Frederico Mendonça de Oliveira
O Rui Castro, que você, leitor, certamente não conhece, comentou em seu livro Tempestade de Ritmos, na verdade uma coletânea de artigos dele pra não sei que jornal – isso não interessa: todos os jornais da grande imprensa formam um grande lobby escatológico, e nada têm de compromisso senão com anunciantes – publicados há um punhado de anos, que a música ficou tão ruim que hoje seria uma instituição para seres que só não voltam às árvores por terem perdido o rabo. Parece-me que há macacos arborícolas sem rabo, caso do bugio e mesmo dos chimpanzés, estes últimos cada vez mais perto dos que dizem ser descendentes deles: nós. Bem, no arraial onde me exilei há 23 anos para fugir da guerra civil carioca, os seres que andam pelas ruas bem que parecem readaptáveis às árvores por entre as quais circulam na praça central. Mas, como disse mister Castro, suprimiram-lhes os rabos. E é tarde: os que determinam a chamada “nova ordem internacional”, os abjetos e genocidas globalizadores, já conseguiram transformar aquilo a que chamávamos de Humanidade” numa horda de seres simiescos, um bando mundial de “jacks”, uma legião jamais historicamente verificada antes: zumbis ambulantes, falantes ao âmbito dos grunhidos, todos tangidos pela vara de ferrão da mídia, todos inteiramente obedientes às balizas da TV. Pois é: para conquistar definitivamente o planeta, ou o “praneta”, como se diz amiúde nestas montanhas cheias de bugres balantes, é mister fazer com que o que antes era chamado de “ser humano” (QUAQUAQUÁ!!!) seja transformado num simulacro deste, e que a ele se apresente uma dieta de horror sonoro e de imagens e de conceitos capaz de fazer um Zé Dirceu ou um Marcos Valério ficarem indignados. É isso. Enter.
Pois já estamos vivendo o inverno, e os macacos sem rabo já se apressam a envergar variados panos pesados e cheios de padrões espalhafatosos, quando não com cores de assustar um jumento já amansado. Deambulam pelas ruas exibindo com orgulho seus panos mais apropriados para espantalhos, e só fazem procurar não o elo perdido com sua condição anterior mas aprofundar mais e mais sua nova condição abissal de andróides submissos às ordens dos amos globalizadores. Nem sonham com o que os espera: o forno de que falou o Cristo, onde será jogada a erva, o joio imprestável. Nem sonham com sua verdadeira origem, o que os faz incapazes de considerar o que lhes está reservado na seqüência. Mas parece que intuem o que lhes espera, como fazem certos animais, e ateiam fogo à vegetação seca de terrenos baldios e do que possam incendiar, como que acionando as chamas do inferno de onde vieram, em que vivem e para onde vão de volta. Daí obedecerem cegamente às ordens dos senhores que os degradam e que ainda por cima lhes cobram para degradá-los. E com que obediência boçal pagam seus tributos aos algozes!... Enter.
Bem, estamos no tempo de cães e duplas. Os cães latem por ofício, especialmente porque estão a serviço de seres abissais que não sabem absolutamente o que fazer com animais serviçais que lhes abanam o rabo e avançam contra outros. Quem guardava a porta dos Infernos era um cão, de nome Cérbero, com três cabeças. Os gatos deveriam olhar lá de cima para este demônio à porta da casa de seu dono com o desprezo com que olham para os canídeos de hoje, igualmente desprezíveis, e obrigatoriamente a imagem de seus donos. Todo dia ando pelas ruas atento para não ser surpreendido por esses animais desprezíveis, que só prestam se forem devidamente educados à imagem de gente de boa índole, que use o cérebro, o raciocínio, o pensamento crítico e cultive sentimentos construtivos – não esses monstros que criam máquinas de matar como pitbulls e rotweillers, sonhando com a possibilidade de eles se libertarem de coleira ou grades e estraçalharem algum passante, seja criança, velho ou qualquer ser indefeso. De fundo para isso, as dupras sertanojentas, com aqueles ganidos espasmódicos e aquelas “canções” dignas de puteiros os mais escusos. E tome créus, para temperar essa massa cancerificada pela TV e pelo estúpido sonho de consumo. Outro dia estava eu passando em frente a um supermercado quando verifiquei um chevete bem malhado passando bem lentamente diante da portaria do centro de consumo irracional da macacada sem rabo. Ele tinha aparelho de som potente no veículo, e tocava o Créu, para todos se identificarem naquilo que vem a ser o grande hit desses dias que antecedem a grande catástrofe. A turma já se prepara: vem aí o fogaréu!... Enter final.
O Brasil estagnou geral, a podridão é a moeda corrente. A imundície jorra pelas janelas e portas do Planalto, e não há mais qualquer luz no fim do túnel. E pensar que durante a ditadura militar, entre 1964/1985, falava-se na volta dos civis ao poder como uma redenção... Qual! Os mais grossos mas menos burros que os bestuntos da fase atual até se arriscam a provocar: “Dá até saudade daqueles tempos do regime militar!”, dizem, sob olhares vacuns vendo o trem passar, e tudo acaba caindo no vazio, como convém aos globalizadores, que, sentados em suas poltronas de couro e em salões refrigerados, contabilizam seus lucros hauridos a partir da transformação dos seres humanos, especialmente os brasileiros, esses párias perdidos e obedientes, em macacos sem rabo. Que tal uma dose letal de colesterol aí, ô? Seria só pra combinar com a programação televisiva que você enfia em sua cachimônia, bicho! Que tal Ana Maria Brega, ops!, Braga, Faustão, Jornal Nacional, Malhação, que tal Sílvio Santos, que tal Raul Gil com aquela beleza comovente? Que tal aqueles filmes da Grobo à tarde durante a semana? Que tal uma dose de cianureto? Essa seria mais eficiente, mas seria muito rápido, não é mesmo? Então tá. Mas a verdade é essa: bom proveito com a “nova ordem internacional”: você está no caminho certo, bicho!! E viva Santo Expedito! Oremos. ’Té a próxima, babes!
sexta-feira, 13 de junho de 2008
sexta-feira, 6 de junho de 2008
TV, a divindade inquestionável
Frederico Mendonça de Oliveira
É a divindade de TODOS vocês, crianças! Sinto muito, mas seria simplesmente cínico se vocês negassem a completa submissão que exibem sem qualquer preocupação com causar espanto ou admiração a quem quer que seja. Até porque a submissão é unânime; espantar ou admirar quem, portanto? A submissão total é pública e assumida, e NINGUÉM senão uns poucos amalucados como eu se dá o direito de virar de forma radical as costas para esse aparelho mais mortífero que um gigantesco exército de dominação armado até os dentes! Não adianta chorar na rampa, se é que alguém hoje enxerga, neste agonizante brizêu, qualquer coisa além de desejos de consumo desde o mais reles R$ 1,99 até carrões importados para desfilar entre cavalgaduras vestidas do sistema perdidas pelas ruas e casas – com TV ligada, claro. Enter.
Semana passada, participei de um debate na Universidade de Alfenas sobre TV. A faixa exposta na entrada do auditório tinha os dizeres “TV e poder - o que há por trás do plimplim”. Compunham a mesa quatro debatedores/expositores: um professor de Ética da Universidade de Varginha; um professor secundário de Alfenas militante em partido de esquerda; um dono de jornaleco dado a denúncias e afagos, mas que apresenta mais erros de Portugês que denúncias ou afagos; e este que vos fustiga aos sábados dizendo o que ninguém gosta de ouvir. Na platéia, uma meia dúzia de universitários e uma legião de “manos” secundaristas naqueles trajes do tipo amontoado de panos em desordem e superpostos aleatoriamente – e quase todos envergando bonés, CLARO. Tudo arrumado, apresentados entrre si os debatedores, cordialidades já concluídas, houve subirmos ao palco do confortável auditório para começar a inana. Enter.
O primeiro a falar foi o professor de Ética, o cordialíssimo Ribas. Figuraça, corpulento, olhos claros, rabo-de-cavalo combinado meio que inusitadamente a um terno-e-gravata, carismático, Ribas fez uma exposição simpática e densa, estourando seus 25 minutos. O teor da fala, contudo, não estava lá muito dentro do tema em foco, TV e Poder. Muito aplaudido, Ribas passou a bola para o segundo orador, o professor militante Messias Telecesk. Ocorreu algo parecido com a fala anterior: falou de muita coisa importante, mas não abordou a fundo o binômio TV e poder. Aplaudido também, passou a palavra para o dono do jornaleco, que atende por Ilson, o que causa sempre problemas, porque o uso de um artigo antes o faz Wilson; então eu sempre sugiro que se diga “o – pausa – Ilson”, para não dar confusão nas pobres cabeças dos zumbis modernos. O – pausa – Ilson falou de si, para si e consigo, especialmente se louvando como jornalista, exibindo sua fantasia infantilóide de ser personagem da imprensa. Falou de seus amigos, entre os quais Pelé, faloude si, para si e sobre si; falou, mas deixou a todos com um belo ponto de interrogação sobre a cabeça: a que veio sua fala e mesmo sua presença naquele debate? Pois alegando outros “compromissos com órgãos de imprensa” (numa terça pelas 22h e em Alfenas??), ele deixou a mesa, e me foi passado o microfone. Enter.
Assestei a metralhadora giratória e abri fogo. Falei da TV devastadora como não o seria um exército de invasão e colonização, basta ver que os esbirros do abissal Bush no Oriente Médio NÃO DOBRAM DE JEITO NENHUM nem iraquianos nem afegãos – como a Globo dobra isso que ainda chamamos, talvez por falta de opções, de brasileiros. Somos, na verdade, por conta de estarmos sob a TV de forma irreversível, midiotas globotomizados – fala, Domingos Passos! –, legião de mentecaptos televisivos, batatas-de-sofá – termo que os “manos” adoraram, dando ampla e coletiva risada ao ouvi-lo –, os “da poltrona”, e NADA MAIS! Fora isso, os descamisados, os miseráveis, os massacrados, ou, em contrapartida, as elites e todos os funcionários aloprados servindo aos globalizadores. Falei da mídia como o mal, citando toda a canalhice envolvendo a verdade sobre a P-36. o vôo 402, Alcântara, o vôo 1907 – em que a mídia avalizou a versão dos globalizadores como tendo havido colisão, hipótese simplesmente impossível – e finalmente o horror do vôo 3054, escandalosamente um episódio de sabotagem. Enter final.
Falei que ninguém ali se atreveria a desligar um aparelho de TV durante a novela das oito, mesmo que ninguém estivesse prestando atenção. Que não se pode mais ir a restaurantes sem lá estar ligada a maligna e putrescente TV; que não podemos mais nem pensar na vida numa sala de espera de qualquer tipo: lá estará a sórdida TV despejando lixo nas mentes, espíritos e vidas. E falo isso aqui para não perder o costume: o que você quer? A TV ou sua vida? Quer que a TV mande em você? Acorda, cara! Você está dopado e até morto! E viva Santo Expedito! Oremos. Bye!
É a divindade de TODOS vocês, crianças! Sinto muito, mas seria simplesmente cínico se vocês negassem a completa submissão que exibem sem qualquer preocupação com causar espanto ou admiração a quem quer que seja. Até porque a submissão é unânime; espantar ou admirar quem, portanto? A submissão total é pública e assumida, e NINGUÉM senão uns poucos amalucados como eu se dá o direito de virar de forma radical as costas para esse aparelho mais mortífero que um gigantesco exército de dominação armado até os dentes! Não adianta chorar na rampa, se é que alguém hoje enxerga, neste agonizante brizêu, qualquer coisa além de desejos de consumo desde o mais reles R$ 1,99 até carrões importados para desfilar entre cavalgaduras vestidas do sistema perdidas pelas ruas e casas – com TV ligada, claro. Enter.
Semana passada, participei de um debate na Universidade de Alfenas sobre TV. A faixa exposta na entrada do auditório tinha os dizeres “TV e poder - o que há por trás do plimplim”. Compunham a mesa quatro debatedores/expositores: um professor de Ética da Universidade de Varginha; um professor secundário de Alfenas militante em partido de esquerda; um dono de jornaleco dado a denúncias e afagos, mas que apresenta mais erros de Portugês que denúncias ou afagos; e este que vos fustiga aos sábados dizendo o que ninguém gosta de ouvir. Na platéia, uma meia dúzia de universitários e uma legião de “manos” secundaristas naqueles trajes do tipo amontoado de panos em desordem e superpostos aleatoriamente – e quase todos envergando bonés, CLARO. Tudo arrumado, apresentados entrre si os debatedores, cordialidades já concluídas, houve subirmos ao palco do confortável auditório para começar a inana. Enter.
O primeiro a falar foi o professor de Ética, o cordialíssimo Ribas. Figuraça, corpulento, olhos claros, rabo-de-cavalo combinado meio que inusitadamente a um terno-e-gravata, carismático, Ribas fez uma exposição simpática e densa, estourando seus 25 minutos. O teor da fala, contudo, não estava lá muito dentro do tema em foco, TV e Poder. Muito aplaudido, Ribas passou a bola para o segundo orador, o professor militante Messias Telecesk. Ocorreu algo parecido com a fala anterior: falou de muita coisa importante, mas não abordou a fundo o binômio TV e poder. Aplaudido também, passou a palavra para o dono do jornaleco, que atende por Ilson, o que causa sempre problemas, porque o uso de um artigo antes o faz Wilson; então eu sempre sugiro que se diga “o – pausa – Ilson”, para não dar confusão nas pobres cabeças dos zumbis modernos. O – pausa – Ilson falou de si, para si e consigo, especialmente se louvando como jornalista, exibindo sua fantasia infantilóide de ser personagem da imprensa. Falou de seus amigos, entre os quais Pelé, faloude si, para si e sobre si; falou, mas deixou a todos com um belo ponto de interrogação sobre a cabeça: a que veio sua fala e mesmo sua presença naquele debate? Pois alegando outros “compromissos com órgãos de imprensa” (numa terça pelas 22h e em Alfenas??), ele deixou a mesa, e me foi passado o microfone. Enter.
Assestei a metralhadora giratória e abri fogo. Falei da TV devastadora como não o seria um exército de invasão e colonização, basta ver que os esbirros do abissal Bush no Oriente Médio NÃO DOBRAM DE JEITO NENHUM nem iraquianos nem afegãos – como a Globo dobra isso que ainda chamamos, talvez por falta de opções, de brasileiros. Somos, na verdade, por conta de estarmos sob a TV de forma irreversível, midiotas globotomizados – fala, Domingos Passos! –, legião de mentecaptos televisivos, batatas-de-sofá – termo que os “manos” adoraram, dando ampla e coletiva risada ao ouvi-lo –, os “da poltrona”, e NADA MAIS! Fora isso, os descamisados, os miseráveis, os massacrados, ou, em contrapartida, as elites e todos os funcionários aloprados servindo aos globalizadores. Falei da mídia como o mal, citando toda a canalhice envolvendo a verdade sobre a P-36. o vôo 402, Alcântara, o vôo 1907 – em que a mídia avalizou a versão dos globalizadores como tendo havido colisão, hipótese simplesmente impossível – e finalmente o horror do vôo 3054, escandalosamente um episódio de sabotagem. Enter final.
Falei que ninguém ali se atreveria a desligar um aparelho de TV durante a novela das oito, mesmo que ninguém estivesse prestando atenção. Que não se pode mais ir a restaurantes sem lá estar ligada a maligna e putrescente TV; que não podemos mais nem pensar na vida numa sala de espera de qualquer tipo: lá estará a sórdida TV despejando lixo nas mentes, espíritos e vidas. E falo isso aqui para não perder o costume: o que você quer? A TV ou sua vida? Quer que a TV mande em você? Acorda, cara! Você está dopado e até morto! E viva Santo Expedito! Oremos. Bye!
sexta-feira, 30 de maio de 2008
“Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”
Frederico Mendonça de Oliveira
Assim falava minha avó portuguesa, mulher rigorosa e mesmo irredutível, para chamar a atenção da turma para a torpeza do culto às aparências acobertando uma interioridade vazia ou, pior, uma realidade pessoal deformada pelo vício de qualquer natureza. Era católica, mas não praticante: não só lançava um olhar aquilino ao cotidiano do meio paroquial, cheio de intrigas e fatos impublicáveis, como enxergava com afiado desdém a hipocrisia das papa-hóstia e ratas de sacristia, tanto quanto lia como num livro aberto a verdade escondida sob as saias que acendiam uma vela a Deus sendo praticantes e até carolas mas que fora da igreja não dispensavam uma alcova ilícita. Pois minha avó não suportaria os dias de hoje, porque sua formação rígida nos ditames portugueses e fundamentada em ditados populares de cunho filosófico, mesmo sendo ela ignorante porque de origem humilde, não poderia conviver com a degradação explícita, assumida e miseravelmente promovida por um sistema prostituidor em todos os âmbitos possíveis. Então, os elogios a pessoas de aparência ou reputação de grandeza não a moviam, e cuidadas ou exuberantes aparências não escapavam a seu olhar penetrante e crítico: os pavões e pavoas lhe aguçavam a percepção até olfativa, e seu faro, como o dom de Éaco e Radamanto, decifrava os pães bolorentos ocultos nas belas violas que a quase todos encantavam e fascinavam, fosse ao vivo e a cores no convívio diário, fosse constatando o que aparecia agigantado pela mídia dos magazines difundindo caganifâncias emplumadas. Enter.
Nestes dias de miséria moral e corrupção instituída, dias de Galisteus e Cicarellis, de Lulas e FHCs, de Renans e Nicolalaus da vida, falar de ética é parecido com – ou mesmo igual a – pregar no deserto ou falar do Cristo dentro do prostíbulo – embora nos prostíbulos possamos encontrar mais permeabilidade à palavra do Salvador que nos meios do poder oficial constituído. As Marias Madalenas da vida são incomparavelmente mais sensíveis a um aceno dEle em meio à degradação e para a uma real conversão do que os engravatados aboletados em altos cargos, tanto mais poderosos quanto praticantes de um misto desprezível de pompa e despudor. Minha avó não foi feliz, mas não desceu jamais degraus quaisquer em direção à realização baseada na elasticidade moral. Não buscou na realização material qualquer satisfação pessoal: era espartana e religiosa para com seus deveres. Via a matéria com desinteresse, porque era moldada para simplesmente ser, e ter, para ela, era unicamente uma questão de suficiência. Era como aquela canção portuguesa: “Para que tanta ambição tanta vaidade/ procurar uma estrela perdida/ se as coisas que nos dão felicidade/ são as coisas mais simples da vida”. E assim ela viveu e morreu. Enter.
O Cristo se refere ao “sepulcro caiado” em Mateus 23/27: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!, pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia”. Assim é em geral o brasileiro hoje, cinicamente converso ao jugo global e voltado para o universo das aparências, esquecendo de ser para unicamente ter e apoiado nisso como sendo a “filosofia de vida” em vigor! Quanta boçalidade imposta, quanta boçalidade assimilada e aceita! Quanta desfaçatez associada a degradação moral! Quanta permissão para com a deformidade e a corrupção, quanta resistência ao plano ético e ao princípio da retidão moral! Quanta aquiescência para com toda sorte de desvios! Quantos seres perdidos em si mesmos jogando sujamente por considerar, sem pejo qualquer, que estas são as regras! Quantos milhões e milhões de integrados virando as costas para o apocalipse que com sua amoralidade engendram como que semeando tsunamis que, inevitavelmente, virão, para repor o equilíbrio perdido!! Quanta miséria no texto e subtexto da exposição midiática do dia a dia! Enter.
Pois é: o cidadão comum hoje, não só o brasileiro esmerdeado de cima embaixo em todos os sentidos, mas o ser humano globalizado mundo afora, é um pária assumido e basicamente um deficiente por escolha: são todos absolutamente incapazes de desligar a TV! Não podem viver, não podem respirar, não podem dormir, não podem absolutamente nada sem a TV ligada! São objetos vestidos do sistema! Tal deformidade social não pode desaguar senão em catástrofe de âmbito mundial! Aliás, só o fato de o homem estar submetido a esse instrumento de dissolução de identidade e costumes já é a catástrofe em si instalada, apenas ainda sem estrondo! Pela relação espúria do homem com a TV – e com a mídia em geral – corre toda sorte de transgressões e ilícitos! Mas a turma quer mais, quer instintivamente, como o criminoso, que seu crime seja descoberto e quer ser castigado pela lei!... E, como disse através de Hollywood George Stevens, “Assim Caminha a Humanidade”! Pra quem gosta, claro. Enter final.
O leitor de Veja vai me tachar de caga-regras, claro. Ele não vive sem TV, o infeliz, o amputado de sua própria mente. Ser leitor de Veja em si já é uma assunção da negação de seu próprio pensar. Os macacos vestidos e sem rabo não lerão essa fala, óbvio: a novelaiada global lhes é conveniente, confortável: preferem morrer em vida que viver conscientes e pagar o preço dessa consciência. Na verdade, querem é trabalhar para satisfazer ambições materiais, querem é pular quando podem, sentar o toba no sofá diante da TV e fazer tudo como manda o figurino da globalização. Eles formam a argamassa do alicerce da recolonização do Brasil agonizante, da tomada da Amazônia, da manutenção da corrupção como sistema de governo, da transformação do país na pústula inamovível em que pululam como helmintos. Sem saber, são inimigos da vida. Deus não tem alternativa para com eles. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Assim falava minha avó portuguesa, mulher rigorosa e mesmo irredutível, para chamar a atenção da turma para a torpeza do culto às aparências acobertando uma interioridade vazia ou, pior, uma realidade pessoal deformada pelo vício de qualquer natureza. Era católica, mas não praticante: não só lançava um olhar aquilino ao cotidiano do meio paroquial, cheio de intrigas e fatos impublicáveis, como enxergava com afiado desdém a hipocrisia das papa-hóstia e ratas de sacristia, tanto quanto lia como num livro aberto a verdade escondida sob as saias que acendiam uma vela a Deus sendo praticantes e até carolas mas que fora da igreja não dispensavam uma alcova ilícita. Pois minha avó não suportaria os dias de hoje, porque sua formação rígida nos ditames portugueses e fundamentada em ditados populares de cunho filosófico, mesmo sendo ela ignorante porque de origem humilde, não poderia conviver com a degradação explícita, assumida e miseravelmente promovida por um sistema prostituidor em todos os âmbitos possíveis. Então, os elogios a pessoas de aparência ou reputação de grandeza não a moviam, e cuidadas ou exuberantes aparências não escapavam a seu olhar penetrante e crítico: os pavões e pavoas lhe aguçavam a percepção até olfativa, e seu faro, como o dom de Éaco e Radamanto, decifrava os pães bolorentos ocultos nas belas violas que a quase todos encantavam e fascinavam, fosse ao vivo e a cores no convívio diário, fosse constatando o que aparecia agigantado pela mídia dos magazines difundindo caganifâncias emplumadas. Enter.
Nestes dias de miséria moral e corrupção instituída, dias de Galisteus e Cicarellis, de Lulas e FHCs, de Renans e Nicolalaus da vida, falar de ética é parecido com – ou mesmo igual a – pregar no deserto ou falar do Cristo dentro do prostíbulo – embora nos prostíbulos possamos encontrar mais permeabilidade à palavra do Salvador que nos meios do poder oficial constituído. As Marias Madalenas da vida são incomparavelmente mais sensíveis a um aceno dEle em meio à degradação e para a uma real conversão do que os engravatados aboletados em altos cargos, tanto mais poderosos quanto praticantes de um misto desprezível de pompa e despudor. Minha avó não foi feliz, mas não desceu jamais degraus quaisquer em direção à realização baseada na elasticidade moral. Não buscou na realização material qualquer satisfação pessoal: era espartana e religiosa para com seus deveres. Via a matéria com desinteresse, porque era moldada para simplesmente ser, e ter, para ela, era unicamente uma questão de suficiência. Era como aquela canção portuguesa: “Para que tanta ambição tanta vaidade/ procurar uma estrela perdida/ se as coisas que nos dão felicidade/ são as coisas mais simples da vida”. E assim ela viveu e morreu. Enter.
O Cristo se refere ao “sepulcro caiado” em Mateus 23/27: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!, pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia”. Assim é em geral o brasileiro hoje, cinicamente converso ao jugo global e voltado para o universo das aparências, esquecendo de ser para unicamente ter e apoiado nisso como sendo a “filosofia de vida” em vigor! Quanta boçalidade imposta, quanta boçalidade assimilada e aceita! Quanta desfaçatez associada a degradação moral! Quanta permissão para com a deformidade e a corrupção, quanta resistência ao plano ético e ao princípio da retidão moral! Quanta aquiescência para com toda sorte de desvios! Quantos seres perdidos em si mesmos jogando sujamente por considerar, sem pejo qualquer, que estas são as regras! Quantos milhões e milhões de integrados virando as costas para o apocalipse que com sua amoralidade engendram como que semeando tsunamis que, inevitavelmente, virão, para repor o equilíbrio perdido!! Quanta miséria no texto e subtexto da exposição midiática do dia a dia! Enter.
Pois é: o cidadão comum hoje, não só o brasileiro esmerdeado de cima embaixo em todos os sentidos, mas o ser humano globalizado mundo afora, é um pária assumido e basicamente um deficiente por escolha: são todos absolutamente incapazes de desligar a TV! Não podem viver, não podem respirar, não podem dormir, não podem absolutamente nada sem a TV ligada! São objetos vestidos do sistema! Tal deformidade social não pode desaguar senão em catástrofe de âmbito mundial! Aliás, só o fato de o homem estar submetido a esse instrumento de dissolução de identidade e costumes já é a catástrofe em si instalada, apenas ainda sem estrondo! Pela relação espúria do homem com a TV – e com a mídia em geral – corre toda sorte de transgressões e ilícitos! Mas a turma quer mais, quer instintivamente, como o criminoso, que seu crime seja descoberto e quer ser castigado pela lei!... E, como disse através de Hollywood George Stevens, “Assim Caminha a Humanidade”! Pra quem gosta, claro. Enter final.
O leitor de Veja vai me tachar de caga-regras, claro. Ele não vive sem TV, o infeliz, o amputado de sua própria mente. Ser leitor de Veja em si já é uma assunção da negação de seu próprio pensar. Os macacos vestidos e sem rabo não lerão essa fala, óbvio: a novelaiada global lhes é conveniente, confortável: preferem morrer em vida que viver conscientes e pagar o preço dessa consciência. Na verdade, querem é trabalhar para satisfazer ambições materiais, querem é pular quando podem, sentar o toba no sofá diante da TV e fazer tudo como manda o figurino da globalização. Eles formam a argamassa do alicerce da recolonização do Brasil agonizante, da tomada da Amazônia, da manutenção da corrupção como sistema de governo, da transformação do país na pústula inamovível em que pululam como helmintos. Sem saber, são inimigos da vida. Deus não tem alternativa para com eles. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Lembranças dos tempos de ferro
Frederico Mendonça de Oliveira
Eu estava meio hipongão em 1971 quando ingressei no grupo Som Imaginário, que reunia uma renca de músicos de duas tendências, uma linha jazz-samba e outra pop-rock. Dentro disso, eu abraçava bem as duas linhas, mas tinha ainda uma forte visão de erudito, acrescida de rica experiência operística. E como não era proibido compor, acabou que meti uns sucessinhos pop com tendências contemporâneas, causando boa impressão no meio jornalístico e musical de verdade, mas sendo ideologicamente ignorado no meio musical em que estávamos inseridos, talvez pela pesada e feia ignorância que grassasse então, da qual a mente de um Pepeu Gomes era paradigma fatal. O pior é que minhas composições não eram tocadas facilmente pelos músicos de então, que praticamente só faziam algo dentro dos limites harmonicamente paupérrimos do blues-rock. Tivemos o apoio do Milton Nascimento, que se limitava quase que exclusivamente ao antigo vínculo dele com o tal de Wagner, hoje “glamurizado” pelo esquema de divulgação que a ex-mulher dele armou em estilo mafioso e que na sucessão presidencial explodiu aos olhos de todos com a declaração do bonitão da bala chita, já com nome artístico Wagner Tiso, declarando que “Não estou preocupado com a ética do PT nem com qualquer tipo de ética: o que importa é o jogo do poder”. O affair Milton/Wagner acabou em Coração de Estudante e, claro, qualquer vínculo, se desse numa canção dessas, melosa e idiota, acabaria em dissolução melancólica e até patética. Inclinado muito mais para o sucesso pessoal que para a música, o Wagner já naqueles dias de chumbo explicitava seu egoísmo sem medidas, aquilo de os fins justificarem os meios. E como já então se vangloriasse de ser cigano, a trapaça e o jogo sempre marcaram sua conduta entre os colegas – que só valiam se o lambessem. E os fracos espíritos que o cercavam consolidaram isso. Formando um time politicamente medíocre e sujo.Acabou que todos regrediram à miséria moral e intelectual que sempre os acompanhou, mas que naqueles dias em vivemos juntos, com as contribuições minha, do Zé Rodrix e do Tavito, fez deles gente um pouco melhor. Enter.
Pois eu compunha com profusão para o grupo, e acabei caindo nas malhas da censura por várias vezes, sendo que até cheguei às soleiras das câmaras de interrogatório, também pelo fato de ter abrigado uma revolucionária gaúcha que acabou caindo nas malhas da repressão. Por ter feito um rock debochado – na verdade, dedicado a um debilóide caipira amigo do Wagner e que vendia ovos no Rio – que terminava com a frase “Eu vou plantar cenouras/ na sua cabeça”, acabei no Departamento de Censura Federal, de onde me safei, depois de uma angustiante tarde entre censores e vítimas deles, por intervenção do tal de Hilton Rocha, conhecido como o bambam paisano do citado departamento. Esse cara disse, quando leu minha letra, que aquilo não tinha nada de mais, tinha até de menos. Essa foi minha primeira experiência com censura, embora até compreensível por vivermos então aqueles dias de enfrentamento entre as execráveis esquerdas e a direita tupiniquim, que não entendemos como foi degenerar daquele jeito. Se era pra peitar os bolcheviques marxistas, essa escória maldita, por que entregaram o país à contrapartida deles, ou seja, aos donos da intervenção midiática internacional? Pois é. Mas, voltando, nada existe de mais safado e escroto do que censura. O tão badalado Roland Barthes, numa frase de efeito dessas tão difundidas para confundir as cucas dos que ousam tentar entender a realidade, expôs uma visão dialética de botequim para considerar censura: “Pior que ser proibido de falar alguma coisa é você ser obrigado a dizer o que não quer”. Muito bem: já vivi ambas as experiências. Uma vez, em 71, quando acompanhava Gal Costa, fui preso no DOPS de BH e sofri uma humilhação de um delegado que me obrigou a dizer uma frase lá. Se não dissesse, ia cair na tortura. Pedi perdão a Deus e disse a frase. E fui liberado. O safado Barthes se referia ao fascismo, que ele combatia na condição de soldado da organização de inimigos da soberania dos povos, já então fadados a engolir o processo de globalização por um lado e do bolchevismo marxista por outro. Enter.
Bem, essas reflexões e lembranças dos tempos de chumbo só levam a uma conclusão: estamos na mesmíssima merda que vivíamos naqueles tempos de ditadura militar, É que a ditadura hoje está até muito pior: basta ver o que resultou em âmbito social da ação do poder civil “reconquistado” em 1985. Vivemos hoje um tempo de cinismo jamais vivido neste lugar desolado que é o Brasil petista: a TV promoveu um emburrecimento e uma apatia que talvez só vejamos ocorrer na África, e nos países mais atrasados daquele sofrido continente. Basta ver que Waldomiro Diniz, Marcos Valério, Delúbio Soares, Silvinho Land Rover, José Dirceu e o próprio Lula estão aí, lampeiros, liberados de seus crimes pela própria máquina da Justiça, operada por um Nelson Jobim... Estamos no país da impunidade, e quem detém poder pode transgredir e delinqüir, porque está no andar de cima, onde a lei não vigora como contra o cidadão comum digno e trabalhador. Vivemos o fim dos tempos, é só esperar o Armagedon. Enter final.
Estou hoje sob censura, como todos sabem, basta ver meu blog. O que fazer? Entregar a Deus, com sua justiça infalível. Quem peca há de pagar por seus pecados. Ou nesta ou noutra vida. É a Lei, não a lei. A lei é o direito da força mascarado, como diz o livro dos globalizadores. Olhos abertos, gente. E viva Santo Expedito! Oremos. ’Bye, babes!
Eu estava meio hipongão em 1971 quando ingressei no grupo Som Imaginário, que reunia uma renca de músicos de duas tendências, uma linha jazz-samba e outra pop-rock. Dentro disso, eu abraçava bem as duas linhas, mas tinha ainda uma forte visão de erudito, acrescida de rica experiência operística. E como não era proibido compor, acabou que meti uns sucessinhos pop com tendências contemporâneas, causando boa impressão no meio jornalístico e musical de verdade, mas sendo ideologicamente ignorado no meio musical em que estávamos inseridos, talvez pela pesada e feia ignorância que grassasse então, da qual a mente de um Pepeu Gomes era paradigma fatal. O pior é que minhas composições não eram tocadas facilmente pelos músicos de então, que praticamente só faziam algo dentro dos limites harmonicamente paupérrimos do blues-rock. Tivemos o apoio do Milton Nascimento, que se limitava quase que exclusivamente ao antigo vínculo dele com o tal de Wagner, hoje “glamurizado” pelo esquema de divulgação que a ex-mulher dele armou em estilo mafioso e que na sucessão presidencial explodiu aos olhos de todos com a declaração do bonitão da bala chita, já com nome artístico Wagner Tiso, declarando que “Não estou preocupado com a ética do PT nem com qualquer tipo de ética: o que importa é o jogo do poder”. O affair Milton/Wagner acabou em Coração de Estudante e, claro, qualquer vínculo, se desse numa canção dessas, melosa e idiota, acabaria em dissolução melancólica e até patética. Inclinado muito mais para o sucesso pessoal que para a música, o Wagner já naqueles dias de chumbo explicitava seu egoísmo sem medidas, aquilo de os fins justificarem os meios. E como já então se vangloriasse de ser cigano, a trapaça e o jogo sempre marcaram sua conduta entre os colegas – que só valiam se o lambessem. E os fracos espíritos que o cercavam consolidaram isso. Formando um time politicamente medíocre e sujo.Acabou que todos regrediram à miséria moral e intelectual que sempre os acompanhou, mas que naqueles dias em vivemos juntos, com as contribuições minha, do Zé Rodrix e do Tavito, fez deles gente um pouco melhor. Enter.
Pois eu compunha com profusão para o grupo, e acabei caindo nas malhas da censura por várias vezes, sendo que até cheguei às soleiras das câmaras de interrogatório, também pelo fato de ter abrigado uma revolucionária gaúcha que acabou caindo nas malhas da repressão. Por ter feito um rock debochado – na verdade, dedicado a um debilóide caipira amigo do Wagner e que vendia ovos no Rio – que terminava com a frase “Eu vou plantar cenouras/ na sua cabeça”, acabei no Departamento de Censura Federal, de onde me safei, depois de uma angustiante tarde entre censores e vítimas deles, por intervenção do tal de Hilton Rocha, conhecido como o bambam paisano do citado departamento. Esse cara disse, quando leu minha letra, que aquilo não tinha nada de mais, tinha até de menos. Essa foi minha primeira experiência com censura, embora até compreensível por vivermos então aqueles dias de enfrentamento entre as execráveis esquerdas e a direita tupiniquim, que não entendemos como foi degenerar daquele jeito. Se era pra peitar os bolcheviques marxistas, essa escória maldita, por que entregaram o país à contrapartida deles, ou seja, aos donos da intervenção midiática internacional? Pois é. Mas, voltando, nada existe de mais safado e escroto do que censura. O tão badalado Roland Barthes, numa frase de efeito dessas tão difundidas para confundir as cucas dos que ousam tentar entender a realidade, expôs uma visão dialética de botequim para considerar censura: “Pior que ser proibido de falar alguma coisa é você ser obrigado a dizer o que não quer”. Muito bem: já vivi ambas as experiências. Uma vez, em 71, quando acompanhava Gal Costa, fui preso no DOPS de BH e sofri uma humilhação de um delegado que me obrigou a dizer uma frase lá. Se não dissesse, ia cair na tortura. Pedi perdão a Deus e disse a frase. E fui liberado. O safado Barthes se referia ao fascismo, que ele combatia na condição de soldado da organização de inimigos da soberania dos povos, já então fadados a engolir o processo de globalização por um lado e do bolchevismo marxista por outro. Enter.
Bem, essas reflexões e lembranças dos tempos de chumbo só levam a uma conclusão: estamos na mesmíssima merda que vivíamos naqueles tempos de ditadura militar, É que a ditadura hoje está até muito pior: basta ver o que resultou em âmbito social da ação do poder civil “reconquistado” em 1985. Vivemos hoje um tempo de cinismo jamais vivido neste lugar desolado que é o Brasil petista: a TV promoveu um emburrecimento e uma apatia que talvez só vejamos ocorrer na África, e nos países mais atrasados daquele sofrido continente. Basta ver que Waldomiro Diniz, Marcos Valério, Delúbio Soares, Silvinho Land Rover, José Dirceu e o próprio Lula estão aí, lampeiros, liberados de seus crimes pela própria máquina da Justiça, operada por um Nelson Jobim... Estamos no país da impunidade, e quem detém poder pode transgredir e delinqüir, porque está no andar de cima, onde a lei não vigora como contra o cidadão comum digno e trabalhador. Vivemos o fim dos tempos, é só esperar o Armagedon. Enter final.
Estou hoje sob censura, como todos sabem, basta ver meu blog. O que fazer? Entregar a Deus, com sua justiça infalível. Quem peca há de pagar por seus pecados. Ou nesta ou noutra vida. É a Lei, não a lei. A lei é o direito da força mascarado, como diz o livro dos globalizadores. Olhos abertos, gente. E viva Santo Expedito! Oremos. ’Bye, babes!
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Uma carreira convertida em nada
Frederico Mendonça de Oliveira
Bem, eu dizia que esgotava-se o prazo da cautelar e era hora de entrarmos com a ação principal, e que então começamos a tentar falar com nossos advogados, de quem nos afastáramos por alguns dias por conta de viagem com o Gonzaguinha. Pois nada: os caras não atendiam nem nos telefones residenciais nem no do escritório (e naquela época não existia bina). Doutores Yrapuã e Hamilton. Aliás, indicação do nosso colega Luizão Maia, baixista então da Elis, criatura finíssima não só tocando baixo Fender especialmente se no samba, mas também porque era simples e simpático ao mesmo tempo que autoridade musical e amigão geral. Pois nada de advogados. Como já lembrado, ficamos a ver navios, até porque, plantados na porta do Fórum do Rio, víamos embarcações de grande porte na Baía de Guanabara: o Fórum fica perto da Praça XV. E nunca mais vimos os advogados indicados pelo Luizão. E não havia por que procurá-los, se eles não nos procuraram para explicar coisa nenhuma. Ficou desse tamanho, e fomos “em trás”, pois em frente não poderíamos ir mais. Enter.
Por essa mesma época, nosso não mais tão próximo Gonzaguinha alcançava a “grória”: fazia o show consagrador no Canecão, Rio, lotando a casa por duas semanas seguidas de quinta a domingo. Falei “grória” porque aquilo era uma farsa em quase todos os sentidos. Era como uma grande vitória... material. Uma reunião de gentuça copiosa e ruidosa que preenche espaços onde quer que apareçam os eleitos pela mídia; um ou outro apreciador de canções passadas do cara e que ainda se mantinham fiéis, embora já apresentando ceticismo diante do espetáculo da bovinidade mugente comprimida naquela casa militante para o sistemão; socialites no gargalo do show, aparecendo para o palco ao captar a rebarba da luz esfuziante daquela encenação. Numa dessas noites estava ali, sob a ribalta, o José Hugo Celidônio, vip de carteirinha à época, tido como gourmet, e ele comandava uma mesa em que estava o Simonal, sempre com aquele olhar de mormaço e condescendência, mesmo que já de há muito esmagado pela armação que o estraçalhou. Simonal deveria pensar que faria melhor no gogó o que ele via sendo feito ali, e olhava com um semblante entre o desgosto despeitado e um questionamento petulante da qualidade real daquilo. E rolava aquele show business tupiniquim, aquela encenação de triunfo midiático, e a platéia – ou pratéia? – ululando estrondosa sem saber por quê. Essas platéias, ou pratéias, são como um jovem gato que tive aqui, que chegou depois de outro mais velho, este já senhor do local; quando eu acendia bombas de São João para fazer calar a cachorrada enlouquecida no vizinho, o gato mais velho, ouvindo o chiado da bomba acesa, saía em disparada, para fugir da explosão; o outro, inexperiente, saía correndo atrás, simplesmente porque o mais velho disparou fugindo de algo. Era de matar de rir ver os dois derrapando na dobra da casa pra ganhar o corredor lateral. Até nisso gato é elegante. Enter.
Então já estávamos fornicados de tudo: além de ficarmos no chão perdendo a causa, víamos o Gonzaga ascendendo perante a massa ignara e ganhando ares de superstar, já nos olhando com educação de quem atura o outro. O show, uma merda. Nada do entusiasmo de estar levando uma mensagem para a juventude resistente; nada mais daquela proximidade de quem come prato feito em botequim depois de carregar equipamento e antes de passar a tarde ensaiando pra tocar pra publicozinho pouco mas fiel e consciente. Agora era o grande negócio, o estrelato, a adoração cega do ícone, uma mensagem de qualidade artística indiscutível mas confeitada para adocicar a boca sedenta e amarga, quando não babosas, das massas ovinas e balantes. O nosso moleque Gonzaguinha, ou aquele anterior Luís Gonzaga Jr, era recebido no andar superior dos ícones ungidos do sistema, aliás também dos que se venderam para que as transnacionais do disco estraçalhassem nossa cultura e nossa arte para comprimir tudo no nicho da canção popular. Era triste considerar a possibilidade: seria possível que os anos de luta tenham sido usados unicamente para uma glorificação dentro de um sistema prostituidor? Estaria o Gonzaga consciente dessa armação, e terá ele trabalhado malandramente para a sua redenção pelo sistema?? Seria todo o discurso anterior um expediente? Enter final.
Meu coração dizia que NÃO! Comigo eu via que tudo seria o correr dos fatos, que ele apenas foi levado, não haveria escolha. E, já que ninguém questionava pô nenhuma, ficou assim. Foi tudo triste, melancólico e patético. Gonzaga estava nas nuvens, seguro, elegante, senhoríssimo de si; nós, amuados, víamos quase uma década indo pro saco, dando em nada. Lutáramos para assistir outrem, e nosso suor servira para deliciar massas ovinas balantes. Mas o NÃO dito por meu coração se materializou em tragédia: sete anos depois de se alçar ao olimpo dos intérpretes da MPB, Gonzaga consumaria o que buscou durante anos ao praticar direção perigosa constantemente: depois de um show no sul do Paraná, entre as cidades de Pato Branco e Francisco Beltrão, nosso herói se imolou ao volante contra a traseira de um caminhão. Durante o show, ele pediu à platéia que o ajudasse, que ele precisava disso (??). Estaria antevendo a morte e solicitando solidariedade espiritual? Terá morrido ali o ícone da mídia ou o verdadeiro cantor e compositor em quem se depositou tanta esperança por ele falar contra a ditadura e preconizar uma redenção social? Lá do outro lado a turma sabe. Mas pareceu que ele mesmo repudiou a grória e toda a encenação cínica em que se meteu. E uma brilhante carreira acabou na traseira de um caminhão que parece nada ter a ver com o peixe, mas que entrou na história como quem conclui um enredo que não entendemos. Não mesmo? E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Bem, eu dizia que esgotava-se o prazo da cautelar e era hora de entrarmos com a ação principal, e que então começamos a tentar falar com nossos advogados, de quem nos afastáramos por alguns dias por conta de viagem com o Gonzaguinha. Pois nada: os caras não atendiam nem nos telefones residenciais nem no do escritório (e naquela época não existia bina). Doutores Yrapuã e Hamilton. Aliás, indicação do nosso colega Luizão Maia, baixista então da Elis, criatura finíssima não só tocando baixo Fender especialmente se no samba, mas também porque era simples e simpático ao mesmo tempo que autoridade musical e amigão geral. Pois nada de advogados. Como já lembrado, ficamos a ver navios, até porque, plantados na porta do Fórum do Rio, víamos embarcações de grande porte na Baía de Guanabara: o Fórum fica perto da Praça XV. E nunca mais vimos os advogados indicados pelo Luizão. E não havia por que procurá-los, se eles não nos procuraram para explicar coisa nenhuma. Ficou desse tamanho, e fomos “em trás”, pois em frente não poderíamos ir mais. Enter.
Por essa mesma época, nosso não mais tão próximo Gonzaguinha alcançava a “grória”: fazia o show consagrador no Canecão, Rio, lotando a casa por duas semanas seguidas de quinta a domingo. Falei “grória” porque aquilo era uma farsa em quase todos os sentidos. Era como uma grande vitória... material. Uma reunião de gentuça copiosa e ruidosa que preenche espaços onde quer que apareçam os eleitos pela mídia; um ou outro apreciador de canções passadas do cara e que ainda se mantinham fiéis, embora já apresentando ceticismo diante do espetáculo da bovinidade mugente comprimida naquela casa militante para o sistemão; socialites no gargalo do show, aparecendo para o palco ao captar a rebarba da luz esfuziante daquela encenação. Numa dessas noites estava ali, sob a ribalta, o José Hugo Celidônio, vip de carteirinha à época, tido como gourmet, e ele comandava uma mesa em que estava o Simonal, sempre com aquele olhar de mormaço e condescendência, mesmo que já de há muito esmagado pela armação que o estraçalhou. Simonal deveria pensar que faria melhor no gogó o que ele via sendo feito ali, e olhava com um semblante entre o desgosto despeitado e um questionamento petulante da qualidade real daquilo. E rolava aquele show business tupiniquim, aquela encenação de triunfo midiático, e a platéia – ou pratéia? – ululando estrondosa sem saber por quê. Essas platéias, ou pratéias, são como um jovem gato que tive aqui, que chegou depois de outro mais velho, este já senhor do local; quando eu acendia bombas de São João para fazer calar a cachorrada enlouquecida no vizinho, o gato mais velho, ouvindo o chiado da bomba acesa, saía em disparada, para fugir da explosão; o outro, inexperiente, saía correndo atrás, simplesmente porque o mais velho disparou fugindo de algo. Era de matar de rir ver os dois derrapando na dobra da casa pra ganhar o corredor lateral. Até nisso gato é elegante. Enter.
Então já estávamos fornicados de tudo: além de ficarmos no chão perdendo a causa, víamos o Gonzaga ascendendo perante a massa ignara e ganhando ares de superstar, já nos olhando com educação de quem atura o outro. O show, uma merda. Nada do entusiasmo de estar levando uma mensagem para a juventude resistente; nada mais daquela proximidade de quem come prato feito em botequim depois de carregar equipamento e antes de passar a tarde ensaiando pra tocar pra publicozinho pouco mas fiel e consciente. Agora era o grande negócio, o estrelato, a adoração cega do ícone, uma mensagem de qualidade artística indiscutível mas confeitada para adocicar a boca sedenta e amarga, quando não babosas, das massas ovinas e balantes. O nosso moleque Gonzaguinha, ou aquele anterior Luís Gonzaga Jr, era recebido no andar superior dos ícones ungidos do sistema, aliás também dos que se venderam para que as transnacionais do disco estraçalhassem nossa cultura e nossa arte para comprimir tudo no nicho da canção popular. Era triste considerar a possibilidade: seria possível que os anos de luta tenham sido usados unicamente para uma glorificação dentro de um sistema prostituidor? Estaria o Gonzaga consciente dessa armação, e terá ele trabalhado malandramente para a sua redenção pelo sistema?? Seria todo o discurso anterior um expediente? Enter final.
Meu coração dizia que NÃO! Comigo eu via que tudo seria o correr dos fatos, que ele apenas foi levado, não haveria escolha. E, já que ninguém questionava pô nenhuma, ficou assim. Foi tudo triste, melancólico e patético. Gonzaga estava nas nuvens, seguro, elegante, senhoríssimo de si; nós, amuados, víamos quase uma década indo pro saco, dando em nada. Lutáramos para assistir outrem, e nosso suor servira para deliciar massas ovinas balantes. Mas o NÃO dito por meu coração se materializou em tragédia: sete anos depois de se alçar ao olimpo dos intérpretes da MPB, Gonzaga consumaria o que buscou durante anos ao praticar direção perigosa constantemente: depois de um show no sul do Paraná, entre as cidades de Pato Branco e Francisco Beltrão, nosso herói se imolou ao volante contra a traseira de um caminhão. Durante o show, ele pediu à platéia que o ajudasse, que ele precisava disso (??). Estaria antevendo a morte e solicitando solidariedade espiritual? Terá morrido ali o ícone da mídia ou o verdadeiro cantor e compositor em quem se depositou tanta esperança por ele falar contra a ditadura e preconizar uma redenção social? Lá do outro lado a turma sabe. Mas pareceu que ele mesmo repudiou a grória e toda a encenação cínica em que se meteu. E uma brilhante carreira acabou na traseira de um caminhão que parece nada ter a ver com o peixe, mas que entrou na história como quem conclui um enredo que não entendemos. Não mesmo? E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Mudando de pau pra cacete
Matéria retirada do ar conforme medida liminar expedida pelo juiz Nelson Marques da Silva
quinta-feira, 27 de março de 2008
A Praça do Juiz III
Matéria retirada do ar conforme medida liminar expedida pelo juiz Nelson Marques da Silva
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