santa Terrinha, Manoel decide mergulhar de novo na literatura portuguesa, repleta de gênios até o começo deste século, mas impressionantemente inferior ao Brasil em poetas e prosadores desde a década de 30 passada – tirando Fernando Pessoa, última glória da terra de Camões, que abriu a grande maravilha literária portuguesa. Hoje o Saramago reergue um pouco a chama de Portugal nas letras, mas é algo bastante pálido em comparação com um passado tão admirável. Em contrapartida, no Brasil a coisa da literatura no século XX foi arrasadora: de Euclides da Cunha e Murilo Mendes a Oswald de Andrade, João Guimarães Rosa, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, só pra citar alguns de nossos mestres do século passado, o Brasil simplesmente produziu a maior literatura do mundo! E para justificar o título, Manoel relembra um poeminha de Murilo Mendes de nome Pré-história: “Mamãe vestida de rendas/ tocava piano no caos/ Uma noite abriu as asas/ cansada de tanto som/ Equilibrou-se no azul/ de tonta não mais olhou para mim/ para ninguém/ Caiu no álbum de retratos”. Bem, o Brasil literariamente também acabou, e não só isso: acabou em tudo. Daí nosso herói se voltar para seu ícones do passado, especialmente um que fala através de seu próprio coração: Camilo Castelo Branco. Enter.
Bem, Camilo é Camilo, um território de riqueza incomparável, mesmo considerando seu contemporâneo Alexandre Herculano. Guimarães Rosa acabou por digamos encerrar a literatura brasileira, que recebeu seu golpe mortal com o movimento militar de 1964 e a imediatamente posterior entrada no ar do maior flagelo que já assolou nosso país terminal: a Rede Globo. Mas o encantamento da leitura dos geniais brasileiros acabou por afastar Manoel de Camilo, Eça, Ortigão, Herculano, Castilho, Pessoa e cia. Deu-se que nosso herói, depois de enfrentar um exemplar de contos russos constante de uma coleção de contos universais, e meio que aporrinhado com o universo daqueles escritores tão torturados, sem contar que tradução mata muito do sabor e teor originais, eis que lhe veio a idéia: “Ó pá! Tu não vais ler teus compatriotas no livro de contos portugueses desta porra de coleção??”, perguntou a si mesmo Manoel, e o livro saltou célere para suas mãos. E começou uma fase de deslumbramento para compensar a miséria moral e humana que pulula na pracita próxima a sua residência, onde mentalidades de frangos de granja, de hienas, de oligoquetas e de pitecóides fazem a farra da estupidez e da corrupção... Curiosamente, se tais "seres" se desgraçam com esse mergulho na lama da podridão política no hoje depravado Arraial das Bagas, trazendo para suas vidas e para a deformação dos infelizes menores que já em tenra idade aprendem a deformidade e a corrupção pelas mãos e exemplos miseráveis dos próprios pais, pelo menos os infelizes menores se livram da ação da Rede Globo, enquanto diariamente dão vazão a seus instintos herdados de pais estúpidos, ignorantes, arrogantes e sádicos. Enter.
Então, enquanto essas bestas e bestinhas chafurdam na lama, Manoel deita e rola na delícia dos contos portugueses, que abrem o volume com a maravilha de Padre Manoel Bernardes, uma linda parábola religiosa dos tempos ainda áureos do cristianismo católico autêntico e tão belo. E logo veio Herculano com seu imperdível “O bispo negro”, e logo veio Camilo com “Uma casa triste”, que levou nosso herói às lágrimas – que ele escondeu de sua amada, para não afligi-la. Pois ao ler Ramalho Ortigão, nosso herói chegou a quase estourar de tanto gargalhar ao lado de sua linda e divinal Maria, que neste momento lia os russos, e que ria de ver a explosão de hilaridade de seu homem e acabou até atemorizada com achar que ele ia ter um troço, pois se contorcia na cama de tanto rir e lacrimejar. E nessa admirável viagem, em que até o protótipo do livro A Cidade e as Serras apareceu em conto de nome Civilização, do Eça, Manoel se renovou das agruras de viver cercado de oligóides e corruptos confessos e fanáticos, sem contar a cachorrada dessa horda de imbecis, que late infernalmente como que transmitindo ao bairro a desdita que esses energúmenos experimentam nessa vida deles tão estúpida... Enter.
Pois Manoel, um iniciado por sua própria capacidade de evoluir, aplaca o desejo de impor uma lição a essa malta de basbaques e sevandijas, pois compreende que eles estão evoluindo mesmo que aparentemente regredindo tão grosseiramente. E considera sua própria condição: enquanto essa gentuça obtusa e alarvajada, seguindo religiosa e fervorosamente a determinação de outro alarvajado patife cheio de poder, se abestalha roçando-se uns nos outros como asnos a se coçar mutuamente, aquilo de “asinus asinum fricat” (um burro esfrega o outro), ele avança a largos passos no aperfeiçoamento desde que houve de se cansar da lamurienta e deprimente literatura russa, que chega aos limites do baixo astral. “Bem, estamos no país de Lula!”, pensa nosso querido personagem, “e que se pode esperar de um pinguço que não passa de um beldroegas traidor a serviço dos globalizadores fingindo ser homem do povo??”. Enter final.
Neste exato momento, um bando de estúpidos adolescentes histéricos faz arruaça na pracita. O que era local de paz virou esse inferno. Isso rima com Sarney, com Lula, com a guerra civil, com a estupidez instituída, com Rede Globo, com Igreja Universal, com a fome, com a corrupção, com o ódio: é a calamidade social, o colapso da Humanidade em marcha e materialização, é a decomposição vertiginosa dos conteúdos, é a lama, a lama, a lama! É Belzebu assumindo a sociedade em putrefação, é a tetrametilenodiamina e seu fedor de carniça tomando conta de tudo. É o fim. Mas Manoel enfia em êxtase pelas lindas páginas de A Doida de Candal, de Camilo, e se abstrai da miséria que pulula fora, na vizinhança que em delícia delirante se emporcalha em promiscuidade obscena, e sua Maria, linda e feminina, exala perfume a seu lado, encantando mais ainda o retorno de nosso herói a seus mestres lusitanos. E o céu se instala no recesso, sacrossanto sim!!, enquanto a récua de boçais se consome em azáfama de estupidez lá fora... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Depois de viver décadas um tanto afastado de seus autores prediletos da Santa Terrinha, Manoel decide mergulhar de novo na literatura portuguesa, repleta de gênios até o começo deste século, mas impressionantemente inferior ao Brasil em poetas e prosadores desde a década de 30 passada – tirando Fernando Pessoa, última glória da terra de Camões, que abriu a grande maravilha literária portuguesa. Hoje o Saramago reergue um pouco a chama de Portugal nas letras, mas é algo bastante pálido em comparação com um passado tão admirável. Em contrapartida, no Brasil a coisa da literatura no século XX foi arrasadora: de Euclides da Cunha e Murilo Mendes a Oswald de Andrade, João Guimarães Rosa, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, só pra citar alguns de nossos mestres do século passado, o Brasil simplesmente produziu a maior literatura do mundo! E para justificar o título, Manoel relembra um poeminha de Murilo Mendes de nome Pré-história: “Mamãe vestida de rendas/ tocava piano no caos/ Uma noite abriu as asas/ cansada de tanto som/ Equilibrou-se no azul/ de tonta não mais olhou para mim/ para ninguém/ Caiu no álbum de retratos”. Bem, o Brasil literariamente também acabou, e não só isso: acabou em tudo. Daí nosso herói se voltar para seu ícones do passado, especialmente um que fala através de seu próprio coração: Camilo Castelo Branco. Enter.
Bem, Camilo é Camilo, um território de riqueza incomparável, mesmo considerando seu contemporâneo Alexandre Herculano. Guimarães Rosa acabou por digamos encerrar a literatura brasileira, que recebeu seu golpe mortal com o movimento militar de 1964 e a imediatamente posterior entrada no ar do maior flagelo que já assolou nosso país terminal: a Rede Globo. Mas o encantamento da leitura dos geniais brasileiros acabou por afastar Manoel de Camilo, Eça, Ortigão, Herculano, Castilho, Pessoa e cia. Deu-se que nosso herói, depois de enfrentar um exemplar de contos russos constante de uma coleção de contos universais, e meio que aporrinhado com o universo daqueles escritores tão torturados, sem contar que tradução mata muito do sabor e teor originais, eis que lhe veio a idéia: “Ó pá! Tu não vais ler teus compatriotas no livro de contos portugueses desta porra de coleção??”, perguntou a si mesmo Manoel, e o livro saltou célere para suas mãos. E começou uma fase de deslumbramento para compensar a miséria moral e humana que pulula na pracita próxima a sua residência, onde mentalidades de frangos de granja, de hienas, de oligoquetas e de pitecóides fazem a farra da estupidez e da corrupção... Curiosamente, se tais "seres" se desgraçam com esse mergulho na lama da podridão política no hoje depravado Arraial das Bagas, trazendo para suas vidas e para a deformação dos infelizes menores que já em tenra idade aprendem a deformidade e a corrupção pelas mãos e exemplos miseráveis dos próprios pais, pelo menos os infelizes menores se livram da ação da Rede Globo, enquanto diariamente dão vazão a seus instintos herdados de pais estúpidos, ignorantes, arrogantes e sádicos. Enter.
Então, enquanto essas bestas e bestinhas chafurdam na lama, Manoel deita e rola na delícia dos contos portugueses, que abrem o volume com a maravilha de Padre Manoel Bernardes, uma linda parábola religiosa dos tempos ainda áureos do cristianismo católico autêntico e tão belo. E logo veio Herculano com seu imperdível “O bispo negro”, e logo veio Camilo com “Uma casa triste”, que levou nosso herói às lágrimas – que ele escondeu de sua amada, para não afligi-la. Pois ao ler Ramalho Ortigão, nosso herói chegou a quase estourar de tanto gargalhar ao lado de sua linda e divinal Maria, que neste momento lia os russos, e que ria de ver a explosão de hilaridade de seu homem e acabou até atemorizada com achar que ele ia ter um troço, pois se contorcia na cama de tanto rir e lacrimejar. E nessa admirável viagem, em que até o protótipo do livro A Cidade e as Serras apareceu em conto de nome Civilização, do Eça, Manoel se renovou das agruras de viver cercado de oligóides e corruptos confessos e fanáticos, sem contar a cachorrada dessa horda de imbecis, que late infernalmente como que transmitindo ao bairro a desdita que esses energúmenos experimentam nessa vida deles tão estúpida... Enter.
Pois Manoel, um iniciado por sua própria capacidade de evoluir, aplaca o desejo de impor uma lição a essa malta de basbaques e sevandijas, pois compreende que eles estão evoluindo mesmo que aparentemente regredindo tão grosseiramente. E considera sua própria condição: enquanto essa gentuça obtusa e alarvajada, seguindo religiosa e fervorosamente a determinação de outro alarvajado patife cheio de poder, se abestalha roçando-se uns nos outros como asnos a se coçar mutuamente, aquilo de “asinus asinum fricat” (um burro esfrega o outro), ele avança a largos passos no aperfeiçoamento desde que houve de se cansar da lamurienta e deprimente literatura russa, que chega aos limites do baixo astral. “Bem, estamos no país de Lula!”, pensa nosso querido personagem, “e que se pode esperar de um pinguço que não passa de um beldroegas traidor a serviço dos globalizadores fingindo ser homem do povo??”. Enter final.
Neste exato momento, um bando de estúpidos adolescentes histéricos faz arruaça na pracita. O que era local de paz virou esse inferno. Isso rima com Sarney, com Lula, com a guerra civil, com a estupidez instituída, com Rede Globo, com Igreja Universal, com a fome, com a corrupção, com o ódio: é a calamidade social, o colapso da Humanidade em marcha e materialização, é a decomposição vertiginosa dos conteúdos, é a lama, a lama, a lama! É Belzebu assumindo a sociedade em putrefação, é a tetrametilenodiamina e seu fedor de carniça tomando conta de tudo. É o fim. Mas Manoel enfia em êxtase pelas lindas páginas de A Doida de Candal, de Camilo, e se abstrai da miséria que pulula fora, na vizinhança que em delícia delirante se emporcalha em promiscuidade obscena, e sua Maria, linda e feminina, exala perfume a seu lado, encantando mais ainda o retorno de nosso herói a seus mestres lusitanos. E o céu se instala no recesso, sacrossanto sim!!, enquanto a récua de boçais se consome em azáfama de estupidez lá fora... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
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