Frederico Mendonça de Oliveira
Pudera: analisando a ação terrorista do Império contra o Afeganistão, o Iraque, a posição dos EUA – sede do Império – contra o Irã, a Coréia do Norte, Paquistão e mesmo Índia, sem contar a política extorsiva que os mecanismos do Império, a partir do FMI, exercem contra o Terceiro Mundo, Manoel, agora desligado de sua amada Maria, olha com desprezo e desengano para esse mundo que antes ele e seus conterrâneos chamavam de “mundo de Deus”. E que agora ele poderá chamar, sem nenhum traço de visão simplória no plano filosófico, de “mundo do diabo”. E, enfrentando o estado praticamente de choque pela ausência de sua amada Maria, Manoel se entrega a leituras várias, inclusive à de clássicos que lera em sua tenra juventude: Camões, Júlio Diniz, Camilo, Herculano, e qual não é sua estupefação quando constata que seu desengano vara séculos. Custa-lhe acreditar que a condição humana possa viver um sempre desastre iminente, sempre à beira do abismo, sempre no limiar da tragédia!... e que os homens estão sempre divididos entre a maioria de zumbis corruptíveis ou susceptíveis e a minoria de conscientes vivendo o conflito diante do caos e da contradição de encartar a desesperança e o horror como fatais diante da constatação da “realidade”... Enter.
O arraialito deu a Manoel a maior de suas experiências desastrosas na vida. Nem a guerra civil no Rio, aquele horror indizível, indescritível; nem a ação bélica suja e covarde do Império contra países indefesos como Iraque e Afeganistão; nem a ignomínia de décadas de massacre de Israel sobre a Palestina, simplesmente nada o feriu tanto como constatar a deformidade da “moral” da vizinhança de seu bairro no que promoveu e promove perseguição, apoiada pela corrupção EXPLÍCITA das autoridades locais, contra o morador que se apoiou na lei para defender sua propriedade, atingida por uma mudança criminosa providenciada por setores do “poder constituído”. Essa abjeção toda, que revelou a Manoel uma deformação de caráter coletivizada e assumida pelos moradores simpatizantes do ilícito e que perseguem o morador de forma torpe e covarde, “virou-lhe os bofes”, como se diz na Santa Terrinha em relação a vísceras. Mas ganhemos altura: esse rés do chão, esse estar nivelado a essa gentuça estúpida e/ou corrupta é algo capaz de produzir ânsias. Vamos ao passado. Enter.
Camões dissera, nos Lusíadas: “Põe-me onde se use toda a feridade, entre leões e tigres, e verei se neles achar posso a piedade que entre peitos humanos não achei”. Pois é o que o morador perseguido vive, nesses dias de tecnologia chegando ao inacreditável. Vive entre algo muito pior que feras, pois esses seres são gregários como lobos, atacam em alcatéia e são unidos por um insaciável desejo de sangue. E se dizem gente, e se consideram no topo da civilização. Pois bem antes, muitos séculos, Lao Tsé denunciava: “Quando a ordem prevalece no império/ os cavalos de guerra cultivam os campos/ Quando o Caminho (a ordem, a lei)é esquecido,/ os cavalos de guerra correm nas fronteiras”. E ainda: “A corte é corrupta!/ Os campos estão carregados de ervas daninhas/ Os silos estão vazios/ Todavia é possível encontrar pessoas ricamente/vestidas, com as/espadas dependuradas na cintura” (neste caso, trata-se de seguranças, carros blindados, armas caras, proteção eletrônica, etc.) “Empanturradas de comida e encharcadas de bebida/ que nem sabem avaliar o total de suas riquezas/ E quem acumula riquezas estimula o roubo”. Enter.
Precisa mais? Pois é. “Quem estimula a corrupção esbofeteia a si próprio e a Deus”, pensa nosso herói. A si próprio, porque cospe naquilo que o protege; a Deus, porque Ele tudo vê! E foi ainda em Herculano que Manoel recordou coisas que o sacudiram na tenra juventude: “Hoje, nos Paços de Toletum (Toledo) só retumba o ruído das festas (como no arraialito, as orgias regadas a tudo), os francos (gauleses) e os vascônicos (bascos) só falam das províncias do norte, e a espada dos guerreiros só reluz nas lutas civis” E essa ainda: “Dantes, nos conselhos dos prelados, dos nobres, dos homens livres, as leis iam buscar a sanção da sabedoria a aferir-se pela utilidade comum. Lá, o rei sabia que o poder lhe vinha de Deus e da vontade dos godos (que ocuparam a Espanha quando da ação do romance de Herculano), que o cetro era cajado de pastor, não cutelo de algoz, e a coroa, uma carga pesada, não uma auréola de vanglória”. Enter final.
E Manoel pensa no fútil e álacre Lula, tipo histriônico desfilando sua vanglória por um país cadáver e por esse mundo vergado à degenerescência imposta pelo Império... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes...
quinta-feira, 16 de abril de 2009
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Manoel descrê da realidade que o cerca
Frederico Mendonça de Oliveira
Começa vendo o que se passa pelo mundo. Embora cético para com evidências não concretas, coisas de natureza subjetiva ou mesmo padrões místicos mais para a superstição, um grilo se instalou na cabeça de Manoel a respeito da ação dos globalizadores. É que desde a fantasia Osama bin Laden, aquilo de acusá-lo de ser o autor dos atentados às Twin Towers, quando depois se comprovou não ter isso qualquer fundamento – e já que está sobejamente sabido terem sido justamente os globalizadores os responsáveis pela ação “terrorista” –, essa história de Obama, presidente americano de origem africana em país ainda completamente racista, e verificando que ele tem quase o mesmo prenome do suposto saudita, não lhe sai da cachimônia. Tá, pode ser coincidência, pode ser isso e aquilo, mas cachorro mordido de cobra... e, como Manoel vem se abestalhando com o que vê a seu imediato redor, é bom não descartar evidências sutis ou gritantes, mesmo que apenas se constituindo de uma semelhança sonora entre nomes de gente proeminente em dois países ainda em conflito, o mais poderoso atacando o mais fraco. Enter.
Pois é. Aqui no arraialito, as coisas chegaram ao cúmulo dos cúmulos. Primeiro, processos graves contra o prefeito incluindo crime eleitoral quando de seu primeiro mandato, estão na gaveta e de lá não saem nem a porrada. O Judiciário local está sendo acusado de favorecer o prefeito autor de ilicitudes várias, alega-se tratar-se de troca de favores. Feio isso... pois o mesmo prefeito, pouco antes de ser reeleito (!!!), foi indiciado pela Polícia Federal por formação de quadrilha e fraude em licitação. Depois de reeleito, não bastando tudo que já explodiu de escandaloso na primeira gestão, eis que entram processos contra o burgomestre acusando-o de ter aceito doação de campanha vinda de estabelecimento classificado como de utilidade pública, portanto impossibilitado de doar dinheiro para qualquer campanha política. E nada de acontecer nada: o tempo passa, tudo vai se acomodando, e resta lembrar que o juiz eleitoral da aldeota aprovou a doação “entendendo que a instituição doadora tem fins lucrativos” sim. Enter.
Pois em outra pendenga contra o prefeito, que autorizou obra sem documentação, portanto gerando um tremendo ilícito público, houve solicitação ao promotor do meio ambiente no sentido de abertura de inquérito civil público. O dito promotor se esquivou da abertura alegando suspeição – quando ISSO É DEVER DELE! – e mandou a solicitação para instância superior, e tudo acabou por desaparecer no vazio depois de um ano sem qualquer notícia sobre resultados para a solicitação. Deu-se de tudo ser acochambrado, os denunciantes da ilegalidade acabaram sendo processados por calúnia – sem qualquer fundamento, já que só denunciaram fatos –, a Câmara se faz de desentendida, quando a tal obra ilegal deveria ter sido aprovada em plenário para poder ser realizada – e não foi nem mesmo examinada pelos edis! –, e tudo virou do avesso no arraial, que por sinal nem imprensa real tem, e nem a imprensa da região publica nada a respeito de tamanho descalabro estabelecido como normalidade total. Enter.
“A maluquice é total no Brasil”, grunhe com seus botões um lusitano com o estômago querendo queimar, isto quando explodem notícias sobre gastos e ganhos de políticos. No Senado, aquela orgia de gastos; na Câmara, loucura atrás de loucura; na Presidência e nos ministérios, uma farra dos diabos com dinheiro público. No arraialito, os vereadores são acusados de gastos absurdos com diárias, e a acusação aponta para o fato de ter sido denunciado que não são exigidos comprovantes dos gastos com diárias, que chegam a somas sesquipedais! E ainda pesa no quengo da turma o fato de o vice-prefeito ter aumentado o próprio salário em 122%, segundo noticiado num site de notícias locais por um cidadão indignado. Enter final.
Mas o mal não pára aí. Acontece que a querida Maria, amor de Manoel, anda de avó atrás do toco com ele, e o mal adentrou no lar antes movido a amor e bem-estar. Aí Manoel realmente começou a sofrer de forma diversa: agora a merda atingiu seu coração. Na próxima renovação deste sítio os leitores saberão de desdobramentos dessa crise no seio de um lar de onde antes só saíam arrulhos. E viva Santo Expedito”! Oremos. Bye, babes!
Começa vendo o que se passa pelo mundo. Embora cético para com evidências não concretas, coisas de natureza subjetiva ou mesmo padrões místicos mais para a superstição, um grilo se instalou na cabeça de Manoel a respeito da ação dos globalizadores. É que desde a fantasia Osama bin Laden, aquilo de acusá-lo de ser o autor dos atentados às Twin Towers, quando depois se comprovou não ter isso qualquer fundamento – e já que está sobejamente sabido terem sido justamente os globalizadores os responsáveis pela ação “terrorista” –, essa história de Obama, presidente americano de origem africana em país ainda completamente racista, e verificando que ele tem quase o mesmo prenome do suposto saudita, não lhe sai da cachimônia. Tá, pode ser coincidência, pode ser isso e aquilo, mas cachorro mordido de cobra... e, como Manoel vem se abestalhando com o que vê a seu imediato redor, é bom não descartar evidências sutis ou gritantes, mesmo que apenas se constituindo de uma semelhança sonora entre nomes de gente proeminente em dois países ainda em conflito, o mais poderoso atacando o mais fraco. Enter.
Pois é. Aqui no arraialito, as coisas chegaram ao cúmulo dos cúmulos. Primeiro, processos graves contra o prefeito incluindo crime eleitoral quando de seu primeiro mandato, estão na gaveta e de lá não saem nem a porrada. O Judiciário local está sendo acusado de favorecer o prefeito autor de ilicitudes várias, alega-se tratar-se de troca de favores. Feio isso... pois o mesmo prefeito, pouco antes de ser reeleito (!!!), foi indiciado pela Polícia Federal por formação de quadrilha e fraude em licitação. Depois de reeleito, não bastando tudo que já explodiu de escandaloso na primeira gestão, eis que entram processos contra o burgomestre acusando-o de ter aceito doação de campanha vinda de estabelecimento classificado como de utilidade pública, portanto impossibilitado de doar dinheiro para qualquer campanha política. E nada de acontecer nada: o tempo passa, tudo vai se acomodando, e resta lembrar que o juiz eleitoral da aldeota aprovou a doação “entendendo que a instituição doadora tem fins lucrativos” sim. Enter.
Pois em outra pendenga contra o prefeito, que autorizou obra sem documentação, portanto gerando um tremendo ilícito público, houve solicitação ao promotor do meio ambiente no sentido de abertura de inquérito civil público. O dito promotor se esquivou da abertura alegando suspeição – quando ISSO É DEVER DELE! – e mandou a solicitação para instância superior, e tudo acabou por desaparecer no vazio depois de um ano sem qualquer notícia sobre resultados para a solicitação. Deu-se de tudo ser acochambrado, os denunciantes da ilegalidade acabaram sendo processados por calúnia – sem qualquer fundamento, já que só denunciaram fatos –, a Câmara se faz de desentendida, quando a tal obra ilegal deveria ter sido aprovada em plenário para poder ser realizada – e não foi nem mesmo examinada pelos edis! –, e tudo virou do avesso no arraial, que por sinal nem imprensa real tem, e nem a imprensa da região publica nada a respeito de tamanho descalabro estabelecido como normalidade total. Enter.
“A maluquice é total no Brasil”, grunhe com seus botões um lusitano com o estômago querendo queimar, isto quando explodem notícias sobre gastos e ganhos de políticos. No Senado, aquela orgia de gastos; na Câmara, loucura atrás de loucura; na Presidência e nos ministérios, uma farra dos diabos com dinheiro público. No arraialito, os vereadores são acusados de gastos absurdos com diárias, e a acusação aponta para o fato de ter sido denunciado que não são exigidos comprovantes dos gastos com diárias, que chegam a somas sesquipedais! E ainda pesa no quengo da turma o fato de o vice-prefeito ter aumentado o próprio salário em 122%, segundo noticiado num site de notícias locais por um cidadão indignado. Enter final.
Mas o mal não pára aí. Acontece que a querida Maria, amor de Manoel, anda de avó atrás do toco com ele, e o mal adentrou no lar antes movido a amor e bem-estar. Aí Manoel realmente começou a sofrer de forma diversa: agora a merda atingiu seu coração. Na próxima renovação deste sítio os leitores saberão de desdobramentos dessa crise no seio de um lar de onde antes só saíam arrulhos. E viva Santo Expedito”! Oremos. Bye, babes!
quinta-feira, 2 de abril de 2009
“Um panorama patético”, reflete Manoel
Frederico Mendonça de Oliveira
A propensão a participar da corrupção virou um conteúdo inerente aos brasileiros. Aqueles sujeitos que bostejaram suas posições políticas naquele encontro de artistas em apoio à reeleição de Lula chez Flora & Gil deixaram uma lição indelével. O tal de Paulo Betti dizendo que “Não dá para fazer política sem sujar as mãos, sem pegar na merda”; o tal do Wagner Tiso dizendo que nem está aí para ética e que o que vale é o jogo do poder; e ainda o José de Abreu pedindo salva de palmas para José Genoíno, José Dirceu e um outro dessa laia dos beneficiados pelo mensalão mostram que tudo se perdeu na Pindorama. Pedir palmas, diante de um “presidente” que diz nada saber, para aquele bando de pilantras envolvendo ainda Marcos Valério, Daniel Dantas, Silvio Land Rover Pereira, Duda Mendonça, essa corja de salafrários e escroques cinicamente deitando e rolando no poder, parece instalar o paradigma da postura dos cidadãos brasileiros de hoje. Basta um aceno para uma corrupçãozinha, lá estão todos abanando o rabo que nem cachorrinhos subservientes e desprovidos de senso ético, de princípios de moralidade, de consciência crítica. “Que fazer?”, pergunta-se Manoel, contemplando a degenerescência que o faz recordar Ovídio: “Vilia miratur vulgus” – o povo admira a vileza. Enter.
A tal pracita irregular no bairro de classe média em que Manoel reside mostra muito bem a deformação que vai dominando tudo e todos. Primeiro, uma praça ilegal projetada e realizada contra a lei pelo poder constituído, com apoio dos poderes do Município, rasgando a legislação que protege os cidadãos e ardorosamente apoiada por esses próprios simpatizantes, que não passam de seres assumidamente subservientes. Como pode a comunidade ajudar a destruir a legislação que a protege?? “Quem é burro peça a Deus que o mate e ao diabo que o carregue!”, lembra Manoel de sua avó Virgínia proferindo em altos brados este ditado tão descritivo da mentalidade dos brasileiros de classe média nesses dias sombrios, se não tétricos. Enter.
Manoel sente o coração oprimido ao considerar o massacre imposto ao único cidadão decente nessa pendenga, um sessentão egresso das áreas de arte e cultura e que se bandeou para estas montanhas para salvar um casamento com filhos e por não mais estar de acordo com a deformação imposta à área artística em que viveu e manteve atividade durante quase duas décadas. Pois o sujeito arrumou com muito sacrifício sua vida por aqui, lutando para dar uma formação moral decente a seus filhos – no que praticamente foi boicotado em tudo pela ex – e, depois de quase morrer de aturar toda sorte de maldades, conseguiu se ajeitar numa bela casita ao lado de uma área verde, casita que ele decorou com sua capacidade de homem das artes. Passaram-se bons sete anos até que a tragédia desabou sobre sua vida. O espaço ao lado de sua casa virou um pandemônio, com a participação ativa de uma vizinhança entupida de rede globo até as negras profundezas dos espaços intestinos. Enter.
E as retaliações ao único cidadão a invocar a lei chegaram ao inacreditável: crianças sendo usadas para gritar diabolicamente em frente ao jardim do coitado, bandos de malucos aprontadores realizando badernas indescritíveis, incluindo pancadarias, bebedeiras e sexo a céu aberto, bandos de adolescentes convocados para jogar futebol diante da casa do pobre, agressões inomináveis contra ele em seu portão, com injúrias, infâmias, tentativas de agressão, TUDO PORQUE O ÚNICO CIDADÃO CORRETO NESSA HISTÓRIA IMUNDA PLEITEOU PELO CUMPRIMENTO DA LEI!!!!!! Ninguém quer saber se ele está certo: querem apenas penalizá-lo, constrangê-lo, agredi-lo, sadicamente perseguir um cidadão que discordou do “desejo” da maioria. Enter final.
Enojado, Manoel emite um sonoro arroto, única atitude plausível diante de tamanha monstruosidade. Pois o mais torpe foi saber que o tal cidadão foi processado criminal e civelmente por denunciar o ilícito, não encontrou apoio de NENHUMA INSTÂNCIA de poder local, não recebeu oitiva da grande imprensa, que se esquivou miseravelmente de denunciar tamanho escândalo, e dá nojo e asco saber que os moradores “beneficiados” pelo ilícito prosseguem em sua tarefa de odiar, discriminar, perseguir, provocar e tentar transformar a vida do pobre legalista num inferno. Diante de tal teratologia manifestada, é fazer como o perseguido: viver recluso em sua bela casa tomando sua loura e produzindo arte para si mesmo ao lado de sua amada. “Faço o mesmo com minha Maria!”, exclama nosso herói em solidariedade a um simples homem honesto que destoa da miséria que o cerca e o vitima. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
A propensão a participar da corrupção virou um conteúdo inerente aos brasileiros. Aqueles sujeitos que bostejaram suas posições políticas naquele encontro de artistas em apoio à reeleição de Lula chez Flora & Gil deixaram uma lição indelével. O tal de Paulo Betti dizendo que “Não dá para fazer política sem sujar as mãos, sem pegar na merda”; o tal do Wagner Tiso dizendo que nem está aí para ética e que o que vale é o jogo do poder; e ainda o José de Abreu pedindo salva de palmas para José Genoíno, José Dirceu e um outro dessa laia dos beneficiados pelo mensalão mostram que tudo se perdeu na Pindorama. Pedir palmas, diante de um “presidente” que diz nada saber, para aquele bando de pilantras envolvendo ainda Marcos Valério, Daniel Dantas, Silvio Land Rover Pereira, Duda Mendonça, essa corja de salafrários e escroques cinicamente deitando e rolando no poder, parece instalar o paradigma da postura dos cidadãos brasileiros de hoje. Basta um aceno para uma corrupçãozinha, lá estão todos abanando o rabo que nem cachorrinhos subservientes e desprovidos de senso ético, de princípios de moralidade, de consciência crítica. “Que fazer?”, pergunta-se Manoel, contemplando a degenerescência que o faz recordar Ovídio: “Vilia miratur vulgus” – o povo admira a vileza. Enter.
A tal pracita irregular no bairro de classe média em que Manoel reside mostra muito bem a deformação que vai dominando tudo e todos. Primeiro, uma praça ilegal projetada e realizada contra a lei pelo poder constituído, com apoio dos poderes do Município, rasgando a legislação que protege os cidadãos e ardorosamente apoiada por esses próprios simpatizantes, que não passam de seres assumidamente subservientes. Como pode a comunidade ajudar a destruir a legislação que a protege?? “Quem é burro peça a Deus que o mate e ao diabo que o carregue!”, lembra Manoel de sua avó Virgínia proferindo em altos brados este ditado tão descritivo da mentalidade dos brasileiros de classe média nesses dias sombrios, se não tétricos. Enter.
Manoel sente o coração oprimido ao considerar o massacre imposto ao único cidadão decente nessa pendenga, um sessentão egresso das áreas de arte e cultura e que se bandeou para estas montanhas para salvar um casamento com filhos e por não mais estar de acordo com a deformação imposta à área artística em que viveu e manteve atividade durante quase duas décadas. Pois o sujeito arrumou com muito sacrifício sua vida por aqui, lutando para dar uma formação moral decente a seus filhos – no que praticamente foi boicotado em tudo pela ex – e, depois de quase morrer de aturar toda sorte de maldades, conseguiu se ajeitar numa bela casita ao lado de uma área verde, casita que ele decorou com sua capacidade de homem das artes. Passaram-se bons sete anos até que a tragédia desabou sobre sua vida. O espaço ao lado de sua casa virou um pandemônio, com a participação ativa de uma vizinhança entupida de rede globo até as negras profundezas dos espaços intestinos. Enter.
E as retaliações ao único cidadão a invocar a lei chegaram ao inacreditável: crianças sendo usadas para gritar diabolicamente em frente ao jardim do coitado, bandos de malucos aprontadores realizando badernas indescritíveis, incluindo pancadarias, bebedeiras e sexo a céu aberto, bandos de adolescentes convocados para jogar futebol diante da casa do pobre, agressões inomináveis contra ele em seu portão, com injúrias, infâmias, tentativas de agressão, TUDO PORQUE O ÚNICO CIDADÃO CORRETO NESSA HISTÓRIA IMUNDA PLEITEOU PELO CUMPRIMENTO DA LEI!!!!!! Ninguém quer saber se ele está certo: querem apenas penalizá-lo, constrangê-lo, agredi-lo, sadicamente perseguir um cidadão que discordou do “desejo” da maioria. Enter final.
Enojado, Manoel emite um sonoro arroto, única atitude plausível diante de tamanha monstruosidade. Pois o mais torpe foi saber que o tal cidadão foi processado criminal e civelmente por denunciar o ilícito, não encontrou apoio de NENHUMA INSTÂNCIA de poder local, não recebeu oitiva da grande imprensa, que se esquivou miseravelmente de denunciar tamanho escândalo, e dá nojo e asco saber que os moradores “beneficiados” pelo ilícito prosseguem em sua tarefa de odiar, discriminar, perseguir, provocar e tentar transformar a vida do pobre legalista num inferno. Diante de tal teratologia manifestada, é fazer como o perseguido: viver recluso em sua bela casa tomando sua loura e produzindo arte para si mesmo ao lado de sua amada. “Faço o mesmo com minha Maria!”, exclama nosso herói em solidariedade a um simples homem honesto que destoa da miséria que o cerca e o vitima. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
sexta-feira, 27 de março de 2009
Manoel e a noosfera
Frederico Mendonça de Oliveira
Um grande amigo de Manoel, pessoa de quem ele já era amigo há mais de década mas que só agora ocorreu de se tornar grande amigo, mandou um arquivo da pesada para nosso herói, falando sobre a grande mudança que se operará no ano de 2009 e que deverá deixar os globalizadores comendo o pão que o diabo amassou. Conhecedor de coisas do esoterismo, Manoel bateu os olhos na coisa e viu que não é pouca merda. O amigo Ary, quando de sua última visita ao arraialito, estreitou conhecimento especial com Manoel, incluindo até música refinada, para conhecedores das coisas que os objetos vestidos nem sonham calcular que possa existir. E daí vieram as novas condições de troca, em profudidade. E veio o tal texto, que passo a transcrever, para delícia de meus queridos possíveis leitores neste Brasil iletrado, em que o presidente, um semi-analfa, assina uma revisão ortográfica e que, bebum de carteirinha, baixa lei seca para motoristas em geral, já eu ele não dirige, né? Enter.
“Qual é o maior legado do ano Gregoriano 2008 para o seguinte, 2009? Sem dúvida o colapso do sistema financeiro mundial – isso e a eleição do primeiro presidente afro-americano dos Estados Unidos. São estas as duas forças que darão forma aos eventos mundiais do próximo ano. Ambas auguram 2009 como o ano da Grande Divisão”. Tá. Manoel, em não sendo um ignaro em assuntos esotéricos, já começa verificando que o ano, somados seus algarismos, dá 11, que é considerado número que simboliza transição, excesso e perigo. Manoel sabe que alguns autores lhe atribuem um caréter infernal, já que ele excede o número da perfeição (dez), e está relacionado também com o dois, número da fragmentação. E o texto avança em revelações chocantes mesmo para os ligadôes: “Claro, o que torna a situação tão difícil no plano relativo é que a ficção do dinheiro
dominou muito o ciclo babilônico de 5000 anos da História – isto e o que vem com essa paisagem: o horror dos impostos, guerra e domínio imperialista. De fato, virtualmente toda instituição do mundo moderno é governada e manipulada por dinheiro”. E não fica por aí. Quem tem cu tem medo, e qualquer um de nós ignora o que fez nas outras existências e sabe que, estando vivo, até o último instante de existência pode sofrer duras punições por erros passados. E uma mudança cósmica radical não erra em um mínimo aspecto sequer, e só os merecedores sairão vivos dessa, mesmo que passando por duras provas. Enter.
E o autor do texto prossegue, implacável: “Para a oligarquia reinante, o colapso financeiro-econômico será causa de maior entrincheiramento e endurecimento das artérias do poder. Ao invés de encarar o fato de que o velho jogo acabou, preferirão apegar-se a ele ainda mais. Em vez de tentar o novo, continuarão a tentar escorar instituições em falência, criando uma linha divisória ainda maior entre os que têm e os que não têm – sendo que estes últimos crescerão ainda mais em número conforme a falta de trabalho aumentar”. E os pobres desprovidos, em número já astronômico em relação à realidade anterior de poucas décadas, irão à luta. Isso já ocorre com o êxodo de trabalhadores para o Primeiro Mundo em busca de tarefas inferiores mas melhor remuneradas que abaixo da linha do Equador. E prossegue a cacetada: “Sim, 2009 é o ano da grande divisão. Não só temos as crises do aquecimento global e guerra ao terrorismo, como agora o tumulto financeiro dos mercados mundiais – uma crise tríplice global! A guerra ao terrorismo e o aquecimento global resultam do domínio exercido pelo dinheiro na mente humana e o que isso fez ao nosso caráter, fomentando ganância e indiferença descuidada, senão insensível, à violência e destruição da Natureza. Esta ameaça tripla é a crise terminal da civilização. Mas é a crise financeira que finalmente começou a fazer as pessoas pensarem seriamente – o velho mundo está realmente morrendo. Vamos morrer com ele ou escolheremos o novo?” Precisa dizer mais? Ou podemos tratar de ir aos finalmente? Enter final, então.
“O deslocamento para a noosfera – mutação da biosfera –é a única mudança real. É o único caminho de parar o terrorismo, pois os terroristas hoje nada mais são que a porção de nós mesmos ligados ao mito do progresso e adoração do dinheiro. Sem dinheiro mandando, Bão haverá mais razão para a causa terrorista. Osama Bin Laden nada mais é que um mito sombrio inventado e perpetrado pelo Banco Federal de Reservas, Organização do Comércio Mundial e Fundo Monetário Internacional para criar uma aura de medo para proteção do sistema financeiro”. Semana que vem prosseguiremos, queridos. Manoel está encantado com novas revelações... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Um grande amigo de Manoel, pessoa de quem ele já era amigo há mais de década mas que só agora ocorreu de se tornar grande amigo, mandou um arquivo da pesada para nosso herói, falando sobre a grande mudança que se operará no ano de 2009 e que deverá deixar os globalizadores comendo o pão que o diabo amassou. Conhecedor de coisas do esoterismo, Manoel bateu os olhos na coisa e viu que não é pouca merda. O amigo Ary, quando de sua última visita ao arraialito, estreitou conhecimento especial com Manoel, incluindo até música refinada, para conhecedores das coisas que os objetos vestidos nem sonham calcular que possa existir. E daí vieram as novas condições de troca, em profudidade. E veio o tal texto, que passo a transcrever, para delícia de meus queridos possíveis leitores neste Brasil iletrado, em que o presidente, um semi-analfa, assina uma revisão ortográfica e que, bebum de carteirinha, baixa lei seca para motoristas em geral, já eu ele não dirige, né? Enter.
“Qual é o maior legado do ano Gregoriano 2008 para o seguinte, 2009? Sem dúvida o colapso do sistema financeiro mundial – isso e a eleição do primeiro presidente afro-americano dos Estados Unidos. São estas as duas forças que darão forma aos eventos mundiais do próximo ano. Ambas auguram 2009 como o ano da Grande Divisão”. Tá. Manoel, em não sendo um ignaro em assuntos esotéricos, já começa verificando que o ano, somados seus algarismos, dá 11, que é considerado número que simboliza transição, excesso e perigo. Manoel sabe que alguns autores lhe atribuem um caréter infernal, já que ele excede o número da perfeição (dez), e está relacionado também com o dois, número da fragmentação. E o texto avança em revelações chocantes mesmo para os ligadôes: “Claro, o que torna a situação tão difícil no plano relativo é que a ficção do dinheiro
dominou muito o ciclo babilônico de 5000 anos da História – isto e o que vem com essa paisagem: o horror dos impostos, guerra e domínio imperialista. De fato, virtualmente toda instituição do mundo moderno é governada e manipulada por dinheiro”. E não fica por aí. Quem tem cu tem medo, e qualquer um de nós ignora o que fez nas outras existências e sabe que, estando vivo, até o último instante de existência pode sofrer duras punições por erros passados. E uma mudança cósmica radical não erra em um mínimo aspecto sequer, e só os merecedores sairão vivos dessa, mesmo que passando por duras provas. Enter.
E o autor do texto prossegue, implacável: “Para a oligarquia reinante, o colapso financeiro-econômico será causa de maior entrincheiramento e endurecimento das artérias do poder. Ao invés de encarar o fato de que o velho jogo acabou, preferirão apegar-se a ele ainda mais. Em vez de tentar o novo, continuarão a tentar escorar instituições em falência, criando uma linha divisória ainda maior entre os que têm e os que não têm – sendo que estes últimos crescerão ainda mais em número conforme a falta de trabalho aumentar”. E os pobres desprovidos, em número já astronômico em relação à realidade anterior de poucas décadas, irão à luta. Isso já ocorre com o êxodo de trabalhadores para o Primeiro Mundo em busca de tarefas inferiores mas melhor remuneradas que abaixo da linha do Equador. E prossegue a cacetada: “Sim, 2009 é o ano da grande divisão. Não só temos as crises do aquecimento global e guerra ao terrorismo, como agora o tumulto financeiro dos mercados mundiais – uma crise tríplice global! A guerra ao terrorismo e o aquecimento global resultam do domínio exercido pelo dinheiro na mente humana e o que isso fez ao nosso caráter, fomentando ganância e indiferença descuidada, senão insensível, à violência e destruição da Natureza. Esta ameaça tripla é a crise terminal da civilização. Mas é a crise financeira que finalmente começou a fazer as pessoas pensarem seriamente – o velho mundo está realmente morrendo. Vamos morrer com ele ou escolheremos o novo?” Precisa dizer mais? Ou podemos tratar de ir aos finalmente? Enter final, então.
“O deslocamento para a noosfera – mutação da biosfera –é a única mudança real. É o único caminho de parar o terrorismo, pois os terroristas hoje nada mais são que a porção de nós mesmos ligados ao mito do progresso e adoração do dinheiro. Sem dinheiro mandando, Bão haverá mais razão para a causa terrorista. Osama Bin Laden nada mais é que um mito sombrio inventado e perpetrado pelo Banco Federal de Reservas, Organização do Comércio Mundial e Fundo Monetário Internacional para criar uma aura de medo para proteção do sistema financeiro”. Semana que vem prosseguiremos, queridos. Manoel está encantado com novas revelações... E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
quarta-feira, 18 de março de 2009
“Enquanto o pau vai e vem...
Frederico Mendonça de Oliveira
...o lombo descansa”. Assim Manoel vai pensando sobre como aguentar (agora, sem trema) a contradição entre ficar no arraialito entre as montanhas sul-mineiras ou voltar para sua santa terrinha de Portugal, passando seus últimos tempos de vida na tradição em que se conheceu. Pois ocorre que, na faina de organizar coisas, fazer balanços, refletir sobre o tremendo “vai ou fica?” em que hoje se vê metido, eis que recebe a visita de uma portuguesinha que veio a esta colônia com uma brasileira que vive em Lisboa e que tem a família por aqui mesmo. A graça da menina é Luísa, e o nome combina com a belezinha apequenada e roliça dela, e tem aquela coisa do sotaquezinho, aquela falazinha gostosa e rascante como um vinhozinho seco e um bacalhau assado com azeite e muitas cebolas, batatas, pimentão, ovo cozido e tomate – e depois, quem quiser que se aguente (agora, sem trema) com a peidorrada. Enter.
Falava-se sobre as coisas do Brasil e de Portugal no encontro com a menina, todos sentados à mesa da copa-cozinha, Manoel encostado na pia, como sempre, tomando sua cerveja enquanto sua amada Maria ia servindo gostosuras pra menina e para os outros visitantes jovens. Pois deu-se que foi citado um nome de uma pessoa conhecida de todos, um nome escalafobético, e a menina Luísa se abestalhou com aquilo. “Que diabo de nome é iêsse?”, perguntou, cenho levemente franzido pela incredulidade. Começou aí uma discussão sobre os nomes dos brasileiros hoje, em que abundam combinações absolutamente insanas. O nome da tal pessoa era Tahyane, ou Rahiane, uma dessas duas coisas. Logo foi lembrado o nome da atleta brasileirinha Daiane, que até parece nossa portuguesinha depois de dois meses de sol direto e reto. E daí foi: o jogador Ruan; o menino Winterson Panther Cleveland... da Silva, e coisas que tais. Manoel até lembrou o nome da neta, Nastassja Suguie Nakaiama... de Oliveira – nome dado por seu filho e sua nora e que tem razões de ser na cultura japonesa. A estupefação da menina Luísa, com seus dezoito aninhos recém completos, causava encantamento em todos, porque fazia aflorar um espírito sólido da tradição cultural portuguesa, claro. No Brasil, as criaturas apenas olham asininamente para tudo, porque tudo perdeu sentido, nada mais se baseia em nada. E iam sendo lembrados nomes como Deivid, Deivisson, que são nomes de origem inglesa ou americana escritos aqui através de sua pronúncia. E os bugres acham isso bonito. Enter.
Luísa mostrava-se quase indignada, lembrando que em Portugal isso é proibido, porque seria uma ameaça à tradição cultural e mesmo ao idioma. “Nada de k, y ou w! A preocupação com a preservação do idioma proíbe esse desvio nos antropônimos, pois seria uma porta de entrada de maluquices idiomáticas. E Manoel quedava deliciado contemplando a sensatez lusitana diante de tanta loucura brasileira, considerando inclusive que os brasileiros não respeitam nem a si próprios nem a seus filhos, que condenam ao ridículo ao denominá-los de forma abstrusa. Enter.
Foram lembrados outros nomes não tão estúpidos, como Jacinto Leite Aquino Rego, Joana Porreca, Caio Rolando da Rocha, Um Dois Três de Oliveira Quatro, Rolando Escadabaixo de Andrade, Lançaperfume Rodometálica de Andrade, nomes loucos, mas ainda assim menos dementes que os que imitam pronúncia de nomes americanos. O que aliás diferencia estes daqueles é o fato de estes serem eventualidades de cabeças adoidadas, e serem coisa pontual; já aqueles são um modismo asinino, uma perversão como atitude colonizada, uma loucura linear... Enter.
Pior que isso somente ver mulheres malucas aguando passeio abestalhadamente, cometendo com isso um crime contra seus semelhantes e descendentes, porque desperdiçando água tratada de forma estúpida e atroz, porque não só serão elas as mais capazes de assassinar concorrentes quando a disputa pela água for questão de vida ou morte como também elas demonstram estupidez malsã por não pensarem em seus descendentes. São burras ou malucas? Ou as duas coisas? “As duas coisas, claro!”, pensa Manoel com seus botões. Enter final.
“Estou cá com os pés no Brasil e a cabeça em Portugal”, pensa Manoel contemplando a exuberância elegante e gentil de sua Maria. As bestas vestidas de gente pululam na pracita criminosamente imposta ao bairro e à gente decente da cidade. Os cães latem estupidamente pra todo lado. Luísa se diverte com piadas de brasileiros contadas em Portugal, e Manoel e Maria se olham com amor. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
...o lombo descansa”. Assim Manoel vai pensando sobre como aguentar (agora, sem trema) a contradição entre ficar no arraialito entre as montanhas sul-mineiras ou voltar para sua santa terrinha de Portugal, passando seus últimos tempos de vida na tradição em que se conheceu. Pois ocorre que, na faina de organizar coisas, fazer balanços, refletir sobre o tremendo “vai ou fica?” em que hoje se vê metido, eis que recebe a visita de uma portuguesinha que veio a esta colônia com uma brasileira que vive em Lisboa e que tem a família por aqui mesmo. A graça da menina é Luísa, e o nome combina com a belezinha apequenada e roliça dela, e tem aquela coisa do sotaquezinho, aquela falazinha gostosa e rascante como um vinhozinho seco e um bacalhau assado com azeite e muitas cebolas, batatas, pimentão, ovo cozido e tomate – e depois, quem quiser que se aguente (agora, sem trema) com a peidorrada. Enter.
Falava-se sobre as coisas do Brasil e de Portugal no encontro com a menina, todos sentados à mesa da copa-cozinha, Manoel encostado na pia, como sempre, tomando sua cerveja enquanto sua amada Maria ia servindo gostosuras pra menina e para os outros visitantes jovens. Pois deu-se que foi citado um nome de uma pessoa conhecida de todos, um nome escalafobético, e a menina Luísa se abestalhou com aquilo. “Que diabo de nome é iêsse?”, perguntou, cenho levemente franzido pela incredulidade. Começou aí uma discussão sobre os nomes dos brasileiros hoje, em que abundam combinações absolutamente insanas. O nome da tal pessoa era Tahyane, ou Rahiane, uma dessas duas coisas. Logo foi lembrado o nome da atleta brasileirinha Daiane, que até parece nossa portuguesinha depois de dois meses de sol direto e reto. E daí foi: o jogador Ruan; o menino Winterson Panther Cleveland... da Silva, e coisas que tais. Manoel até lembrou o nome da neta, Nastassja Suguie Nakaiama... de Oliveira – nome dado por seu filho e sua nora e que tem razões de ser na cultura japonesa. A estupefação da menina Luísa, com seus dezoito aninhos recém completos, causava encantamento em todos, porque fazia aflorar um espírito sólido da tradição cultural portuguesa, claro. No Brasil, as criaturas apenas olham asininamente para tudo, porque tudo perdeu sentido, nada mais se baseia em nada. E iam sendo lembrados nomes como Deivid, Deivisson, que são nomes de origem inglesa ou americana escritos aqui através de sua pronúncia. E os bugres acham isso bonito. Enter.
Luísa mostrava-se quase indignada, lembrando que em Portugal isso é proibido, porque seria uma ameaça à tradição cultural e mesmo ao idioma. “Nada de k, y ou w! A preocupação com a preservação do idioma proíbe esse desvio nos antropônimos, pois seria uma porta de entrada de maluquices idiomáticas. E Manoel quedava deliciado contemplando a sensatez lusitana diante de tanta loucura brasileira, considerando inclusive que os brasileiros não respeitam nem a si próprios nem a seus filhos, que condenam ao ridículo ao denominá-los de forma abstrusa. Enter.
Foram lembrados outros nomes não tão estúpidos, como Jacinto Leite Aquino Rego, Joana Porreca, Caio Rolando da Rocha, Um Dois Três de Oliveira Quatro, Rolando Escadabaixo de Andrade, Lançaperfume Rodometálica de Andrade, nomes loucos, mas ainda assim menos dementes que os que imitam pronúncia de nomes americanos. O que aliás diferencia estes daqueles é o fato de estes serem eventualidades de cabeças adoidadas, e serem coisa pontual; já aqueles são um modismo asinino, uma perversão como atitude colonizada, uma loucura linear... Enter.
Pior que isso somente ver mulheres malucas aguando passeio abestalhadamente, cometendo com isso um crime contra seus semelhantes e descendentes, porque desperdiçando água tratada de forma estúpida e atroz, porque não só serão elas as mais capazes de assassinar concorrentes quando a disputa pela água for questão de vida ou morte como também elas demonstram estupidez malsã por não pensarem em seus descendentes. São burras ou malucas? Ou as duas coisas? “As duas coisas, claro!”, pensa Manoel com seus botões. Enter final.
“Estou cá com os pés no Brasil e a cabeça em Portugal”, pensa Manoel contemplando a exuberância elegante e gentil de sua Maria. As bestas vestidas de gente pululam na pracita criminosamente imposta ao bairro e à gente decente da cidade. Os cães latem estupidamente pra todo lado. Luísa se diverte com piadas de brasileiros contadas em Portugal, e Manoel e Maria se olham com amor. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
quinta-feira, 12 de março de 2009
Manoel e o drama da menina de nove anos
Frederico Mendonça de Oliveira
A história sacudiu o país, todo mundo falou nela, especialmente a galera da mídia. Nesses momentos aflora para todos por onde anda a cuca dos brasileiros. Em relação ao assunto falaram o Arcebispo de Recife e Olinda, o “presidente” Lula, articulistas de pensamento treinado, e a rafaméia que é a classe média brasileira, toda ela entupida de TV a ponto de o pódice fazer bico, palrou suas “convicções” primárias e superficiais entre a novela das oito e o Big Brother, se é que palrou. Segundo ele tem observado no perfil desses objetos vestidos qual micos de circo, trata-se de uma multitudinária legião de cérebros de frango de granja, e ele certificou-se disso ao observar nessa “gente” o cinismo, a obtusidade trêfega e assumida, a irresponsabilidade álacre, os maus instintos manifestados como virtudes, e essa amostragem se deu a partir do episódio da pracita, em que os tão cordiais vizinhos e moradores do mesmo bairro se mostraram estúpidos, boçais, amesquinhados, grosseiros, criminosos, de cariz teratológico ostentado como sendo normalidade. Então Manoel imagina o que ocorre quimicamente nas cachimônias dessas bestas e dá de ombros. Que fazer com alimárias que se “pensam” gente? Enter.
Bem, o caso da menina. Primeiro, ninguém foi fundo, mas isso está assim por agora. Um dia... Sabe-se lá, mas vai uma pergunta: aos nove anos essa menina já poderia engravidar? Isso não foi veiculado. Mas pode, segundo ele apurou. Trata-se de gente com amadurecimento precoce, puberdade antecipada, desnível hormonal. Não é uma coisa comum, mas ocorre. Muito bem. Mas tem outra coisa: quem está certo na questão da realização do aborto? Os que o apoiaram e realizaram ou os que, brandindo os preceitos católicos, como o tal arcebispo, condenaram o aborto, chegando a rolar excomunhão? Manoel considera a lei divina, e vê que a coisa é completamente outra. Ninguém falou no verdadeiro princípio divino, o carma, e nas implicações desse evento, coisa que só acontece de acordo com o plano evolutivo de cada criatura. Enter.
Cansado de vivenciar o triunfo e mesmo o endeusamento da mediocridade, Manoel se compadece do atraso absurdo em que a maioria da população brasileira está mergulhada. Berra de um lado o sistema da mídia aproveitando a aberração que vende jornal e telejornal; de outro lado, berra o estamento católico ainda querendo se arrogar direito de intervir num rebanho de há muito desgarrado de qualquer coisa concreta em termos de religião, que só é vagamente conhecida e seguida de forma vã; de outro lado ainda, berram seres abestalhados pela mídia, os midiotas, brandindo visões “pessoais” quando não passam de minúsculas engrenagens de um sistema prostituidor. E ninguém tem qualquer sombra de razão em nada: os objetos vestidos mugem, relincham, balem, regougam, blateram, silvam, guincham, uivam, ganem, cada um de acordo com o animal que traz dentro de si. E a verdade – pra variar! – passa batida, enquanto os amalucados midiotas se agitam num anti-estético frenesi causado por um fato digamos... inusitado. Enter.
Pois Manoel se refugia em suas águas profundas e considera a realidade. O fato de uma criança sofrer sob a conduta de um psicopata não a faz inocente em relação ao que sofreu. Ou Deus permitiria algo que não tem uma causa justa? “Se queres entender por que sofres, pensa no que andaste fazendo nas outras vidas, ó pá!”. E a paz de Deus logo nos visita... Isso não isenta os culpados de serem punidos. E não isenta a menina de ser socorrida, sendo o aborto admissível pelo fato de livrar a infeliz de carregar uma gravidez aos nove anos e parir gêmeos. O que, para essa “civilização” que integramos, valerá como evitar um desconforto muito grande incluindo risco de vida. Ou de morte, como queiram os que agora adotaram essa variante, que inverte o sinal de uma tradição de séculos. Enter final.
Bem, a menina está aí. Viveu até hoje um pesadelo, e isso não terá sido em vão para seu processo de aperfeiçoamento e não teria ocorrido se não houvesse dívida passada, e nessa mesma dimensão. E o algoz estará a ferros, correndo o risco de ser “justiçado” na prisão pelos companheiros de cárcere. Porque, fora isso, dificilmente haverá qualquer sentido no que correr judicialmente, porque a instituição Justiça está desgraçadamente em ruínas. “Nihil humanum a me alienum puto”, considera intimamente Manoel, e ele traduz o latinório: nada do que é humano me é estranho. E vamos a uma gelada, ao lado da amada Maria, ouvindo... Think of One, com o Marsalis Quintet, E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
A história sacudiu o país, todo mundo falou nela, especialmente a galera da mídia. Nesses momentos aflora para todos por onde anda a cuca dos brasileiros. Em relação ao assunto falaram o Arcebispo de Recife e Olinda, o “presidente” Lula, articulistas de pensamento treinado, e a rafaméia que é a classe média brasileira, toda ela entupida de TV a ponto de o pódice fazer bico, palrou suas “convicções” primárias e superficiais entre a novela das oito e o Big Brother, se é que palrou. Segundo ele tem observado no perfil desses objetos vestidos qual micos de circo, trata-se de uma multitudinária legião de cérebros de frango de granja, e ele certificou-se disso ao observar nessa “gente” o cinismo, a obtusidade trêfega e assumida, a irresponsabilidade álacre, os maus instintos manifestados como virtudes, e essa amostragem se deu a partir do episódio da pracita, em que os tão cordiais vizinhos e moradores do mesmo bairro se mostraram estúpidos, boçais, amesquinhados, grosseiros, criminosos, de cariz teratológico ostentado como sendo normalidade. Então Manoel imagina o que ocorre quimicamente nas cachimônias dessas bestas e dá de ombros. Que fazer com alimárias que se “pensam” gente? Enter.
Bem, o caso da menina. Primeiro, ninguém foi fundo, mas isso está assim por agora. Um dia... Sabe-se lá, mas vai uma pergunta: aos nove anos essa menina já poderia engravidar? Isso não foi veiculado. Mas pode, segundo ele apurou. Trata-se de gente com amadurecimento precoce, puberdade antecipada, desnível hormonal. Não é uma coisa comum, mas ocorre. Muito bem. Mas tem outra coisa: quem está certo na questão da realização do aborto? Os que o apoiaram e realizaram ou os que, brandindo os preceitos católicos, como o tal arcebispo, condenaram o aborto, chegando a rolar excomunhão? Manoel considera a lei divina, e vê que a coisa é completamente outra. Ninguém falou no verdadeiro princípio divino, o carma, e nas implicações desse evento, coisa que só acontece de acordo com o plano evolutivo de cada criatura. Enter.
Cansado de vivenciar o triunfo e mesmo o endeusamento da mediocridade, Manoel se compadece do atraso absurdo em que a maioria da população brasileira está mergulhada. Berra de um lado o sistema da mídia aproveitando a aberração que vende jornal e telejornal; de outro lado, berra o estamento católico ainda querendo se arrogar direito de intervir num rebanho de há muito desgarrado de qualquer coisa concreta em termos de religião, que só é vagamente conhecida e seguida de forma vã; de outro lado ainda, berram seres abestalhados pela mídia, os midiotas, brandindo visões “pessoais” quando não passam de minúsculas engrenagens de um sistema prostituidor. E ninguém tem qualquer sombra de razão em nada: os objetos vestidos mugem, relincham, balem, regougam, blateram, silvam, guincham, uivam, ganem, cada um de acordo com o animal que traz dentro de si. E a verdade – pra variar! – passa batida, enquanto os amalucados midiotas se agitam num anti-estético frenesi causado por um fato digamos... inusitado. Enter.
Pois Manoel se refugia em suas águas profundas e considera a realidade. O fato de uma criança sofrer sob a conduta de um psicopata não a faz inocente em relação ao que sofreu. Ou Deus permitiria algo que não tem uma causa justa? “Se queres entender por que sofres, pensa no que andaste fazendo nas outras vidas, ó pá!”. E a paz de Deus logo nos visita... Isso não isenta os culpados de serem punidos. E não isenta a menina de ser socorrida, sendo o aborto admissível pelo fato de livrar a infeliz de carregar uma gravidez aos nove anos e parir gêmeos. O que, para essa “civilização” que integramos, valerá como evitar um desconforto muito grande incluindo risco de vida. Ou de morte, como queiram os que agora adotaram essa variante, que inverte o sinal de uma tradição de séculos. Enter final.
Bem, a menina está aí. Viveu até hoje um pesadelo, e isso não terá sido em vão para seu processo de aperfeiçoamento e não teria ocorrido se não houvesse dívida passada, e nessa mesma dimensão. E o algoz estará a ferros, correndo o risco de ser “justiçado” na prisão pelos companheiros de cárcere. Porque, fora isso, dificilmente haverá qualquer sentido no que correr judicialmente, porque a instituição Justiça está desgraçadamente em ruínas. “Nihil humanum a me alienum puto”, considera intimamente Manoel, e ele traduz o latinório: nada do que é humano me é estranho. E vamos a uma gelada, ao lado da amada Maria, ouvindo... Think of One, com o Marsalis Quintet, E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
sexta-feira, 6 de março de 2009
Manoel já se mobiliza para a mudança
Frederico Mendonça de Oliveira
“Bem, a situação no Brasil cheira, no mínimo, a carniça”, pensa Manoel, considerando a possibilidade de, depois de duas gestões dessa patacoada de petezada no poder, com esse boneco abstrato como presidente da República, ascender ao poder um tipo de vampiro meleca e desprezível como esse José Serra. Significaria apenas ver diariamente aquela figura patibular e desprezível mamando a presidência dessa aldeia desvairada em que o Brasil foi transformado através da ação maligna e impiedosa dos globalizadores e com a participação direta de milhares de burocratas abjetos, traidores imundos da pátria que os pariu, e com o apoio da maioria da legião de milhões de desgraçados zumbis que vagam a esmo e sem rumo pela superfície desta geografia malignizada e apodrecida ainda chamada de Brasil. “Fazer o quê, se o País foi transformado nisso, e a macacada brasilis ainda ajuda na destruição??”, e mesmo assim o coração lusitano de nosso herói ainda se contrai por ter de tomar um rumo novo para Manoel não ser tragado pela degenerescência galopante que assola a Pindorama. Enter.
Uma ida a Belo Horizonte para alinhavar coisas, e eis nosso irmão aturando rodoviária, ônibus, táxi, toda a merda pesada que envolve qualquer deslocamento nessas Minas que um dia dizem que fora de Deus. Na ida, uma carona com o amigo do morador perseguido porque questionou a obra ilegal. Tudo bem, três seres maduros dentro de um carro confortável, uma viagem até muito agradável. Conversas relevantes, um som de jazz muito instrutivo, NY Voices e outras mumunhas, inclusive Os Gatos, aquela maravilha de gravação do Eumir Deodato junto com o Durval Ferreira, temas como Pacific Sunset, A Chuva, Estamos Aí, a obra prima Dois Peixinhos, de Durval e Lula Freire. Parecia outro mundo, não esse Brasil fecal de axés, pagode e breganejos, essa pornografia sonora que nos assola por todos os lados. Enter.
Foi pôr os pés em BH e começar o massacre. Tudo caro, um movimento caótico de fim de mundo, para não dizer inferno. Um ir e vir frenético, uma gentuça em multidão zanzando pela rua, um tráfego de veículos de volume assustador, tudo isso levando Manoel a se perguntar se tamanha movimentação tem mesmo significado e objetivo. Porque, pelo que nosso herói considerou, pelo menos 90% daquilo ou é induzido por forças degeneradoras ou decorre de sair “pra fazer não sei o quê”, como diz a música “Ê Paciência, ê Tentação”, de um maluquete chamado Fredera, mas que revela cabalmente isso: “Marias vão co’as outras pra fazer não sei o quê/ cascata e carochinhas nas novelas de TV”, e, olhando a chapante quantidade de espigões por todos os lado, Manoel lembra do último verso da canção: “Estranhos edifícios nos terrenos onde eu brinquei/ rasgaram a história que eu ainda não contei”. É... Pois pra onde Manoel se virava, lá estava uma TV dos infernos: na lanchonete, no restaurante, na sala de espera do consultório, em ônibus, no metrô, em lugares em que as pessoas não ficam mais que dez minutos – “Mas é bom não vacilar: porque uma pessoa pode acordar para a vida numa dessas, então é bom não permitir que elas tenham essa possibilidade”, dizem entre si os globalizadores. E ele se lembrou daquela piada: um presidente de empresa estava de viagem pela Europa com a mulher, e o vice-presidente, daqui do Brasil, ligou pra ele informando a morte da sogra. E perguntou: ‘O que fazemos? Enterramos ou cremamos?’, ao que o presidente respondeu de pronto: ‘As duas coisas! Não devemos facilitar!!’”. Pois é: é inacreditável, mas só falta colocar telões pelas ruas para cortar definitivamente a possibilidade de alguém olhar para dentro de si e pensar por cinco segundos que seja! Enter.
A cultura do ruído e da bugiganga. As pessoas estão vivendo sob ruído e para as bugigangas, sejam elas TV, DVD, celular com mil funções, MP4, câmera digital, carro, relógios malucos, skate, carro, moto, bike, casa, revistinhas, pornografia em vídeo, tênis, boné, tatuagem, tudo virou um verdadeiro fuzuê. Já tudo resolvido em BH, Manoel vai pra rodoviária pegar ônibus, porque a turma da carona quando da ida ia ficar mais tempo na capital mineira. E lá está Manoel na rodoviária e tome TV, bugigangas, bagulhos pra todo lado, tudo igual a tudo em todos os lugares. No arraialito e em BH é tudo igual, só mudando a quantidade de movimento besta. E Manoel se lembrou de seu tempo de menino, quando fez a primeira viagem. A rodoviària só tinha ônibus e pessoas, tinha até um cheiro diferente, “a gente já estava entrando em outra dimensão, já não estávamos mais no espaço de antes: lindos ônibus, pessoas se despedindo, aquela coisa diferente já acontecendo”. Naquele tempo não havia TV... Enter final.
Acaba que Manoel pensa na maior loucura possível: voltar pra Portugal e ver justamente isso acontecendo por lá também... e não seria novidade, pois sua sogra, uma descendente de portugueses radicais também, esteve recentemente na Europa e chegou com cara mais desanimada que aquela que tinha ao sair de viagem. Manoel perguntou sobre a Europa, se ela gostara, e ela respondeu com serena cara de descaso: “É, é outra coisa a arquitetura, a gente vê que aquilo FOI outra coisa. Mas a maior parte do tempo que vivi lá, quase um mês, perdi em engarrafamentos”. É mole? Pois Manoel pediu a ela que, passando por Portugal, comprasse um livro de obras completas de Fernando Pessoa, que ele emprestara a amigos no Brasil e o livro se perdera. E a nobre mulher voltou com um livro muito bonito de cartas do grande poeta, e foi o único – O ÚNICO! – que ela viu em todas as livrarias por onde passou em solo lusitano. E Manoel considerou pela segunda vez o dilema filosófico de Dummond: “Quer voltar pra Minas/ Minas não há mais”. Haverá ainda Lisboa? E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
“Bem, a situação no Brasil cheira, no mínimo, a carniça”, pensa Manoel, considerando a possibilidade de, depois de duas gestões dessa patacoada de petezada no poder, com esse boneco abstrato como presidente da República, ascender ao poder um tipo de vampiro meleca e desprezível como esse José Serra. Significaria apenas ver diariamente aquela figura patibular e desprezível mamando a presidência dessa aldeia desvairada em que o Brasil foi transformado através da ação maligna e impiedosa dos globalizadores e com a participação direta de milhares de burocratas abjetos, traidores imundos da pátria que os pariu, e com o apoio da maioria da legião de milhões de desgraçados zumbis que vagam a esmo e sem rumo pela superfície desta geografia malignizada e apodrecida ainda chamada de Brasil. “Fazer o quê, se o País foi transformado nisso, e a macacada brasilis ainda ajuda na destruição??”, e mesmo assim o coração lusitano de nosso herói ainda se contrai por ter de tomar um rumo novo para Manoel não ser tragado pela degenerescência galopante que assola a Pindorama. Enter.
Uma ida a Belo Horizonte para alinhavar coisas, e eis nosso irmão aturando rodoviária, ônibus, táxi, toda a merda pesada que envolve qualquer deslocamento nessas Minas que um dia dizem que fora de Deus. Na ida, uma carona com o amigo do morador perseguido porque questionou a obra ilegal. Tudo bem, três seres maduros dentro de um carro confortável, uma viagem até muito agradável. Conversas relevantes, um som de jazz muito instrutivo, NY Voices e outras mumunhas, inclusive Os Gatos, aquela maravilha de gravação do Eumir Deodato junto com o Durval Ferreira, temas como Pacific Sunset, A Chuva, Estamos Aí, a obra prima Dois Peixinhos, de Durval e Lula Freire. Parecia outro mundo, não esse Brasil fecal de axés, pagode e breganejos, essa pornografia sonora que nos assola por todos os lados. Enter.
Foi pôr os pés em BH e começar o massacre. Tudo caro, um movimento caótico de fim de mundo, para não dizer inferno. Um ir e vir frenético, uma gentuça em multidão zanzando pela rua, um tráfego de veículos de volume assustador, tudo isso levando Manoel a se perguntar se tamanha movimentação tem mesmo significado e objetivo. Porque, pelo que nosso herói considerou, pelo menos 90% daquilo ou é induzido por forças degeneradoras ou decorre de sair “pra fazer não sei o quê”, como diz a música “Ê Paciência, ê Tentação”, de um maluquete chamado Fredera, mas que revela cabalmente isso: “Marias vão co’as outras pra fazer não sei o quê/ cascata e carochinhas nas novelas de TV”, e, olhando a chapante quantidade de espigões por todos os lado, Manoel lembra do último verso da canção: “Estranhos edifícios nos terrenos onde eu brinquei/ rasgaram a história que eu ainda não contei”. É... Pois pra onde Manoel se virava, lá estava uma TV dos infernos: na lanchonete, no restaurante, na sala de espera do consultório, em ônibus, no metrô, em lugares em que as pessoas não ficam mais que dez minutos – “Mas é bom não vacilar: porque uma pessoa pode acordar para a vida numa dessas, então é bom não permitir que elas tenham essa possibilidade”, dizem entre si os globalizadores. E ele se lembrou daquela piada: um presidente de empresa estava de viagem pela Europa com a mulher, e o vice-presidente, daqui do Brasil, ligou pra ele informando a morte da sogra. E perguntou: ‘O que fazemos? Enterramos ou cremamos?’, ao que o presidente respondeu de pronto: ‘As duas coisas! Não devemos facilitar!!’”. Pois é: é inacreditável, mas só falta colocar telões pelas ruas para cortar definitivamente a possibilidade de alguém olhar para dentro de si e pensar por cinco segundos que seja! Enter.
A cultura do ruído e da bugiganga. As pessoas estão vivendo sob ruído e para as bugigangas, sejam elas TV, DVD, celular com mil funções, MP4, câmera digital, carro, relógios malucos, skate, carro, moto, bike, casa, revistinhas, pornografia em vídeo, tênis, boné, tatuagem, tudo virou um verdadeiro fuzuê. Já tudo resolvido em BH, Manoel vai pra rodoviária pegar ônibus, porque a turma da carona quando da ida ia ficar mais tempo na capital mineira. E lá está Manoel na rodoviária e tome TV, bugigangas, bagulhos pra todo lado, tudo igual a tudo em todos os lugares. No arraialito e em BH é tudo igual, só mudando a quantidade de movimento besta. E Manoel se lembrou de seu tempo de menino, quando fez a primeira viagem. A rodoviària só tinha ônibus e pessoas, tinha até um cheiro diferente, “a gente já estava entrando em outra dimensão, já não estávamos mais no espaço de antes: lindos ônibus, pessoas se despedindo, aquela coisa diferente já acontecendo”. Naquele tempo não havia TV... Enter final.
Acaba que Manoel pensa na maior loucura possível: voltar pra Portugal e ver justamente isso acontecendo por lá também... e não seria novidade, pois sua sogra, uma descendente de portugueses radicais também, esteve recentemente na Europa e chegou com cara mais desanimada que aquela que tinha ao sair de viagem. Manoel perguntou sobre a Europa, se ela gostara, e ela respondeu com serena cara de descaso: “É, é outra coisa a arquitetura, a gente vê que aquilo FOI outra coisa. Mas a maior parte do tempo que vivi lá, quase um mês, perdi em engarrafamentos”. É mole? Pois Manoel pediu a ela que, passando por Portugal, comprasse um livro de obras completas de Fernando Pessoa, que ele emprestara a amigos no Brasil e o livro se perdera. E a nobre mulher voltou com um livro muito bonito de cartas do grande poeta, e foi o único – O ÚNICO! – que ela viu em todas as livrarias por onde passou em solo lusitano. E Manoel considerou pela segunda vez o dilema filosófico de Dummond: “Quer voltar pra Minas/ Minas não há mais”. Haverá ainda Lisboa? E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
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