Frederico Mendonça de Oliveira
Ah!, que visão maravilhosamente estética a cena de mulheres aguando passeio! Nosso dia ganha tanta força quando vemos as mulheres de classe média desse Brasil moreno de mangueira na mão – e com ar diligente, religioso, muito atentas ao que estão fazendo! – empurrando lixo com o jato d’água durante no mínimo uns 20 minutos de terapia compensatória! Algumas até se curvam, para mostrar quão atenciosas conseguem ser em tão nobre tarefa! Quando são empregadinhas de mente vazia fazendo isso, ficamos apenas sacando; mas quando são as madames de verdade, ah!, aí emociona fundo! Especialmente quando essas senhoras tão zelosas se paramentam para esse gesto de grande valor e utilidade para este Brasil moreno e cabocro! Enter.
A vestimenta ideal para essa prática de saneamento básico doméstico tem coisas interessantes. Vamos lá: uma bermuda e uma camiseta do tipo regata bem cavada vão muito bem para esse esporte nacional urbano. Especialmente se uma bermuda azul pavão e uma camiseta amarelo gema de ovo. Para incrementar mais ainda, a madame pode chegar a causar suspiros em portadores de bons níveis de testosterona se puser um par de botas de borracha brancas, daquelas usadas em frigoríficos e açougues. Agora, se a madame quiser causar ereções e deixar os transeuntes em estado de distúrbio hormonal generalizado, basta fazer como algumas delas mais ousadas: basta aguar passeio de bermuda azul pavão ou cobalto, camiseta amarelo gema de ovo ou limão shocking, botas de borracha brancas e... com bobs nos cabelos, especialmente aqueles de uns oito centímetros de diâmetro. Jovens fogosos ou jovens adultos maduros seguramente vão arriscar uma bela sessão de adoração a Onan tendo na cabeça a imagem dessas – por que não dizer? – deusas do asfalto urbano! Enter.
Pois mesmo diante dessa maravilha perturbadora não só de nossos sentidos estéticos, mas até para nossos hormônios, há quem arranje um jeito de criar problemas para essas aparições celestiais. Primeiro, vêm os sempre desagradáveis ambientalistas, esses neuróticos que vêem problemas ecológicos em tudo: eles ficam gritando que a água potável no praneta vai acabar,.que é um crime desperdiçar água tratada para tarefas sem qualquer utilidade, essas maluquices todas. Ora, o Brasil tem água pra dar e vender! Isso aqui não é Europa nem, mais especialmente, Holanda, não! Aqui temos água até o fim dos tempos, temos rios, fontes, aqüíferos do tamanho de vários países da Europa somados! É água pra não acabar mais! Então, pra que essa besteira de ficar aí gritando que a água vai acabar e que as próximas guerras não ser justamente por causa dela? Vê se pode?! A água do Brasil acabar? E ainda garantirem, esses neuróticos do Green Peace, que a melhor perspectiva para o fim da água é em 2025?! Malucos!! Pirados! É isso: maluco é o que não falta nesse praneta e nesse Brasil abestalhado! Mas, fazer o quê? O jeito é ir levando e deixar os cães ladrando enquanto passa a linda caravana de aguadeiras de passeio, lindamente curvadas sobre o efeito mágico do jato, aquela cena tão comovente e luxuriante! Isso é cultura e arte, viu, ô Gil? Enter.
E tem os que puxam brasa até pro Freud, aquele maluco, pra engrossar a besteirada: falam de “compensação do complexo de castração”, aquela história de a menina ver que o menino ou o pai têm pênis, e aí ficam com um complexo de não ter uma coisa pendurada bem ali também e de, em vez disso, terem uma simples e humilde fenda. Os caras têm uma imaginação prodigiosa, pode crer! Então, pra justificar a visão de que aguar passeio é crime, eles inventam que essas mulheres estão fazendo da mangueira um falo imaginário, e se compensam ejaculando e urinando copiosamente com ele, empunhando-o gloriosamente por longos minutos, que seria o que elas pretendem seja o tempo ideal para penetrarem uma vulva imaginária ejaculando abundantemente – ou mijando solenemente para que esse mundo estúpido as contemple se realizando. Pode ser mais imaginativo, isso? Bem, tem cabeça pra tudo nesse diabo de Brasil maluco. Basta ver as legiões de milhares de sirigaitas que coincham como leitoas sendo torturadas diante de duplas de sujeitos de violão na mão, chapéu de texano, fivelão incrementado e botinas cheias de adereços metálicos e firulas de diversos tipos de couro. Basta ver os leitores da revista Caras, especialmente considerando que as fotos dos eventos são o que há de mais brega e sem nenhum glamour... Enter final.
Bem, os caras não têm conserto. Ficam imprecando e blasfemando contra nossas lindas deusas aguadoras de passeio, vai ver que têm é uma inveja profunda, na verdade queriam ser é como elas, sem nada pendurado, mas nasceram com esse “estorvo”... Hem?? Hem?? Vai ver que esses caras são umas meninas disfarçadas, que vieram ao mundo com outros sentimentos, e ficam admoestando as deusas da água, que parecem encarnações de lindas estátuas gregas, isto é: tudo não passa de intriga baseada em inveja! Precisamos erigir uma estátua em cada cidade deste Brasil mofino, ops!, moreno, em homenagem às aguadoras de passeio, que mantêm em dia a libido nacional mostrando parte de suas coxas sugestivas de delícias e ombros luzidios ao sol da manhã, e que serão até símbolos de erotismo se se permitem usar bobs, que as fazem tão desejáveis pela intimidade que revelam nas ruas! Já pensaram em como seria divino fazer amor com uma coroa jovem cheia de bobs na cabeça? Hem??!! Heeemm???!!! Bem, chega de machucar os corações com cenas tão eróticas. A gente se encontra na Grobo. E viva Santo Expedito! Oremos. ’Té a próxima visão delas, queridos!
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Podridão pouca é bobagem
Podridão pouca é bobagem
Frederico Mendonça de Oliveira
A macacada sem rabo aceita numa nice a condição que os meios de “comunicação” lhe impuseram a partir de 1964. Quando empreendi meu deslocamento para o Sul de Minas, a música começava a morrer em definitivo nas capitais. Entravam em cena os tais “projetos”, que os músicos não alcançavam entender o que vinham a ser. Muito bem. Ou, melhor, muito mal. Aos poucos, na esteira do lançamento da Xuxa como cantora de música infantil – articulação muito bem realizada pelos profissionais a serviço dos interesses do Império – vieram os horrores que devastaram nossa cultura musical: primeiro, a lambada, sob a voz achamboada de Luís Caldas, aquele pobre imbecil. Decorreu disso o deletério axé, com sua atual “musa”, Ivete Sangalo, que não canta, fala entoado; em articulação com essa desgraça, veio o breganojo se insinuando no cenário da “nova canção”, consagrando como artistas os asiáticos Chitãozinho e Xororó, os tomateiros Leandro e Leonardo, os patéticos Zezé di Camargo e Luciano, estes últimos produzidos por um certo Franco Scornavacca, responsável por transformar o público deles em gado vacum, que este Franco realmente fez escornar para sempre; e na esteira dessas três “dupras”, veio uma legião de outras, cada uma pior que a outra; para completar o quadro dantesco desta trágica involução, veio o pagode pasteurizado, que lançou na ribalta a horda de Netinhos, Alexandres Pires, Belos e figuras patibulares afins. É realmente abestalhante a constatação: impuseram-nos o abismo, e todos pularam nele como se em piscina de águas termais. Enter.
E pensar que éramos o país de Tom Jobim, de Villa Lobos, de João Gilberto, gente que nos fez ver a Europa e os EUA se curvando diante de nossa música e de nossa capacidade cultural, artística e até científica. Considerando tamanha inversão, tamanho empobrecimento, há que admitir duas coisas: primeiro, os caras trabalharam pra arrebentar – e arrebentaram!; segundo, não houve resistência nenhuma vindo de setor nenhum! O Estado, gradualmente feito em frangalhos desde 64, não mais sequer enxergava cultura e arte. Claro, estávamos por 20 anos sob ação de gorilas moucos e míopes; depois, voltando o terno-e-gravata paisano desde 1985, vimos crescer ao absurdo essa matéria escatológica combinando corrupção e deterioração musical. Pois não bastando essa violenta queda, veio ainda o coice. Os intervencionistas não dispensaram o “acabamento” do processo de destruição: acabaram com o que poderia moral ou praticamente resistir por entre os escombros do que eles bombardearam: deram os microfones, através de sutil estratégia, aos curiosos de todos os matizes e categorias. Como curetagem definitiva, puseram em todos os espaços onde pessoas se reúnam para comer e beber e buscar o lazer burro, a ignóbil “música ao vivo”, que levou ao nível do rasteiro a imagem do boneco ao violão cantando “sucessos de público”. Eles não poderiam ter sido mais eficientes como devastadores... Enter.
Hoje, qualquer boneco ao violão “canta” coisas banais e normalmente as mais imediatistas canções da extinta emepebê. Extinta depois de criada e explorada à exaustão pelos mesmos artífices da desmusicalização do Brasil hoje. Que fazer, senão chorar sob o cobertor? E, se não tiver cobertor, vai papelão mesmo, como o pessoal de rua... Não é tão bonito isso tudo? Pois os bonecos ao violão enriqueceram os donos de casas noturnas e restaurantes, como ocorreu com um mafioso no Sul de Minas: ele cobrava couvert artístico de cada cadeira no restaurante, com isso arrecadandoatravés do couvert – que os macacos sem rabo chamam de “covér” – somas acima de mil reais por fim de semana – e tinha a cara-de-pau criminosa de pagar um fixo irrisório ao boneco ao violão. Embolsava o grosso que os macacos sem rabo pagavam pela “música ao vivo” e dava uma ninharia pro boneco ao violão. Muito esperto... E tinha mais: se o boneco não quisesse trabalhar por tão pouco, outro quereria sem qualquer objeção: era pegar ou largar. E os macacos sem rabo comendo e bebendo alheios a esse crime, à música de merda que eles abafavam falando escatologicamente mais alto que ela e a si mesmos, porque não passam de midiotas cooptados pelos globalizadores. Enter.
Numa capital como Belo Horizonte, por exemplo, os grandes músicos têm de se sujeitar a ganhar ninharias de R$50 por noite se quiserem tocar nos restritos espaços que usam música, e o público decai de qualidade dia após dia, emburrecido pela vida estúpida que levamos e pela submissão acrítica à hegemonia, verdeadeiro jugo da TV sobre as mentes. Mentes? Digamos... penicos! Fica melhor, não? Ou que outro nome mais “caseiro” dar a um recipiente para matéria fecal, que é o que a TV despeja diária e diuturnamente em câmaras ósseas onde estariam alojados os tais de cérebros? Você pode experimentar: andando pela rua, tente ver, no lugar de cada cabeça, um penico feito de qualquer material. Não fica no jeito? E olhando para os auditórios de TV, com aquelas criaturas gritando histericamente diante de chapeludos, botinudos e fiveludos? É só visualizar penicos no lugar das cabeças. Enter final.
E ficamos assim, quase não precisa dizer mais nada por hoje, a não ser que essa mesma mídia que transforma nossas mentes em penicos nos impede de saber o que realmente se passa na Venezuela. A mídia hegemônica só quer que você odeie a Venezuela e seu líder Chávez. Não há uma voz na grande imprensa e na TV que honesta e imparcialmente mostre o que ocorre de progresso social no país de Simon Bolívar. E essa mesma mídia infernal só quer que você grite histericamente ante os patéticos breganojos com seus guais lancinantes e vazios. E ainda vêm dizer que é “gosto popular”... Vão pro inferno, demônios da mídia! O lugar de vocês é lá, não aqui, onde mourejam seres inocentes! E viva Santo Expedito! Oremos. Té a próxima, queridos!
Frederico Mendonça de Oliveira
A macacada sem rabo aceita numa nice a condição que os meios de “comunicação” lhe impuseram a partir de 1964. Quando empreendi meu deslocamento para o Sul de Minas, a música começava a morrer em definitivo nas capitais. Entravam em cena os tais “projetos”, que os músicos não alcançavam entender o que vinham a ser. Muito bem. Ou, melhor, muito mal. Aos poucos, na esteira do lançamento da Xuxa como cantora de música infantil – articulação muito bem realizada pelos profissionais a serviço dos interesses do Império – vieram os horrores que devastaram nossa cultura musical: primeiro, a lambada, sob a voz achamboada de Luís Caldas, aquele pobre imbecil. Decorreu disso o deletério axé, com sua atual “musa”, Ivete Sangalo, que não canta, fala entoado; em articulação com essa desgraça, veio o breganojo se insinuando no cenário da “nova canção”, consagrando como artistas os asiáticos Chitãozinho e Xororó, os tomateiros Leandro e Leonardo, os patéticos Zezé di Camargo e Luciano, estes últimos produzidos por um certo Franco Scornavacca, responsável por transformar o público deles em gado vacum, que este Franco realmente fez escornar para sempre; e na esteira dessas três “dupras”, veio uma legião de outras, cada uma pior que a outra; para completar o quadro dantesco desta trágica involução, veio o pagode pasteurizado, que lançou na ribalta a horda de Netinhos, Alexandres Pires, Belos e figuras patibulares afins. É realmente abestalhante a constatação: impuseram-nos o abismo, e todos pularam nele como se em piscina de águas termais. Enter.
E pensar que éramos o país de Tom Jobim, de Villa Lobos, de João Gilberto, gente que nos fez ver a Europa e os EUA se curvando diante de nossa música e de nossa capacidade cultural, artística e até científica. Considerando tamanha inversão, tamanho empobrecimento, há que admitir duas coisas: primeiro, os caras trabalharam pra arrebentar – e arrebentaram!; segundo, não houve resistência nenhuma vindo de setor nenhum! O Estado, gradualmente feito em frangalhos desde 64, não mais sequer enxergava cultura e arte. Claro, estávamos por 20 anos sob ação de gorilas moucos e míopes; depois, voltando o terno-e-gravata paisano desde 1985, vimos crescer ao absurdo essa matéria escatológica combinando corrupção e deterioração musical. Pois não bastando essa violenta queda, veio ainda o coice. Os intervencionistas não dispensaram o “acabamento” do processo de destruição: acabaram com o que poderia moral ou praticamente resistir por entre os escombros do que eles bombardearam: deram os microfones, através de sutil estratégia, aos curiosos de todos os matizes e categorias. Como curetagem definitiva, puseram em todos os espaços onde pessoas se reúnam para comer e beber e buscar o lazer burro, a ignóbil “música ao vivo”, que levou ao nível do rasteiro a imagem do boneco ao violão cantando “sucessos de público”. Eles não poderiam ter sido mais eficientes como devastadores... Enter.
Hoje, qualquer boneco ao violão “canta” coisas banais e normalmente as mais imediatistas canções da extinta emepebê. Extinta depois de criada e explorada à exaustão pelos mesmos artífices da desmusicalização do Brasil hoje. Que fazer, senão chorar sob o cobertor? E, se não tiver cobertor, vai papelão mesmo, como o pessoal de rua... Não é tão bonito isso tudo? Pois os bonecos ao violão enriqueceram os donos de casas noturnas e restaurantes, como ocorreu com um mafioso no Sul de Minas: ele cobrava couvert artístico de cada cadeira no restaurante, com isso arrecadandoatravés do couvert – que os macacos sem rabo chamam de “covér” – somas acima de mil reais por fim de semana – e tinha a cara-de-pau criminosa de pagar um fixo irrisório ao boneco ao violão. Embolsava o grosso que os macacos sem rabo pagavam pela “música ao vivo” e dava uma ninharia pro boneco ao violão. Muito esperto... E tinha mais: se o boneco não quisesse trabalhar por tão pouco, outro quereria sem qualquer objeção: era pegar ou largar. E os macacos sem rabo comendo e bebendo alheios a esse crime, à música de merda que eles abafavam falando escatologicamente mais alto que ela e a si mesmos, porque não passam de midiotas cooptados pelos globalizadores. Enter.
Numa capital como Belo Horizonte, por exemplo, os grandes músicos têm de se sujeitar a ganhar ninharias de R$50 por noite se quiserem tocar nos restritos espaços que usam música, e o público decai de qualidade dia após dia, emburrecido pela vida estúpida que levamos e pela submissão acrítica à hegemonia, verdeadeiro jugo da TV sobre as mentes. Mentes? Digamos... penicos! Fica melhor, não? Ou que outro nome mais “caseiro” dar a um recipiente para matéria fecal, que é o que a TV despeja diária e diuturnamente em câmaras ósseas onde estariam alojados os tais de cérebros? Você pode experimentar: andando pela rua, tente ver, no lugar de cada cabeça, um penico feito de qualquer material. Não fica no jeito? E olhando para os auditórios de TV, com aquelas criaturas gritando histericamente diante de chapeludos, botinudos e fiveludos? É só visualizar penicos no lugar das cabeças. Enter final.
E ficamos assim, quase não precisa dizer mais nada por hoje, a não ser que essa mesma mídia que transforma nossas mentes em penicos nos impede de saber o que realmente se passa na Venezuela. A mídia hegemônica só quer que você odeie a Venezuela e seu líder Chávez. Não há uma voz na grande imprensa e na TV que honesta e imparcialmente mostre o que ocorre de progresso social no país de Simon Bolívar. E essa mesma mídia infernal só quer que você grite histericamente ante os patéticos breganojos com seus guais lancinantes e vazios. E ainda vêm dizer que é “gosto popular”... Vão pro inferno, demônios da mídia! O lugar de vocês é lá, não aqui, onde mourejam seres inocentes! E viva Santo Expedito! Oremos. Té a próxima, queridos!
terça-feira, 13 de novembro de 2007
A miséria abre as asas sobre nós
Frederico Mendonça de Oliveira
E todos aceitam isso como sendo uma fatalidade irreversível, como se fosse o destino que os céus nos enviam. E todos vão se moldando a isso, se miserabilizando como se fosse inevitável e... natural! Mas não falemos da miséria em que se debatem seres desgraçados nas periferias de capitais e nos morros cariocas, espaços onde convivem o horror existencial da carência perversa e o crime encarniçado que se manifesta como expressão obrigatória da realidade brasileira e mesmo humana – ou como resposta armada desobediente a um sistema comandado por cães sem vísceras. Nem falemos da miséria tétrica do Nordeste assolado pela seca e manipulado por senhores cruéis que obedecem a outros senhores de alhures mais cruéis ainda. Nem falemos da miséria estampada nos rostos e corpos de seres que compõem filas de cem, duzentos metros ou mais, começando à porta de ambulatórios do SUS, ou dos que erram pelas ruas ou se esmagam e emporcalham sob viadutos sórdidos. Isso tudo já conhecemos de sempre, é a desigualdade em si, embora hoje superlativada e imposta como espetáculo horrendo sob seguidos “governos” de sudras ignóbeis engravatados que se assumiram canalhas despreocupados com o que façam ou sejam ou ainda com o que possa advir disso. Isso de brios é fantasia do passado... Enter.
Falemos da miséria branda em sua apresentação e aparentemente inócua e mesmo inocente, e até para muitos agradável, falemos da miséria enfeitada, apelativa, açucarada, colorida, cheia de atrativos para as mentes suscetíveis e indefesas, incluindo nisso, com sanha, deformar as mentes tenras de crianças e adolescentes. Falemos da matéria purulenta oferecida como dieta de “entretenimento” e imposta como padrão cultural pelos mensageiros das trevas. Esta miséria se nos apresenta como guloseimas atraentes, até como coisas apreciáveis, mas só os espíritos avisados detectam a podridão por dentro deste imenso sepulcro tão bem produzido e ornamentado. Como diziam nossos ancestrais portugueses, “por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. Falemos das enxurradas de fétido exsudato lançadas pelos meios de contra-informação cinicamente considerados como sendo de “comunicação”, e essa inundação programada e realizada pelos globalizadores ocupa simplesmente todo um espaço que seria outrora ocupado por arte e cultura. Hoje é entretenimento, eles mesmos definem o processo com esse nome. Fomos o país de Villa Lobos e Tom Jobim, de Clarice Lispector e João Guimarães Rosa, de Carlos Drummond e João Cabral, de Portinari e Di Cavalcanti; hoje somos o país de Tiririca e Netinho, de Silvio de Abreu e Paulo Coelho, de Gugu Liberato e Leão Lobo, de rapeiros, grafiteiros e borra-tintas aos montes. Somos um país de merda e de merdas, tão eficiente e sem freio qualquer é a ação dos intervencionistas. E pra fundo musical bota um reggae ou um breganojo aí, ô meu! Enter.
O “ministro” da Cultura também é o embaixador do reggae nesta Pindorama esmerdeada. Não é culto, ele, é genial no negócio de fazer canções e muito bem informado. Agora está vivendo uma posição social invejável, é um socialite, e nada contra-indica isso, basta ter estômago e considerar que sempre trabalhou duro e diuturnamente. Só que as aspas para o cargo se devem ao fato de ele não ser um ministro, mas um ocupante da pasta, como de resto todos os outros “ministros” neste país-rebu. O fato de ele ser um grande artista, autor de várias obras primas da canção moderna emepebê, não o qualifica para exercer o cargo, além de não poder fazer praticamente nada em relação a nada. E a culpa não é do ocupante, é da pasta, que não deveria existir num país em que a cultura mesmo está posta fora da lei pelos globalizadores. É uma contradição curiosa. Nosso ministro na verdade não é nosso: é deles. Tenho certeza de que Gil, a menos que odeie Deus, pátria e família, meteria a mão na massa, se a ele permitido fosse. Eis aí a grande piada, que soa como um potente peido que diverte pelo som mas constrange muito pelo fedor. Então a Cultura e a cultura vão muito mal, obrigado. Afinal, em país de analfabetos e analfaburros fabricados aos milhares por dia, pra que cultura? Temos rede Globo, já está de ótimo tamanho! Enter.
Chego à agência central dos Correios e lá está um aparelho de TV sintonizado na Globo. É como metralhar as pessoas onde quer que vão. Elas têm de ser alvejadas. Se o “ministro” aborda isso, vai pra rua em horas. Uma ligação dos Marinho, e já era. Gil cagaria, mas seu projeto pessoal seria arranhado: ele tem que estar intocado para não parecer um “rebelde de merda” como Lobão ou Sérgio Ricardo. E com Lula da Filva não seria diferente: ai dele se abre aquela boca pra conter a massacre contracultural da Globo: cai de maduro, e feio. Aliás, ele está no poder por ser não um pusilânime, mas um reles e abjeto traidor e vendido por ninharia. É um grande impostor, sem caráter nem um pingo de testosterona – não a que move os machos sobre as fêmeas, a “Galega” que o diga, segundo ele eructou aí, mas a testosterona dos homens de palavra, dos homens que têm compromisso com a pátria que os pariu. Enter final.
Considerando esse amontoado de “homens públicos” que ocupam os poderes, concluímos que Kon Fu Tsé, o sábio chinês que os globalizadores apelidaram de Confúcio para associar filosofia a confusão, tinha pra lá de razão: “Se alguém desejar saber se o reino é bem ou mal governado, se a sua moral é boa ou má, examine a qualidade de sua música, que lhe fornecerá a resposta”. E não temos saída: preparemos a próxima vida, que esta já era. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
E todos aceitam isso como sendo uma fatalidade irreversível, como se fosse o destino que os céus nos enviam. E todos vão se moldando a isso, se miserabilizando como se fosse inevitável e... natural! Mas não falemos da miséria em que se debatem seres desgraçados nas periferias de capitais e nos morros cariocas, espaços onde convivem o horror existencial da carência perversa e o crime encarniçado que se manifesta como expressão obrigatória da realidade brasileira e mesmo humana – ou como resposta armada desobediente a um sistema comandado por cães sem vísceras. Nem falemos da miséria tétrica do Nordeste assolado pela seca e manipulado por senhores cruéis que obedecem a outros senhores de alhures mais cruéis ainda. Nem falemos da miséria estampada nos rostos e corpos de seres que compõem filas de cem, duzentos metros ou mais, começando à porta de ambulatórios do SUS, ou dos que erram pelas ruas ou se esmagam e emporcalham sob viadutos sórdidos. Isso tudo já conhecemos de sempre, é a desigualdade em si, embora hoje superlativada e imposta como espetáculo horrendo sob seguidos “governos” de sudras ignóbeis engravatados que se assumiram canalhas despreocupados com o que façam ou sejam ou ainda com o que possa advir disso. Isso de brios é fantasia do passado... Enter.
Falemos da miséria branda em sua apresentação e aparentemente inócua e mesmo inocente, e até para muitos agradável, falemos da miséria enfeitada, apelativa, açucarada, colorida, cheia de atrativos para as mentes suscetíveis e indefesas, incluindo nisso, com sanha, deformar as mentes tenras de crianças e adolescentes. Falemos da matéria purulenta oferecida como dieta de “entretenimento” e imposta como padrão cultural pelos mensageiros das trevas. Esta miséria se nos apresenta como guloseimas atraentes, até como coisas apreciáveis, mas só os espíritos avisados detectam a podridão por dentro deste imenso sepulcro tão bem produzido e ornamentado. Como diziam nossos ancestrais portugueses, “por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. Falemos das enxurradas de fétido exsudato lançadas pelos meios de contra-informação cinicamente considerados como sendo de “comunicação”, e essa inundação programada e realizada pelos globalizadores ocupa simplesmente todo um espaço que seria outrora ocupado por arte e cultura. Hoje é entretenimento, eles mesmos definem o processo com esse nome. Fomos o país de Villa Lobos e Tom Jobim, de Clarice Lispector e João Guimarães Rosa, de Carlos Drummond e João Cabral, de Portinari e Di Cavalcanti; hoje somos o país de Tiririca e Netinho, de Silvio de Abreu e Paulo Coelho, de Gugu Liberato e Leão Lobo, de rapeiros, grafiteiros e borra-tintas aos montes. Somos um país de merda e de merdas, tão eficiente e sem freio qualquer é a ação dos intervencionistas. E pra fundo musical bota um reggae ou um breganojo aí, ô meu! Enter.
O “ministro” da Cultura também é o embaixador do reggae nesta Pindorama esmerdeada. Não é culto, ele, é genial no negócio de fazer canções e muito bem informado. Agora está vivendo uma posição social invejável, é um socialite, e nada contra-indica isso, basta ter estômago e considerar que sempre trabalhou duro e diuturnamente. Só que as aspas para o cargo se devem ao fato de ele não ser um ministro, mas um ocupante da pasta, como de resto todos os outros “ministros” neste país-rebu. O fato de ele ser um grande artista, autor de várias obras primas da canção moderna emepebê, não o qualifica para exercer o cargo, além de não poder fazer praticamente nada em relação a nada. E a culpa não é do ocupante, é da pasta, que não deveria existir num país em que a cultura mesmo está posta fora da lei pelos globalizadores. É uma contradição curiosa. Nosso ministro na verdade não é nosso: é deles. Tenho certeza de que Gil, a menos que odeie Deus, pátria e família, meteria a mão na massa, se a ele permitido fosse. Eis aí a grande piada, que soa como um potente peido que diverte pelo som mas constrange muito pelo fedor. Então a Cultura e a cultura vão muito mal, obrigado. Afinal, em país de analfabetos e analfaburros fabricados aos milhares por dia, pra que cultura? Temos rede Globo, já está de ótimo tamanho! Enter.
Chego à agência central dos Correios e lá está um aparelho de TV sintonizado na Globo. É como metralhar as pessoas onde quer que vão. Elas têm de ser alvejadas. Se o “ministro” aborda isso, vai pra rua em horas. Uma ligação dos Marinho, e já era. Gil cagaria, mas seu projeto pessoal seria arranhado: ele tem que estar intocado para não parecer um “rebelde de merda” como Lobão ou Sérgio Ricardo. E com Lula da Filva não seria diferente: ai dele se abre aquela boca pra conter a massacre contracultural da Globo: cai de maduro, e feio. Aliás, ele está no poder por ser não um pusilânime, mas um reles e abjeto traidor e vendido por ninharia. É um grande impostor, sem caráter nem um pingo de testosterona – não a que move os machos sobre as fêmeas, a “Galega” que o diga, segundo ele eructou aí, mas a testosterona dos homens de palavra, dos homens que têm compromisso com a pátria que os pariu. Enter final.
Considerando esse amontoado de “homens públicos” que ocupam os poderes, concluímos que Kon Fu Tsé, o sábio chinês que os globalizadores apelidaram de Confúcio para associar filosofia a confusão, tinha pra lá de razão: “Se alguém desejar saber se o reino é bem ou mal governado, se a sua moral é boa ou má, examine a qualidade de sua música, que lhe fornecerá a resposta”. E não temos saída: preparemos a próxima vida, que esta já era. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
"Peidei... mas não fui eu"
Frederico Mendonça de Oliveira
Em festa de entrega de troféus de melhor disso e daquilo em que pululavam colunáveis – e em que foi muito sentida a falta do ties’ rabbi Henry Sobel – e famosos de todos os gêneros, eis que lá está o Lobão, aquele que enche o saco dos manipuladores da canção e pisa nos calos dos integrados por não assumir o bom mocismo cínico e safado dos intérpretes emepebísticos ungidos do Sistema. Meio que estranho no ninho dos – quase todos – apedeutas da “canção” atual, e destoando severamente da postura globalizante da coluna de Mônica Bérgamo, ei-lo envergando uma camiseta negra com os dizeres que estampei no título deste artigo, mas que vale repetir: “Peidei – mas não fui eu”. Isso lembra uma piada que fez sucesso nas montanhas sul-mineiras, retratando duas filhas de colunáveis do arraial que se topam no salão do puteiro maior do pedaço; no que a primeira, afetando estupefação, pergunta: “Uai!!! Oooocêêê aquiiiii?????”, a outra, manifestando fingido espanto, responde: “Ieeeeeeuuuu???? Eeeuuu nããããoo!!!!!!!”. Contando a piada com o sotaque bisonho destas montanhas apinhadas de arraialeiros não raro traiçoeiros, dá pra rir. Especialmente quando quem conta é mulher classemédia invejosa que carrega na inflexão para remedar essas ricaças. Enter.
Lobão pode ser um artista de valor acanhado, se olhado de cima do olimpo dos conhecedores; pode ser um expoente, se avaliado por leigos ou pelos quase sempre ignorantes roqueiros – especialmente ignorantes da música –, porque, sendo baterista, canta e compõe, coisa meio incomum entre esses instrumentistas; e faz coisas bem assimiláveis e, admitam os mais rigorosos, bonitas e positivas em vários aspectos. Fora isso, e assim ele ganha o respeito de muitos, mete a língua nos poderosos e desobedece – que seja – por esporte, desafinando o coro tétrico dos contentes. Quando da bestial manifestação do tal de Wagner Tiso sobre ética na política, Lobão foi preciso e fulminante: “Isso é falta de higiene filosófica!”. Assim ele vai colecionando desafetos na cloaca dos ungidos, em que o Tiso se intrujou usando suas “qualidades” de cigano, que ele proclama com orgulho. E ele até que “orna” entre os Dirceus, Valérios e Garcias, a partir especialmente do autoritarismo que encharca essas mentes sombrias. Lobão tem asco dessa caterva toda, esse “grande primeiro escalão” brasileiro, todos trancafiáveis ou bem talhados para uma banca de legumes ou peixes em feira livre, ou, melhor ainda, para campos de trabalhos rurais na cana ou na soja, para produção de biodíesel e álcool combustível. Mas Deus é Pai. Enter
Eles peidaram e peidam e estão absolutamente confiantes de que não são nem foram eles. Só vemos sordidez e putarias, tudo isso peidaços, peidos atômicos, que projetariam para além da estratosfera esses humanóides e os deixariam em órbita ad aeternitatem. Mas o Brasil é terra admirável e sem lei, o que nos submete a toda sorte de putarias praticadas pelos que elegemos ou não. Henrique Meirelles foi um nomeado que o “governo” do chefe apedeuta Cinqüentaeum – aliás, “apeideuta” seria mais rico... – “blindou” para que o ministro escapasse da ação do MPF, acusado de corrupção, e não caísse de cara em execração pública. Meirelles, que La Bérgamo incensa a mil, dirige simplesmente o Banco Central. Deveria estar dirigindo um carrinho de mão carregando pepitas em alguma de nossas minas por este imenso país desgraçado. Quem sabe Serra Pelada reabre, hem, ô Boston Bank’s Boy? Enter.
Bem, esses caras peidaram e peidam e não foram nem são eles. Talvez sejamos nós... de tanta porcaria que engolimos sem alternativa. Como dizia o Justo Veríssimo, imitando a figura torpe do bigodudo Sarney nos tempos do rasteiro Figueiredo, “Pobre tem que morrer!”, e a gente aqui acrescenta: “Povo tem que sofrer!”. Eis a lógica a que estamos condenados desde 1964 – embora hoje muitos questionem se a ditadura entre 64 e 84 foi mesmo o horror que tanto apregoaram. Na verdade, são irrisórias as baixas – se comparadas com as de Pinochet e Videla –, e não sabemos a que forças serviam os que caíram nas malhas da repressão. Embora não haja qualquer possibilidade de tolerância com o regime de exceção dos generais, embora condenemos inapelavelmente a tortura e as monstruosidades do aparelho repressivo de Estado, prosseguimos sem saber o que regia a ação daquelas “esquerdas”, que hoje enfeitam Brasília com os laços da podridão de uma corrupção inédita em nossa História, escandalosamente alheios aos trabalhadores e aos setores para baixo da cobertura das elites concentradoras. A quem serviam Gabeira – respeitável parlamentar –, José Roberto, Vera Sílvia, Pedro Pomar, Lamarca, Angelo Arroyo, Elza Monerat, a quem servia o hoje enxovalhado Genoíno, envolvido com dólares na cueca de não sei quem e caladinho da silva em seu modelito guerrilheiro engravatado e bom moço? Enter final.
Pouquíssimos sabem, babes, e estes estão por trás do encarniçado e desalmado poder atual e de sempre, e dão ordens aos peidantes não assumidos. Vem pau aí, e feio: os globalizadores se prepara em surdina – enganando a maioria de leigos crédulos, os midiotas gerados às cintenas de milhões por esses mesmos seres ocultos –, estão armando um conflito amazônico, e é fácil adivinhar quem vai se pegar nisso. Alcântara não foi cedida por bem aos yankees, agora vai por mal – porque eles virão “nos defender” da ameaça chavista e vão se entrincheirar é exatamente lá. E adeus Alcântara. E adeus Brasil. Excrevam, o futuro próximo confirmará. Chávez está preparado pro pau, mas vai ter outra “tríplice aliança”, pra variar... – ou seriam novos “aliados”? Veremos. Poderá ser um novo nome... mas eles são os mesmos e vão agir como sempre agiram: com extrema crueldade. E viva Santo Expedito! Oremos. ’Té a próxima, crianças!
E na próxima vai ter chumbo grosso: cheiro de pólvora no ar!
Em festa de entrega de troféus de melhor disso e daquilo em que pululavam colunáveis – e em que foi muito sentida a falta do ties’ rabbi Henry Sobel – e famosos de todos os gêneros, eis que lá está o Lobão, aquele que enche o saco dos manipuladores da canção e pisa nos calos dos integrados por não assumir o bom mocismo cínico e safado dos intérpretes emepebísticos ungidos do Sistema. Meio que estranho no ninho dos – quase todos – apedeutas da “canção” atual, e destoando severamente da postura globalizante da coluna de Mônica Bérgamo, ei-lo envergando uma camiseta negra com os dizeres que estampei no título deste artigo, mas que vale repetir: “Peidei – mas não fui eu”. Isso lembra uma piada que fez sucesso nas montanhas sul-mineiras, retratando duas filhas de colunáveis do arraial que se topam no salão do puteiro maior do pedaço; no que a primeira, afetando estupefação, pergunta: “Uai!!! Oooocêêê aquiiiii?????”, a outra, manifestando fingido espanto, responde: “Ieeeeeeuuuu???? Eeeuuu nããããoo!!!!!!!”. Contando a piada com o sotaque bisonho destas montanhas apinhadas de arraialeiros não raro traiçoeiros, dá pra rir. Especialmente quando quem conta é mulher classemédia invejosa que carrega na inflexão para remedar essas ricaças. Enter.
Lobão pode ser um artista de valor acanhado, se olhado de cima do olimpo dos conhecedores; pode ser um expoente, se avaliado por leigos ou pelos quase sempre ignorantes roqueiros – especialmente ignorantes da música –, porque, sendo baterista, canta e compõe, coisa meio incomum entre esses instrumentistas; e faz coisas bem assimiláveis e, admitam os mais rigorosos, bonitas e positivas em vários aspectos. Fora isso, e assim ele ganha o respeito de muitos, mete a língua nos poderosos e desobedece – que seja – por esporte, desafinando o coro tétrico dos contentes. Quando da bestial manifestação do tal de Wagner Tiso sobre ética na política, Lobão foi preciso e fulminante: “Isso é falta de higiene filosófica!”. Assim ele vai colecionando desafetos na cloaca dos ungidos, em que o Tiso se intrujou usando suas “qualidades” de cigano, que ele proclama com orgulho. E ele até que “orna” entre os Dirceus, Valérios e Garcias, a partir especialmente do autoritarismo que encharca essas mentes sombrias. Lobão tem asco dessa caterva toda, esse “grande primeiro escalão” brasileiro, todos trancafiáveis ou bem talhados para uma banca de legumes ou peixes em feira livre, ou, melhor ainda, para campos de trabalhos rurais na cana ou na soja, para produção de biodíesel e álcool combustível. Mas Deus é Pai. Enter
Eles peidaram e peidam e estão absolutamente confiantes de que não são nem foram eles. Só vemos sordidez e putarias, tudo isso peidaços, peidos atômicos, que projetariam para além da estratosfera esses humanóides e os deixariam em órbita ad aeternitatem. Mas o Brasil é terra admirável e sem lei, o que nos submete a toda sorte de putarias praticadas pelos que elegemos ou não. Henrique Meirelles foi um nomeado que o “governo” do chefe apedeuta Cinqüentaeum – aliás, “apeideuta” seria mais rico... – “blindou” para que o ministro escapasse da ação do MPF, acusado de corrupção, e não caísse de cara em execração pública. Meirelles, que La Bérgamo incensa a mil, dirige simplesmente o Banco Central. Deveria estar dirigindo um carrinho de mão carregando pepitas em alguma de nossas minas por este imenso país desgraçado. Quem sabe Serra Pelada reabre, hem, ô Boston Bank’s Boy? Enter.
Bem, esses caras peidaram e peidam e não foram nem são eles. Talvez sejamos nós... de tanta porcaria que engolimos sem alternativa. Como dizia o Justo Veríssimo, imitando a figura torpe do bigodudo Sarney nos tempos do rasteiro Figueiredo, “Pobre tem que morrer!”, e a gente aqui acrescenta: “Povo tem que sofrer!”. Eis a lógica a que estamos condenados desde 1964 – embora hoje muitos questionem se a ditadura entre 64 e 84 foi mesmo o horror que tanto apregoaram. Na verdade, são irrisórias as baixas – se comparadas com as de Pinochet e Videla –, e não sabemos a que forças serviam os que caíram nas malhas da repressão. Embora não haja qualquer possibilidade de tolerância com o regime de exceção dos generais, embora condenemos inapelavelmente a tortura e as monstruosidades do aparelho repressivo de Estado, prosseguimos sem saber o que regia a ação daquelas “esquerdas”, que hoje enfeitam Brasília com os laços da podridão de uma corrupção inédita em nossa História, escandalosamente alheios aos trabalhadores e aos setores para baixo da cobertura das elites concentradoras. A quem serviam Gabeira – respeitável parlamentar –, José Roberto, Vera Sílvia, Pedro Pomar, Lamarca, Angelo Arroyo, Elza Monerat, a quem servia o hoje enxovalhado Genoíno, envolvido com dólares na cueca de não sei quem e caladinho da silva em seu modelito guerrilheiro engravatado e bom moço? Enter final.
Pouquíssimos sabem, babes, e estes estão por trás do encarniçado e desalmado poder atual e de sempre, e dão ordens aos peidantes não assumidos. Vem pau aí, e feio: os globalizadores se prepara em surdina – enganando a maioria de leigos crédulos, os midiotas gerados às cintenas de milhões por esses mesmos seres ocultos –, estão armando um conflito amazônico, e é fácil adivinhar quem vai se pegar nisso. Alcântara não foi cedida por bem aos yankees, agora vai por mal – porque eles virão “nos defender” da ameaça chavista e vão se entrincheirar é exatamente lá. E adeus Alcântara. E adeus Brasil. Excrevam, o futuro próximo confirmará. Chávez está preparado pro pau, mas vai ter outra “tríplice aliança”, pra variar... – ou seriam novos “aliados”? Veremos. Poderá ser um novo nome... mas eles são os mesmos e vão agir como sempre agiram: com extrema crueldade. E viva Santo Expedito! Oremos. ’Té a próxima, crianças!
E na próxima vai ter chumbo grosso: cheiro de pólvora no ar!
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
A ditadura perversa da estupidez
Frederico Mendonça de Oliveira
Sob alegação cínica e canalha de geração de empregos temporários e/ou de arrecadação para comércios locais, vai se alastrando nessa Pindorama fadada à desgraça a praga cancerosa das micaretas, ou carnavais temporões. O poviléu, ignorantizado, bovinizado, adere como sob o berrante do vaqueiro ou o tinir da vara de ferrão. São as legiões de objetos vestidos em panos patéticos, ostentando bonés que não passam de coroas para a estupidez assumida; são as legiões dos obedientes ao “pensamento unificado” imposto pela mídia dos globalizadores. “Pensamento unificado” é tão possível quanto “burrice criadora”, ou “boçalidade fecunda”: um paradoxo. Trata-se de um “não pensamento”, algo absolutamente igual ao estado mental de um amontoado de larvas numa bicheira ou de ninfas de percevejo expostas ao mundo sobre a folha de uma planta (ou “pranta”, como dizem os bugres nas montanhas sul-mineiras). Cérebros? Não passam de um monte de aparelhos rudimentares de operação de instintos e desejos, nada mais que isso reagindo em conjunto, sendo a individualidade algo relativíssimo, até proibitivo. Pois então lá vêm os carnavais temporões, em que uma alegria postiça é manifestada como forma de desobediência estúpida a um vago “poder constituído”, postura desobediente que normalmente envereda pela bestialidade em todos os possíveis matizes: porrada acionada por álcool e outras drogas, sexo degenerado em estado orgíaco animalesco, alegria calhorda porque sem apoio em qualquer fundamento prático ou tradição. Contemplando comiseradamente esse quadro dantesco entrevemos os cornos malignos dos títeres dos globalizadores a serviço de comandantes ocultos em valhacoutos de onde emanam a perdição e a prostituição que encaminham e pavimentam o grande golpe de Estado internacional já iminente. Enter.
Esta é uma faceta do horror institucionalizado neste país-lugar hoje ermo de melodia e beleza, coisas que nos embalaram até 1964, embora hienas, chacais, serpentes e todo tipo de pragas já viessem corrompendo nossa vida coletiva desde Cabral – que trouxe em sua esquadra um certo Gaspar da Gama, monstrinho achado em Goa por Vasco da Gama em 1498. Depois de meter o calabrote no animalzinho, Vasco da Gama acabou iludido por uma suposta sabedoria sobre as Índias exibida por esse rato, e que muito agradaria a Dom Manuel, o Venturoso. O nome verdadeiro do pulhazinho de nariz adunco e curvado sobre uma pequena boca de lábios sensuais ninguém sabe, nem mesmo Solidônio Leite Filho, que o detectou na História chegando em pequena embarcação ao costado da nau São Gabriel, capitânea da frota de Vasco da Gama, ancorada em enseada no Índico. Mas o horror definitivo, a força-tarefa para nosso desmantelamento irreversível, começou com a entrada nefasta da Rede Globo no ar, como atesta o vídeo Beyond Citizen Kane, acurada análise sobre a ação do plim-plim contra a identidade sócio-política da população brasileira. Enter.
Rodamos o botão do dial no rádio e só sintonizamos miséria sonora e som de grunhidos de debilóides de todas as laias. Se o rádio, tão logo inventado, já começou sendo desvirtuado para desarticular a ação das mentes, hoje é usado como instrumento de neurotização coletiva, ou de coletivização de neurose, como você preferir. Lá pelos anos 50 instituíram a radionovela, uma desgraça que precedeu a telenovela, desgraça à enésima potência. Era a turma do Gaspar da Gama agindo lá, transformando o rádio, como disse o filósofo do neoliberalismo Cazuza, “num puteiro – porque assim se ganha mais dinheiro”. E também foi então que criaram os programas de auditório, em que se juntavam, aos guinchos, adolescentes apedeutas adoradoras de ídolos do microfone e do disco. Nestor de Holanda apelidou as infelizes de “macacas de auditório”, o que lhe renderia hoje, nestes dias de cinismo, processos por crime de racismo ou discriminação, como você quiser. E o interessante é que o nome terá sido postergado, mas as tais “macacas de auditório” de Holanda parece que são hoje quase toda a população feminina jovem do Brasil, ganindo junto com chapeludos, botinudos e fiveludos que infestam os palcos dessa cloaca entre Oiapoque e Chuí em que nos vemos metidos e confinados sem qualquer vislumbre de escapatória. Enter.
Bem pior que o rádio, a TV só mostra porcaria grossa, e exibe um verdadeiro massacre de comerciais, hoje beirando o mais primário e apelativo, sem qualquer poesia – não como até há poucos anos, quando os comerciais eram inteligentes e muito acima da quase totalidade da programação geral. Os comerciais da Brastemp, da Cofap (do cachorrinho dachshund), de Bom Brill e outros tantos eram geniais. Ultimamente, só um de um plano de saúde aí incluindo dentista deu pra curtir. O resto são enredos estúpidos e fantasiosos, como a do lagartão que reencontra seu algoz na meninice. A bosta rala é a lei na programação e nos intervalos comerciais. Só se salvam a Rede Minas e a Cultura de São Paulo. A primeira exibe uma programação visual de muito bom gosto, embora cheia de erros de Português; a segunda, mesmo sendo um patrimônio admirável, vem caindo o nível de forma assustadora, como já visto aqui. Mas, vez por outra, dá pra ver uma ou outra apresentação de sinfônica, como os concertos da OSESP – ainda que passando constrangimentos, como ter de aturar a conduta afetada e infantil da apresentadora Estela Ribeiro, absolutamente imprópria para programas de música erudita e coisas envolvidas com isso. Enter final.
Bem que Henry Kissinger, aquele degenerado secretário dos globalizadores, declarou, lá pros anos 60, a respeito do “Brizêu”: “Não queremos um tigre asiático abaixo do Equador”. Dito e feito: transformaram o Brasil num puteiro, como disse Cazuza, e numa cloaca, também num inferno. Ainda bem que não tenho mais toda uma vida nesta terra desgraçada. Ai dos que ainda estão no começo das suas... pois esse inferno vai arder todo, logo, loguinho. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Sob alegação cínica e canalha de geração de empregos temporários e/ou de arrecadação para comércios locais, vai se alastrando nessa Pindorama fadada à desgraça a praga cancerosa das micaretas, ou carnavais temporões. O poviléu, ignorantizado, bovinizado, adere como sob o berrante do vaqueiro ou o tinir da vara de ferrão. São as legiões de objetos vestidos em panos patéticos, ostentando bonés que não passam de coroas para a estupidez assumida; são as legiões dos obedientes ao “pensamento unificado” imposto pela mídia dos globalizadores. “Pensamento unificado” é tão possível quanto “burrice criadora”, ou “boçalidade fecunda”: um paradoxo. Trata-se de um “não pensamento”, algo absolutamente igual ao estado mental de um amontoado de larvas numa bicheira ou de ninfas de percevejo expostas ao mundo sobre a folha de uma planta (ou “pranta”, como dizem os bugres nas montanhas sul-mineiras). Cérebros? Não passam de um monte de aparelhos rudimentares de operação de instintos e desejos, nada mais que isso reagindo em conjunto, sendo a individualidade algo relativíssimo, até proibitivo. Pois então lá vêm os carnavais temporões, em que uma alegria postiça é manifestada como forma de desobediência estúpida a um vago “poder constituído”, postura desobediente que normalmente envereda pela bestialidade em todos os possíveis matizes: porrada acionada por álcool e outras drogas, sexo degenerado em estado orgíaco animalesco, alegria calhorda porque sem apoio em qualquer fundamento prático ou tradição. Contemplando comiseradamente esse quadro dantesco entrevemos os cornos malignos dos títeres dos globalizadores a serviço de comandantes ocultos em valhacoutos de onde emanam a perdição e a prostituição que encaminham e pavimentam o grande golpe de Estado internacional já iminente. Enter.
Esta é uma faceta do horror institucionalizado neste país-lugar hoje ermo de melodia e beleza, coisas que nos embalaram até 1964, embora hienas, chacais, serpentes e todo tipo de pragas já viessem corrompendo nossa vida coletiva desde Cabral – que trouxe em sua esquadra um certo Gaspar da Gama, monstrinho achado em Goa por Vasco da Gama em 1498. Depois de meter o calabrote no animalzinho, Vasco da Gama acabou iludido por uma suposta sabedoria sobre as Índias exibida por esse rato, e que muito agradaria a Dom Manuel, o Venturoso. O nome verdadeiro do pulhazinho de nariz adunco e curvado sobre uma pequena boca de lábios sensuais ninguém sabe, nem mesmo Solidônio Leite Filho, que o detectou na História chegando em pequena embarcação ao costado da nau São Gabriel, capitânea da frota de Vasco da Gama, ancorada em enseada no Índico. Mas o horror definitivo, a força-tarefa para nosso desmantelamento irreversível, começou com a entrada nefasta da Rede Globo no ar, como atesta o vídeo Beyond Citizen Kane, acurada análise sobre a ação do plim-plim contra a identidade sócio-política da população brasileira. Enter.
Rodamos o botão do dial no rádio e só sintonizamos miséria sonora e som de grunhidos de debilóides de todas as laias. Se o rádio, tão logo inventado, já começou sendo desvirtuado para desarticular a ação das mentes, hoje é usado como instrumento de neurotização coletiva, ou de coletivização de neurose, como você preferir. Lá pelos anos 50 instituíram a radionovela, uma desgraça que precedeu a telenovela, desgraça à enésima potência. Era a turma do Gaspar da Gama agindo lá, transformando o rádio, como disse o filósofo do neoliberalismo Cazuza, “num puteiro – porque assim se ganha mais dinheiro”. E também foi então que criaram os programas de auditório, em que se juntavam, aos guinchos, adolescentes apedeutas adoradoras de ídolos do microfone e do disco. Nestor de Holanda apelidou as infelizes de “macacas de auditório”, o que lhe renderia hoje, nestes dias de cinismo, processos por crime de racismo ou discriminação, como você quiser. E o interessante é que o nome terá sido postergado, mas as tais “macacas de auditório” de Holanda parece que são hoje quase toda a população feminina jovem do Brasil, ganindo junto com chapeludos, botinudos e fiveludos que infestam os palcos dessa cloaca entre Oiapoque e Chuí em que nos vemos metidos e confinados sem qualquer vislumbre de escapatória. Enter.
Bem pior que o rádio, a TV só mostra porcaria grossa, e exibe um verdadeiro massacre de comerciais, hoje beirando o mais primário e apelativo, sem qualquer poesia – não como até há poucos anos, quando os comerciais eram inteligentes e muito acima da quase totalidade da programação geral. Os comerciais da Brastemp, da Cofap (do cachorrinho dachshund), de Bom Brill e outros tantos eram geniais. Ultimamente, só um de um plano de saúde aí incluindo dentista deu pra curtir. O resto são enredos estúpidos e fantasiosos, como a do lagartão que reencontra seu algoz na meninice. A bosta rala é a lei na programação e nos intervalos comerciais. Só se salvam a Rede Minas e a Cultura de São Paulo. A primeira exibe uma programação visual de muito bom gosto, embora cheia de erros de Português; a segunda, mesmo sendo um patrimônio admirável, vem caindo o nível de forma assustadora, como já visto aqui. Mas, vez por outra, dá pra ver uma ou outra apresentação de sinfônica, como os concertos da OSESP – ainda que passando constrangimentos, como ter de aturar a conduta afetada e infantil da apresentadora Estela Ribeiro, absolutamente imprópria para programas de música erudita e coisas envolvidas com isso. Enter final.
Bem que Henry Kissinger, aquele degenerado secretário dos globalizadores, declarou, lá pros anos 60, a respeito do “Brizêu”: “Não queremos um tigre asiático abaixo do Equador”. Dito e feito: transformaram o Brasil num puteiro, como disse Cazuza, e numa cloaca, também num inferno. Ainda bem que não tenho mais toda uma vida nesta terra desgraçada. Ai dos que ainda estão no começo das suas... pois esse inferno vai arder todo, logo, loguinho. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Notas sobre a desigualdade degradada
Frederico Mendonça de Oliveira
Abrir a Folha Ilustrada é viver contrastes atrozes. O caderno de aminidades e informação especial da publicação – esquecendo o que era publicado nele 20 e tal anos atrás – chega a assustar pela audácia e até pela violência das loucuras que ali se exibem. Classificada pelo pessoal do Hora do Povo como “cloaca da Barão de Limeira”, a Folha impressiona por ser um jornal péssimo como todos os outros e por ser agressivo agente de desinformação, tanto quanto um atraente objeto de consumo e – bem mais importante – suporte para exibição de diversos talentos de nossa intelectualidade e mesmo de gênios nossos. Isso merece relato: falemos curto e grosso. Enter.
“Curto e grosso” não como o impostor apedeuta Lula, claro. E vamos em frente. A página de capa da Ilustrada é uma vergonha: hipertrofia o anunciante e relativiza a matéria de capa. A página, medindo 30x56, usa 24x40 do espaço para o comercial ultra burguês. A matéria fica restrita a um espaço superior onde aparecem o título e uma eventual foto, mais um texto, que desce pelo lado esquerdo da página até o rodapé, usando exatos 4,5 cm de mancha: um pirulito. A idéia que aflora é a de vender ser muito mais importante que informar ou reportar. Abre-se a coisa, e lá está na página dois a Mônica Bérgamo, colunista das elites. E que elites! Desfila por lá na verdade um bando de ladrões e trancafiáveis, todos glamurizados como se fossem seres inatacáveis, exemplares. Numa dessas, há poucos meses, ela dedicou uma coluna inteira a uma festa em que Henrique Meireles, o “diretor” do Banco Central, era recebido em coquetel por um bando de colunáveis que parecia virem de outro país: gente desconhecida de quase todos e com sobrenomes cheios de consoantes. Meireles é sabidamente um rato, e Lula teve de “blindá-lo” – apoiado pelas forças globalizadoras – para que não conhecesse o futum de um cárcere, mesmo que soubéssemos que nada iria acontecer a esse agente dos chacais intervencionistas. Pois lá estava uma festança para apresentá~lo como candidatável à... presidência da República!!!! Puta que pariu!!!! Entre os comentários torpes, um lá citou a dificuldade de elegê-lo, já que “o povo odeia banqueiros”. Pudera... Mas o espírito globalizador era um fato. Qualquer pessoa temente a Deus sentiria o fedor de tetrametilenodiamina regendo aqueles momentos. Enter.
E teve as festas de casamento dos milionários brasileiros, a respeito de quem a coluna falou duas vezes em serem fortunas de ranking mundial. Aparecem, na edição de 16 de setembro, os casamentos de Renata Queiróz e José Ermírio de Moraes e de Daniella Sarahyba e Wolff Klabin. Além disso, pinta um outro casório como que de penetra, de Wanessa Camargo com Marcus Buaiz. Um espetáculo provocante de festança de beautiful people por um lado, uma afronta ao Brasil sob desigualdade degradada por outro, como apontou o crítico Roberto Schwarz. As fotos são de contos de fadas. Mas o que mais impressiona são os preços dos presentes. A Daslu faturou grosso nessa. De açucareiro a R$ 1410, bule a R$ 2620 até sopeira Rosenthal a R$ 19 mil e lustre a R$ 140 mil. Fora das fronteiras dessa esbanjação escandalosa, a pobreza cresce, e o País se esmaga sob a miséria resultante justamente... disso. Parabéns, lindas mulheres e noivos milionários. Hoje sabemos que o povo não marchará mais sobre os opressores. Mas a Lei não morre, e virá a resposta dos céus. É só aguardar. Pode não ser aqui, nesta vida, mas o equilíbrio universal é soberano e imutável. Deus é justiça pura. Enter.
Em gritante contraste com isso, as tiras de nossos gênios do cartum trazem uma visão contundente de tudo que nos cerca a aflige. Desde a loucura generalizada em tons sombrios e luz fatal do Angeli até a visão em plasticidade encantadora – inclusive no argumento – e hilariante do Gonsalez exibindo o Níquel Náusea, por si um peido na figura careta de Mickey Mouse. Ainda um Laerte e um Caco Galhardo apocalípticos e por vezes até herméticos, também um Glauco surrealista. E um Adão Iturrusgarai normalmente impagável com sua imperdível dupla Rock & Hudson em fundo normalmente rosa. Fecham essa plêiade, embaixo, o sempre inteligente Garfield e o já clássico Hagar. Não é preciso ir mais longe e fundo nisso: a genialidade de nossos cartunistas é um contraste feio se comparado com os fatos, para alguns, escusos, de La Bérgamo. E na coia da página de capa, registre-se um Nélson Freire, gênio brasileiro do piano reconhecido mundialmente, amassado no topo da página dentro daqueles parâmetros já verificados, aquele imenso L invertido, tendo como destaque arrebatando quase toda a página um comercial sobre não sei que Ursinho POOH, com área de 40x25. Isso aparece sob a chancela do Morumbi Shopping, e alude ao mundo mágico do tal porcaria de ursinho. A fisionomia de Nelson Freire, pendurada lá no alto, contrasta, pela seriedade e concentração, ao gigantismo do comercial, e até parece algo rejeitável em comparação com as imensas fisionomias estupidamente felizes do tal Pooh e dos imbecis que compõem a cena macabramente sorridente. Enter final.
É isso. Miséria produzida para parecer maravilha. Os gostosões e as gostosonas pululam em festanças enquanto o povão paga impostos massacrantes lutando por poder respirar e se compensando da tragédia torcendo pelo “curíntian”. Ou pelo “parmera”. Mesmo que gente limpa e adorável como Ferreira Gullar escreva nessa merda Ilustrada, falando para ninguém ouvi-lo, sentimos a faca imunda e cínica dos chacais conduzindo a “festa”. Festa de destaques como da Mônica, servil e sem qualquer caráter, instrumento dos seres abissais, dourando a orgia dos que lavam as mãos dos destinos dos próprios filhos. Um dia chegará: como disse Thomas Jefferson, nossos descendentes mijarão em nossos túmulos, porque fomos françuás e sacolões e ritas nestes dias de abjeção. A turma só quer é vectras, golfs, kias, toyotas e coisas merdais que tais para tentar minimizar a dor indescritível e insuportável das hemorróidas. E sorriem para as câmeras dos demônios travestidos em produtores de inserção no olimpo duvidoso das elites sem berço. Que viagem! Dedicamos estas linhas ao menino João Hélio, que Mônica Bérgamo não tem a menor capacidade ou sensibilidade pra saber quem seja. E ele é verdadeiramente o que importa a nós todos, por ser nossa mais pesada e lamentada perda!! A Folha prossegue empresa, jornal, até quadrilha, o que for; e João Hélio é a bofetada que atesta nossa desigualdade degradada. E vamos de Ivete Sangalo, de Leonardo, de Daniel, de Ronaldos, de toda essa merda incomensurável. Afinal, não temos só boca::também temos reto. E viva Santo Expedito! Oremos. ’Té mais, crianças!
Abrir a Folha Ilustrada é viver contrastes atrozes. O caderno de aminidades e informação especial da publicação – esquecendo o que era publicado nele 20 e tal anos atrás – chega a assustar pela audácia e até pela violência das loucuras que ali se exibem. Classificada pelo pessoal do Hora do Povo como “cloaca da Barão de Limeira”, a Folha impressiona por ser um jornal péssimo como todos os outros e por ser agressivo agente de desinformação, tanto quanto um atraente objeto de consumo e – bem mais importante – suporte para exibição de diversos talentos de nossa intelectualidade e mesmo de gênios nossos. Isso merece relato: falemos curto e grosso. Enter.
“Curto e grosso” não como o impostor apedeuta Lula, claro. E vamos em frente. A página de capa da Ilustrada é uma vergonha: hipertrofia o anunciante e relativiza a matéria de capa. A página, medindo 30x56, usa 24x40 do espaço para o comercial ultra burguês. A matéria fica restrita a um espaço superior onde aparecem o título e uma eventual foto, mais um texto, que desce pelo lado esquerdo da página até o rodapé, usando exatos 4,5 cm de mancha: um pirulito. A idéia que aflora é a de vender ser muito mais importante que informar ou reportar. Abre-se a coisa, e lá está na página dois a Mônica Bérgamo, colunista das elites. E que elites! Desfila por lá na verdade um bando de ladrões e trancafiáveis, todos glamurizados como se fossem seres inatacáveis, exemplares. Numa dessas, há poucos meses, ela dedicou uma coluna inteira a uma festa em que Henrique Meireles, o “diretor” do Banco Central, era recebido em coquetel por um bando de colunáveis que parecia virem de outro país: gente desconhecida de quase todos e com sobrenomes cheios de consoantes. Meireles é sabidamente um rato, e Lula teve de “blindá-lo” – apoiado pelas forças globalizadoras – para que não conhecesse o futum de um cárcere, mesmo que soubéssemos que nada iria acontecer a esse agente dos chacais intervencionistas. Pois lá estava uma festança para apresentá~lo como candidatável à... presidência da República!!!! Puta que pariu!!!! Entre os comentários torpes, um lá citou a dificuldade de elegê-lo, já que “o povo odeia banqueiros”. Pudera... Mas o espírito globalizador era um fato. Qualquer pessoa temente a Deus sentiria o fedor de tetrametilenodiamina regendo aqueles momentos. Enter.
E teve as festas de casamento dos milionários brasileiros, a respeito de quem a coluna falou duas vezes em serem fortunas de ranking mundial. Aparecem, na edição de 16 de setembro, os casamentos de Renata Queiróz e José Ermírio de Moraes e de Daniella Sarahyba e Wolff Klabin. Além disso, pinta um outro casório como que de penetra, de Wanessa Camargo com Marcus Buaiz. Um espetáculo provocante de festança de beautiful people por um lado, uma afronta ao Brasil sob desigualdade degradada por outro, como apontou o crítico Roberto Schwarz. As fotos são de contos de fadas. Mas o que mais impressiona são os preços dos presentes. A Daslu faturou grosso nessa. De açucareiro a R$ 1410, bule a R$ 2620 até sopeira Rosenthal a R$ 19 mil e lustre a R$ 140 mil. Fora das fronteiras dessa esbanjação escandalosa, a pobreza cresce, e o País se esmaga sob a miséria resultante justamente... disso. Parabéns, lindas mulheres e noivos milionários. Hoje sabemos que o povo não marchará mais sobre os opressores. Mas a Lei não morre, e virá a resposta dos céus. É só aguardar. Pode não ser aqui, nesta vida, mas o equilíbrio universal é soberano e imutável. Deus é justiça pura. Enter.
Em gritante contraste com isso, as tiras de nossos gênios do cartum trazem uma visão contundente de tudo que nos cerca a aflige. Desde a loucura generalizada em tons sombrios e luz fatal do Angeli até a visão em plasticidade encantadora – inclusive no argumento – e hilariante do Gonsalez exibindo o Níquel Náusea, por si um peido na figura careta de Mickey Mouse. Ainda um Laerte e um Caco Galhardo apocalípticos e por vezes até herméticos, também um Glauco surrealista. E um Adão Iturrusgarai normalmente impagável com sua imperdível dupla Rock & Hudson em fundo normalmente rosa. Fecham essa plêiade, embaixo, o sempre inteligente Garfield e o já clássico Hagar. Não é preciso ir mais longe e fundo nisso: a genialidade de nossos cartunistas é um contraste feio se comparado com os fatos, para alguns, escusos, de La Bérgamo. E na coia da página de capa, registre-se um Nélson Freire, gênio brasileiro do piano reconhecido mundialmente, amassado no topo da página dentro daqueles parâmetros já verificados, aquele imenso L invertido, tendo como destaque arrebatando quase toda a página um comercial sobre não sei que Ursinho POOH, com área de 40x25. Isso aparece sob a chancela do Morumbi Shopping, e alude ao mundo mágico do tal porcaria de ursinho. A fisionomia de Nelson Freire, pendurada lá no alto, contrasta, pela seriedade e concentração, ao gigantismo do comercial, e até parece algo rejeitável em comparação com as imensas fisionomias estupidamente felizes do tal Pooh e dos imbecis que compõem a cena macabramente sorridente. Enter final.
É isso. Miséria produzida para parecer maravilha. Os gostosões e as gostosonas pululam em festanças enquanto o povão paga impostos massacrantes lutando por poder respirar e se compensando da tragédia torcendo pelo “curíntian”. Ou pelo “parmera”. Mesmo que gente limpa e adorável como Ferreira Gullar escreva nessa merda Ilustrada, falando para ninguém ouvi-lo, sentimos a faca imunda e cínica dos chacais conduzindo a “festa”. Festa de destaques como da Mônica, servil e sem qualquer caráter, instrumento dos seres abissais, dourando a orgia dos que lavam as mãos dos destinos dos próprios filhos. Um dia chegará: como disse Thomas Jefferson, nossos descendentes mijarão em nossos túmulos, porque fomos françuás e sacolões e ritas nestes dias de abjeção. A turma só quer é vectras, golfs, kias, toyotas e coisas merdais que tais para tentar minimizar a dor indescritível e insuportável das hemorróidas. E sorriem para as câmeras dos demônios travestidos em produtores de inserção no olimpo duvidoso das elites sem berço. Que viagem! Dedicamos estas linhas ao menino João Hélio, que Mônica Bérgamo não tem a menor capacidade ou sensibilidade pra saber quem seja. E ele é verdadeiramente o que importa a nós todos, por ser nossa mais pesada e lamentada perda!! A Folha prossegue empresa, jornal, até quadrilha, o que for; e João Hélio é a bofetada que atesta nossa desigualdade degradada. E vamos de Ivete Sangalo, de Leonardo, de Daniel, de Ronaldos, de toda essa merda incomensurável. Afinal, não temos só boca::também temos reto. E viva Santo Expedito! Oremos. ’Té mais, crianças!
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
O Português dos macacos sem rabo
Frederico Mendonça de Oliveira
Ou o Português das antas vestidas, de tênis e boné, como vocês quiserem. Mesmo que alguém – ou, melhor: algo vestido à maneira de alguém – argumente que o idioma está se deteriorando porque a miséria generalizada determina essa deterioração, não podemos esquecer que um Lula, uma Hebe Camargo, um Alexandre Pires ou uma Xuxa ou todos os integrantes da fauna televisiva e da elite em geral estão cheios da grana e não passam de apedeutas bem empacotados. A estrupidez para com o Português é um estado de espírito instituído, tanto como o estelionato moral: todos compartilham essa miséria intelectual da fala grosseira e rasteira em combinação e conformidade com essa malignidade de transgredir à maneira dos mandatários. Vamos desfilar aqui para vocês uma enfiada de asneiras que os macacos sem rabo hoje palram, eructam ou bostejam com cara de paisagem, como se estivessem mesmo falando. É patético, dá a impressão de que o fim se instala sem cerimônia. Vamos a isso. Enter.
Começa com a grosseria asinina de transformar o infinitivo do verbo vir em pretério perfeito. Além de córnea como concepção de fala, é obsceno como prática. O Márcio Garcia, aquele ser gramaticalmente mulo embora até bem apessoado que toca o programa de sábado à tarde na Record, quando vai receber alguma toupeira para aumentar o contingente já ali reunido, solta o sesquipedal “Pode VIM”. Como ele, pelo menos uns 184.999.000 falam assim. Virou um hábito mecânico nessas coisas a que antes chamávamos de mentes. E está muito claro que isso de mentes não é mais necessário, como bem demonstra a personagem de Caco Galhardo que devora cérebros: quando alguém reclama de ter tido o seu devorado, o bicho argumenta que isso não é mais necessário, ou então propõe uma solução perfeita: “Ligue a TV“. E já que falamos em TV, a Rede Minas passa por ser educativa, mas pouco ou nada é. E sistematicamente joga no ar aquela vergonhosa “Você está assistindo isso”. No lugar desse isso, o nome do programa. Será que ninguém lá dentro sabe que o verbo assistir, se usado como transitivo direto, significa “dar assistência a”, ou “cuidar de”? Pois é: há anos, diariamente, rola essa bosta. O idioma que vá pro fundo do inferno, tanto quanto esse Brasil tão mais desgraçado a cada dia, esta é a lei. Enter.
E a macacada brasilis opta por alterar o verbo fechar em suas formas rizotônicas: usam com e tônico aberto. Fica mais estúpido, portanto é melhor. Se as cacatuas da TV bostejam assim a torto e a direito, é assim. E assim ficam sendo “compania” em lugar de companhia; “truce” em lugar de trouxe – é tão mais fácil, não é mesmo, ô capivaras? –; “peneus” em lugar de pneus, e essa é firmemente difundida pelo onagro assumido Galvão Bueno, que parece até ser um bom sujeito, mas que caiu em antipatia geral. Ele também divulga o fecha aberto: “O Atlético se “fécha” na defesa”. Só faltava dizer “O Atrético”, e só não diz porque é carioca e branco, e cariocas brancos não falam assim. Quanto a letreiros, cartazes, qualquer coisa impressa, a putaria rola solta. Aspas viraram elemento decorativo: “Só não pagam passagem crianças ‘no colo’”. Fica para o leitor a satisfação de analisar o que leva os bugres a tal atitude. Tem até coisas que acabam certas sem querer: “Casas Não Sei Quê: onde à elegância chega até você”. Eles queriam dizer que a elegância chega até você, acabaram dizendo que até você chega à elegância. A crase entrou por tacanhez, acabou certa de outra forma – e para a capivara que lê, isso não muda nada: até porque ninguém mais sabe o que seja elegância. Enter.
E tem a doença do “antes de ontem” em lugar de anteontem, sem esquecer o trágico “ônti” no lugar de ontem, agravado pelo paulistanês “ôunti”; e o abissal “antes de ônti”, que vai ao catastrófico com o paulistanês “antis di ôunti”. Antes de ontem pode ser qualquer data passada, porra!, é óbvio. E tem o “vai vim” e o “vô vim”, que passam o atestado de óbito para os integrados nesta cloaca fétida que é a Pindorama do terceiro milênio. E esses seres que começaram por dizer “teiado” em vez de telhado vieram construindo telhados desde 1500 e sabem por instinto encaixar órgãos sexuais, e chegamos aos 185 milhões de energúmenos, em sua maioria esmagadora não passando de maratimbas fazendo eco e apresentando as orelhas de abano aos guais ganibundos e lancinantes de Mirosmares e Lucianos da vida infernal de hoje. E por falar em Mirosmar, prenome de um certo capa-bode ou cafumango de nome de guerra Zezé di Camargo, vale a pena observar os prenomes nesses dias apocalípticos de bonezudos, fiveludos, botinudos, chapeludos, pneuzudas, tudo vivendo em turbilhão e atendendo por desde Zecas até Charlingtonglaevionbeecheknavares dos Anjos Mendonça, que aliás permite que o chamem de Charli. E por aí vamos pirambeira abaixo. Enter final.
Viver no Brasil hoje é o que se pode chamar de escatologia, na primeira acepção do termo. E ainda existe o drama de falar ao telefone com desconhecidos no outro lado da linha. Não é incomum receber uma chamada a cobrar e o boçal do outro lado ainda perguntar insolentemente “Queim ’tá falano?”. Pior ainda é ligar para uma empresa qualquer e aturar uma funcionária psicopata que quer arrancar informações inúteis do pobre infeliz que ligou querendo saber apenas se o patrão ou outro empregado que não ela estão. Depois de nos obrigar a dizer o nome e origem da ligação, ela diz que “Ele não está”; se for paulistana, solta um “Ele não se incountra” – o que nos faz pensar que o cara pirou. A luta quase corporal ao telefone é uma das marcas do inferno que vivemos. E se conseguimos driblar uma louquinha dessas dando o nome antes de ela perguntar, ela até eventualmente responde o que queremos e, antes de passar a chamada, pergunta: “Como é o seu nome?”, e começa tudo de novo. O ideal é mandarmos a criatura pro inferno, aliás local de onde ela veio ou onde na verdade vive. E por hoje é só. Vamos redescobrindo o Brasil. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
Ou o Português das antas vestidas, de tênis e boné, como vocês quiserem. Mesmo que alguém – ou, melhor: algo vestido à maneira de alguém – argumente que o idioma está se deteriorando porque a miséria generalizada determina essa deterioração, não podemos esquecer que um Lula, uma Hebe Camargo, um Alexandre Pires ou uma Xuxa ou todos os integrantes da fauna televisiva e da elite em geral estão cheios da grana e não passam de apedeutas bem empacotados. A estrupidez para com o Português é um estado de espírito instituído, tanto como o estelionato moral: todos compartilham essa miséria intelectual da fala grosseira e rasteira em combinação e conformidade com essa malignidade de transgredir à maneira dos mandatários. Vamos desfilar aqui para vocês uma enfiada de asneiras que os macacos sem rabo hoje palram, eructam ou bostejam com cara de paisagem, como se estivessem mesmo falando. É patético, dá a impressão de que o fim se instala sem cerimônia. Vamos a isso. Enter.
Começa com a grosseria asinina de transformar o infinitivo do verbo vir em pretério perfeito. Além de córnea como concepção de fala, é obsceno como prática. O Márcio Garcia, aquele ser gramaticalmente mulo embora até bem apessoado que toca o programa de sábado à tarde na Record, quando vai receber alguma toupeira para aumentar o contingente já ali reunido, solta o sesquipedal “Pode VIM”. Como ele, pelo menos uns 184.999.000 falam assim. Virou um hábito mecânico nessas coisas a que antes chamávamos de mentes. E está muito claro que isso de mentes não é mais necessário, como bem demonstra a personagem de Caco Galhardo que devora cérebros: quando alguém reclama de ter tido o seu devorado, o bicho argumenta que isso não é mais necessário, ou então propõe uma solução perfeita: “Ligue a TV“. E já que falamos em TV, a Rede Minas passa por ser educativa, mas pouco ou nada é. E sistematicamente joga no ar aquela vergonhosa “Você está assistindo isso”. No lugar desse isso, o nome do programa. Será que ninguém lá dentro sabe que o verbo assistir, se usado como transitivo direto, significa “dar assistência a”, ou “cuidar de”? Pois é: há anos, diariamente, rola essa bosta. O idioma que vá pro fundo do inferno, tanto quanto esse Brasil tão mais desgraçado a cada dia, esta é a lei. Enter.
E a macacada brasilis opta por alterar o verbo fechar em suas formas rizotônicas: usam com e tônico aberto. Fica mais estúpido, portanto é melhor. Se as cacatuas da TV bostejam assim a torto e a direito, é assim. E assim ficam sendo “compania” em lugar de companhia; “truce” em lugar de trouxe – é tão mais fácil, não é mesmo, ô capivaras? –; “peneus” em lugar de pneus, e essa é firmemente difundida pelo onagro assumido Galvão Bueno, que parece até ser um bom sujeito, mas que caiu em antipatia geral. Ele também divulga o fecha aberto: “O Atlético se “fécha” na defesa”. Só faltava dizer “O Atrético”, e só não diz porque é carioca e branco, e cariocas brancos não falam assim. Quanto a letreiros, cartazes, qualquer coisa impressa, a putaria rola solta. Aspas viraram elemento decorativo: “Só não pagam passagem crianças ‘no colo’”. Fica para o leitor a satisfação de analisar o que leva os bugres a tal atitude. Tem até coisas que acabam certas sem querer: “Casas Não Sei Quê: onde à elegância chega até você”. Eles queriam dizer que a elegância chega até você, acabaram dizendo que até você chega à elegância. A crase entrou por tacanhez, acabou certa de outra forma – e para a capivara que lê, isso não muda nada: até porque ninguém mais sabe o que seja elegância. Enter.
E tem a doença do “antes de ontem” em lugar de anteontem, sem esquecer o trágico “ônti” no lugar de ontem, agravado pelo paulistanês “ôunti”; e o abissal “antes de ônti”, que vai ao catastrófico com o paulistanês “antis di ôunti”. Antes de ontem pode ser qualquer data passada, porra!, é óbvio. E tem o “vai vim” e o “vô vim”, que passam o atestado de óbito para os integrados nesta cloaca fétida que é a Pindorama do terceiro milênio. E esses seres que começaram por dizer “teiado” em vez de telhado vieram construindo telhados desde 1500 e sabem por instinto encaixar órgãos sexuais, e chegamos aos 185 milhões de energúmenos, em sua maioria esmagadora não passando de maratimbas fazendo eco e apresentando as orelhas de abano aos guais ganibundos e lancinantes de Mirosmares e Lucianos da vida infernal de hoje. E por falar em Mirosmar, prenome de um certo capa-bode ou cafumango de nome de guerra Zezé di Camargo, vale a pena observar os prenomes nesses dias apocalípticos de bonezudos, fiveludos, botinudos, chapeludos, pneuzudas, tudo vivendo em turbilhão e atendendo por desde Zecas até Charlingtonglaevionbeecheknavares dos Anjos Mendonça, que aliás permite que o chamem de Charli. E por aí vamos pirambeira abaixo. Enter final.
Viver no Brasil hoje é o que se pode chamar de escatologia, na primeira acepção do termo. E ainda existe o drama de falar ao telefone com desconhecidos no outro lado da linha. Não é incomum receber uma chamada a cobrar e o boçal do outro lado ainda perguntar insolentemente “Queim ’tá falano?”. Pior ainda é ligar para uma empresa qualquer e aturar uma funcionária psicopata que quer arrancar informações inúteis do pobre infeliz que ligou querendo saber apenas se o patrão ou outro empregado que não ela estão. Depois de nos obrigar a dizer o nome e origem da ligação, ela diz que “Ele não está”; se for paulistana, solta um “Ele não se incountra” – o que nos faz pensar que o cara pirou. A luta quase corporal ao telefone é uma das marcas do inferno que vivemos. E se conseguimos driblar uma louquinha dessas dando o nome antes de ela perguntar, ela até eventualmente responde o que queremos e, antes de passar a chamada, pergunta: “Como é o seu nome?”, e começa tudo de novo. O ideal é mandarmos a criatura pro inferno, aliás local de onde ela veio ou onde na verdade vive. E por hoje é só. Vamos redescobrindo o Brasil. E viva Santo Expedito! Oremos. Bye, babes!
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